Rio de Janeiro, Brasil, 1924. Num Brasil recém saído da impactante “Semana de arte Moderna” (SP/1922) e das polêmicas comemorações do centenário da independência e em meio ao governo do autoritário presidente Artur Bernardes, das agitações tenentistas e do início da “crise dos anos 20” que poria fim, oito anos mais tarde, à “República Velha”, a população da então capital de “República dos Estados Unidos do Brasil” está estarrecida diante da impiedosa atuação de um serial killer muito peculiar. Ele só mata membros da vetusta “Academia Brasileira de Letras” e sempre por envenenamento. Quem seria o tão cruel assassino? Quais seriam as suas motivações? Quem seria o próximo? Poderia alguém detê-lo?
Sob pressão da opinião pública e de seus superiores lança-se no encalço da “nêmesis” da ABL o intrépido comissário Machado Machado (isso mesmo, Machado Machado, pois seu pai, admirador incondicional do “Bruxo do Cosme Velho” e fundador da ABL, Machado de Assis, resolve homenageá-lo no nome e no sobrenome do filho) que, ao lado de seu amigo e médico legista Dr. Gilberto de Pena Monteiro, buscam esclarecer o mistério em torno do assassino e dos assassinatos.
Este é o primeiro romance do já saudoso José Eugênio Soares, mais conhecido pela alcunha Jô Soares (1938/2022) – humorista, roteirista, diretor, ator, escritor, dramaturgo, músico – um dos maiores multi talentos da cultura brasileira das últimas décadas.
“Assassinatos na academia Brasileira de Letras” é divertido, bem estruturado e resulta de uma boa pesquisa que, por sua vez, possibilitou uma ótima reconstituição histórica do Rio de Janeiro de 1924.
No entanto dá para perceber que o autor ainda estava “pegando o jeito” em seu primeiro livro, cuja trama, ainda que “bem amarrada” é um tanto esquemática em alguns momentos e algo simplista em outros. Jô fez bem melhor nos seus posteriores romances (“O Xangô de Baker Street”, “O homem que matou Getúlio Vargas” e “As esganadas”).
Ótimo entretenimento.