Acabei de ler o livro “O Mágico de Auswitch”, escrito pelo José Rodrigues dos Santos. Já li um outro livro deste autor, “O Codex 632”, que achei muito aborrecido, mas encontrei “O Mágico de Auswitch” no Continente (obviamente o melhor lugar para encontrar obras de literatura) e não notei que o autor era o mesmo. No entanto, tenho de dizer que acho a narrativa deste livro bastante mais cativante do que o “O Codex 632”.
O livro conta a história de duas pessoas durante a Segunda Guerra Mundial. Primeiro, temos o mágico: um júdeu alemão com raízes sefarditas que fugiu da Alemanha para a República Checa por causa de perseguição na sua pátria. Além do mágico, também seguimos um guerreiro português que é parte da Legião Estrangeira da Espanha. Ele alistou-se neste ramo da Legião depois de ter cometido um crime em Portugal e tinha que fugir. Na Guerra, uma parte desta Legião foi recrutada pelos Nazis para combater na Frente Russa, como a chamada Divisão Azul. Assim, o protagonista português acaba no infame cerco do Leningrado. Ao longo do livro, as duas personagens aproximam-se devido a circunstâncias fortuitas.O que gosto sobre deste livro, sendo baseado em factos reais, é que me ensina coisas novas sobre a Segunda Guerra Mundial. Por exemplo, nunca ouvi falar sobre a Divisão Azul e o seu papel na guerra. Ter duas histórias em simultâneo – que, afinal, se juntam – mantém o livro excitante. Não há, contudo, muito desenvolvimento das personagens. Além disso, uma das personagens principais, o guerreiro português, é muito antipático.
Se quiseres ler “O Mágico de Auswitch”, ficarias a saber que este é a prequela de um outro livro, “O Manuscrito de Birkenau”. Para teres a história cabal, tens de ler ambos os livros. “O Mágico de Auswitch” não tem um desfecho satisfátorio e não constitui uma conta em si própria. Recomendo o livro às pessoas que se interessam na história, especificamente esta página negra do século XX. Nunca podemos lembrar-nos demais do que a humanidade é capaz. No entanto, se estiveres à procura de uma obra-prima da literatura portuguesa, pode-se evitar este livro.