"The Places We Sleep" me atraiu por duas razões: a (devo dizer, belíssima) capa, e a temática infanto-juvenil em um contexto dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Poder-se-ia somar também o fato de ser um romance em verso (uma narrativa que acho interessante, se bem usada e com um propósito). No final, acabou sendo uma decepção.
Esse livro tem 260 páginas, e o que posso dizer é: as 30 primeiras e as 30 últimas páginas são muito boas e valem a pena. As 200 páginas entre esses segmentos.... eu realmente não consegui me importar com eles. O enredo fica parado, os personagens se tornam desinteressantes e nem um pouco carismáticos. Tirando um fato relevante que acontece nesse meio-termo, a evolução dos personagens emocionalmente falando (pensando que eles foram sim afetados de certa forma pela queda das Torres Gêmeas) é nula. A autora subdivide o livro em meses, e apesar de entender que o luto e o trauma não são coisas fáceis e rápidas de se resolverem, ver o mesmo patamar emocional por 9 meses seguidos e uma melhora repentina nas 15 últimas páginas... não sei.
Além disso, a estrutura de romance em verso não calha bem aqui. Devo dizer que, nas 30 primeiras páginas, o artifício foi bem utilizado, conseguindo dar ênfase em momentos específicos e brincando com a disposição do texto na página para algumas alusões (como, por exemplo, deixar a estrofe em um formato de ponto de interrogação durante uma das reflexões da protagonista que se questionava o porque de tal situação estar ocorrendo). Fora isso, me pareceu que a autora perdeu o interesse, escreveu o texto em prosa e foi apertando 'enter' onde lhe dava vontade e ,*tcharam*, a coisa está feita. Não colou.