´Brás Bexiga e Barra Funda´ é uma coletânea montada na forma de artigos de jornal que valendo-se de uma linguagem ´ítalo-brasileira´ nos apresenta uma série de heróis que são ao mesmo tempo trágicos e cômicos. O dia a dia paulistano na década de 20 confronta a vida de dificuldades do imigrante com a decadência das famílias tradicionais. Reflete assim as alterações nos costumes e na língua desencadeadas pela chegada dos ´italianinhos´. Modernista tardio Alcântara Machado contribuiu decisivamente ao lado de Mário e Oswald de Andrade para renovação da prosa ficcional brasileira.
Este pequeno livro é composto de 11 deliciosos contos , todos com personagens Italianos,em uma prosa ágil, seca e encantadora.
Fala se da triste história de Gaetaninho, retrata a diferença de classes em um conto onde a pequena Lisetta chora por um pequeno urso de pelúcia,fala sobre as saudades da terra natal em um conto com o sempre saudoso Tranquillo Zampinetti. Fala se sobre futebol em um jogo emocionante entre Corinthians e o então chamado Palestra Itália. Enfim há vários outros contos e personagens que o autor vai expondo como se fossem manchetes de um jornal.
Os três bairros citados no título do livro, são os três bairros onde se concentravam a maior quantidade de imigrantes italianos em São Paulo na década de 20.
Alcântara Machado (1901-1935), publicou esse livro em 1927, e o realismo e modo magistral com que os contos são escritos se deve ao fato de ele no, dia a dia ,trabalhar como jornalista.
Francamente, Antônio de Alcântara Machado fez uma obra que tinha muito para dar certo e perpetuar-se, mas só conseguiu fazer um livro irrelevante por querer sobressair no quesito da originalidade. Brás, Bexiga e Barra Funda fala dos imigrantes italianos que se aglutinam nesses três bairros que dão origem ao nome da obra. Estes italianos são retratados sem muita profundeza, sem muitas características, sem muito nada. Em realidade, podiam ser italianos ou armênios, por exemplo, pois o autor retrata aos imigrantes como quaisquer que acabam de chegar numa nação -neste caso o Brasil- e se sentem perdidos. Tinha posto muita vontade nos contos do paulistano, mas saí decepcionado com Antônio Machado pela experiência relevante que me fez "viver".
Logo no início se lê: "Este livro não nasceu livro, nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos, nasceram notícia". E é isso que parece. A impressão é que são contos e crônicas resultado da imaginação que viajou depois de ler uma notícia - um crime passional por exemplo, o que aconteceu naquele dia? como chegou a esse ponto?
Gostei muito por ter como pano de fundo a vida dos imigrantes italianos da São Paulo da década de 30.
um retrato interessante e abrangente da vida dos imigrantes italianos no brasil do início do século XX. gostei muito de como é amplo, mostrando a vida de homens, mulheres, crianças, adultos, pobres e ricos, mas senti que alguns contos poderiam ser um pouquinho maiores e mais detalhados para serem mais efetivos. ainda assim, entendo que esse era o formato que o autor desejava, histórias curtas e rápidos de ler. meu favorito foi o conto sobre a rivalidade entre corinthians e palmeiras (na época, ainda palestra itália). no conto o placar foi 2x1 e na vida real teve jogo deles ontem, acabou que quem ganhou foi o palmeiras com esse mesmo placar kkkkkk ai ai os refrescos.
Livro de contos que mostram a vida em São Paulo no comecinho do século 20.
A prosa de Machado é rica em detalhes e linguagem coloquial, transportando os leitores para as ruas de São Paulo. Ele captura a essência das pessoas e lugares, revelando as lutas, a solidariedade e o ritmo frenético da cidade.
Tive que ler este livro quando ainda estava no primário, mas não lembro quais foram as análises ou reflexões foram feitas. Hoje, relendo os contos, tornou-se muito mais interessante, com as citações de lugares que conheço, situações engraçadinhas e os italianinhos todos! #100livrosBravo #literaturabrasileira
"Brás, Bexiga e Barra Funda" (1927) is one of the works that fits perfectly into the first phase of Brazilian Modernism, which emerged in São Paulo in 1922 with the advent of the Modern Art Week. The book presents several characteristics of modernist brazilian literature, as well as other books made by the author. Oswald de Andrade himself, one of the main leaders in the process of implementing Modernism in Brazil, wrote the preface to Pathé-baby (1926), Alcântara Machado's debut book.
The author started early to work as a journalist, despite his training being in the area of law. At the age of 19, he had already published articles on literary criticism and his experience with journalism is reflected in his writting of short narratives, direct and fragmented language, with free verses, ironic humor narrating different facts in cinematographic flashes that portray urban scenes in the style of newspaper.
In this book, Alcântara Machado seeks to highlight the atmosphere of the city of São Paulo by portraying the three neighborhoods that make up the title. This can be considered his best-known work, you can find this book on practically every list of best reads in Brazilian literature. There are 11 short stories that make up the book, taking place in São Paulo neighborhoods with a clear Italian-Brazilian atmosphere.
The book well portrays the daily life of Italian immigrants during the 1920s, showing how the insertion of this culture was inserted in ours. Through the short stories we see flashes of the neighborhoods showing the daily life of the "carcamanos" as simple and hardworking people. The short stories are: “Gaetaninho”, “Carmela”, “War shot nº 35”, “Love and Blood”, “The Society”, “Lisetta”, “Corinthians (2) vs. Lecture (1)”, “Biographic Notes of the New Deputy”, “The wheel monster”, “Warehouse Progress of São Paulo” and “Nationality”.
Soon after the publication of this collection, in 1928, the author joined Oswald de Andrade and together they founded the Antropofagia Magazine. In partnership with Raul Bopp, Alcântara Machado was co-director of the magazine from May 1928 to February 1929, in that same year the author published Laranja da China.
O que me fez querer ler este livro foi uma crônica do Ivan Angelo que li numa Vejinha (Veja SP), enquanto aguardava uma consulta médica do meu pai em Sampa, na qual ele elogiava muito a obra. Somado ao fato que já havia lido o conto Gaetaninho, que é ótimo, numa das coletâneas Para Gostar de Ler, é um livro que antes mesmo de ler já me trazia ótimas memórias. E que decepção. Começa mal, os primeiros contos são enfadonhos; nem as invencionices modernistas na linguagem os salvam. Depois melhora, mas ao mesmo tempo que as habilidades de narrador de Alcântara Machado se destacam, os preconceitos dele se avultam. E não é só o elitismo, mas como bem nota a professora Cely Arena nos textos complementares, há racismo. Ela ainda tem dúvidas se é do narrador ou do autor, mas para mim está bem claro que Alcântara Machado era tão racista que fazia Monteiro Lobato parecer um destacado abolicionista. Todos os personagens negros são muito mais caricaturais do que os imigrantes italianos que ele já retratava de um ponto de vista elitista - Parque Industrial, da Pagu, é também uma obra modernista e faz um retrato muito mais interessante do Brás e dos seus trabalhadores, até porque é marcado pela alteridade. Além disso, características negativas são pespegadas aos personagens negros sem nenhum pejo. E não vou nem entrar no mérito de como ele se refere aos indígenas. Não sabia que essa edição também trazia junto o livro Laranja da China; é muito superior, embora muito menos famoso, e acaba salvando a leitura desse volume escolar, pois nele Alcântara Machado já era um narrador mais seguro e usava recursos estilísticos características do modernismo com mais parcimônia e criatividade. Infelizmente, os estereótipos racistas continuaram presentes. É claro que há matizes que também revelam qualidades à frente do seu tempo: um conto como Carmela, que a professora Arena entende que retrata a falta de mobilidade social da mulher imigrante, também pode ser entendido como um elogio à liberdade sexual feminina. Essa edição é para um vestibular de 1999; se àquela época, no posfácio, já se criticava o racismo e o elitismo do autor, hoje eu creio que a grita seria tão forte que a obra seria retirada da lista de leituras obrigatórias.
Presença constante nas listas de livros essenciais da nossa literatura, sobretudo pelo pioneirismo em retratar o cotidiano dos imigrantes italianos, ele desaponta quem não está muito ligado no seu contexto social e caráter inovador em seu momento. O livro até entretém, e o primeiro conto vai além disso, mas no geral se sente muito limitado. Caricatural e pouco profundo. Alguns contos são pouco mais que uma anedota. A inovação é mais que tudo estrutural, dentro do programa modernista pelo cinematográfico e renovação da linguagem.
Como descendente de italianos, membro de uma família de Palmeirenses e morador da Barra Funda, posso dizer que esse livro traz alguns contos que conseguem bem compilar alguns sentimentos conhecidos - os contos “Corinthians e Palmeiras” e “Lisetta” foram os meus favoritos.
Apesar disso, a diagramação do livro é bastante ruim, torna a leitura bem descompassada. Além disso, gostaria de ter mergulhado um pouco mais a fundo em algumas histórias - em vários momentos eu esquecia do conto no segundo em que o terminava, o que é uma pena.
Um retrato da época, do ponto de vista dos imigrantes italianos em São Paulo dos anos 1920. Nada de fora desse mundo, mas muito interessante ver como essa comunidade começou. Isso põe o modo como ela foi assimilada na atual conjectura em perspectiva, e ajuda a entender um pouco melhor os paulistas de hoje.
também ensina umas frases importantíssimas em italiano, como "fica esperto que eu te quebro a cara, seu filho dum cão sarnento".
Super decepcionante. Obviamente tem o seu valor histórico, que foi o motivo pelo qual comecei a ler, mas só. Tem alguns momentos interessantes, mas sua frenesi caleidoscópica quase cinemática não permite que muito seja aproveitado pelo leitor. Alienação total mesmo. Não vou reclamar das pitadas de code-switching que foram colocadas, que era o meu maior interesse. Fiquei tão decepcionado que vou ler o maravilhoso livro da Zélia Gattai de novo.
Pela importância que possui pensei que teria mais sustância. É leve e até mesmo engraçado (tirando os momentos racistas), mas acredito que autobiografia de Zélia Gattai, Anarquistas, Graças a Deus, faz muito mais por São Paulo e pelos imigrantes italianos como um documento histórico que captura a vivência italiana na cidade.
Muito gostosinho, oferece uma janela interessante do cotidiano dos filhos de imigrantes no ano de 1927. As imagens da cidade, as lojas, as ruas, embora de nome familiar e até sendo locais conhecidos, parecem outros, e de fato são. Cada história me fez buscar imagens antigas de um pedacinho de São Paulo. Realmente, uma leitura aconchegante.
Consultando meus "alfarrábios" de cinco anos atrás, anotei sobre esse livro que "Laranja da China", que acompanha algumas edições, me pareceu melhor que a história princnipal. Mas o livro em si não caiu no meu agrado.
Acho que já tinha lido este livro há alguns anos (ainda na época da escola), mas achei um pouco chato. Os contos tratam da imigração italiana na cidade de São Paulo, e dos novos brasileiros.
Com o fim da escravidão, em 1888, imigrantes italianos vêm para o Brasil para trabalhar nas lavouras de café. Após acumularem dinheiro, se tornam mais ricos, porém sem o glamour da já decadente burguesia cafeeira. São essas relações de poder X status que o autor descreve neste clássico do Modernismo. Sonhos, amores e partidas de futebol dos imigrantes que ajudaram este país a ser o que hoje é, permeiam todos os contos do livro.
foi bem legal, diferente do que eu leio normalmente, tanto que estranhei que não tem uma moral da história e coisas assim mas achei bem legal saber como era a vida das pessoas nessa época e como agiam
Um livro de contos que mostram o dia a dia dos imigrantes italianos na cidade de São Paulo. O título da obra são os nomes dos bairros o de haviam maior quantidade de imigrantes italianos. O livro contém muitos trechos em italiano, o que dificulta um pouco a leitura.