O que significa ser único? Qual é a marca da nossa identidade?
Inspirando-se numa história verdadeira - a sua própria - e em clássicos como O Duplo, de Dostoiévski, O Retrato de Dorian Gray ou mesmo O Homem Duplicado, de José Saramago, João Tordo constrói uma narrativa vertiginosa, onde a verdade escapa ao leitor a cada página.
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.
João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.
Iniciei "tarde" o meu percurso com João Tordo. Só o comecei a ler quando chegou, na altura, à Alfaguara, com o seu romance A Biografia Involuntária dos Amantes. Já era prémio Saramago, já tinha romances suficientes que comprovavam o seu valor, ainda assim nunca o tinha lido. E nem sei explicar porquê. Provavelmente confirmou-se aquela teoria que eu tanto defendo: são os livros que nos escolhem a nós e não o contrário. A verdade é que bastou aquela primeira leitura para ficar de sobreaviso que João Tordo era mais do que um autor premiado, era um autor ímpar. São coisas diferentes.
Acabei por conhecer o escritor pouco depois e para além de o entrevistar para o blogue, quiseram as circunstâncias que o entrevistasse, pouco tempo depois, para o programa Contentor 13. Conhecê-lo e falar com ele foi um processo que sempre oscilou entre o fascínio e a intriga. Já depois do romance que mencionei, João Tordo publicou a "Trilogia dos lugares sem nome", da qual fazem parte O Luto de Elias Gro, O Paraíso segundo Lars D. e O Deslumbre de Cecília Fluss. Já este ano, em 2018, publicou um novo romance, Ensina-me a voar sobre os telhados. Toda esta descrição para vos dizer que nunca voltei atrás. Ou seja, até a'O ano sabático nunca tinha pegado num romance anterior ao último lançado, apesar de já ter pelo menos também As Três Vidas.
Ler O ano sabático fez-me voltar a todos os instantes em que convivi com o autor. Mesmo já tendo lido todos os romances que mencionei no parágrafo anterior, O ano sabático surpreendeu-me de uma forma desarmante. Após ter terminado a sua leitura, fui ler a sinopse (eu raramente leio sinopses antes de iniciar os livros - sou estranha, eu sei) e deparei-me com a confirmação de ter parte real, ter parte do próprio autor na obra. De qualquer maneira, penso que seria impossível negá-lo. As semelhanças físicas dos protagonistas nunca poderiam ser mera coincidência. E depois de já ter entrevistado e convivido com João Tordo, também a associação de alguns traços psicológicos tornou-se inevitável.
Confesso, ainda sinto algum assombro. Mergulhar neste livro foi como mergulhar num universo dentro de outro universo, em que através de um tentamos compreender o outro, e em que cada universo corresponde a uma parte de um indivíduo. A estrutura da narrativa está montada de forma tão inteligente que desde cedo fez prever que nos iríamos sentir numa espécie de labirinto, rodeado por uma teia difícil de romper, mas do qual não quereríamos sair sem nos descobrirmos a nós mesmos primeiro.
"Percebeu também que lhe faltava alguma coisa e que essa falta jamais seria colmatada com uma carreira. Percebeu que sempre lhe faltaria alguma coisa; que era incompleto, insuficiente para si mesmo, e que, na verdade, tinha pavor de procurar essa coisa, uma vez que a procura corresponderia ao pior de todos os horrores."
"De vez em quando, abro a gaveta e olho para elas [fotografias], só para me recordar de que, nesta vida, o absurdo reina em absoluto."
Não falo sobre a história porque a sinopse já revela demasiado. No entanto, não vou terminar este texto sem referir a violência e o desolamento sentidos ao longo das páginas. O desespero e a obsessão da procura por uma identidade que se mostra sempre fugidia, sempre presa pelas teias da insegurança. O ano sabático é uma narrativa poderosíssima e reveladora das sombras que habitam os seres humanos. João Tordo foi compositor e maestro de uma espécie de exorcismo e de catarse, um caminho para a metamorfose. É, sem dúvida, dos romances que impressionam e que nos irão voltar à memória quando menos esperamos, lembrando-nos que as nossas fragilidades e os nossos fantasmas nos podem levar à loucura, mas que também os podemos usar para nos transformarmos, para dar forma a algo novo e admirável.
Foi a minha verdadeira estreia com João Tordo (digo verdadeira porque já tinha lido um pequeno conto dele) e confesso que ia um pouco a medo, não por achar que não ia gostar, mas por receio que estivesse com as expectativas muito elevadas.
Não podia estar mais enganada...! Fiquei presa ao livro desde a primeira página, não tanto pela história - apesar de também ter gostado! - mas sobretudo pela escrita e pela capacidade do autor de nos transportar para aqueles ambientes e para aqueles personagens.
Aqui está mais uma prova de que João Tordo faz a diferença no panorama literário português. Porque ninguém escreve como ele, ninguém cria história intrincadas e complexas com a mestria deste autor. Sempre que leio um livro de João Tordo, sinto-me a ser levada numa viagem alucinante, por caminhos que não conheço e que chego a temer, mas quando a viagem termina, sei sempre que valeu muito a pena!
Na primeira parte, João Tordo, guia-nos a síncope de contrabaixo, na segunda a ritmo de piano. Inicialmente somos regresso a casa, num voo Montreal - Lisboa, seguidamente invertemos a marcha e voltamos à partida. Voltamos diferentes, primeiro Hugo, depois Stockman.
Entre eles, no ponto mais elevado do eixo onde pousa a elipse, perde-se a identidade, olhamo-nos ao espelho e confrontamo-nos com um drama clássico: o duplo. Ao som de colcheias, semibreves e sustenidos abandonamos um, seguimos outro. Fecha-se o ciclo.
"Dormiu alguns dias no chão. Não soube exactamente quantos. Uma vez que se deitou ao lado do contrabaixo, descobriu que aquele lugar lhe era mais confortável do que a cama."
O que nos torna únicos? Qual é a marca da nossa identidade? São duas perguntas que tentamos encontrar resposta ao longo do livro. "Ano sabático " retrata a história de um homem que acredita possuir um duplo, um outro semelhanta a si mas com um talento superior ao seu. Continuo a me deliciar com a escrita de João Tordo, contudo teria preferido que o narrador personagem tivesse mantido. Fiquei sem compreender o verdadeiro destino de Hugo. Ele morreu ou tornou-se no Luis?
Primeiro livro que leio de João Tordo, gostei. Não é uma obra brilhante, mas é interessante. Fluído e fácil de criar envolvimento. A escrita é boa, mas irritou-me alguma falta de edição. Não se aceita que se possam encontrar conjuntos de adjetivações repetidos ao longo do livro, e isso acontece pelo menos umas 3 ou 4 vezes. Em literatura, e tendo em conta a riqueza da língua é sinal de preguiça e desleixo.
Em termos temáticos, não é propriamente algo muito inovador, sendo fácil encontrar vários clichés do fantástico, das ideias do duplo e da originalidade criativa, aqui e ali. Contudo revela uma abordagem interessante, com divisão do livro em duas partes, com apresentações de pontos de vista, sobre a mesma história, distintos. O pior acaba por sortir do facto do autor se ter deixado levar para um beco sem saída, e não ter conseguido dar um fechamento ao livro suficientemente compensador para o leitor. Não era fácil, mas os grandes escritores relembram-se a partir desta capacidade de dar a volta ao seu próprio texto.
“Toda a ficção é largamente autobiográfica. Muita da autobiografia é ficção.” Diz-nos P.D. James e isto aplica-se à nova obra de João Tordo. Nascendo de uma altura singular da vida do autor, que pode ser comprovada no número de nove de março deste ano da Revista do Expresso, “O Ano Sabático” espraia-se na temática do duplo, na dúvida metafísica, e chega-se à frente como uma obra essencial na literatura portuguesa das últimas décadas. O próprio livro divide-se. Na primeira parte temos Hugo, contrabaixista radicado em Toronto, numa vida não de boémia mas de errância e incertezas, que decide retornar à metrópole portuguesa à procura do apaziguamento da sua precoce crise de meia-idade (ou infância, ou adolescência, ou maturidade, a verdade é que Hugo vive numa crise desde a sua nascença).Em vez da harmonia, (re)encontra o que, sempre lhe fugindo, o tornava incompleto e miserável. Na segunda parte temos Luís, pianista de recente sucesso, “que nascera sem o cancro da dúvida”, que é à imagem de Hugo, seu semelhante, partilhando parecenças físicas e encontrando-se num espectro de criação artística que não é dos mortais somente, que é próprio de cada um e do seu “espelho”. É esta a dúvida que assola a obra, o autor e parte de nós, mesmo que nunca o tenhamos pensado. Estaremos sozinhos na nossa originalidade ou haverá quem partilhe das mesmas idiossincrasias, dos mesmos pensamentos, das mesmas criações? Em concordância com isto mesmo, João Tordo molda uma obra que faz jus à sua capa, reflecte os momentos em que “a realidade se derrete numa espiral de pânico”, usa esporadicamente um humor negro que humaniza e corporiza as personagens que de outra maneira poderiam ser vistos como apenas autómatos tocadores de instrumentos pelo leitor mais desatento, nas raras secções em que a obra estagna. No geral e, especialmente, no final, Tordo deixa-nos a pensar. E não há sinal mais positivo que nos diga que estamos perante uma obra distinta.
João Tordo é João Tordo. Para mim, que gosto mesmo muito da escrita dele, não há como não gostar de um livro. Este não é o melhor livro do autor. Demorou a agarrar-me. Não pela escrita em si, mas pelo tema - talvez demasiado filosófico para o que eu precisava neste momento. Depois agarrou-me e li a última metade de enfiada. Não consigo dizer muito acerca do livro sem dizer demasiado acerca da história... Gostei. Não amei. Angustiou-me, a espaços. Mexeu cá dentro. A imaginação do autor continua a ser um poço sem fundo e continua a surpreender-me. Vale a pena ler.
Há escritores que utilizam uma “fórmula” para criarem as suas histórias e normalmente têm sucesso com a mesma - Dan Brown, Nora Roberts e José Rodrigues dos Santos, só para citar alguns. Há leitores que gostam de cenários previsíveis, dá-lhes segurança, mas, no meu caso, após o segundo livro de “vira o disco e toca o mesmo”, ponho o escritor de lado.
Até agora, tenho considerado o João Tordo como um dos escritores portugueses contemporâneos mais interessantes. “O Bom Inverno” e “Hotel Memória” foram livros que me deixaram muito bem impressionada. Só que ao quinto livro, incluindo um “Anatomia dos Mártires” mediano, estou a descobrir que o João Tordo está a repetir uma fórmula que já me começa a cansar.
Que fórmula? A do narrador/personagem principal macambúzio, desajustado na sociedade onde vive, à procura de algo que não sabe bem o que é e que, pelo caminho, vai “metendo nojo” e afastando todas as pessoas que poderiam gostar dele. Ao quinto livro, perdi a paciência com tanta aura negativa.
A escrita continua a ser cuidada, muito agradável, mas já não consigo sentir qualquer entusiamo com as personagens que aparecem nos livros. Neste caso, um músico de Jazz falhado que, uma noite, ouve um pianista famoso a interpretar uma nova composição e fica “passado” quando repara que aquela música é a que ele tem estado a compor há algum tempo e que ainda não tinha transferido para a pauta. Assim começa uma “perseguição” doentia ao pianista famoso, que acaba por levar à previsível tragédia.
Talvez tenha sido só uma fase e os novos livros de João Tordo tenham personagens diferentes. Mas, com toda a sinceridade, penso que vou dar um “descanso” ao autor nos próximos tempos.
Opinião: Este foi um livro cuja leitura me deixou pensativa por algum tempo depois de a terminar. E pensativa porquê??
Porque li as primeiras 200 páginas sem sentir nada pelo personagem nem pelo enredo. Isto foi o que me aconteceu. O livro está muito bem escrito, mas ao longo da leitura comecei a pensar que não me prendia, parecia que lia de forma linear sempre à espera que algo acontecesse e nada acontecia de facto. Nas últimas 5 páginas, aconteceu o inesperado – agarrei-me ao livro, senti naquelas páginas o que não tinha sentido nas duzentas anteriores. Naquelas cinco páginas olhei a angústia, as dúvidas, os reencontros, as saudades e principalmente a falta de respostas para com aqueles personagens que ao longo da narrativa eu não havia sentido nada…
O que quero dizer é que no fim, todo o romance começou a fazer sentido. Tive de reler algumas partes, pensar noutras para então captar a mensagem das palavras que compõem este livro .
A história em si, fala de um músico de jazz - toca contrabaixo - que depois de algumas dificuldades como pessoa e como profissional decide tirar um ano sabático e ficar junto da família em Lisboa. Porém, ao invés de se organizar e de encontrar a sua paz interior, Hugo vai encontrar uma parte de si (o seu possível gémeo) que lhe multiplicará os problemas. Hugo passará a ser uma pessoa incompreendida pelos outros e até por si mesmo. O seu mundo começa a deixar de fazer sentido quando se sente traído, roubado e até abandonado por aqueles que mais ama.
Este é um livro que trata na sua essência a música, das composições, da paixão e das frustrações que um músico pode sofrer por não conseguir atingir os seus objectivos ou simplesmente por não ser entendido pelos outros. Talvez também porque quem ama o que faz, muitas vezes, não se consiga fazer entender… O amor pelos instrumentos musicais está aqui também patente. O contrabaixo é aquele que adquire maior relevo, talvez porque João Tordo também toque este belo instrumento que se assemelha à figura feminina … há outro elemento que achei curioso e que tem a ver com a vida do autor - nesta história, a acção principal gira à volta de gémeos e João Tordo também é gémeo…
No final tive a sensação de que esta foi uma história que o autor escreveu essencialmente para si e para os que partilham o gosto pela música, por esta arte que às vezes é estranha aos outros. Estranha não pelo facto dos outros não gostarem de música, mas por não estarem inteirados das barreiras que se colocam e que se estabelecem para quem inicia e tem pretensões de chegar mais longe. Sim, estou a falar de música neste caso concreto, mas também poderia estar a falar da escrita… dos novos autores… ou de muitas outras coisas mais, porque barreiras e obstáculos é o que não tem faltado ultimamente a quem quer vencer!
Primeira incursão na escrita de João Tordo. O livro está dividido em 2 partes. A primeira um livro que foi escrito e a segunda o autor desse livro a descrever a sua “influência”. É difícil falar deste livro sem largar algum que outro spoiler. Mas essencialmente o livro fala de 2 músicos, da sua enorme parecença física e de que compuseram exatamente o mesmo tema sem um nem outro terem nada escrito ou gravado e sem se conhecerem. Um de,és fica obsecado com isso e tenta descobrir como é que tal é possível. Para isso recorre a um assunto da sua vida pessoal que sempre o transtornou. A certa altura os papéis invertem-se. A escrita do autor é bastante boa. A história talvez um pouco “mirabolante” mas nem por isso deixa de ser interessante. Vou certamente ler mais livros do autor.
"De vez em quando, abro a gaveta e olho para elas, só para me recordar de que, nesta vida, o absurdo reina em absoluto".
Mais uma vez, sou consumido pela escrita intensa e vibrante do autor. João Tordo juntou, neste seu romance, tudo o quanto é dele é que tenho a sorte de ter vindo a acompanhar desde que li o seu "As Três Vidas". Incrível como, no dia de hoje, eu li de uma acentada dois terços do livro. Mais uma vez, a escrita exímia aliada a uma história que tem tanto de real como de cruel, faz com que se crie, dentro de nós, uma taquicardia que não pára até chegarmos as últimas palavras. Estou abismado e, ao mesmo tempo, maravilhado. Um livro realmente soberbo.
Ok como prometido o primeiro livro do ano foi de João Tordo e eu adorei mesmo. Demorei literalmente um dia a ler este livro, prendeu me do início ao fim. De certeza absoluta que vou ler mais livros do autor, mas acredito que não tenha sido o melhor livro para iniciar a leitura de João Tordo, devido à sua complexidade. Independentemente disso, gostei imenso. Este livro faz nos refletir bastante
Provavelmente a primeira vez que não adorei um livro de João Tordo. Não é que seja um mau livro, mas não me cativou da mesma maneira que os outros me têm cativado. Provavelmente já tenho expectativas demasiado elevadas para algum livro do Tordo
Hugo está a passar por uma fase difícil. Não consegue criar, não consegue avançar e precisa urgentemente de encontrar um caminho. Decide partir de França com a ideia de passar um ano sabático junto da família em Portugal. Parte, instala-se na casa da sua irmã gémea, conhece o seu sobrinho Mateus, o cunhado e a empregada de ambos. Consigo leva apenas o contrabaixo Nutella. Ele está há anos a compor uma música que tem por nome Dulcineia mas não sabe como terminá-la.Numa ida a um concerto de um pianista conhecido e famoso, Luís Stockman, reconhece a melodia Dulcineia no meio de outras, a mesma música que vive na sua cabeça por terminar. Depois desse momento, Hugo quer saber como é que o famoso Luís Stockman sabe da existência da melodia na qual ele trabalha há anos.
Este livro confunde, consegue juntar realidade e ficçao. Consegue tocar o nosso intimo. Ainda estou a digerir a história, ainda mantenho a história presente tendo terminado a leitura há há seis dias. Não consegui largar o livro, estava agarrada a ele quando tinha tempo livre. O personagem Hugo é complexo, angustiante e triste. Como os dias de inverno, em que não apetece ver ninguém. A história está dividida, primeiro Hugo, depois o escritor amigo de Luís Stockman. Pontos de vistas diferentes, talvez iguais.
Este livro aborda de forma fria a história de um homem que nunca superou a morte do seu irmão gémeo horas depois de ter nascido. No final, fica um vazio. Comigo ficou. E com este último romance nasceu a necessidade de conhecer as outras obras de João Tordo.
Ainda esta semana espero fazer um vídeo sobre o livro para o canal.
A história de vida de João Tordo foi o ponto de partida para o enredo que construiu nesta obra. Quer João Tordo quer um dos personagens principais nasceram de uma gravidez de trigémeos em que um dos bebés acabou por morrer.
O livro começa com um contrabaixista com uma vida problemática que regressa a Portugal depois de ter vivido alguns anos no Canadá. Há anos que vem trabalhando numa composição musical que não consegue terminar. Numa noite em que assiste a um concerto descobre um pianista de sucesso, estranhamente parecido consigo, que toca a "sua" composição. Começa a questionar-se como é possível que tal tenha acontecido. Quem será aquele homem? Será uma terrível coincidência? Plágio? Quem será aquele homem? Será que o seu gémeo não morreu?
A história criada por João Tordo coloca uma série de perguntas que também podem questionar os leitores. Seremos mesmo seres únicos e originais ou haverá alguém igual a nós por aí?
Li este livro em menos de 10 dias logo lê-se facilmente. O estilo de escrita e o desenvolvimento da narrativa são característicos do autor. Nos livros que já li de João Tordo, é habitual encontrar personagens masculinas atormentadas tal como acontece com este "O ano sabático".
Não posso dizer que não gostei do livro mas acho que ficou àquem daquilo que podia ter sido. Com a história que o autor tinha entre mãos, podia ter desenvolvido melhor a narrativa. Obviamente que o livro já tem alguns anos e que João Tordo já será um escritor diferente, actualmente. Por exemplo, o último livro que publicou, "Felicidade", é muito mais interessante de onde se concluí que é sempre possível evoluir.
Que livro absolutamente incrível e genial. Ainda estou a digerir esta história do contrabaixista Hugo e do pianista Luís. Que narrativa!
Neste Ano Sabático, o João Tordo apresenta-nos uma história dividida em duas partes. Na primeira parte conhecemos o Hugo, um contrabaixista português que vive e trabalha no Canadá, apesar da sua vida entrar numa decadência progressiva com o Hugo a refugiar-se no álcool e nas drogas. Hugo contrai várias dívidas, uma delas para comprar um contrabaixo e seguindo a sugestão de uma amiga, que conheceu no Canadá, decide tirar um ano sabático e regressar a Lisboa.
Em Lisboa, ele fica em casa da irmã gémea Júlia, mas o facto de ter tirado um ano sabático não é muito bem visto, principalmente pelo cunhado.
Um dia, ele marca um encontro com uma mulher, amiga da irmã, e vão juntos ao Coliseu ver um concerto do pianista Luís Stockman. O inesperado acontece... O pianista toca durante o concerto uma melodia que Hugo anda há anos a terminar. Hugo não sabe como e fica bastante abalado criando uma obsessão pelo pianista.
A primeira parte tem um final inesperado.
Na segunda parte, conhecemos o melhor amigo de Luís Stockman, que é escritor. Após o final da primeira parte, Luís recebe uma carta deixada por Hugo com revelações inesperadas, levando a partir para o Canadá em busca de respostas. Respostas sobre as semelhanças entre os dois - Hugo acreditava que o Luís era o seu gémeo que morrera à nascença - e sobre a melodia que Hugo dizia que ele tinha roubado.
Bem, este livro é extraordinário. A narrativa prendeu-me quase obsessivamente às páginas, adorei a dualidade que o João nos apresenta neste livro. As reviravoltas que acontecem ao longo das páginas, o inesperado que nos mantém presos a ler.
Desafiada para uma leitura conjunta deste livro, peguei-lhe sem saber minimamente o que ia encontrar. Não tinha lido a sinopse e fiquei bastante surpreendida com o que encontrei. "O ano sabático" é um livro pequeno, bem escrito (como a generalidade dos livros de João Tordo) e que se nos é apresentado em duas partes. Na primeira parte conhecemos Hugo, um músico português que vive no Canadá e que após anos de decadência progressiva regressa ao seu pais natal para um ano sabático. Reencontra a sua família e cruza-se também com Luís Stockman, um pianista famosos muito parecido com ele e cuja música Hugo reconhece. A primeira parte tem um fim imprevisível e leva-nos a uma segunda parte onde um amigo de Luís nos conta a forma como tudo o que aconteceu o afecta e altera toda a vida dele. Este é um romance introspectivo. Negro, angustiante. Por vezes tive a sensação de quase conter a respiração até ver o que ia acontecer. As descrições são realistas e por vezes deixaram-me um aperto no peito. Em suma, gostei bastante desta leitura que terminei em menos de 24 horas.
4° vez que leio este livro. Como nas outras vezes, leio-o de forma voraz, quase obsessiva tb, como de fosse Hugo ou Stockman. Não é tão bom como me lembrava, ou talvez se tenha diluído em mim pelas vezes que foi lido.
No entanto, reconheço o massivo exercício criativo contigo aqui. É um livro lindo, misterioso e místico. Lida com um duplo mental, na tradição dos Duplos contida em escritores como Dostoievski. Talvez padeça de um abradamento no final do livro, que o torna menos poderoso do que poderia ser.
Mas, mesmo assim, a capacidade interpretativa do enredo é de louvar. Tordo construiu um romance de grande poder. Um romance que se nota ser honesto, talvez o mais honesto que ele tenha escrito e com certeza o mais honesto dos que já li dele (O Luto de Elis Gru compete). Parabéns ao escritor.
foi um bom livro! tenho sempre a mania de nunca ler a contracapa de um livro e, como o livro era do João Tordo (que já há muito ouvia falar) e o título era “Ano Sabático”, devo dizer que fiquei bastante surpreendido porque não tinha nada a haver com o que eu estava à espera jahdjshdhs não consigo explicar o que achei do livro tbh! achei muito introspetivo do sentimento das pessoas, profundo eu diria! a história em si é “estranha” a meu ver, mas não faço a mínima ideia do porquê kakak o livro deixou-me mesmo a pensar, a duvidar recomendo a leitura!!! leiam e digam me o que acharam, pq eu preciso de falar com alguém sobre ele bjs do vosso leitor favorito
4.5 ⭐️ Uma história muito rebuscada por parte do autor, que me fez questionar se a segunda parte (que se revelou uma óptima surpresa) não teria o seu quê de realidade. Foi muito interessante ler como os fantasmas de Hugo se tornaram também nos de Stockman. Interessante também como se leu muito pouco do ponto de vista de Stockman, apenas do seu melhor amigo e de Hugo, o que deixa a interpretação de algumas passagens ao critério de cada um.
A história deste livro divide-se em duas partes, na primeira acompanhamos Hugo, um praticante de contrabaixo em Montreal, que decide tirar um ano sabático e voltar à sua Lisboa natal. Hugo é um homem à procura de si mesmo, é narrador da sua história. O uso da primeira pessoa permite-nos sentir toda a angústia da personagem, que, nalguns momentos, é até sufocante. Dá-nos uma visão muito realista dos pensamentos de Hugo. Hugo, a certa altura, cruza-se com Luís Stockman e é sobre esta personagem que se foca a segunda parte da narração.
A vida de Luís é-nos contada por um amigo. Este narrador vai expressando as suas opiniões sobre o que conta, facto que gostei bastante e que me fez adorar esta segunda parte (talvez até mais que a primeira).
João Tordo tem o poder de nos horrorizar pela escrita, de nos fazer questionar tudo, sobretudo o que conhecemos e tomamos como garantido, através das suas personagens - sempre incompletas, sempre em busca de algo. É a terceira vez que me assombra, que me deixa com medo de que as minhas palavras não sejam suficientes para fazer justiça à grandiosidade da sua escrita. E não o são.
Hugo, contrabaixista de jazz, resolve regressar a Lisboa, para junto da família e amigo, para fazer um «ano sabático» e tentar reencontrar equilíbrio e inspiração. Certa noite, num concerto do pianista Luís Stockman, redescobre que este é igual a si próprio. Aos poucos pianista e contrabaixista vão sendo confundidos, num jogo especular, sem se saber quem é o duplo de quem.
CDU: 821.134.3-31
Livro recomendado PNL2027 - 2019 2.º Sem. - Literatura - dos 15-18 anos - maiores 18 anos - Fluente
Muito bem escrito como tudo o que li de João Tordo, mas ao contrário dos outros 2 livros dele que li (o bom inverno e as três vidas) não me prendeu, excepto ocasionalmente. Talvez eu esteja a precisar de algo menos filosófico nestes tempos de verão. Não o tendo lido com paixão, terei que dar menos estrelinhas que aos outros dois...