Edgar Wilson é “um homem simples que executa tarefas”. Trabalha no órgão responsável por recolher animais mortos em estradas e levá-los para um depósito onde são triturados num grande moedor. Seu colega de profissão, Tomás, é um ex-padre excomungado pela Igreja Católica que distribui extrema unção aos moribundos vítimas de acidentes fatais que cruzam seu caminho.
A rotina de Edgar Wilson, absurda em sua pacatez, é alterada quando ele se depara com o corpo de uma mulher enforcada dentro da mata. Quando descobre que a polícia não possui recursos para recolhê-lo — o rabecão está quebrado —, o funcionário é incapaz de deixá-lo à mercê dos abutres e decide rebocar o cadáver clandestinamente até o depósito, onde o guarda num velho freezer, à espera de um policial que, quando chega, não pode resolver a situação.
Nos próximos dias, o improvisado esquife receberá ainda outro achado de Wilson, o lacônico herói deste desolador romance kafkiano: desta vez o corpo de um homem. Habituados a conviver com a brutalidade, Edgar e Tomás não se abalam diante da morte, mas conhecem a fronteira, pela qual transitam diariamente, entre o bem e o mal, o homem e o animal. Enquanto Tomás se empenha em salvar a alma, Edgar se preocupa com a carcaça daqueles que cruzam seu caminho. Por isso, os dois decidem dar um fim digno àqueles infelizes cadáveres.
Em sua tentativa de devolvê-los ao curso da normalidade, palavra fugidia no universo que Ana Paula Maia constrói magistralmente, os dois removedores de animais mortos conhecerão o insalubre destino de seus semelhantes. Com uma linguagem seca, que mimetiza as estradas pelas quais o romance se desenrola, a autora faz brotar questões existenciais de difícil resolução. O resultado é uma inusitada mescla de romance filosófico e faroeste que revela o poderoso projeto literário de Maia.
Ana Paula Maia (Nova Iguaçu, 1977) is a Brazilian writer, scriptwriter and musician.
During her adolescence she player at a punk rock band and studied piano. As a scriptwriter she took part in the script of the short film O entregador de pizza (2001), and along with Mauro Santa Cecilia and Ricardo Petraglia, she wrote the theatrical monologue O rei dos escombros assembled in 2003 by the Moacyr Chaves firm. She published her first novel under the title O habitante das falhas subterrâneas in 2003.
She is the author of the trilogy A saga dos brutos, started by the short novel Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos y O trabalho sujo dos outros —published in one volume— and concluded by the novel Carvão animal.
Influenced by Dostoievski, by Quentin Tarantino and Sergio Leone in her cinematography, and the pulp literature and series, her works are maked by the violence and the treatment of their characters, that often includes scatological elements.
No começo, só senti o choque da crueza do tema e a náusea. Foi meu primeiro livro da autora e eu não tinha me preparado muito. Só tinha alguma noção do que esperar porque li um trecho no e-mail da Companhia (a série "Contém um conto", que fizeram no começo do ano).
A náusea perdurou, mas o inusitado da temática e a linguagem seca, tão adequada à narrativa, me segurou até o fim. Adorei as personagens do Edgar Wilson e do ex-padre Tomás, as interações entre eles, tão humanas e tão frias ao mesmo tempo.
E tudo é tão milimetricamente calculado no livro! A repetição do café, as descrições detalhadas da morte, o cenário árido, os momentos de explosão da pedreira, postos de maneira tão cotidiana, chegam a doer. É criada uma rotina, mas numa espécie de cenário apocalíptico melhor do que o de qualquer distopia que eu já tenha lido, e com muito menos elementos. Com a suprema vantagem de que somos levados a crer que algo assim bem poderia se passar em algum lugar. Provavelmente se passa, até certo ponto. O toque de realidade é passado pela descrição mecânica do cotidiano, como, por exemplo, nas explosões diárias da pedreira: no horário determinado, conhecido da população, as personagens param o que estão fazendo, se abrigam, esperam explodir, ouvem e veem vorem pedregulhos e pássaros morrendo atingidos, depois voltam ao trabalho como se a interrupção não tivesse existido, de modo quase automático.
Quando o protagonista para em pausas para descanso e nota um silêncio, uma espécie de ausência, como se o mal não estivesse ali e, por isso mesmo, o bem também não, constrói-se o que percebi ser um contraponto com o avistamento de crentes, na cena de batismo no rio, ou na da floresta. Por causa disso, é muito simbólica a morte do pastor de ovelhas enquanto tentava levá-las para um abrigo da tempestade. O texto dá uma ênfase no branco da lã, e só se atém a essa cor em outros momentos ao falar as roupas dos crentes no batismo. Acaba sendo um cenário pessimista: naquela realidade árida, o pastor não consegue salvar o seu rebanho. Parece que Deus e o Diabo não estão ali também. Isso salta mais aos olhos porque, no resto da história, a paleta é bem marcada com cores quentes: amarelo, laranja, marrom. Tudo compondo a aridez.
Gatilho: morte, violência, sangue (e tudo que envolve essas coisas. Se você for sensível a esse conteúdo, cuidado.)
Não leia a sinopse! Ela revela demais sobre a história.
"Enterre seus mortos" é um livro cru e pessimista sobre um homem que trabalha recolhendo animais mortos na estrada. Acostumado a esse cenário mórbido, ele não se sente movido pelas tragédias. Mas quando corpos humanos aparecem, ele é obrigado a sair da rotina e decidir o que fazer com eles.
Para mim, essa é uma história sobre burocracia e sobre o descaso dos governos. Cada vez que o personagem queria fazer algo mas era impedido pela burocracia, eu conseguia sentir na pele a frustração dele. Algumas leis e normas só fazem sentido se os órgãos funcionarem devidamente com uma equipe bem remunerada e preparada. Ver a podridão que acontecia sem ninguém se preocupar foi agoniante.
Esse é um livro bem pessimista, como eu disse, em um cenário que onde "o bem e o mal haviam se ausentado". Em algumas cenas é possível ouvir o silêncio, o barulho da cigarra, o som de um carro passando ao longe. Em outras, o mau cheiro, o calor do sol. Cada detalhe aqui é calculado para criar um cenário incômodo. Tentei não entrar completamente na história porque sabia que sairia muito mal dela.
"Para a maioria das pessoas, não perceber a presença do mal é um sinal de que tudo está bem. Para Edgar Wilson, é justamente o contrário. Não pressentir o mal não é sinônimo de que ele não existe ou desapareceu. São os opostos devidamente dosados que mantêm o sistema equilibrado e, assim, se o mal se ausentou, é provável que o bem também o tenha feito."
Também é um livro com críticas à igreja, ao comércio da fé e ao jeito que alguns "cristãos" dizem que estão seguindo a palavra divina. Gostei desse aspecto e reforço aqui que "Enterre seus mortos" não trará mensagens de esperança (olha o título do livro, sabe).
É uma leitura curta, crua e direta, em que o que mais importa é a construção da história e o sentimento pessimista. Se você estiver perdido durante o livro, volte algumas páginas e preste um pouco mais de atenção ou volte a ler em outro momento. Caso você não se importe com spoilers, recomendo MUITO essa resenha da Carol Chiovatto. Ela não revela tanto assim da história, e acho que é uma experiência interessante começar a ler já tentando prestar atenção a esses detalhes.
A mesma sensação de horror existencial e vazio cósmico que tive assistindo a primeira temporada de True Detective. Junto com o Neve Negra, do Nazarian, e o As Perguntas, do Xerxenesky, formam uma trinca dos melhores livros de horror de literatura brasileira que li nos últimos dois anos.
Infelizmente irei contra a maioria. Foi meu primeiro contato com a autora e, infelizmente, não sei se quero ler outra obra. Achei a ambientação excelente e é quase possível sentir o cheiro de podridão descrito no livro. Algumas passagens - como a do acidente na estrada com a mãe e a filha - me fizeram sentir algo, mas na maioria das vezes eu senti nada. Entendo que o protagonista é uma pessoa quase sem emoções, mas eu não me importei com ele em nenhum momento. O livro é curo e, mesmo assim, dá a impressão de que é longo devido a repetições enfadonhas. O final é tão sem sal quanto o começo do livro. Pena eu não ter gostado. Eu que lute.
Me parece que a Ana Paula Maia está bem próxima do ápice de domínio do seu projeto literário. A história de 'Enterre seus mortos' acompanha Edgard Wilson, personagem recorrente da autora, aqui trabalhando como alguém que recolhe carcaças de animais nas estradas para evitar acidentes e os leva para um moedor.
A opinião que formamos a respeito do personagem por conta da sua indiferença diante da morte começa a ganhar novas camadas quando Edgard Wilson encontra o corpo de uma mulher enforcada numa árvore. Sua tentativa de dar um final digno ao corpo dessa mulher, essa atitude de se negar a igualar homem e animal, é o que move o livro até o seu fim.
Ter como únicos focos de humanidade um padre excomungado (Tomás) e Edgard Wilson (que possui um longo histórico de atrocidades no restante da obra de Ana Paula Maia), torna 'Enterre seus mortos' ainda mais desolador.
Una historia que pareciera no tener un hilo conductor pero que precisamente ahí es donde se lo encuentra, en la suma de situaciones que nos van creando el ambiente y haciendo conocer a cada uno de los personajes. Una forma particular de narrar que en este libro encuentra muy buenos resultados, que llama la atención por lo diferente y que nos va metiendo en la historia sin darnos cuenta. Se suman además críticas y reflexiones sobre la vida la muerte y las prácticas y rituales de diversas religiones (cosa más entendible teniendo en cuenta que la autora es brasilera, lugar donde los evangelistas vienen ganando espacios a tranco largo). A lo largo del transcurrir de las páginas las travesías de los personajes principales van cerrando el círculo que da sentido a la narración y permiten conocer muchas de sus motivaciones. Después de la decepción con Carbón animal, leer este libro fue la copita dulce que ayuda a pasar un mal trago.
livro gostoso de ler com uma escrita excelente. Por boa parte do livro não acontece nada de extraordinário, e a apatia de Edgar Wilson dita o ritmo do livro, além de ser contagiante, dando o tom e fazendo com que eu me conectasse com ele de alguma forma.
Um dos melhores livros que li nos últimos tempos. O segundo da Ana Paula Maia, mas foi nesse que senti o impacto de uma atmosfera bem trabalhada, e de uma prosa "simples" mas precisa. Terminei querendo ler todos os outros livros dela desesperadamente. É o tipo de livro que ao mesmo tempo dá desespero porque não sei escrever assim, mas inspira a tentar ser melhor.
Passado o asco da descrição do trabalho do protagonista, fiquei encantada com os personagens, o universo, o cenário, a rotina das pedras voadoras. Achei que fosse ser mais policial, mas também gosto de finais abertos e de expectativas frustradas (às vezes a gente se pega querendo que tudo lembre um filme já assistido). Queria muito ler mais dos personagens. Podia ser uma série.
Existe uma tensão não muito bem resolvida em Enterre seus mortos, de Ana Paula Maia. A trama é uma história crua e cruel, sobre homens degradados num mundo degradado. O protagonista é Edgar Wilson, que trabalha como removedor de animais mortos, especialmente em estradas. Com isso, a autora encontra subterfúgio para ricas descrições sobre bichos mortos sendo triturados (logo na 1a cena), cadáveres em decomposição e afins. Isso gera uma prosa um tanto ornamentada, enamorada em descrever algo cru. Mas a narrativa, em si, não é crua.
A narrativa não se move muito até que Edgar Wilson e seu colega de trabalho, um padre, começam a encontrar cadáveres humanos, o que desencadeia uma trama policial sem maiores voos, pairando sempre em algo um tanto previsível. Enterre seus mortos é um livro que se lê rápido, e deixa a sensação de algo um tanto superficial - não porque é lido rápido, mas por que, ao fim, parecemos ainda saber muito pobre sobre esse homem e o mundo (aparentemente gratuitamente) degradado onde ele vive. No fim, é um livro que incomoda, mas não necessariamente pelos motivos que acredita incomodar.
Segundo trabalho da Ana Paula Maia que tenho contato (o primeiro, uma coletânea com alguns contos avulsos da autora) e fico muito feliz de ler alguém como ela. A escrita de Ana Paula é polida, direto ao ponto, mas isso não significa que seja desprovida de sentimentos - ela consegue expressar a crueza do mundo em seu estilo direto, nas ausências, naquilo que foi deixado de fora. No que li dela até hoje, dá paras sentir que tem uma voz bem marcada enquanto escritora, que sabe contar histórias de um jeito que nos deixe nos limites das nossas emoções ao processar tudo o que ela coloca em palavras. Eu gostei muito desse livro, ela é tão precisa em suas descrições que eu quase consegui sentir o cheiro em algumas cenas.
Relido em 2020. Não sei se concordo com as míseras 3 estrelas que qualifiquei a primeira leitura, mas vou manter assim. Em relação à obra anterior, Assim na terra como embaixo da terra, esse livro realmente dá uma baixada na adrenalina. Apesar de transitar muito na violência em suas diversas formas, o romance ñ nos causa uma ansiedade como a que sentíamos quando Bronco Gil queria escapar do Colônia.
Sim, é tenso vc ficar na dúvida se os corpos conseguirão chegar a um destino de paz, de encerramento, mas ñ sei. Isso se passa de modo muito flat. Eu ñ saberia dizer de outro jeito. Edgar Wilson é um cara caladão, apenas cumpre ordens. Deixa a vida ser levada por isso. Creio que a personalidade regular do Edgar dá ao romance esse tom de que as coisas estão fluindo em uma linha reta.
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Acho que estou habituada à narrativa da Ana. A brutalidade é uma constante e o tratamento objetivo parecem não situar suas histórias em um tempo-espaço. É preciso estar muito atento para compreender grandes problemas escondidos por trás do véu do trabalho degradante do maior herói dos romances da Ana, Edgar Wilson. Gosto como ela constrói cenas de naturalidade da rotina em meio ao caos: o homem que pede uma cerveja, afunda o garfo no prato de comida, o outro que come uma banana, enquanto dois homens estão em uma sala cheia de cadáveres, à procura de um corpo específico. Eu curti. Talvez já esteja muito acostumada para dar uma nota maior para esse livro, mas é uma boa história dessa escritora muito talentosa e que escolheu como objeto criativo esse personagem e esse mundo tão distante de muitos de nós.
"mas para ele aquela mulher valia tanto quanto um abutre e tinha o direito de ser recolhida como o resto dos animais mortos."
é um livro pesado, com uma ambientação extremamente detalhada e mesmo assim se tem um personagem principal que exibe pouquíssimos sentimentos, que é o que ajuda o livro chegar no ápice e nos momentos sombrios quais ele chega! esse foi meu primeiro contato com a escrita da autora, mas lendo algum dos outros reviews, pude perceber que ela tem um historico nesse tipo de genero e pode se dizer, por esse livro, que ela sabe muito bem o que esta fazendo.
uma das coisas que mais me impressionou na escrita e na ambientação qual a ana paula criou foi sentir muitas vezes durante a leitura, as sensações do local que estavam se passando as cenas do livro, como por exemplo: o cheiro de podridão, o enjoo e a ânsia, o temor de uma noite sombria em uma floresta, estar sob os faróis acendo de um carro, e a semiaridez de um lugar. impressionante!
Me gustó mucho, me pareció muy bueno. Maia tiene un universo personal que lo plasma en cada uno de sus libros, incluso más allá de que elija muchas veces a los mismos personajes. No es solo una cuestión de nombres: hay un mundo que se sigue desarrollando libro a libro, se reinventa y produce cosas nuevas. El anterior libro que había leído de ella no me había gustado (Carbón animal), pero este sí. Tiene un buen comienzo pero mejora mucho hacia la mitad y el final corona una muy buena novela.
Un libro lleno de muerte que se mueve entre las contradicciones de su personaje principal, Edgar Wilson, acerca de la dignidad después de la vida.
Me gusta cómo la autora mete el tema de la religión en este relato, el personaje del cura le da otra capa al texto. Me recordó mucho a El viento que arrasa de Selva Almada.
La descripción con el narrador en tercera persona me hizo ver todo el libro como una película. Espero que algún día la lleven al cine.
Deve ser o livro mais sem propósito já escrito. Fala, fala, fala e não diz nada. Tentou falar sobre vida e morte e nosso lugar no planeta, mas falhou miseravelmente. Fora que ela repete o nome composto do protagonista 252 vezes (queria ter contato quantas vezes diz só o primeiro nome também, chegaria tranquilamente no 500) em um livrinho de 130 páginas. Se eu ouvir/ler "Edgar Wilson" mais uma vez eu perco o resto da minha sanidade.
Para mim, a autora soube mostrar ao leitor o quando a vida - e a morte - são contraditórias, o quanto misturamos o complexo com a simplicidade: estamos agora aqui, amanhã não estaremos mais. É o que acontece a todos os seres vivos, mas o simples conhecimento disso, nos deixa num outro espectro. Edgar Wilson e sua amizade com o padre Tomás (que é e não é padre, mais um exemplo de ambiguidade) torna os dois, além de muito humanos, num ambiente esquecido de todos, muito agradáveis de acompanhar. E a prosa não tem palavras sobrando nem faltando: descrevendo o lugar, ela descreve as pessoas, e várias nuances aparecem através das descrições. Outro ponto é o final inesperado e a guinada em diração ao mesmo lugar: pode-se tentar fugir do que está dado, mas o ciclo ininterrupto se impõe, de morte, vida, morte.
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Recibí este libro por parte de Masa Crítica Argentina a cambio de una reseña honesta. Agradezco a la editoral por el ejemplar. . Entierre a sus Muertos nos presenta una historia cruda y desoladora, donde nuestro protagonista Edgar Wilson, se ve asediado por la muerte. Él trabaja como recolector de los cuerpos de animales muertos en la ruta, pero un día encontrará el cuerpo de una mujer. Su trabajo es solo atender a los animales, pero su sentido de la humanidad le impiden dejar el cuerpo de la mujer y lo recoje. Este acto lo llevará a enfrentarse a situaciones por las que no debería pasar, pero si no toma cartas en el asunto, nadie lo hará. . Opinión: Hace poco leí Cadáver Exquisito de Agustina Bazterrica que fue una lectura increíble, y lo que me llevó a interesarme por Entierre a sus Muertos debido a que pensé que ambos libros podrían tocar temáticas similares. En efecto lo hacen, y tienen un estilo similar, pero Entierre a sus muertos no terminó de convencerme. Sentí que fue una novela que se quedó a mitad de camino en muchos aspectos. Que prometía, pero que no llegó a su máximo potencial. . La premisa me parece muy atractiva, y página a página me mantuve interesada y expectante por lo que podía pasar, pero al llegar al final concluí que mis expectativas no fueron satisfechas. Como digo, a lo largo de la novela se crean varias situaciones que prometen desenvolverse en momentos que impacten y presenten giros de trama interesantes, pero al final quedan incompletos. Momentos de dialogo entre personajes que no se cierran ni entiende a que quería llegar o demostrar la autora al incluirlos, y que al final creo que sobraban. El mejor ejemplo es una situación en donde al inicio parece que vamos a conocer y quitar el manto de misterio que pesa sobre lo cadáveres, pero al final es algo que queda en la nada, y tanto el lector como los personajes continúan en la ignorancia. . Con el personaje principal paso algo similar, su desarrollo es precario. Solo sabemos que se llama Edgar Wilson, gracias a que la autora repite su nombre completo en cada oración (lo cual fue algo molesto), y pocos datos más sobre su vida. Pero desconocemos muchas cosas de él, cuando con un par de párrafos bastaba para relatar algunos detalles y que así los lectores pudiéramos empatizar más. Sucede algo diferente con Tomás, el compañero y amigo de Edgar, de quien, siendo un personaje más secundario, llegamos a conocer mucho. . Rescato algunos momentos que fueron crudos y duros, donde se ve la intensión que tuvo la autora con esta novela de llevar al lector a la reflexión, y que si resultaron bien logrados, como el accidente de transito casi al final. Lo mismo, destaco algunas metáforas, como la del final sobre el rebaño muerto, esa escena resume bastante la idea general del libro y fue la que más me hizo reflexionar siendo un buen cierre. . Recomiendo esta novela para quienes busquen una lectura rápida que toque temáticas donde la vida, la muerte y la miseria humana son protagonistas.
Sou admirador da Ana Paula Maia desde que li "Sobre rinhas de cachorros e porcos abatidos" em 2015. Desde então a acompanho com prazer, e achei "Carvão Animal" o melhor dela, com destaque pro ótimo "Entre gados e homens". Porém, quando li "Assim na terra como embaixo da terra" já tinha ficado com uma impressão de desgaste, que chegou ao ápice neste livro. A autora parece ter perdido a essência do que me fez admirar tanto suas obras. A história transcorre de forma burocrática, repleta de buracos, absurdos e erros feios (lobo-guará não vive em matilha, isso é informação que se acha no google em 1'; abutres são aves do velho mundo, e, por mais que goste muito da indefinição geográfica de toda a obra da Ana Paula, acho bem difícil que as histórias que ela conta se passem por lá; quem paga essa empresa pra limpar rodovias abandonadas? ou não seriam elas tão abandonadas assim?; com tanto morto e poucos vivos, em breve o mundo inteiro dela se tornará um cemitério; e talvez ele seja mesmo, e, como falavam de Lost, os personagens morreram e estão sendo torturados nesse mundo oco, embotado e desbotado, um inferno à The good place, mas sem as piadinhas, só com desgraça). Quando soube que a temática desse livro seriam as rodovias fiquei animado, pois é um tema que me agrada e achei que casaria com perfeição com a estética da Ana Paula, mas a execução me deixou com varias sensações ruins: parece que ela parou de tentar, e apenas escreve buscando um gore pelo gore, exemplificado pela cena do necrotério, desnecessária e sem sentido. Os diálogos estão cada vez mais desidratados, quase pastiches de obras anteriores misturados a falas e comportamentos de filmes B. Talvez tenha chegado a hora de deixar Edgar Wilson de lado e buscar novas inspirações, pois qualidade não falta a ela. O mais triste, pra mim, é o fato da autora ter sido desprazada por críticos por muito tempo, que a acusavam até de machismo para desqualificá-la, e agora, quando a reconhecem com dois prêmios SP seguidos, o fazem para seus dois piores livros. Mais do que sobre a obra da AP Maia, isso fala muito sobre a crítica, e não apenas a literária, a musical, a cinematográfica, que são as que mais acompanho, e imagino que a crítica das demais artes também deva padecer desse mesmo mal, esse mal onipresente dos nossos dias: se tornaram, como os 'consumidores' das artes, prisioneiras do hype. Torço pra que a grande Ana Paula Maia não caia nessa vala.
No sé qué me ha emocionado más: leer una novela corta tan buena o conocer a una autora de la que me leería sinceramente todo 🔥🔥🔥
Se nos cuenta una historia sencilla, con pocos personajes (aunque el principal vale oro), pero cargada de sutilezas, de tensiones, de emociones, de humanidad y, al mismo tiempo, de mucha pérdida al valor de la vida.
Si les cuento de qué trata no les malogro la lectura, pero tal vez la disfruten más entrando de cero, solo sabiendo que Ana Paula Maia es una autora que se merece toda nuestra atención.
Na torcida pra Edgar Wilson virar o grande personagem da literatura brasileira contemporânea. Ana Paula tá fazendo por onde. (que cena a do pastor e das ovelhas!)
Iniciei 2021 tentando manter minha meta de ler mais mulheres e mais brasileiros. Nada melhor, então, do que começar conhecendo uma escritora brasileira contemporânea: Ana Paula Maia. Comprei esse ano passado, é o último lançado pela autora (2018), ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura (2019) e foi finalista do Jabuti (2020).
Comecei a ler e me espantei com a crueza da escrita, à qual fui me habituando conforme ia avançando na leitura. A história mostra Edgar Wilson - personagem recorrente nos livros de APM - trabalhando como "removedor de animais". Essa função, digamos, inusitada, é bem importante nesse lugarejo fictício do romance em que ocorrem muitos acidentes nas estradas, e uma pedreira é dinamitada três vezes ao dia "às nove da manhã, ao meio-dia e às três da tarde. Desde que o sino da igreja parou por falta de quem o toque" (pp. 25-26) atirando detritos para longe e atingindo animais (e tudo o mais ao redor). Os animais recolhidos são moídos para a produção de fertilizantes. Durante uma das ocorrências, Edgar encontra o corpo de uma mulher enforcada que já começava a ser devorada pelos abutres. Aí a história vai se desenrolando e mostrando a burocracia, a corrupção, a inoperância, a falta de zelo, o abandono de várias instituições e a busca de Edgar por oferecer alguma dignidade à defunta que para ele merece um destino, já que até mesmo os detritos de animais têm. O crescimento do protestantismo/evangelicalismo/pentecostalismo é retratado aqui também.
"O compromisso com esse personagem (Edgar Wilson) é, ele me ajuda a entrar nesses espaços que eu não consigo, muitas vezes, entrar. (...) então eu encontro personagens que me ajudam a entrar em lugares que eu quero entrar, e eu gosto de entrar nesses espaços, são espaços que me atraem, me causam estranhamento, mas me atraem. Eu não gosto de escrever sobre coisas que eu me sinta confortável." (Ana Paula Maia em entrevista ao Encontros de Interrogação, do Itaú Cultural em 2015. )
Ouvi e vi resenhas em que chamaram o livro de estranho, esquisito e até forçado e que "pretende chocar"; concordo com os dois primeiros adjetivos, e acho que é essa a verdadeira intenção da autora, nos fazer sentir esse estranhamento, entrar nesses "espaços desconfortáveis" que ela cita na entrevista. Na vídeo-resenha de Aline Aymée ela fala sobre o "abandono cósmico" que paira sobre o universo do livro, acho que foi o conceito que mais se encaixou no que pensei ao ler. Em um trecho do livro, lê-se: "(...) por essas bandas a fé em Deus é o bem maior que possuem. É a única opção que resta." (p. 67), mas em outra parte da história as personagens dão a entender que nem o bem nem o mal (e as entidades que os representam) parecem habitar mais esse lugar.
O que eu não sei: o que sentir direito em relação a essa história (além do já tão citado estranhamento, claro); como avaliá-la com "estrelinhas";
O que eu sei: vou revisitar essa história algumas vezes ainda; quero - muito - conhecer os demais livros da autora.
No final do ano vi um pessoal pedindo indicações de leitura para 2019 no Instagram e resolvi entrar na onda, disposta a de fato ler o que o pessoal indicasse. Este aqui foi o primeiro dos indicados que estou lendo. Como foi indicação de uma pessoa que sempre lê coisas novas e diferentes do que eu costumo ler, fiquei curiosa. O resumo me mostrou que de fato seria uma leitura bem diferente para mim, mas fui positivamente surpreendida pelo livro. Em uma história árida com personagens áridos e uma paisagens árida (apesar das constantes chuvas descritas), conseguimos encontrar traços de humanidade e gentileza em uma história que gira em torno da morte e do abandono. O final infelizmente me decepcionou um pouco, pelo seu cunho religioso e por ser muito aberto. No geral, gostei de ter conhecido o trabalho dessa autora sobre a qual eu nunca nem havia ouvido falar antes.