Gostei do livro? Sim, mas (e eis aqui o problema) teria gostado mais se fosse mais curto. A partir de certo ponto torna-se repetitivo nas dores e sofrimentos de um relacionamento, talvez mais do que eu, agora, esteja disposto a suportar.
Há coisas interessantes no livro, é verdade. São monólogos alternados, que acabam por serem diálogos entre dois enamorados separados pela morte. Ela no lado de lá. Ele entre os vivos.
A escritora faz algumas coisas interessantes. As informações a respeito de cada um são fornecidas a conta-gotas. Sabemos que são de gerações diferentes. Ele bem mais velho do que ela. Ela, uma historiadora, dada à história das mentalidades, e depois a uma vida na política. Ele, um tanto cético, já um pouco gasto pela vida. Tão diferentes, mas com tanto em comum. Ao fim, resta aos vivos viver.
Há muitas frases com algo de poético. Muitas reflexões sobre o amor, a amizade, a vida, a morte, enfim, todas as nossas infindáveis angústias existências, mas talvez, como a própria personagem morta se pergunte, “O que somos para além do que vamos sendo?”