O primeiro livro pela Cosac Naify de um dos maiores expoentes da literatura infantojuvenil brasileira não poderia ser mais um. Vermelho amargo revela uma face diferente do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, e o insere definitivamente na literatura brasileira, para além de classificações. Um narrador em primeira pessoa revisita a dolorosa infância, marcada pela ausência da mãe substituída por uma madrasta indiferente. Vemos os irmãos, filhos de um pai que não larga o álcool e de uma madrasta que serve em todas as refeições fatias cada vez mais finas de tomate, desenvolverem diversas anomalias para tentar suprir a ausência de afeto e a saudade da mã um come vidro, a outra não larga as agulhas e o ponto cruz. Numa espécie de contagem regressiva, o narrador observa seus irmãos mais velhos irem embora de casa. A prosa memorialística vale a pena, no afinal, "esquecer é desexistir, é não ter havido".
Neste depoimento de inspiração autobiográfica, a prosa poética de Bartolomeu é dolorosamente bela. Como ele mesmo coloca na epígrafe, foi preciso deitar o vermelho sobre papel branco para bem aliviar seu amargor. "Uma obra delicada como arame farpado", nas palavras do diretor teatral Gabriel Villela, que assina o texto de quarta capa.
Bartolomeu Campos de Queirós (Pará de Minas MG 1944 - Belo Horizonte MG 2012). Autor de poemas e histórias infantis e juvenis, educador, crítico de arte, museógrafo e ensaísta. Passa boa parte da infância no interior de Minas Gerais, nas cidades de Papagaio e Pitangui, onde mora com o avô paterno. Aos 6 anos, perde a mãe. No internato do Colégio São Geraldo, em Divinópolis, Minas Gerais, cursa o ginasial, e estuda, por breve período, no convento dos dominicanos em Juiz de Fora, Minas Gerais. Muda-se para Belo Horizonte, inicia o curso de filosofia e trabalha no Centro de Recursos Humanos, escola de experiências pedagógicas do Ministério da Educação. Com uma bolsa da Organização das Nações Unidas (ONU), vai à França, e cursa filosofia no Instituto Pedagógico de Paris. Na capital francesa, escreve seu primeiro livro, O Peixe e o Pássaro, lançado em 1971, ano em que retorna ao Brasil. Torna-se membro do Departamento de Aperfeiçoamento de Professores (DAP), do Ministério da Cultura, do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Curador da Escola Guignard. Atua ainda como assessor especial da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais e presidente da Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes. No início da década de 1980, trabalha como editor, para a Editora Miguilim, de Belo Horizonte, que se propunha a trazer um tema renovador para a literatura infantil brasileira, incorporando questões sociais da vida contemporânea. De 1986 a 2000, integra o projeto ProLer, da Biblioteca Nacional, ministrando seminários sobre educação, leitura e literatura. Como crítico de arte, participa de júris de salões e curadorias de exposições de artes plásticas e atua na área de museografia.
Comentário Crítico Tendo como tema central a noção de que o sujeito, restringido pelos limites do mundo real, busca expansão e crescimento com base na imaginação, Bartolomeu Campos de Queirós é autor de obras que, embora dedicadas ao público infantojuvenil, não buscam a linguagem facilitada para abordá-lo. O principal recurso de sua poesia ou prosa poética é a metáfora, usada para dar forma aos sentimentos despertados pela descoberta progressiva da realidade.
Os versos de Pedro (1977) descrevem a relação entre um menino "que tinha o coração cheio de domingos" e uma borboleta. O inseto, que visita constantemente o garoto, serve de modelo para que Pedro faça suas pinturas. O relacionamento de ambos perdura até que cada um extraia de seus encontros a lição de que necessita. A borboleta aprende que é querida pelo menino e dele tem a amizade verdadeira. Já o garoto constata que "no domingo não se precisa ver borboletas. Basta ter o voo delas na lembrança ou fazer bolas de sabão". O testemunho da beleza e a possibilidade de criação artística figuram, dessa maneira, como consequências de uma relação simples e profunda, capaz de trazer paz e felicidade - sentimentos associados ao "domingo".
As expectativas em torno dos relacionamentos são o mote da narrativa Ciganos (1982), centrada em um menino que sonha ser levado pelos forasteiros - "ser roubado era o mesmo que ser amado. Ele sentia que só roubamos o que nos falta", afirma o narrador. Trata-se de um observador que, retornando à cidade após muitos anos, encontra novamente o garoto. O fecho é apenas sugestivo, e repõe uma das questões centrais do autor: "Ele passeava entre fadas, conchas, pássaros e domingos. Tentei por outra vez adivinhar seu pensamento. Vi que seu coração já não anda farto de desejos".
A sensação de incompletude que move os sujeitos à imaginação e à criação é o eixo de Ah! Mar... (1985), em que o narrador relata sua vontade de conhecer o oceano. A vastidão das águas e o impulso que sugerem em direção ao desconhecido e ao ilimitado associam-se à curiosidade e, novamente, à imaginação: "Longe do mar inventa-se um oceano".
Exemplar quanto ao emprego da linguagem metafórica é o livro Mário (1982), sobre o "menino poeta" que sabe ter encontrado no ovo de um pássaro "notícias secretas de
"Desanuviou em mim a ideia de que as coisas existiam alheias a meu desejo. Viver exigia legendar o mundo. Cabia-me o trabalho exaustivo de atribuir sentidos a tudo. Dar sentido é tomar posse dos predicados. Trabalho incessante, este de nomear as coisas. Chamar pelo nome o visível e o invisível é respirar consciência. Dar nome ao real que mora escondido na fantasia é clarear o obscuro".
Um amigo me contou que, quando criança, seu objetivo era escrever os nomes de todas as coisas do mundo. Eu mesma tinha um sentimento parecido, que não consegui definir tão bem. A passagem acima me deu na língua o mesmo amargor da infância perdida. Vermelho amargo é a dor de crescer levemente adoçada pela sublime prosa poética de Bartolomeu Campos de Queirós.
Assim como seu conteúdo, o livro é pequenino e delicado, ainda que rústico. “Delicada como arame farpado”, chama Gabriel Villela na quarta capa. A capa, dura e grossa, em papel kraft, tem textura seca e artesanal de papelão. Do projeto gráfico, basta dizer que o livro é da Cosac Naify. Com pintura trilateral, cada página recebe tinta vermelha na borda, evocando as finas fatias de tomate que a madrasta do narrador cortava para o jantar - tão menos coloridas e saborosas que os pedaços em forma de barquinhos que a mãe, enquanto viva, fatiava em cruz, adivinhando os gomos.
Toda a dor e inquietação do coração confuso de uma criança costuma passar despercebida pelos adultos, e mesmo ser esquecida ao longo dos anos. Não foi o caso do autor, que tem neste o último livro de cunho autobiográfico de sua obra. “Aturdido”, diz-se o menino, antes mesmo de aprender a ler, pela dor da separação da mãe e das incertezas de sua vida. Sente-se embarcando em um trem já em movimento, cujo destino desconhece.
Os sonhos do garoto, permeados pelas lembranças da frágil mãe, o acompanham pelo calendário de tomate, cujas fatias ficam mais grossas a cada partida: a irmã que se casa, o irmão que desaparece, até sua própria despedida da casa do pai.
Digeri Vermelho amargo como um carinho na memória de criança inquieta, questionadora e um tanto melancólica que fui.
Foi por pura persistência que não desisti ainda no começo. Achei a estrutura bastante forçada, com obsessão por construir aforismos continuamente, além de saídas fáceis para emular uma suposta prosa poética/profunda/imbuída de "sentimento" que - em sua maioria - é no fundo bastante pobre. Esses mecanismos ficam bem explícitos, aliás, e não de um modo bom, o que impregna a leitura de um sentimento de falsidade ainda maior.
Daria 1,5 estrelas, se fosse possível, porque no final passei a achar menos irritante. O problema é que eu não sei se foi por resignação ou se houve melhora real.
É um livro poético demais para mim. Eu gosto quando o texto é menos trabalhado - na verdade, não menos trabalhado, mas que esse trabalho seja menos visível para o leitor.
Narrado por uma criança, este é um livro curtinho sobre as memórias tristes e amargas da infância desse "menino miúdo, menor que a vida, debilitado pelo amor". O tomate, a forma de cortá-lo e suas fatias no prato, expressa os sentimentos de perda, abandono, carência, saudade. Escrito de forma muito poética, fica até difícil marcar trechos interessantes diante de tantos. Gostei, mas não sou muito "das poesias"... Mas vale a pena a leitura deste autor mineiro, tão emotivo, tão cuidadoso em seu relato. Por fim, a gente entende que "a dor do parto é também de quem nasce".
"Fui, desde pequeno, contra matar a saudade. Saudade é sentimento que a gente cultiva com o regador para preservar o cheiro de terra encharcada. É bom deixá-la florescer (...)"
"Cada despedida se anunciava dando mais sustância às fatias do tomate. O que antes era apenas transparência - hóstia maculada de ameaça - agora se fazia corpo e decretava abandono."
"Não há condimento capaz de temperar o futuro. Só se salga a carne morta. O depois não tem pressa e chega em seu tempo, seco e frio."
"Eu guardava meu verbo amar debaixo de muita gramática."
"O cheiro do café conciliava as almas e a vida, os lamentos rabiscavam o povoado como se impedidos de escolher outro destino."
"Para alimentar a saudade do meu primeiro amor, comia retratos, rezava sem fé, mastigava hóstia, subtraía-me, entregava-me às amoras e seus aromas. Não havia mundo lá fora. Só amor, dentro e fora de mim. Virei dois, como a mulher de duas almas que visitava a minha rua. Faltavam-me rédeas para frear o meu amor. Ele me roubava para o fundo do quintal, afogava-me nos rios, transportava-me para os pastos, subia-me nos galhos das árvores, mesmo sem fruto para colher. Eu amava, ou melhor, por inteiro, eu era só amor."
Por meio de uma suntuosa prosa poética, Bartolomeu Campos de Queirós constrói Vermelho amargo (2011): uma elegia acerca da perda prematura da mãe e das marcas latentes do luto. A nfância e a convivência com os irmãos, o pai e a temida madrasta são trabalhados com extrema sensibilidade e maestria pelo cinzel do autor. Uma jóia literária.
Escritores costumam enxergar além ao escrever seus livros, mas alguns têm um dom especial de transformar banalidades em literatura. Olhamos para um tomate e pensamos em uma salada, Bartolomeu Campos de Queirós olhou para um tomate e o transformou em "Vermelho amargo". Poucas páginas, conciso, há lacunas na história que serão preenchidas pela imaginação dos leitores, e isso em nada desabona o livro. "Vermelho amargo" é de uma beleza singular.
Foi difícil de pegar o ritmo no começo, mas depois que me acostumei com a escrita do autor, o livro passou a ser mais palatável - só que as metáforas que ele usa aqui parecem forçadas demais, a sensação é de que ele teve uma ideia, pensou que era boa e quis desenvolver toda uma narrativa em cima disso, e foi una tentativa falha. Dito isso, achei a escrita bonita em alguns momentos, e tem passagens bem interessantes sobre o amor, saudade e perda, mas não o suficiente para que o conjunto da obra tenha valido a pena para mim. Se pudesse daria 2,5.
Um livro de dor e saudades, que descreve poeticamente sentimentos soltos, talvez difíceis de expressar. Com algumas frases de efeito aqui e ali, achei diversas analogias com pouca lógica e muita pompa. As vezes um livro não toca seu leitor mais por culpa do leitor que do escritor. Talvez tenha sido esse o caso.
Difícil falar sobre esse livro. Não sou acustumado com esse tipo de leitura e acho que o estranhamento me levou à não dar 5 estrelas. Mas wow, que escrita poderosa e rasa mas densa. O livro deixou uma cratera no meu coração e tudo isso devido a escrita maravilhosa do autor. Recomendo muito!
"Há que experimentar o prazer para, só depois, bem suportar a dor. Vim ao mundo molhado pelo desenlace. A dor do parto é também de quem nasce. Todo parto decreta um pesaroso abandono. Nascer é afastar-se - em lágrimas - do paraíso, é condenar-se à liberdade."
demorou muito pra ganhar minha simpatia (isso porque tem 72 páginas). eventualmente me acostumei com a narrativa irritantemente poética e comecei a gostar. livro pra gente triste; é bom, mas não faz meu tipo
Texto intenso, sensível e dolorido. Ou como, ao longo de pouco mais de 70 páginas, escrever uma autobiografia recorrendo a um tomate como divisor do tempo e da narrativa.
"O cheiro do café conciliava as almas e a vida, os lamentos rabiscavam o povoado como se impedidos de escolher outro destino."
"A memória suporta o passado por reinventa-lo incansavelmente."
"Preencher um dia é demasiadamente penoso, se não me ocupo das mentiras."
"Na infancia o calendário fora inventado para marcar o Natal, a semana santa, as férias da escola, os aniversários."
"O livro aberto era seu berço e seu barco."
"E o amor instalou-se, repentino como o susto. Faltava-me garfo para lutar contra a paixão, e amei com desregradas medidas."
"Então, subvertia respostas para tapear meu desconsolo. Não ter resposta é confirmar-se ausente. Viver exige perguntas e eu, mudo, não sabia responder."
"Sempre suspeitei o nascer como entrar num trem andando. Só que, o mundo, eu não sabia de onde vinha nem pra onde ia. E no meu vagão, não escolhi os companheiros para a viagem. Eram todos estranhos, severos, amargos, impostos."
"Eu guardava meu verbo amar debaixo de muita gramática."
Muitos tentaram transpor a beleza linguística da poesia para a prosa, poucos conseguiram. A prosa requer algo além do que sentimentos de você, requer mais linguagem. Escrevendo prosa poética, você se equilibra entre dois extremos: de um lado, a banalidade da crônica que subjaz toda narrativa em palavra corrida e bem acabada, e do outro um emaranhado tão arredio de metáforas que a prosa não comporta (bem).
Bartolomeu Campos sabe o que está fazendo. É raro, mas acontece. O Vermelho Amargo é introduzido como a origem da geometria da linguagem do autor, cuja poesia se encontra na disposição dos elementos de seu íntimo em um novo espaço dimensional, o espaço da sinestesia, da memória e da narrativa. O vermelho-tomate é a origem da geometria linguística através da qual o autor expõe suas vísceras, e nisso ele é muito bem sucedido. As coordenadas são rapidamente estabelecidas, e a partir daí o livro se move através desse novo espaço de forma exata, as palavras são calculadas e trabalhadas, como um poema deve ser.
Li esse pelo desafio livrada, ao qual agradeço porque eu nunca teria lido esse livro não fosse pela categoria de ganhador do prêmio São Paulo de literatura. Às vezes faz bem sair da sua zona de conforto, mas esperamos que o seu guia entenda um pouco dela.
Vermelho Amargo é um livro feito das impressões mágicas da infância. Ele é curto, mas é tortuoso. Trata-se da rememoração da infância, da dor e dos abandonos. O narrador sente a dor e a falta da mãe, e essa dor e essa lembrança se projetam no tomate, sobre o seu cortar e o seu consumir; o tomate carrega o maior peso da memória. Ao redor das refeições, a maneira com que se fatia o tomate anuncia que aos poucos a família se desfaz. O texto é para dentro, para o interior da alma; feito de retalhos de impressões líricas e metáforas. O fluxo é pequeno, ele vai para frente, mas não se sabe onde é essa frente, ele sempre se perde e contorna os mesmos caminhos. Vermelho Amargo é um livro denso e difícil; difícil porque imbui cada parágrafo de significações que sempre passam despercebidas. É um livro que precisa ser lido várias vezes, do começo ao fim, onde só assim se desvendam as intenções e impressões do narrador. Eu coloco este livro ao lado de Lavoura Arcaica por carregar uma nuvem indecifrável de significado, que mesmo muito tempo dedicado, parece que ainda estamos perdidos. É um livro para se deitar e se deixar ir, tranquilo, indo e voltando, sem pressa.
marina me emprestou pra ler esse. "é uma escrita bonita e tudo que é bonito tenho vontade de compartilhar contigo."
aroma é uma amora se espiando no espelho. eu li, e quanto mais lia menos tinha certeza do que eu tava lendo. no 'sobre o autor' descobri ser autobiográfico e o último dele em vida, daí mergulhei mais. meu maior problema em livros é sempre procurar um significado a mais, uma profundidade imensa de rio em algo que pode ser apenas uma poça. a poça tambem reflete um ceu. gostei dos aforismos com o tomate e ir acompanhando a perda, o luto e o amor sem muitas vezes saber qual sentir 👍 talvez se o incentivo pra ler fosse outro eu nao tivesse curtido a experiência . mas de todos os incentivos possiveis, foi o melhor deles :)))))
Aí está um autor que não lembrava de ter ouvido seu nome. Depois de ler esta obra fui pesquisar por mais e percebi que talvez já tivesse lido sobre uma ou outra. Este é daqueles autores que, sem dúvida, mereciam mais crédito. Um tomate e o jogo com as palavras, a força da poesia na prosa. Talvez, se vc quiser ir mais fundo, comece a pensar se realmente não falta coesão à história, quer dizer, não se percebe muito bem onde o autor quer chegar, o que pretende. Mas quando se brinca com as palavras assim, isso é realmente necessário ? Não deixe de ler.
03. Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queirós
O desespero em tornar poético um texto autobiográfico, acabou deixando o significado um pouco perdido. Há frases boas, um relato interessante da vida rural e de um narrador que observa o amargor dentro daqueles que comandam a casa. Mas a estrutura força analogias e frases de efeito em cada parágrafo, deixando de lado o sentimento que a trama deveria demonstrar.
Uma história real, atrapalhada pelos meios poéticos de uma escrita dificultosa
“Exige-se longo tempo e paciência para enterrar uma ausência. Aquele que se foi ocupa todos os vazios. Como água, também a ausência não permite vácuo. Ela se instala mesmo entre as pausas das palavras. Na morte, a ausência ganha mais presença.” Nas breves páginas de Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queiroz mergulha nas profundas dores da perda prematura de uma mãe e a repercussão da ausência desse amor na infância. Livrinho curto (65 páginas) e poeticamente avassalador. Recomendo demais!
Há momentos bonitos, mas não chegam a emocionar. Falta potência e sofisticação. Como disseram, os aforismos e o tom de profundidade incomodam bastante porque permanecem muito distantes da epifania que pretendem. O relato soa como uma uma vitimização infantil e a escolha da prosa poética parece mesmo uma saída fácil para a falta de fôlego do enredo.
O livro que me fez gostar de literatura. Tive que ler no ensino médio, mas na época não entendi a complexidade dessa obra. Reli assim que saí do ensino médio e me encantei. A história é tão bem escrita que transborda melancolia, a obra é extremamente intimista e sensível. Espero que as fatias dos meus tomates nunca fiquem mais grossas.
Sendo uma prosa poética o resultado é certo: muito bonito. Compartilhamos da infância em palavras do narrador-menino que ainda não as domina tão bem assim; e delas somos atravessados pela sensação do amargor de um luto, pela ausência na solidão e pelo pecado de sermos felizes onde dor e sofrimento deveria estar.
Livro muito interessante,é poesia ,mas há um desenvolvimento mesmo que pequeno e primitivo. primeira vez que eu vejo poesia com essa solides de não ficção, e que consegue projetar em nós uma estética bonita sem 'forçação de barra'.enfim livro muito bonito !
Ler esse livro é como olhar para um quadro de arte abstrata. Você observa vários traços que não se conectam bem, aos poucos vai conseguindo reconhecer algumas formas familiares que se formam com a conexão dos traços e no final percebe que o quadro estava de cabeça pra baixo.