Livrinho fantástico, esse. Nas minhas listas desde que o vi indicado pelo Otto Maria Carpeaux, no Volume I de sua História da Literatura Ocidental, eu vinha adiando sua leitura até que a Danúbio o publicou no Brasil e eu o recebi como brinde por ter participado de uma de suas campanhas de crowdfunding (não que eu não leia o original inglês, mas sabem como é, quando o livro cai, impresso, no teu colo, as coisas mudam de figura).
Muito do que está aqui eu já sabia, seja pelo próprio Carpeaux, seja pelas aulas do Prof. Olavo de Carvalho ou palestras da Yale que assisti online, mas há muita coisa nova, ou novas e interessantes perspectivas, além de uma interessante bibliografia comentada, ao final, para aprofundamento dos leitores. Por exemplo, eu não sabia que a Universidade de Bolonha - a mais antiga do mundo - nasceu com um grupo de estudantes que saíam de uma cidade para outra e não tiveram um prédio fixo por um longo tempo. Ou que os colégios das "Nações" eram locais onde as aulas continuavam em cursos mais curtos, sobre temas específicos.
Não se trata de uma história, nem de uma introdução ao tema: são palestras transformadas em livros, é algo entre um ensaio histórico e uma preleção entusiasmada.
Destaco aqui o prefácio do Rafael Falcón, que captou muito bem o espírito da obra e que nos dá algumas sugestões bem profícuas sobre seu lugar no mundo. Despeço-me com um trecho do referido prefácio:
"O contexto faz do livro, então, um diálogo entre membros de um clã, sobre a origem do mesmo clã; Haskins não ignora esse dado por um só momento, e de fato parece ter planejado suas palestras neste sentido. A história da universidade medieval é, pois, também uma narrativa sobre a origem do palestrante e dos próprios ouvintes, de sua hierarquia, de seus ritos; trata-se como que de um mito fundador, e o Prof. Haskins é o pajé, o guardião das crônicas, o mestre de mitos que desvela os segredos da fundação e a história dos antepassados".