O nome me sugeria que se tratava de livro policial, onde se procurava um serial killer, que fazia vítimas por toda uma cidade. Mas não, e de certa forma sim. Ele em um ritmo frenético conta o que está vivendo em tempo real ao leitor. Ele, o Máiquel, conta sua rotina e suas desavenças com mulheres, com o emprego, com a vida. Mostra que uma simples ação impulsiva pode mudar sua vida da água para o vinho. Essa ação não leva ao desfecho esperado pelo leitor. Achei isso bem construído. Esse livro tenta demostrar o psicológico de uma pessoa que não tem rédias, onde o sentimento de matar alguém é substituído pela vazio, mas isso também não indica que o psicológico continua intacto, pelo contrário.
Tem muitos elementos culturais brasileiros inseridos, remete muitas coisas atuais no Brasil (mesmo o livro sendo de 1995), incluindo racismo enraizado, pobreza, drogas, corrupção, milícias.
Indo para a parte da construção do texto, por ser algo que sairia da mente do Máiquel, achei bem inteligível, uma leitura simples, o modo que uma pessoa pensaria mesmo, (no sentido de utilizar muito da coloquialidade) não é um texto muito rebuscado. A história tem uma progressão interessante, episódios não corriqueiros.
O livro é legal, não gostei tanto do final achei meio óbvio e não muito desenvolvido.