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Não Te Deixarei Morrer, David Crockett

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Para além dos textos de ficção inéditos, este livro de Miguel Sousa Tavares reúne textos que ao longo dos anos foram publicados na revista Máxima e noutros lugares.
As "Short Stories" que pela primeira vez vão ser vistas por outros olhos: A Passagem, A Fidelidade, O Espião que ficou no frio, Nova York-Lisboa e O Velho de Alcântara Mar. O próprio autor explica na Nota Prévia o título do livro: David Crockett representa "uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre".

176 pages, Paperback

First published January 1, 2001

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About the author

Miguel Sousa Tavares

20 books552 followers
Miguel Sousa Tavares is a portuguese journalist and was born in Porto, on the 25th June 1952. His mother, Sophia de Mello Breyner, was a poetess and his father, Francisco de Sousa Tavares, a lawyer and a journalist. After taking the Law course, he carried advocacy during twelve years, but left it permanently to become a full time journalist.
He first appeared at television in 1978, by entering the Radiotelevisão Portuguesa channel (Portuguese Radiotelevision).
In 1989, he was one of the creators of Grande Reportagem magazine (Big Report) and he became director of it in 1990, place where he settled during ten years. He also published some chronics and wrote to the journal Público (Public) from 1990 until 2002. At the same time, he also wrote chronics in other publications such as A Bola (The Ball, a sport journal), Máxima (Maximum, a female magazine) and in the online journal Diário Digital (Digital Diary).
He worked at SIC, a private TV channel, where he hosted information programmes such as "Crossfire". He left SIC and refused the invitation to be general director of RTP but, in 1999, he returned to the television.
He entered TVI in 1999 where he hosted the programme Legítima Defesa (Self Defense) and in 2000 he started to work as a fixed commentator at the Jornal Nacional (Nacional Journal, in TVI).
He also released various books, and almost all of them are chronics. The first one, Sahara, a República da Areia (Sahara, the Sand Republic), was edited in 1985 and was part of a report. Ten years later he wrote a collection of political texts called Um Nómada no Oásis (A Nomadic in the Oasis) and O Segredo do Rio (The Secret of the River, a children story). In 1998, the book called Sul (South) came out and in 2001 the book called Não te Deixarei Morrrer, David Crockett (I won't let you die, David Crockett). In this last year, was also edited Anos Perdidos (Lost Years), a colection of chronics dedicated to the govern of António Guterres.
His first novel was Equador (Equator), first edited in 2003 and which sold more than 370 thousand copies. This novel was so sucessful that posteriorly was released in Brazil, Germany, Spain, Latin America, Czech Republic and the Netherlands, and also won the 25th edition of the Grinzane Cavour prize for the best foreign novel of the year, in Italy. In October of 2007, Miguel Sousa Tavares released Rio das Flores (River of Flowers), also a success.

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78 (10%)
1 star
23 (2%)
Displaying 1 - 30 of 36 reviews
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
February 21, 2021
Nunca antes tinha lido nada de Miguel de Sousa Tavares (amigos falam muito bem de “Equador”, mas ainda assim, sinto que não é o tipo de leitura que me preencheria a alma).

“Não te Deixarei Morrer David Crockett” foi oferta de um amigo que para mim é uma pessoa muito especial. Creio que essa prenda tenha a ver com um valor extraordinariamente simbólico, de alguém que sei que gosta muito de mim e que “não me deixará morrer” se isso dele depender. Foi por essa razão que acedi à leitura de um escritor que, para mim, foi sempre um jornalista fora de série, mas daí a perder o meu tempo com os seus romances, era algo que não fazia parte dos meus horizontes literários.

Logo no prefácio, MST tem o cuidado de nos explicar a razão pela qual, as “short stories” que condensam este acervo escrito para a revista Máxima (logo aqui fiquei com o pé atrás) recebiam por título “Não te Deixarei Morrer David Crockett”.

Explicações entendidas e aceites, passei à leitura mais para poder agradecer (ou não) ao meu querido amigo pela oferta. Confesso que, no princípio, revirava os olhos, crendo que MST nestes quase opúsculos nada me teria a acrescentar, mas, pasme-se, à medida que continuei a apropriar-me da narrativa, fui recebendo uma série de argumentos irrefutáveis, quanto à qualidade da sua escrita.

“Não te Deixarei Morrer David Crockett" condensa uma série de acontecimentos biográficos, uns mais interessantes que outros, no computo geral não entendi que a leitura tenha configurado uma perda de tempo. Muito pelo contrário: filho de quem sabemos, acredito que o ADN esteja presente em toda a inspiração que levou aos episódios narrados.

No início e estando quase a desistir da leitura insisti, ainda, em encontrar um argumento que não magoasse o meu amigo, já que não estava a encontrar nada de extraordinário, como lhe iria dizer que a narrativa, que com tanto carinho me oferecera, me estava a passar ao lado?

Mas sou uma leitora que não desiste … é raro abandonar um livro que tenha começado a ler pois mantenho sempre a convicção de que algo, a determinada altura asfixiante se tornará, a qualquer momento, em um qualquer elemento libertador. E isso começou a acontecer na página 33 quando leio algo que, embora não estivesse à espera, me tocou profundamente: “Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre”. Nunca tinha pensado nessas perdas dessa forma. E foi uma epifania carregada de compreensão e empatia!!

Claro que, a partir daí não mais parei de acompanhar as histórias de (in) fidelidades, ilusões, desilusões, companheirismo, de vivência histórica de alguém que teve a oportunidade de usufruir – e com isso aprender -, de toda uma existência cultural que, creio, terá formatado o seu carácter (há pessoas que por mais viagens que façam, por maiores contactos que tenham com culturas e formas de vida, de estar diferentes àquelas que foram habituadas, nunca conseguirão transportar para a sua personalidade esses ensinamentos).

Obviamente, e como leitora atenta e informada, houve momentos em que discordei das suas “verdades insofismáveis”. Mas já lá iremos.

Para já, aquilo que mais me confirmou a forma que tenho de estar na vida. No short story “The Captai is your bridge”, as aproximações às narrativas de Joseph Conrad; a confirmação de que “a solidão não lhe pesava, aprendera a estar sozinho a vida toda” ou em “Nada é mais perigoso do que o silencio" ou quando o autor defende que “Um amor feliz precisa do turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjetivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que não seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil”. Não poderia estar mais de acordo.

Em “Desencontros”, MST transporta-nos mais uma vez às profundezas do ser:” Mas afinal o que se leva da vida senão remorsos? Remorsos do que podia ter sido e não foi e do que se perdeu depois de ter sido dito e feito e não o foi a tempo ou do que foi demasiadamente dito e feito. Remorsos desses eternos desencontros, desta sensação de que nada existe no seu tempo certo, de chegar sempre tarde ou partir cedo demais”. Absolutamente fantástica a relação que cria entre o tempo e a condição humana que, embora sempre perto, poderiam talvez e de vez em quando surpreender pela positiva.

Como esta análise já vai longa, deixarei para uma próxima oportunidade escrever sobre aquilo com o qual não concordei, mas dado o carácter da subjetividade que todas as narrativas encerram, deixarei em aberto as minhas discordâncias.

Para finalizar:

- MST várias vezes citou o meu poeta preferido: Rainer Maria Rilke, o que, falando-me ao coração, valeu a leitura: "Antes a solidão que é inteira".

- Vale muito a pena ler “Os Pascoaes de Amarante” (numa procura rápida na internet percebi porque o autor dedicou a sua maior história a Teixeira de Pascoais: Sophia de Mello Breyner cuja madrinha foi sobrinha desse autor) com alguns episódios hilariantes sobre a família de Amarante).

- E corrigir MST, no último capítulo esclarecendo-o de que foi o pintor Masaccio que, com influência de Giotto, claro, foi o pai da perspetiva Renascentista e que, com o fresco da Santíssima Trindade, na magnífica igreja de Santa Maria Novella, em Florença, inaugurou um ciclo que consubstancia a base de toda a história da pintura.

Foi uma leitura interessante, agradável, mas confesso que não fiquei fã muito por força das minhas discordâncias com determinados tipos de estereótipos/pensamento/posturas perante muitos aspetos da nossa existência.

Mas foi um livro escrito em 2001. Quem sabe se o autor hoje, ao reescrevê-lo, não apresentaria uma nova perspetiva?
Profile Image for Carla.
285 reviews86 followers
January 5, 2015
“Não te deixarei morrer, David Crockett” é um conjunto de crónicas de Miguel Sousa Tavares reunidas sob um denominador comum: As memórias nostálgicas do que foi e já não é mas que teimosamente insiste em sobreviver à passagem do tempo, qual tesouro sepultado em parte incerta revelado, por entre teias de aranha e pó, por um fiel guardião que cuidadosamente vela pela sua perpetuidade.
O autor arrebata-nos para junto de si num tom intimista e confessional onde não raras vezes nos dá a conhecer fatos da sua vida familiar, alguns que remontam à infância, outros à vida adulta. A suavidade da meninice. As agruras do homem feito.
E depois há os outros. Os inventados e os reais. Os mais conhecidos e os anónimos. Pessoas que marcaram a sua vida de uma ou outra forma, que cinzelaram os seus nomes no mural rascunhado das suas memórias.
Apesar de ter gostado de todas as crónicas, destaco “Os Pascoaes de Amarante”, uma crónica sobre o Clã Pascoaes que pincela as vidas dos 6 irmãos Teixeira de Vasconcelos (conhecidos como Pascoaes) nos quais está incluído o poeta Teixeira de Pascoaes. As vidas de todos tiveram como pano de fundo o Marão mas houve um, João, o caçador, que foi mandado pelo avô para Angola por “… ter assinalado a sua entrada na inevitável Faculdade de Direito de Coimbra, com uma monumental zaragata, em plena cerimónia das praxes, durante a qual agarrou numa moca e abriu a cabeça a onze estudantes.”.
E assim inicia uma vida aventurosa em África para regressar dez anos passados e viver toda uma vida a ansiar pelas planícies africanas: “O resto da vida ocupou-a a restaurar a sua casa, a cuidar das suas propriedades, a criar dois filhos, a escrever as suas memórias de África, para ver se calava as saudades. Tudo em vão: não se regressa nunca de África. Ele sempre o soubera. Apenas se enganava a si próprio, vagueando pela casa atulhada de recordações de Angola, subindo a escadaria entre dentes de marfim, lanças, máscaras, punhais, cabeças embalsamadas de feras, até se ir estender na cama do quarto para uma sesta com que fingia estar a viver a hora do calor em África, ali, no frio mineral do Marão. Um dia não acordou da sesta, já estava longe, muito longe: provavelmente é o único dos irmãos que não encontrou descanso no cemitério de Amarante. He had a life in Africa…“.
Tudo é efémero mas as memórias são eternas.
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews86 followers
March 3, 2015
*E escrevi o teu nome*

E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastamos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas do céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abobadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitetos e até teias de aranha suspensas no teto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, contemplamos-nos longamente, como quem se descobre, como quem se recolhe, como quem se esconde. Foi assim que vi desfilar os anos, as paredes escurecendo, um pó de tijolo pousando entre as páginas dos mesmos livros que fui lendo, repetidamente. Heathcliff e Catarina Linton destroçados outra vez pela minúcia do tempo.
Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? Ulisses não voltará a Ítaca e Penélope alguma desfará de noite a teia que te teceste.
E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais noturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu.
E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhamos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes paramos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhamos o céu e interrogamos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre.
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,392 reviews253 followers
August 2, 2016
7,5 de 10*

Li uma primeira edição deste livro há uma série de anos atrás, requisitado na biblioteca. Antes de o reler agora, confesso que praticamente não me lembrava do seu conteúdo, mas tinha a ideia de ter gostado desta primeira leitura.
Este livro é uma compilação de crónicas, algumas delas publicadas na revista Máxima, outras inéditas ou publicadas noutros locais. Tratando-se de crónicas, tal como me acontece com os contos, tenho sempre alguma dificuldade em me sentir agarrada a este tipo de livros.

Comentário completo em:
http://abibliotecadajoao.blogspot.pt/...
Profile Image for Marisa Fernandes.
Author 2 books48 followers
August 10, 2016
Para quem aprecia tanto como eu o som do mar, do rio e do vento, os momentos solitários de introspecção, as pequenas-grandes coisas desta vida e tem em Sophia de Mello Breyner Andresen (sua mãe) uma das suas escritoras favoritas vinda das memórias de infância, é impossível não gostar do estilo de escrita adoptado por Miguel Sousa Tavares quando decide escrever um livro de crónicas e contos.

Este é o segundo que leio do estilo, quarto que leio do autor e posso dizer que adorei. Valeu a pena ter desejado tanto que fosse feita uma nova edição do "Não te Deixarei Morrer, David Crockett" e cruzar-me físicamente com ela há dias. Valeu mesmo muito.

Na verdade, acho que tudo o que eu escrever sobre a obra ficará aquém da imensa paz de espírito e sensação de plenitude com que fiquei quando a li...! Recomendo, recomendo e recomendo.
*
"E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos. (...)"
[Miguel Sousa Tavares, "Não te Deixarei Morrer, David Crockett", pp.32 e 33]
Profile Image for Ricardo Trindade |.
460 reviews38 followers
January 9, 2023
Equador e Rio das Flores são os dois grandes romances de Miguel Sousa Tavares e agora, uns bons anos depois, que decidi ler uma das publicações do autor, eis que consegui ficar tão desiludido que até sinto alguma pena por isto ter acontecido.
Não Te Deixarei Morrer, David Crockett junta ao longo de mais de duzentas páginas vários contos e crónicas publicados anteriormente pela imprensa nacional, unindo a realidade de pessoas e locais que marcaram o autor e fazendo o cruzamento desta realidade de memórias com histórias criadas pela imaginação de Sousa Tavares.
Sem me conseguir cativar minimamente, tendo a confessar que nunca fui fã de pequenos contos por não me darem espaço e tempo para entrar na história, nesta obra, que não passa de um recolher do que já tinha sido feito para lançar novo livro, voltei a ficar ausente de ponta a ponta de todas as situações que vão sendo relatadas. Com textos com base em temas como A Fidelidade, O Velho de Alcântara Mar, O Mediterrâneo, Desencontros e A Aprendizagem, por exemplo, fui desfilando página após página, não lendo os textos de seguida e num ápice para que tentasse absorver as mensagens transmitidas mas o certo é que na realidade a tentativa que fiz para esta leitura dar certo não resultou minimamente. Em texto algum me senti cativado, tanto nos que conduzem o leitor pelos dados auto-biográficos de Sousa Tavares como os que refletem peripécias de outras vidas ou que revelam encontros e desafios de outros seres que passaram pela vida do romancista.
Vejo uma escrita corrida e agradável em Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, no entanto não consegui vez alguma sentir aquele chamamento pelos contos do comentador político, mas talvez o mal esteja mesmo do meu lado.
Próximo...
Profile Image for Filipe Miguel.
101 reviews11 followers
September 8, 2011
Fui deixando andar este "Crockett" na estante dos livros a ler, desde que me foi oferecido em 2001. Com toda a certeza, qualquer leitor que o seja por paixão, terá um sem número de livros em espera, todos a piscar o olho para serem o próximo a partilhar bons momentos connosco.

Tenho de reconhecer que fui tremendamente injusto com o "David". Devia ter-lhe dado a mão mais cedo.

Não sou grande apreciador de contos, apesar de lhes reconhecer mérito. Afinal, para serem apelativos, em poucas páginas, terão de ser forçosamente grandes histórias.

Seguindo esta premissa, confesso que os primeiros textos do livro me deixaram de pé atrás, pois, apesar de bem escritos, cativaram-me tanto que mal me lembro deles. Contudo, ultrapassada essa barreira, surgiu o gosto, a vontade de ler o seguinte, ver a próxima página.

Facilmente listo tópicos que me tocam directamente, desde os clássicos saudosismo, infância; aos clichés: verão, noite.

Por estes motivos, Miguel Sousa Tavares conseguiu levar-me a gostar deste seu livro de contos (ou artigos). Foi um prazer partilhar com ele caçadas, idas ao mar, ser companhia nos momentos de levar o seu filho à escola, ouvir mosquitos, o restolhar da lebre e adormecer numa rede ao relento.

Os contos finais perdem um pouco esta magia, principalmente o texto de fecho do livro - apesar de ter seguido com atenção, gosto e imersão a família Pascoaes.

Coloco este "Não Te Deixarei Morrer: David Crockett" na minha gaveta de "favoritos, apesar de ser conto".

Rating: 4.0/5.0
Profile Image for Laura (laura.s.m.m).
411 reviews30 followers
June 14, 2022
Este livro foge um pouco ao habitual de MST, temos uma coletânea de textos e reflexões do autor, podendo estes estar, ou não, interligados. Estando a aprender a gostar cada vez mais de ler contos achei que este livro iria fazer todo o sentido para mim! E fez mesmo!

Embora cada texto/conto tenha um tema em particular é notório que em muitos temos a reflexão da solidão e do que esta pode representar para o autor, ou para as pessoas com quem convive. Gostei das reflexões que senti que estivessem relacionadas com as raízes da sua família.

Para quem não lê o prefácio dificilmente irá perceber os motivos deste título! Adorei a explicação e é mesmo algo à MST!! Cada vez mais sinto que há ligações em todos os livros que o auto escrever, como uma espécie de "easter eggs" que vamos coletando à medida que vamos lendo todas as suas obras!

Recomendo para quem quer ler algo leve e que possa fazer pausas ou saltar de conto em conto sem se sentir mal!! Podem nem todos fazer sentido, mas garanto que haverão alguns que te tocarão!

Foi um livro que ficou cheio de post-its dos textos que marquei ou de frases soltas que me chamaram a atenção. Deixo algumas que adorei e que quero que fiquem registadas:

"E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que correr ininterruptamente para o mar, por mais que o façam para o deter"

"Nada do que é importante se perde verdadeiramente"

" Quando as coisas são verdadeiramente importantes, quando se chega ao limite de cada coisa, estamos sós. Sempre e irremediavelmente sós."

"Por mais que tente explicar-te tantas e tantas e tantas vezes, nunca te direi vezes que chgeuem como é bom estar vivo"
Profile Image for Rute.
17 reviews10 followers
July 4, 2024
Que prazer ler quem tão bem escreve!
Profile Image for Filipa Marcelo.
119 reviews
July 2, 2025
"David representava a minha infância, a minha crença de criança numa vida de aventuras, de descobertas, de riscos, de encontros. Mas mais, muito mais do que isso: uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre."
Profile Image for Matilde Aresta Branco.
11 reviews1 follower
April 24, 2024
Histórias soltas. Umas mais curtas, umas mais longas. Algumas pouco interessantes, mas todas bem escritas. A melhor delas: uma sucessão de textos sobre uma família de Amarante, com a descrição dos elementos que a compõe ao longo de várias gerações.
Profile Image for Marco Caetano.
102 reviews9 followers
May 5, 2011
Nunca tinha lido um livro de crónicas, ou contos se preferirem. Uma vez comecei a ler "Pisar o risco" de Salman Rushdie, mas acabei por desistir (acontecimento extremamente invulgar em mim). Achei importante fazer esta pequena introdução para que se perceba que, pelo menos para já, este tipo de livros não está no meu top de preferências.


Considero o Equador e Rua das Flores, dois excelentes romances, sendo o primeiro, na minha opinião, um dos melhores romances portugueses deste pequeno século. Miguel Sousa Tavares é um excelente contador de histórias, disso não há a menor dúvida e este Não te deixarei morrer, David Crocket é um bom exemplo disso mesmo.


Numa pequena introdução o autor explica o porquê deste titulo e quem é para si este David Crocket. Desenganem-se os que pensarem que é importante nos contos que se seguem, pois quando chegarem ao fim, provavelmente tal como eu, já não se vão lembrar quem é.


Vários são os textos, vários são os temas abordados mas todos têm um denominador comum: o interesse que despertam. Alguns deles levam a pensar que dali se poderia arrancar para um magnífico romance. Será que ainda pode acontecer?
Há duas ou três ideias base que apreendi com este livro e que me parecem espelhar a personalidade do autor. Bem sei que são contos, por isso mesmo podem não ter nada de real, mas pela forma como são apresentados parece-me que são marcadamente auto-biográficos. Desde logo ressalta o gosto pela solidão em diversos momentos quer seja a jantar, a viajar ou desfrutar de uma paisagem. É também claro o seu gosto por viajar, a este propósito fica já marcado um encontro com o seu livro de viagens SUL. Por último, um amor inequívoco aos valores da família quer esta seja sua ou não.


Recomendo este livro a todos aqueles que queiram sonhar um pouco através das histórias de um contador de excelência.

Págs. 171
Ref. ISBN: 978-972-8579-22-7
Editora: Oficina do Livro

http://conspiracaodasletras.blogspot....
Profile Image for Cat.
1,179 reviews145 followers
May 23, 2014
Não te deixarei morrer, David Crockett é uma coletânea de pequenas crónicas escritas por Miguel Sousa Tavares. Como já escrevi noutras resenhas, este não é o meu estilo favorito de livro. Gosto de histórias, sim, mas gosto ainda mais de histórias que me prendam. E isso nem sempre é possível.

Posto isto, neste livro houve histórias que gostei mais do que outras, sendo que algumas me tocaram particularmente.

Dou três estrelas exactamente por isso.
Profile Image for Zacarias Vespertino.
98 reviews
May 4, 2020
Conjunto de 38 histórias que o autor foi escrevendo ao longo dos anos.
Os textos iniciais não me cativaram por aí além. São textos mais dados ao relacionamento entre casal e aquelas banalidades que existem entre os mesmos. Mas a partir daí os contos começaram a ganhar ritmo, havendo uns bastante interessantes.
Gostei especialmente de 'O espião que ficou no frio' e 'A aprendizagem'.

Uma leitura fácil e cativante no geral.
Profile Image for Joana Rodrigues.
2 reviews1 follower
January 15, 2026
Frase que me tocou: “Nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrem os pensamentos vividos em silêncio. Um amor precisa do turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que não seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil”
Profile Image for Marco.
590 reviews45 followers
August 24, 2017
Gostei de alguns textos (alguns deles cheguei mesmo a adorar) e outros não gostei de todo - daí a pontuação, de modo a equilibrar ambos os sentimentos. Ainda assim, tenho curiosidade para ler os romances do autor.
21 reviews
July 20, 2022
Um livro de contos variados. Alguns contos prendem nos mais que outros, há contos que me prenderam pela paixão outros pela repulsa do que está a ser dito.
Profile Image for Diana Rodrigues.
178 reviews2 followers
September 16, 2022
Interesse/comoção: 1
Escrita e estrutura: 2
Aprendizagem: 1

Gostei mais do prefácio do que quase todos os contos.
Profile Image for Rita Figueira.
6 reviews
July 22, 2024
preferidos :

- eternamente
- ⁠só mais um dia de verão
- ⁠verão
- ⁠encontro
- ⁠verão 99
- ⁠vou levar o meu filho às antas
- ⁠do lado do silêncio
- ⁠estação 2000 : perspetiva
Profile Image for Claudio Costa.
26 reviews14 followers
September 29, 2011
Na verdade a classificação aqui é de 3.5/5.0.

Sendo um livro de contos (ou artigos), o gostar ou não é o resultado de uma média +- ponderada de cada um deles, já que coerência entre eles também não é suposto haver.
A premissa é boa: encarar a vida adulta mantendo o espírito do David Crockett que todos temos (ou já tivemos) dentro de nós, aquela infância ingénua e corajosa em que nós somos os heróis e queremos viver tudo o que existe, seja isso uma viagem à aventura ou os ruídos que se escondem nas sombras e na noite de um verão longínquo.

No entanto este David Crockett parece completamente ausente em algumas das crónicas ou então sou eu que não me consigo rever nele. Alguns dos textos descrevem situações +- cruas, com +- profundidade, mas com pouca capacidade de me deixar uma marca. Outros há que o conseguem em boa ou toda a parte, como são os casos de "um homem não chora", "só mais um dia de verão", "the captain is on the bridge", "o velho de alcântara-mar", "do lado do silêncio", "a passagem do hale-bop", "o marinheiro de água doce" e "os pascoaes de amarante".
27 reviews2 followers
May 10, 2010
Después de leer Equador, este librito no desentona nada. Sousa Tavares logra expresar con claridad sus ideas y sentimientos, cosa rara en nuestros días. Creo que decir sobre él que es un escritor del siglo xix, es un elogio, porque sobrevive con éxito. Sabe hechizar la realidad y volverla o épica o lírica sin tener que acudir a recursos que complican la lectura. Es un gran escritor y espero que siempre continúe a serlo "à antiga" como diría Miquelina, la pintora.
El mundo de su infancia, especial por la madre que tuvo, está lleno de encantamientos. Que la indiecita Sousa Tavares no deje morir nunca a David Crockett, para que pueda compartir con nosotros muchas más historias que enriquecen nuestra visión de Portugal.
Profile Image for João Miranda.
262 reviews10 followers
October 31, 2016
Na altura em que li este pequeno livro, recordo-me de pensar nele como um achado. Rápido e acessível, e com uma qualidade que não conhecia, muito por culpa de críticas, a meu ver, algo injustas. Nunca tinha lido Miguel Sousa Tavares e não me arrependi. Num estilo que eu aprecio, diversos textos isolados em jeito de crónicas, lembranças de vida e ficção de bolso, a escrita levou-me a ocasiões que nunca vivi e a situações que me pude rever.

Se arranjarem um tempo e a vontade para ler algo num registo diferente dos gostos pessoais, podem dar uma oportunidade ao David Crockett. Não será necessário identificarem-se com as opiniões, algumas muito vincadas, do autor. A simplicidade da escrita, a nostalgia e a possibilidade de viajar, justificam a oportunidade.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews236 followers
August 22, 2013
Ao contrário de "Equador" e "O Rio das Flores", este é um pequeno livro de contos/textos, cada um com um tema especifico.
A maioria dos textos cativaram-me bastantes, com histórias e temas que poderão ser bem reais, com um toque de solidão. Em alguns deles até quase que senti que poderiam ser auto-bibliográficos, quem sabe se não serão?
E em alguns, achei que a história teria potencial para um livro próprio.
Quero salientar que por norma não leio muito livros de contos, principalmente porque chego ao fim de cada uma das histórias com a sensação de saber a pouco, e este livro não foi excepção, mas não deixou de ser uma leitura simpática.
Profile Image for Carmen.
74 reviews14 followers
Read
July 29, 2012
Este é o primeiro livro que leio deste autor, cujas crónicas aprecio bastante. E este livro não são mais que crónicas, histórias curtas, a maior parte publicada na revista Máxima.

Enquanto me preparo para atacar o Equador um dia destes, deixei-me deliciar por algumas notas que entendi como biográficas, e principalmente pelos contos: Viagem, Nada é mais perigoso que o silêncio e A passagem.

Fica uma self note:
“Um amor feliz precisa do turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que não seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil.”
In Nada é mais perigoso que o silêncio
Profile Image for Miguel Gouveia.
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January 4, 2014
MST tem todas as características para ser um autor que eu detestaria, nomeadamente pela sua postura contundente para com a Madeira e os madeirenses. Apesar disso, gostei desta colectânea de artigos de jornal onde o articulista mantém um registo introspectivo e desinibido numa escrita fluída e entrecortada de alguns episódios romanceados da sua vida e de vidas paralelas.
Apesar de alguns laivos de sobranceria genealógica que o autor verte nesta obra é todavia uma leitura interessante que desafia as ideias pré-concebidas que eu tinha sobre o MST criando inclusive alguma empatia com o mesmo. Boa leitura para arranque do ano.
Profile Image for Nelson Miguel Bandeira.
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July 23, 2016
Um dos melhores exemplos da crónica íntima em português, 'Não te deixarei morrer, David Crockett', de Miguel Sousa Tavares, dança maravilhosamente (‘E ela dança’ é, precisamente, uma pérola da crónica em português) entre o jornalismo, a crónica, o diário e a poesia lírica, mantendo uma contenção que nos segura, nos liberta e agrada. ‘Vou levar o meu filho às Antas’ é um exemplo perfeito desse balanço literário entre o quotidiano mais comezinho e o lirismo poderoso. Agora, neste Verão de 2016, foi feita uma nova edição deste livrinho delicioso do início deste século XXI. Mas não queremos, não, só uma nova edição! Queremos mais crónicas destas!
Profile Image for Ricardo Ribeiro.
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February 19, 2013
Conefesso: sou daqueles que acreditam que cada macaco no seu galho, a César o que é de César e outras coisas assim. Por outras palavras, BD é BD, um filme é um filme; e crónicas para uma revista são crónicas para uma revista e livros são livros. Portanto, não é com bons olhos que vejo livros com artigos escritos para uma revista e por ai em diante. Mas fã da prosa deste autor decidi ler. E no final nada mudou, foi tal e qual o que esperava: não são textos para fazerem um livro mas a maioria deles são interessantes e alguns cativaram-me completamente.
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