When the Shepards' car breaks down in pre-War New York City, a chain of events is set in motion that will transform the lives of the beautiful but stupid Evan Shepard, his doomed lover Rachel, and both their families. Fated to play out the mistakes of their parents, Evan and Rachel quickly discover the betrayal behind the dream, and desperately try every avenue of escape, only to find that all paths lead back to the small Long Island coastal town of Cold Spring Harbor, and to each other. But if there is no better chronicler than Yates of the quiet tragedy of thwarted suburban lives, Cold Spring Harbor is a testament to the absolute necessity of dreaming; for Yates's protagonists, hope may be all there is.
Richard Yates shone bright upon the publication of his first novel, Revolutionary Road, which was nominated for the National Book Award in 1961. It drew unbridled praise and branded Yates an important, new writer. Kurt Vonnegut claimed that Revolutionary Road was The Great Gatsby of his time. William Styron described it as "A deft, ironic, beautiful novel that deserves to be a classic." Tennessee Williams went one further and said, "Here is more than fine writing; here is what, added to fine writing, makes a book come immediately, intensely, and brilliantly alive. If more is needed to make a masterpiece in modern American fiction, I am sure I don't know what it is."
In 1962 Eleven Kinds of Loneliness was published, his first collection of short stories. It too had praise heaped upon it. Kurt Vonnegut said it was "the best short-story collection ever written by an American."
Yates' writing skills were further utilized when, upon returning from Los Angeles, he began working as a speechwriter for then-Senator Robert F. Kennedy until the assassination of JFK. From there he moved onto Iowa where, as a creative writing teacher, he would influence and inspire writers such as Andre Dubus and Dewitt Henry.
His third novel, Disturbing the Peace, was published in 1975. Perhaps his second most well-known novel, The Easter Parade, was published in 1976. The story follows the lives of the Grimes sisters and ends in typical Yatesian fashion, replicating the disappointed lives of Revolutionary Road.
However, Yates began to find himself as a writer cut adrift in a sea fast turning towards postmodernism; yet, he would stay true to realism. His heroes and influences remained the classics of F. Scott Fitzgerald, Flaubert and short-story master, Chekov.
It was to his school and army days that Richard turned to for his next novel, A Good School, which was quickly followed by his second collection of short stories, Liars in Love. Young Hearts Crying emerged in 1984 followed two years later with Cold Spring Harbour, which would prove to be his final completed novel.
Like the fate of his hero, Flaubert, whose novel Madame Bovary influenced Revolutionary Road and The Easter Parade, Richard Yates' works are enjoying a posthumous renaissance, attracting newly devoted fans across the Atlantic and beyond.
Deitava-se a chorar intermitentemente, como se chorar fosse um luxo para o qual ela não tinha posses.
“Perto da Felicidade” é uma ideia que se pode aplicar às personagens não só desta obra como de outras duas que já li de Richard Yates, “Revolutionary Road” e “O Desfile de Primavera”. Yates escreve extremamente bem, mas é impiedoso com os seus protagonistas e ataca-os nos seus pontos fracos - a masculinidade nos homens, a beleza nas mulheres – e caracteriza-os basicamente com as mesmas fraquezas: os homens são infiéis e frustrados, as mulheres são alcoólicas e neuróticas, mas sempre por trás da fachada da normalidade e da vidinha de classe média, aparentemente felizes, quase felizes, sobretudo depois de umas bebidas, sobretudo depois de um encontro sexual, mas longe de o serem na realidade.
Morrer de amor pode dar pena, mas não era muito diferente, afinal, de outra qualquer forma de morrer.
É devido a uma avaria no carro que se cruzam os caminhos das famílias Shepard e Drake. Charles Shepard, militar na reforma, partilha a mesma desilusão que o filho de não ter sido considerado apto para combate, e um casamento infeliz, mas enquanto Evan cedo se divorcia, o seu abnegado pai mantém-se casado com uma mulher com uma depressão paralisante.
Em certos momentos, se a luz e o álcool estivessem a seu favor, Grace podia ainda ser a rapariga mais bela do baile do clube de oficiais. Charles aprendera a aguardar por esses momentos com a paciência de um amante e a apreciá-los quando eles chegavam, mas tinham-se tornado cada vez mais raros. A maior parte das vezes – esta tarde, por exemplo – ele descobrira que preferira não olhar para ela, porque ela estaria apenas estragada: pesada, insatisfeita, num aparente luto silencioso pela perda de si própria.
Do lado dos Drake é a mãe que é divorciada e desequilibrada, sendo para mim, a força galvanizadora deste romance. Gloria Drake é uma personagem soberba na sua teatralidade e no seu descolamento da realidade, fazendo-me lembrar outra Gloria, de olhos esbugalhados, pronta para o seu “close-up”.
Naquele momento, Gloria teve a sensação de que estes três estranhos a tentavam isolar e afastar; queriam que ela se sentisse só no mundo e era como se estivessem a tentar matá-la. Mas ela podia ainda lutar pela vida da única forma que sabia: começou novamente a falar.
Richard Yates (1926 – 1992) dedica “Perto da Felicidade” (1986) ao amigo e escritor norte-americano Kurt Vonnegut, com quem leccionou, juntamente com Nelson Algren, um curso de escrita criativa na Universidade de Iowa nos anos 60. Depois do admirável “ O Desfile da Primavera” (5 estrelas) Richard Yates escreve um romance sobre duas “estranhas” famílias – os Shepards e os Drake – numa narrativa centrada na América dos anos 40, num subúrbio da cidade de Nova Iorque, Cold Spring Harbor (título original do livro) numa história de personagens “condenadas” a viver. A família Shepard, constituída por Charles, um militar na reserva, frustrado por não ter lutado na 1º Grande Guerra Mundial, casado com Grace, a rapariga mais bonita do baile, sempre doente, incapacitada pelos “nervos”, alcoólica e fumadora inveterada, e pelo filho Evan, um rapaz bonito, com uma juventude problemática, quase sempre nos limites da delinquência, mas que a paixão pelos automóveis consegue resgatar, para uma vida rotineira de serralheiro mecânico e que mantém o sonho ser engenheiro mecânico. A família Drake, com Grace, uma “louca”, “numa forma inofensiva e engraçada” mas simultaneamente “desvairada”, divorciada de Curtis, quase sempre ausente, e “divorciada da realidade”, sempre à beira da histeria e os seus dois filhos, a bonita, introvertida e incipiente Rachel e Phil, um rapaz inteligente, discreto e melancólico, internato num colégio interno, vítima de “bullyng”, mas que enfrenta admiravelmente a realidade e a adversidade da vida. E é, primeiro, com um acontecimento fortuito – o carro de Charles tem uma avaria nas proximidades da casa dos Drake e, depois, com o casamento de Evan com Rachel - que Yates interliga primorosamente as duas famílias, numa narrativa impregnada de tristeza, que nos relata as fraquezas humanas, feitas de decepções e de sonhos desfeitos, da infelicidade e do remorso, com diálogos intimistas que retratam admiravelmente a solidão; num registo por vezes irónico, condescendente para com os homens frouxos, mas afáveis, e desculpabilizando a fraqueza das mulheres, que mais não querem do que fugir a vidas rotineiras. “Perto da Felicidade” é o nono e último livro que Richard Yates escreveu, num registo sincero e emocional sobre o remorso, a mágoa e as fraquezas humanas - “O amor pode não ser tudo no mundo, mas…”.
Perto da Felicidade não é um livro bonito, com personagens felizes e com finais felizes. É sim, um livro depressivo, angustiante, muitas vezes exasperante e triste. Com pessoas que levam vidas miseráveis, frustrantes, deprimidas e sem qualquer esperança de dias melhores. Pessoas que se agarram a qualquer migalha de felicidade e a tentam fazer durar até ao absurdo. É um livro carregado de inércia e de inacção, as pessoas limitam-se a viver o dia-a-dia e a fazer aquilo que é esperado delas. Vivem como a sociedade espera que elas vivam, mesmo que dessa forma acabem por abandonar os seus projectos para um futuro mais risonho.
O título que a edição portuguesa adoptou é muito acertado, todas as personagens passam por momentos em que a felicidade espreita, quase a conseguem tocar, mas acontece sempre qualquer coisa que os torna a arrastar para a vida triste e monótona que levavam. Richard Yates parece perito em arruinar os sonhos das suas personagens e em fazê-las cada vez mais angustiadas. Nada de finais felizes nos livros deste senhor, que levou ele próprio uma vida depressiva e problemática e portanto sabe que na vida real é raro haver finais felizes.
Não é tão bom como o Revolutionary Road, falta-lhe talvez alguma da sua eficácia em nos fazer sentir o que as personagens sentem, e que é uma das suas mais-valias. Perto da Felicidade é, no entanto, um livro muito bem escrito e que vale a pena ler. Se andarem um pouco deprimidos com as vossa vidas eu aconselharia que adiassem esta leitura para tempos mais risonhos, que ao contrário do que Richard Yates julgava, também acabam por surgir na vida das pessoas reais. :)
“Perto da felicidade” Richard Yates apresenta-nos a vida como um novelo de possibilidades, sonhos e liberdade que ao ser desenrolado, rapidamente se transforma numa amálgama de deceção, desperdício e sonhos desfeitos. É um livro triste, com personagens carregadas de inércia, que levam vidas deprimidas e se limitam a fazer aquilo que é esperado delas. Definitivamente, não é um livro bonito, com personagens e finais felizes.
A história é excelente. A forma como está escrita nunca aborrece mas também não nos obriga a avançar com demasiada velocidade; tem o seu próprio ritmo.
A única falha a apontar desta edição é a tradução: detectam-se várias gralhas a nível da sintaxe e erros de revisão, o que, apesar de incomum nos livros da Quetzal, não deve ser deixado de mencionar.
Mesmo não ombreando "O Desfile da Primavera", a meu ver obra soberba, "Perto da Felicidade" é um livro fabuloso. Uma escrita rica e completa, porém usando poucas palavras e poucos recursos estilísticos. Permite ao autor estar bastante perto das personagens e das suas vivências, quase que o levando a "mergulhar" na acção.
Deveria ser leitura obrigatória, tal a clareza e as emoções que suscita. E que bem escrito...