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Nutshell

Nutshell is a classic story of murder and deceit, told by a narrator with a perspective and voice unlike any in recent literature. A bravura performance, it is the finest recent work from a true master.

To be bound in a nutshell, see the world in two inches of ivory, in a grain of sand. Why not, when all of literature, all of art, of human endeavour, is just a speck in the universe of possible things.

208 pages, Hardcover

First published September 1, 2016

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About the author

Ian McEwan

155 books19.9k followers
Ian McEwan studied at the University of Sussex, where he received a BA degree in English Literature in 1970 and later received his MA degree in English Literature at the University of East Anglia.

McEwan's works have earned him worldwide critical acclaim. He won the Somerset Maugham Award in 1976 for his first collection of short stories First Love, Last Rites; the Whitbread Novel Award (1987) and the Prix Fémina Etranger (1993) for The Child in Time; and Germany's Shakespeare Prize in 1999. He has been shortlisted for the Man Booker Prize for Fiction numerous times, winning the award for Amsterdam in 1998. His novel Atonement received the WH Smith Literary Award (2002), National Book Critics' Circle Fiction Award (2003), Los Angeles Times Prize for Fiction (2003), and the Santiago Prize for the European Novel (2004). He was awarded a CBE in 2000. In 2006, he won the James Tait Black Memorial Prize for his novel Saturday and his novel On Chesil Beach was named Galaxy Book of the Year at the 2008 British Book Awards where McEwan was also named Reader's Digest Author of the Year.

McEwan lives in London.

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Community Reviews

5 stars
13,189 (21%)
4 stars
23,363 (38%)
3 stars
16,892 (28%)
2 stars
5,046 (8%)
1 star
1,744 (2%)
Displaying 1 - 30 of 140 reviews
Profile Image for João Carlos.
674 reviews327 followers
January 11, 2017


O escritor inglês Ian McEwan (n. 1948) publicou o romance ”Numa Casca de Noz” em 2016.
”Numa Casca de Noz” tem como narrador um feto ou um nasciturno, sem nome, com cerca de oito meses, numa gravidez de uma mulher, a sua futura mãe, Trudy.
Não vou adiantar nada sobre o enredo do pequeno romance de Ian McEwan porque invariavelmente os spoilers surgiriam.
Quero referir apenas que há um triângulo amoroso entre, Trudy, o seu marido, John Cairncross, um poeta fracassado e proprietário de uma editora empobrecida e Claude, o irmão de John, um promotor imobiliário; que tem como espectador e principal interveniente, o nosso narrador, o nosso feto.
O narrador está na barriga de Trudy envolvido numa membrana, a bolsa amniótica, repleta do líquido amniótico que lhe permite ouvir todas as conversas de dia e de noite, desenvolvendo de uma forma intensa os cinco sentidos, que utiliza movido pela curiosidade, escutando atentamente todas as análises e divergências das outras personagens, participando activamente nas suas decisões, influenciando os seus comportamentos.
Ian McEwan vai desenvolvendo a narrativa de uma forma equilibrada, num tom irónico, por vezes, cómico, com incursões mais “sérias”, sobre temáticas mais complexas, incluindo, as considerações sociais e políticas – o que nem sempre me cativou.
”Numa Casca de Noz” é um romance interessante e imaginativo, com um narrador convincente, nunca cansativo ou palavroso, contendo um suspense eficaz, um thriller trágico-cómico com um desfecho imprevisível.

"Quando o amor morre e um casamento fica em ruínas, a primeira vítima é a recordação honesta, a evocação decente e imparcial da verdade. Demasiado inconveniente, demasiado destruidora do presente. É o espectro da felicidade passada no festim do fracasso e da desolação. Por isso, contra esse vento do esquecimento, quero acender a minha pequena vela da verdade e ver até que distância ela ilumina." (Pág. 68)
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
October 1, 2016
"Oh, Deus, eu podia estar fechado numa casca de noz e sentir-me rei de um espaço infinito, não fora ter pesadelos."
— Shakespeare, Hamlet

"A adversidade incutiu-nos a consciência e ela funciona, morde-nos quando nos aproximamos demasiado do fogo, quando amamos demais. Essas sensações são o começo da invenção do eu. E, se isso funciona, como não sentir repugnância por excrementos, como não temer a beira do penhasco e os desconhecidos, como não recordar insultos e favores, como não gostar de sexo e de comida? Deus disse: Que haja dor. E o que acabou por haver foi poesia."
— Ian McEwan, Numa casca de noz

Enquanto houver escritores e livros como estes, sentir-me-ei rainha de um espaço infinito.
"O resto é caos."

description
(Jackson Pollock, Birth)
Profile Image for Alec Costa.
376 reviews1,676 followers
December 29, 2020
umas 50 páginas a menos e motivação mais convincente e esse seria um baita dum livrão
Profile Image for Vasco Simões.
233 reviews33 followers
October 12, 2016
Um triângulo amoroso, uma traição, um homicídio e uma testemunha que por acaso é o narrador...um bebé ainda dentro da barriga da mãe. Original porque nunca tinha lido um livro em que o prota é um feto (ainda que mais desenvolvido) mas algo "chatinho" em momentos com delírios intelectualoides e cheios de palavras caras para ir ver ao dicionário. Vale o facto de ser um livro curtinho de 180 páginas que acaba por ser entretido por essa visão diferente. Um exercício curioso que parece mais um conto alargado do que um romance.
Profile Image for Rita.
994 reviews219 followers
March 19, 2018
“E para aqui estou eu, de pernas para o ar dentro de uma mulher. Com os braços pacientemente cruzados, à espera, à espera e a perguntar-me dentro de quem estou, para que estou aqui”

Um começo com uma boa pitada de humor britânico.
Uma história clássica com uma visão moderna e invulgar.
Trudy e Claude pensam numa estratégia para assassinar John, ex-marido de Trudy, irmão de Claude e pai do filho que Trudy carrega no seu ventre. Os planos da mãe e do tio atormentam o nascituro.
Através do feto-narrador, Ian McEwan é capaz de refletir sobre a vários temas, tais como, a sociedade actual, o terrorismo, os refugiados, a geopolítica internacional, faz críticas ao nosso modelo económico e às guerras sem sentido. Por não viver “no nosso mundo”, por não enfrentar as mais terríveis e difíceis situações, o ser que está por nascer possui a vantagem de reflectir e criticar nossos erros e omissões.


“Oh, Deus, eu podia estar fechado numa casca de noz e sentir-me rei de um espaço infinito, não fora ter pesadelos”
Profile Image for Nathalie Gonçalves.
194 reviews42 followers
June 16, 2026
menina, que livro bom.
não sei dizer se é o melhor do McEwan que eu já li porque o cara escreveu “reparação”, que é um puta livro. mas esse aqui…
eu li muitos comentários dizendo que poderiam tirar algumas páginas do livro - talvez 10, 20, 50. o narrador, um feto mais inteligente do que eu, fala pra caramba, proseia demais. mas tem um toque de humor nisso - principalmente quando ele se queixa das transas da mãe com o amante.
terminei o livro refletindo sobre o ser gerado. será que ouve, que sente, que sonha? será que seria capaz de tantos sacrifícios? a gravidez é uma clausura para quem gera, mas aqui, tudo se inverte.
seja bem-vindo de volta, Hamlet. pena que dessa vez você veio filho de Macbeth.

uma salva de palmas pra cabeça do Ian.
Profile Image for Alysson Oliveira.
407 reviews47 followers
September 26, 2016
Hamlet Redux

Talvez os romances um tanto macabros do início da carreira de Ian McEwan não dessem notícia de que ele seria, no século XXI, cronista das crises da Europa contemporânea – das narrativas (Atonement), políticas (Saturday), históricas (On Chesil Beach), ambientais (Solar) –, e seu mais novo romance, NUTSHELL, dá conta do presente – da era das imigrações, das fronteiras supostamente fluidas, da contenção de políticas de identidades, da União Europeia (e, por consequência, do Brexit).

Narrado por um feto – no final do terceiro trimestre de gestação – ainda sem nome, o romance é uma releitura de Hamlet, o que já é apontado logo na epígrafe. Na sua existência intrauterina, ele acompanha o plano de sua mãe, Trudy, junto com o tio, Claude, de assassinar seu pai, poeta fracassado e editor quebrado, John. A formação do protagonista-narrador-feto é dada por acompanhar diálogos da mãe, programas de rádio e afins. Dotado de senso crítico, perspicácia e sagacidade, esse pequeno ser, embora muitas vezes subordinado aos interesses e possibilidades físicas da mãe, sabe o que quer, mesmo que muitas vezes não saiba como agir, ou nem possa agir como queria.

Vivendo no momento em que ele chama de segundo crepúsculo da Era da Razão, o narrador constrói uma trama que transita entre o suspense e uma comédia nervosa e tensa dado algo que patético que existe em toda a situação. Por meio dessa voz, ainda em formação, o escritor comenta o estado do mundo atua. A pergunta nunca se formaliza, mas fica no ar: que mundo é esse em que essa criança nascerá? A resposta pode ser assustadora.

Com uma tensão construída em cima de uma linguagem clara, a prosa de McEwan nunca se submete a pirotecnias e malabarismo linguísticos ou formais. Ele segue, aqui, a tradição de um romance realista, mas com um toque insólito desse narrador que, sem qualquer vínculo social consolidado, ele tem a oportunidade de fazer uma crítica mais aguçada.

Destituído da opção de não ser, o pequeno Hamlet acompanha a trama que pode resultar na morte do pai que ele conhece apenas pela voz, e pelos comentários jocosos da mãe e do tio. “Minha mãe está envolvida numa trama, e portanto eu também estou, mesmo seu o meu papel poderá ser frustrá-la. Ou se eu, tolo relutante, aceito muito tarde, e então vinga-la.” O personagem segue o fluxo, comenta os acontecimentos, planeja ações, mas, ao fim, só lhe resta uma única opção: nascer. “Liberdade de expressão, não mais livre, democracia liberal não mais o porto óbvio do destino, robôs roubando empregos, a liberdade num combate acirrado com a seguridade, socialismo em desgraça, capitalismo corrupto, destrutivo e em desgraça, sem alternativas no horizonte”. Realmente, quem quer vir para um mundo assim? Mas existe outra opção?
Profile Image for Andrea Wirkus.
81 reviews2 followers
May 16, 2019
confesso que não acompanhei algumas elucubrações do feto. muita viagem. e a toda hora em que ele brisava na "liberdade", no mundo lá fora, eu só fazia pensar que ele estava deliberadamente ignorando o fato de que passaria ainda uns bons anos grudado à mãe, ou a alguma outra autoridade parental, para sair sonhando com uma vida independente.
boas mesmo são as análises que ele faz do comportamento dos pais, do tio e do seu próprio, um ser fadado a amar uma mãe que não merece o seu afeto.
vale a leitura pela originalidade, pelo ritmo e pela qualidade da escrita.
Profile Image for Lealdo.
133 reviews11 followers
Read
January 14, 2017
De algum modo, conseguir suspender a descrença o suficiente para o narrador feto hamletiano. Ou, sendo mais honesto, McEwan é tão talentoso que me suspendeu, apesar da descrença eterna.

Os paralelos com shakespeare, creio, são pequenos, apenas um contexto meio irônico na trama. Mãe, pai, tio, aquela suruba elisabetana. Comentários narrativos e escrita superinteligentes, em especial porque não faz questão de usar qualquer linguagem especial. Livro bom mesmo. Não deixa de ser bom durante um parágrafo sequer. Do tipo que não tem vergonha em lhe prender com a narrativa policial, ou de colocar um final repleto de punch e lirismo e beleza.
Profile Image for Vera Sopa.
845 reviews86 followers
March 29, 2020
Claramente inspirado em “Hamlet”, de Shakespeare, cuja personagem é a potencial vitima inocente e ingénua - o pai poeta do narrador omnipresente que é o feto, que ouve e intui as maquinações congeminadas entre a bela mãe muito grávida que ainda assim bebe demais e o estrupicio do tio invejoso que usou o sexo como forma de seduzir a mãe.  A relação entre as personagens e os sentimentos envolvidos tornaram este romance menos estranho.  O autor foi capaz de transformar esta história irreal consistente e um interessante exercício de escrita que conduz à reflexão com a breve análise que faz do mundo que aguarda o narrador.

Discurso direto e cru do narrador surpreende mas não choca. Leitura incomoda por sentimentos de culpa e remorso misturados com indiferença e lascívia na desordem e suja casa decadente onde tudo se passa.
Profile Image for Carlos Azevedo.
Author 9 books20 followers
October 22, 2016
Para falar de McEwan é preciso entender que os seus romances começam sempre com detalhes que lentamente se vão transformar no cerne do livro. Situações aparentemente simples, mas às quais uns ligeiros "erros" vão transformar em tragédias.

Este livro é uma espécie de homenagem a Shakespeare, tem um argumento que é um Hamlet reduzido. Até o personagem Claude lembra Claúdio, o rei que matou o irmão, usurpando-lhe o trono.

Mas o livro é mais do que isso, tem o mundo actual pelos olhos do autor, e isso é muito, no caso de McEwan.

O ritmo e a beleza das palavras devem muito a quem traduz, algo que tendemos a esquecer, por vezes livros são destruídos pela tradução literal e pouco entendedora da história. Esta senhora que traduziu "Numa casca de noz" é fabulosa. Chama-se Ana Falcão Bastos.

Tudo está bem no reino de Ian McEwan.
Profile Image for Ana Castro.
360 reviews156 followers
November 5, 2016
Só um escritor com provas dadas e uma grande experiência como Ian McEwan se abalançava a colocar um bébé antes de nascer como narrador.
Um bébé que além de acompanhar o que se passava com a sua família desestruturada sabia o mundo que o esperava e os grandes problemas que nos preocupam a todos .
Desde o terrorismo às mudanças climáticas passando pelos migrantes , a pobreza, a guerra ....
Apesar de pequeno (180 paginas) é denso e fez-me voltar várias vezes atrás.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Cintia Andrade.
491 reviews53 followers
September 18, 2016
É mais da mesma formulazinha McEwan? É sim, mas o cara é dos maiores escritores vivos e prende o leitor como ninguém. Bom demais.
Profile Image for Iara Couto.
115 reviews19 followers
March 17, 2021
Enclausurado é narrado por um feto intelectual que curte ficar bêbado de vinho. É desses livros que dá raiva de não ter tido essa ideia antes.
Foi o segundo livro que li do Ian McEwan e já dá pra perceber que ele é genial pra criar enredos e tem uma escrita muito interessante. Só acho que os finais costumam ser um pouco aquém das histórias que ele cria.
Profile Image for Douglas Rosa.
48 reviews
May 24, 2025
Livro bem diferente, meio sórdido, porém, vale muito a pena. Gostei muito do livro e o final foi sensacional!
Profile Image for Fabio Bensoussan.
50 reviews2 followers
December 22, 2016
Um ano com lançamento de Ian McEwan é sempre um bom ano. Enclausurado tem como narrador um feto.

Se Machado de Assis criou um autor defunto, McEwan tratou de nos apresentar um autor nascituro, ainda inominado.

Poderia perfeitamente se chamar Hamlet, já que McEwan parece trazer para a Londres de hoje a história de Shakespeare. Gertrude (Trudy) e Claude planejam o assassinato do marido/irmão, John Cairncross, para se apoderarem do imóvel da família, uma velha casa em ruínas mas localizada num ponto da cidade que a faz valer alguns milhões.

O Hamlet intra-uterino de McEwan é consciente. É como se, de dentro de sua mãe, dispusesse de uma boa biblioteca ou, vá lá, acesso ao Google: ele reconhece ser um felizardo, já que, de todas as opções possíveis, será um europeu ocidental. Claro, nem tudo é perfeito: não terá os benefícios sociais nem o poderoso fundo soberano de um norueguês, nem nascerá na ensolarada decadência italiana (e sua culinária) ou na França, com seu amor próprio e, principalmente, seu pinot noir. Em vez disso, herdarei um reino em nada unido governado por uma rainha idosa e reverenciada, onde um príncipe que também é um homem de negócios, famoso por suas boas ações, seus elixires (essência de couve-flor para purificar o sangue) e intromissões inconstitucionais, aguarda com impaciência a coroa. Esse será o meu lar, e vai dar para o gasto. Eu poderia ter vindo ao mundo na Coréia do Norte, onde a sucessão também é garantida, mas onde faltam liberdade e alimentos. McEwan continua McEwan.

Esse futuro promissor, no entanto, é abalado com a descoberta da trama de assassinato. Sua própria futura existência se vê ameaçada - afinal, seria ele abortado ou abandonado? A Inglaterra não seria um lugar adequado para essa circunstância...

Um Hamlet que precisa se proteger do pênis do tio - "temo que ele rompa a barreira, perfure os ossos ainda moles do meu crânio e irrigue meus pensamentos com a essência dele, com o creme abundante de sua banalidade".

Banalidade, aliás, compartilhada entre Claude e Trudy. O pai, por sua vez, é um poeta fracassado e um editor mal-sucedido, que gosta de poesia - o que causa ânsia de vômito em sua esposa e em seu irmão. Nosso heroi conhece os clássicos. Sua mãe, por mais oca, gosta de ouvir podcasts e acaba ouvindo alguns clássicos.

No final da história, o narrador, tal como seu par shakespeariano, precisa vingar o pai, e o fará. Provavelmente esculhambará com toda a trama planejada pela mãe e o tio. Fará a única coisa ao seu alcance: nascerá.

Uma última observação: nosso experimentadíssimo feto já sabe das coisas: pensa em escrever um ensaio, assim que sair de sua mãe e tiver "condições". Afinal, "o mundo clama por novos empiristas". Uma pérola, não?
52 reviews
March 26, 2019
Muita criatividade ao narrar o livro inteiro de dentro de um útero. Trama envolvente. Leitura fluida.
Profile Image for Ana Lúcia.
227 reviews
February 28, 2017
A surpreendente, inesperada, poética, doce e triste voz que narra o mundo, de dentro de uma "casca de noz", de uma placenta "bolsa de seda translúcida" ou de uma cela.
Ser testemunha, cúmplice, vítima...estar encerrado ou protegido, quando tudo o resto, tudo o que está lá fora é caos...
"Oh, Deus, eu podia estar fechado numa casca de noz e sentir-me rei de um espaço infinito, não fora ter pesadelos". Shakespeare, Hamlet
Profile Image for Renata Schermann.
12 reviews
March 26, 2017
Adorei esse livro, mais do que pensei que ia gostar.

Nascer ou não nascer, eis a questão!
Deliciosa a maneira com que personagem principal e narrador, o feto, conta a história que se desenrola ao redor do seu universo restrito - a barriga da mãe -, uma história com enredo entre o shakesperiano e as tramas rocambolescas das novelas mexicanas, enquanto faz uma análise e reflexão sobre questões tão importantes para a sociedade atual entre comentários detalhados sobre vinho e gastronomia. Genial!
Profile Image for Fernanda Turino.
187 reviews8 followers
January 27, 2017
Para um narrador que ainda nem nasceu ele bem que sabe ser verborrágico e usar palavras bem pouco usuais.
Talvez funcionasse melhor se fosse um conto. Achei arrastado.
Profile Image for Juliana.
319 reviews
July 22, 2018

3.5

Tá bem vamos a resenha. De início já quero falar que eu fiquei muito em cima do muro com esse livro em vários momentos, hora eu gostava muito, hora eu achava chato. Mas acho que eu curti tanto o fechamento desse livro que resolvi colocar 4 estrelas aqui ao invés de 3. Então, vamos lá.
Teve várias coisas que eu gostei demais desse livro.

A primeira é a mais óbvia: a originalidade de colocar como narrador um feto. Achei incrível a forma que ele moldou o caráter desse bebê, onde em momentos ele sabe de muita coisa e o ar que ele toma é de sarcasmo e uma certa superioridade em relação ao mundo; e em outros momentos ele assume a sua condição como um mero bebê e diz que ele não sabe de nada realmente. São só suposições. E não é que nós mesmos, humanos adultos, frequentemente temos esse tipo de pensamento em paradoxo? A genialidade aqui é que, ao colocar essa mente adulta em um bebê, todos os amores não racionais, as ideias que se contradizem, a constante falha da lógica e do pensamento, a mudança de opinião frequente são justificáveis pela juventude e não experiência do feto. O que para mim é uma alusão clara ao fato que nós adultos somos exatamente assim, só que temos que fingir que não somos. Temos que nos colocar na imagem mais madura e racional possível. O que é completamente diferente do que realmente acontece, porque para ser sincera, por mais racionais que sejamos, o ser humano é um ser extremamente subjetivo e a única constante é a mudança.

Ok, chega desse ponto e passamos para o segundo ponto genial: a relação física e psíquica dos sentimentos. Pelo bebê estar no útero da mãe ele consegue sentir todas as mudanças de batimento, alterações hormonais, alterações de recebimento de nutrientes o que leva ao narrador saber coisas e supor sentimentos da mãe que muitas vezes são certos ou não. Vou colocar melhor. Nesse cenário percebemos momentos em que o bebê percebe sentimentos na mãe que ela mesmo ainda não os reconheceu mentalmente, sentimentos que ele percebe através de uma resposta física do corpo à isso. Em outros momentos ele assume algumas verdades por essas mesmas suposições, mas na verdade o que acontece é que ele confunde um sentimento/emoção com outro por eles terem reações corporais parecidas. Esse nunca saber realmente entre mãe e filho sobre a própria mãe é construído de maneira magnífica e extremamente bem feita.

Segundo ponto: que final bem feito!! Ok que é claro que tem alguns furos e em determinado momento você espera que alguns fatos ali aconteçam, e em outros momentos você não consegue muito acreditar que na reação de um personagem (Claude) (mas afinal não temos certezas reais de nada, pois né, estamos na barriga da mãe junto com o narrador). Mas de modo geral eu estava a todo momento pensando em como o autor ia finalizar a história e achei que seria difícil ele fazer de forma que não ficasse banal ou levemente sem graça. E, oh boy, como eu estava errada. Esse final foi extremamente rápido, bem aquele tipo que te consome e você tem que finalizar de uma vez sabe? Parabéns Ian McEwan.

Agora tem outros ponto que me encheram o saco. Começando pelo fato que minha leitura, ou melhor a fluidez dela, foi em muito prejudicada pelo fato que eu li em inglês e esse livro tem um tantão de anatomia humana. E vamos lá, eu nem sei anatomia humana direito em português, vou lá saber em inglês? hahahah Isso fez com que a leitura fosse bem mais lenta e intricada do que eu gostaria/o que o livro pedia. Mas de qualquer maneira tiveram outras questões que foram independente da língua e sim da história em si.

A primera é que as digressões que inicialmente tinham me agrada muito, depois foram se tornando mais e mais chatas e eu realmente comecei a ficar de saco cheio do narrador em alguns momentos. Outros detalhes foram alguns furos nos quais eu já mencionei levemente a cima e o fato que tinha horas que o feto sabia de mais coisa do que ele poderia saber, estando na barriga da mãe e não podendo enxergar e escutar direito. Mas paciência, problemas narrativos de se ter um narrador como feto né. A constante presença de divagações sobre álcool e poesia me enxergam o saco também. Fiquei pouco interessada nesses momentos e achei que só quebrava a narrativa ainda mais.

Então é isso, um livro bom que me prendeu na história em si e me deixou curiosa até o fim. Um livro com certeza diferente de muita coisas que tem por ai. Recomendo!

Ps: Ia já me esquecer porém não posso, seria um sacrilégio. Que cenas de sexo desconfortáveis, pqp! Eu só queria falar para esses adultos: pelo amor de deus para vocês vão matar ele, sem brincadeira. Me fez ficar com murutis agonia toda vez que acontecia (por mais que o narrador sempre levava isso com uma dose de sarcasmo, piada e melancolia).
Profile Image for Viviane Cordeiro.
121 reviews16 followers
December 9, 2018
Sua mãe tem um amante, mais especificamente seu tio. Sua mãe pretende matar o seu pai. Fim do amor? Dinheiro? Traumas? Ódio? Você apenas pode ouvir, se questionar do por que desta separação, analisar os eventos do mundo em nome de uma ânsia desesperadora. Mas, por que você não pode tomar partido desta surreal intriga familiar? Pelo simples fato de que você não nasceu e é da barriga de sua mãe que você ouve (e narra) essa brilhante obra de Ian McEwan.


Com jogos de palavras geniais, McEwan brinca com a idéia de um infiltrado em um plano perfeito. Trudy se separou de seu marido grávida de quase nove meses. Ao lado de Claude, ela começa a tramar um plano: matar o ex-marido. Mas, por mais que Trudy não queira, existe um bebê ouvindo tudo que acontece ao seu redor. Graças a conversas, rádios, podcasts e tudo aquilo que pode chegar aos seus ouvidos, o bebê sabe dos conflitos do Oriente Médio, da fome mundial, das guerras, do antisemitismo. Pode-se dizer que ele sabe mais do mundo do que muito adulto em nossos dias. O bebê assistirá, de camarote, o desenvolvimento de um plano maligno para a aniquilação de seu pai.


A prosa de McEwan é algo inimaginável para os tempos atuais: uma escrita lírica e inteligente para um universo de tempos sombrios.
Profile Image for Guilherme.
142 reviews1 follower
June 29, 2025
Fazia muitos anos que eu queria ler este livro, cuja premissa me chamou a atenção de imediato: uma história narrada por um feto — ainda no útero — que testemunha um plano de assassinato envolvendo a própria mãe. No mínimo, a promessa de uma trama peculiar.

E McEwan entrega o que promete. O narrador, com sua voz adulta, culta e irônica (que, à primeira vista, não caberia na boca de um feto), consegue nos conduzir por uma narrativa envolvente e cheia de nuances. O resultado é uma obra que consegue ser, ao mesmo tempo, curiosa e reflexiva. A construção inusitada abre espaço para uma crítica às relações familiares e à sensação de impotência diante da vida — algo que nos acomete tanto no nível íntimo quanto existencial.

A originalidade, embora seja o grande trunfo do livro, pode causar certo estranhamento. Ainda assim, é um desconforto que vale a pena enfrentar, diante da força literária de McEwan e do ponto de vista único que propõe.
.
“Mas eis a verdade mais limitadora da vida: é sempre aqui, é sempre agora, nunca lá e depois.”
Profile Image for Alexandre Rivaben.
219 reviews3 followers
July 13, 2017
Juro que queria ter gostado mais do que gostei deste livro. Afinal, o texto do Ian McEwan é sempre muito bom e as ideias bem originais.

Neste "Enclausurado" não foi diferente, a premissa é das mais originais possíveis: uma testemunha ocular de um plano maléfico de assassinato. Quem é a tal pessoa? Uma pessoinha, ainda na barriga da mãe.

Partindo deste enredo, Ian discursa sempre sob a ótica do bebê sobre os mais diversos assuntos, não apenas sobre o tema central, o crime e como os criminosos são conduzidos de uma visão de crime perfeito para uma série de armadilhas incriminatórias que eles mesmos criam, até assuntos da atualidade, como a questão dos refugiados na Europa.

Ainda há o fato de a história ser uma referência a Hamlet, o que o tornaria ainda mais significativo. Infelizmente, porém, nada disso me atraiu muito. Existem muitas passagens interessantes no livro (e reconheço que gostei muito mais daquelas digressões a respeito de assuntos marginais à trama), mas não consegui me empolgar com a trama toda.
Profile Image for Jairo Fruchtengarten.
380 reviews9 followers
February 12, 2019
O pano de fundo de "Enclausurado" não é dos mais empolgantes: por dinheiro, uma mulher planeja matar seu ex-marido com a ajuda do amante, o irmão dele. A novidade, entretanto, é que a história é contada pelo bebê que ela está esperando.

Um enredo pouco elaborado mas compensado pela narrativa sagaz e bem-humorada do feto, que em situações divertidas e inusitadas passa maus bocados quando a mãe resolve ter relações sexuais...

O feto ouve as conjecturas e tenta traçar perfis psicológicos e entender seu lugar no mundo caso o pai seja de fato assassinado. A coisa é tão inverossímil que Ian McEwan consegue usar isso pra fazer uma narrativa leve e divertida...ouvindo o noticiário, o feto emite opiniões sobre a sociedade e a geopolítica do mundo, e graças aos hábitos da mãe, já se torna um expert em vinhos!

Mesmo sendo muito bom, fica a sensação de que o livro poderia ter sido bem melhor...
Profile Image for Leonardo.
9 reviews1 follower
April 1, 2018
A narrativa de um livro sob a perspectiva de um feto na barriga da mãe te impõe situações únicas e percepções totalmente fora do comum. O contraste entre os fatos impossíveis de serem descritos por um feto se acentua erudição com que o livro é conduzido. Não somente o feto é capaz de raciocinar e interferir em alguns fatos, como é um profundo conhecedor de vinhos. A relação entre o filho e a mãe, que, deseja matar o pai com a ajuda do tio, passa por trocas de amor e ódio constantes. O humor típico britânico é uma forte ferramenta para conduzir toda a narração de um feto a frente do seu tempo.
Profile Image for Books against humanity.
132 reviews
June 9, 2020
O homem que incomoda, satiriza, goza e dispõe.

Ian McEwan está-se nas tintas para o leitor. Senta-se à secretária, arregaça as mangas e diz: "Vamos a isto." Ler qualquer um dos seus livros tem efeitos surpreendentes. Seja pela riqueza semântica, pela criatividade do esqueleto narrativo, pela complexidade das personagens, pelo desenrolar inesperado da história.

Leiam "Numa casca de noz" para ouvirem um feto narrar a conspiração de homicídio do seu pai. Conheçam o seu entendimento do mundo. Um ser não nascido que tem o dom da palavra e do esclarecimento. Que perfeição.
Profile Image for Elisa Brietzke.
20 reviews1 follower
January 29, 2025
Gostei bastante embora ache que faltou um trabalho de edição. Alguns trechos são meio redundantes ou apresentam digressões que poderiam ser eliminados ( tipo a crítica do narrador ao gênero ser considerado não binário pelos estudantes universitários). O livro fica mais interessante à medida que se aproxima do final. Mesmo com essas críticas eu sei 5 estrelas pq li em dois dias a gostei muito. E também pq sou boazinha.
13 reviews
March 12, 2026
Amigas, FUJÃO!! Queria que alguma pessoa próxima e parecida comigo tivesse me avisado: "não perca tempo, é curto, faz bem para o desafio de leitura, mas mal para a sua alma". Fui até o final pelo nome do autor na capa, mas não devia... De forma que, até hoje, Moby Dick continua a ser o único livro que abandonei. Sobre este, mais do que nunca: aborto legal, seguro e gratuito é um direito humano básico e essencial. Todas as pessoas legais fazem, fizeram ou farão!
Displaying 1 - 30 of 140 reviews