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Writing

Written in the splendid bareness of her late style, these pages are Marguerite Duras's theory of literature: comparing a dying fly to the work of style; remembering the trance and incurable disarray of writing; recreating the last moments of a British pilot shot during World War II and buried next to her house; or else letting out a magisterial, so what? To question six decades of storytelling, all the essays together operate as a deceitful, yet indispensable confession.

91 pages, Paperback

First published September 15, 1993

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About the author

Marguerite Duras

369 books3,521 followers
Marguerite Germaine Marie Donnadieu, (4 April 1914 -3 March 1996) known as Marguerite Duras, was a French novelist, playwright, screenwriter, essayist, and experimental filmmaker.

Her script for the film Hiroshima mon amour (1959) earned her a nomination for Best Original Screenplay at the Academy Awards.

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Community Reviews

5 stars
1,001 (22%)
4 stars
1,535 (34%)
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2 stars
465 (10%)
1 star
104 (2%)
Displaying 1 - 30 of 32 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,833 reviews623 followers
Read
August 5, 2022
#WITMonth

Silêncio. Ela retoma:
- Veja a grande fonte central. Dir-se-á que está gelada, lívida.
- Estava a olhá-la... Está iluminada à luz eléctrica, dir-se-ia que flameja no frio da água.
- Sim. O que você vê nas dobras da pedra são os leitos de outros rios. Os do Médio Oriente e de muito mais longe ainda, na Europa Central, os leitos do seu trajecto.
-E estas sombras sobre as pessoas.
- São as das outras pessoas, daquelas que olham os rios.

- Roma -

Como leitora, não tenho um plano definido nem caixinhas em que queira pôr um check, mas há alguns autores cuja bibliografia gostaria de conhecer por completo. Essa lista é encabeçada por Marguerite Duras, que comecei a ler bastante nova graças a uma querida professora de História, que entre Guerras Liberais e Domínio Filipino, ainda tinha tempo para nos falar de autoras incontornáveis. Contudo, o rol de livros desta autora parece interminável e cruzo-me constantemente com títulos que nem sabia que existiam, como este “Escrever”, que congrega cinco textos: “Escrever”, “A Morte do Jovem Aviador Inglês”, “Roma”, “O Número Puro”, “A Exposição de Pintura”, naquele estilo fragmentado e solipsista que a define.
O primeiro ensaio foi de longe o mais interessante para mim e é nele que a autora fala da solidão, a verdadeira solidão física, que lhe foi necessária para escrever “O Vice-Cônsul” e a “A Ausência de Lol. V. Stein”

Não encontramos a solidão, fazemo-la. A solidão faz-se só. Eu fi-la. Porque decidi que era aqui que deveria estar só, que estaria só para escrever livros. Passou-se assim. Estive só nesta casa. Fechei-me aqui – também tive medo, evidentemente. E depois amei-a. Esta casa tornou-se a da escrita. Os meus livros saem desta casa. Desta luz também, do parque. Desta luz reflectida no tanque. Precisei de 20 anos para escrever isto que acabo de dizer.

Não é um quarto só seu; é toda uma casa. Sobre essa casa de Neuphale, comprada com os direitos de adaptação ao cinema de “Uma Barragem contra o Pacífico”, Duras conta vários pormenores, desde o jardim que a rodeia aos amigos que recebia, passando por um episódio estranhíssimo com uma mosca na despensa, mas é quando se debruça sobre o seu mester que as palavras fazem mais sentido, como esta passagem, que explica muita da frustração que sinto com livros que me desiludem.

Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vemo-lo através da escrita: são fabricados, são organizador, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. (...) O escritor, então, torna-se no seu próprio chui. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais corrente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras, sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.
Profile Image for Em Memória de Fátima Linhares.
1,029 reviews367 followers
June 12, 2025
No sábado passado, numa das minhas voltas de fim de semana, parei em Viana do Castelo e estava lá um pequeno mercado de artigos usados, ou vulgo, velharias. Fiquei taoooo chateaaaaada! :D

Percorri as bancas e dei a minha atenção aos livros, pois claro! Na banca de uma associação que ajuda gatinhos estava este livro de Marguerite Duras. Nunca tinha lido nada da senhora e não é tarde nem é cedo. Veio comigo por duas moedas de um euro.

Este livro contém cinco contos, pensamentos, dissertações, não sei bem o que lhes chamar:
- Escrever;
- A morte do jovem aviador inglês;
- Roma;
- O número puro;
- A exposição da pintura.

Gostei mais dos dois primeiros, o terceiro deu-me sono, o quarto também gostei e o último acho que nem percebi.

E assim ficou feita a minha estreia com Duras e, de bónus, ainda ajudei os gatinhos.
Profile Image for Andreia.
76 reviews10 followers
March 7, 2017
Cinco textos, entre ensaios e contos.

Escrever – 5*
A morte do jovem aviador inglês – 4*
Roma – 4*
O número puro – 3*
A exposição da pintura – 2*

Gostei sobretudo do primeiro texto, que aborda a necessidade da solidão para escrever, da maneira muito crua da autora. Também são abordados outros temas, como a morte, a guerra, a paixão, a criação artística.

"A morte de uma mosca é a morte. É a morte em marcha em direção a um certo fim do mundo, que alarga o campo do último sono. Vemos morrer um cão, vemos morrer um cavalo e dizemos qualquer coisa, por exemplo, coitado do bicho... Mas se uma mosca morre... não dizemos nada, não tomamos nota, nada." (p. 42)
Profile Image for sue rr.
977 reviews89 followers
April 16, 2024
Apenas o primeiro texto me pegou real oficial. Achei Roma meio confuso e o texto final tem uma beleza, mas não a ponto de mudar a minha opinião de que gostei do livro, nada de grandes ânsias.
Profile Image for Clara Browne.
Author 13 books67 followers
January 9, 2025
essa edição tem 4 textos diferentes. o principal, escrever, é um sólido 4 estrelas. os outros 3 são meio tanto faz. tipo, não são ruins, obviamente, é marguerite duras, mas eles ficam como um apêndice que se extende demais, achei que tirou força do texto principal.

dito isso, é muito bom ler uma escritora foda elaborando sobre o ato de escrever.
se eu tivesse essa capacidade, ia hackear todas as newsletters mixurucas sobre escrita e trocar por esse texto.
Profile Image for Rodrigo Gonçalves.
21 reviews
May 27, 2026
O primeiro ensaio, “Escrever”, é muito bom.
O segundo, “A morte do jovem aviador inglês”, é bem interessante.
Agora, os três últimos, “Roma”, “O número puro” é “A exposição da pintura”, eu achei bem qualquer coisa 🥴
Profile Image for Nathalie Gonçalves.
192 reviews42 followers
May 4, 2025
eu tinha altíssimas expectativas para esse livro, que infelizmente não foram correspondidas. mas existem alguns pontos que preciso reverenciar nesse meu primeiro contato com a obra de Duras.
a oralidade da autora, a forma como cada palavra parece parte de um filme, de uma trama cinematográfica da melhor qualidade, o sentimento, a simplicidade e a crueza da palavra, a dor, o sentido, o lugar. há em Duras uma paixão violenta pela palavra que, mesmo que não atinja as mais chatas expectativas, acaba por nos inspirar.

“Acho que a pessoa que escreve não tem a ideia de um livro, tem as mãos vazias, e dessa aventura do livro só conhece a escrita seca e nua, sem futuro, sem eco, distante, com as suas regras de ouro, elementares: a ortografia, o sentido”.
Profile Image for Pedro Gomes.
105 reviews2 followers
October 22, 2024
O primeiro ensaio dá vontade de comprar uma casa no campo e não fazer nada. Encher-se de nada, por muito tempo. Lago, tarde, céu, bicho. Nada. Depois de bastante nada, escrever. E não parar mais.

Os outros são mais herméticos, fruto da Marguerite cineasta, o que acho que não cabe tão bem no formato prosa. Sobretudo depois do primeiro ensaio, que é, definitivamente, um clássico.
Profile Image for raquel.
93 reviews7 followers
November 21, 2025
eu ia falar aqui que alguém precisa urgentemente fazer um filme de “Roma”. aí pra não passar vergonha fui pesquisar antes e descobri que a diva de fato fez o filme!!! agora só o que falta é alguém que fala italiano legendar a versão do youtube rsrs fica aí a sugestão
Profile Image for Gabriele.
174 reviews
March 11, 2023
desde que eu vi esse lançamento eu fiquei com vontade de ler, mesmo sem nunca tendo lido nada da obra da Duras especificamente. Tenho dois livros dela em casa, mas algo em mim dizia que eu queria começar por esse. E assim comecei. Como todo livro de ensaios/contos/crônicas tem alguns textos que eu gostei mais do que outros, mas os intitulados "Escrever" e "A morte do jovem aviador inglês" eu não só gostei como amei. Amei de uma forma que fazia um tempo que uma escrita não ressoava tanto e amei a reflexão sobre a escrita e o processo de escrever de Duras, bem como a reflexão sobre a morte e finitude no segundo ensaio. Se o livro tivesse apenas esses dois ensaios teria ganhado 5 estrelas e favorito sem dúvida nenhuma. Eu gosto muito quando autoras de propõe a pensar o ato de escrever e o ato de escrever e achei muito sensível e potente a forma como isso aparece nesse ensaio. Sigo agora no desejo de ler Marguerite Duras na ficção.
Profile Image for natália nuñez.
23 reviews3 followers
June 21, 2024
o ensaio que dá nome ao livro é ao mesmo tempo delicioso de ler e te coloca muito pra pensar o processo de escrita. acredito ser comum pensar no escritor como uma pessoa solitária, mas as imagens de uma solidão feita por ela torna muito mais interessante esse estado/lugar/forma.

o Roma me fez pensar muito em todas as conjecturas do que não é possível mais ver.

para marguerite duras meu reino!
Profile Image for Jose Garrido.
Author 2 books29 followers
March 22, 2025
Sob o título “Écrire” Marguerite Duras escreve aqui sobre tudo e sobre nada. Já antes declarei o meu fastio pelo género: ensaio. Écrire sobrevive e sobrevive galhardamente, graças ao talento, imenso, da autora. Quando não, ela fala-nos da solidão; das diferentes divisões da casa em que em cada período preferia (em exclusivo) escrever; fala da mosca (não da proverbial mosca-morta 😊) mas da morte de uma mosca; fala do jovem piloto inglês, que ela insiste em nomear sempre como a ‘criança de vinte anos’, que morre anonimamente aprisionado na carlinga do seu monomotor despenhado sobre a copa de uma árvore, numa aldeia da Normandia; fala de Roma e do amor – quoi d’autre? Fala de memórias e recordações. Qualquer Ernaux medianamente talentosa poderia fazer o mesmo, mas o output seria seco e árido, o que não acontece em Duras.
Vou sempre preferir todas as outras obras – grandes, enormes – que li da autora. Os cenários da Indochina, os filmes – mesmo aqueles em que não acontece nada – nada, é nada! – como Son nom de Venise dans Calcutta désert, numa sessão da meia-noite naquele cineminha (nunca de bolso foi uma designação tão adequada) nas traseiras do hotel Roma. Ainda assim, “Écrire” é especial. Ora vejam-me esta citação que me apresso em adicionar à minha lista:
Être seul avec le livre non encore écrit, c’est être encore dans le premier sommeil de l’humanité.
Profile Image for Isadora Arraes.
67 reviews7 followers
February 4, 2026
Escrever, de Marguerite Duras, não é um manual nem um diário. Duras escreve como quem insiste em existir, sabendo que cada frase cobra um preço — solidão, silêncio, tempo. O livro avança aos soluços, entre a casa vazia, a morte que ronda e a escrita como vício e condenação. Não há ornamento: há ossos expostos.

Lendo, percebe-se que escrever não é um gesto intelectual, mas corporal, quase obsceno. Escreve-se com o que falta, com o que se perdeu, com aquilo que não volta. Duras não explica; ela expõe. E nessa exposição há algo de profundamente político: a recusa da produtividade, da narrativa confortável, da obra “bem acabada”.

Escrever é um livro breve e incômodo, desses que não pedem admiração, mas cumplicidade. Quem procura respostas sai frustrado; quem aceita o vazio encontra, paradoxalmente, uma forma radical de lucidez.
Profile Image for thaís bambozzi.
314 reviews64 followers
November 16, 2021
Duras permeou meu ano de 2021 inteiro. Desde o começo, quando fiz o laboratório de escrita com mulheres maravilhosas e lemos “Escrever” em um dos exercícios, passando pelo roteiro de “Hiroshima meu amor”, um dos meus filmes preferidos até o seu curta belíssimo “As mãos negativas”.

Eu adoro essa coisa meio metalinguagem. Filmes sobre filmes. Livros sobre livros. Escrita sobre escrita. Acho potente, me faz refletir muito. Fico até meio melancólica (mas gosto da sensação).

Nessa edição da Relicário, o livro começo com o texto “Escrever” que é sim muito poético e termina com “A exposição da pintura”, meio que iniciando na construção da palavra e terminando na construção da imagem, bonito demais.
Profile Image for luíza de matos.
1 review1 follower
July 2, 2024
poder ler e conversar com marguerite duras é algo que me leva facilmente ao choro. gostaria de tê-la conhecido, olhado em seus olhos, partilhado o mundo com alguém que, como eu, vê na solidão de uma mosca morta o início da escrita. ao nascermos, sabemos primeiro da morte, e raramente chegamos a conhecer a vida. aqueles que a conhecem o fazem pois permitem-se à morte - a escrita é uma forma de se permitir à morte, sempre foi e sempre será. morro aqui, agora, e ainda bem que morro. obrigada, marguerite.
Profile Image for Fábio Zuker.
5 reviews1 follower
February 25, 2023
Seguramente o primeiro ensaio, em forma de conversa, sobre a escrita, é o ponto alto do livro. Há passagens belíssimas sobre a entrega à escrita, a solidão para escrever, a prática da escrita como uma certa entrega, na qual não faz sentido pensar "o que desejo escrever", "o que pretendo escrever", msa uma certa autonomia da escrita, em que o próprio ato de escrever, de se levar pela escrita, como pela vida, é o que permite escrever
Profile Image for Camis Mendonça.
19 reviews
March 23, 2025
Não conheço a obra de Duras, e talvez por isso não tenha gostado (se quer entendido) os textos deste livro. Vale pela leitura do primeiro ensaio, que dá nome ao livro. Este é maravilhoso na abordagem e não exige prévio conhecimento da obra da escritora, mas imagino que aqueles que conhecem seus livros, roteiros e filmes vão gostar ainda mais. É um livro que vale o retorno depois do conhecimento da obra dela.
Profile Image for Alice Almeida Ferreira.
24 reviews
August 3, 2026
Dos 5 contos, gostei muito de Escrever e de A morte do jovem aviador inglês.
Escrever certamente é instrutivo para quem pensa escrever. Na minha interpretação, Duras apresenta a escrita como trabalho, como compromisso.
Em A morte do aviador inglês, ela lhe dá vida. Ela retira esse estranho, esse qualquer, esse quase anônimo, quase indigente dessa situação para velar no túmulo dele todos os mortos enterrados como indigentes da Segunda Guerra, entre eles o próprio irmão.
Profile Image for Isabela.
121 reviews4 followers
November 12, 2022
algumas frases e ideias lindas, marcantes. de ficar pensando por dias e querendo voltar sempre, especialmente no primeiro texto. mas em geral, não gostei do estilo da narração dela. achei bonito, hipnótico, mas não entendi direito.
Profile Image for Melissa.
15 reviews
February 15, 2022
Vale muito a pena pelo primeiro capítulo, Escrever. Os outros capítulo confirmam a essência de Duras ao se expressar, sensibilidades e sutilezas. Belo livro.
Profile Image for Flavia Kaiser.
Author 1 book9 followers
January 31, 2023
O primeiro ensaio, que dá nome ao livro, é sensacional. Os demais 4 não me impressionaram.
Profile Image for Larissa Tavares.
25 reviews2 followers
March 26, 2023
“Escrever era a única coisa que preenchia minha vida e a encantava. Foi o que fiz. A escrita jamais me abandonou.”
Profile Image for H.
7 reviews1 follower
January 7, 2024
escrever é perceber a morte lenta e banal da mosca e se sentir no direito de assisti-la
Profile Image for Luisa Pinheiro.
25 reviews35 followers
May 5, 2024
Um livro que tinha tudo para que eu gostasse dele, mas acabou não me pegando. Ainda quero voltar mais vezes ao texto sobre a escrita.
Profile Image for Luana Bruzzi.
21 reviews
August 16, 2024
Se os livros da Marguerite Duras fossem remédios psiquiátricos, "A dor" seria ritalina e "Escrever" seria venvanse. Bom livro.
Profile Image for Maria.
45 reviews
January 1, 2024
Perdi meu tempo e saí puta
.
. Acho que exagerei um pouco pq gostei muitíssimo mesmo da primeira parte, sobre escrever
Profile Image for António Jacinto.
146 reviews4 followers
August 11, 2024
Não tenho a certeza de ter percebido tudo o que escreveu Duras. Mas creio que ela também não. Há umas boas frases no primeiro dos ensaios e no que tem como título "Roma".
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