Res Gestae, ou Os Feitos do Divino Augusto é uma breve enumeração feita pelo próprio imperador Augusto dos feitos que realizou durante seu reinado, que durou de 27 a.C. a 14 d.C. Essa lista de feitos, com 35 itens, foi escrita com objetivo de ser reproduzida nas colunas da entrada do mausoléu construído por Augusto, em que deveria ser colocado após sua morte. O mausoléu ainda existe, mas as inscrições na coluna não são mais visíveis. Ainda assim, o texto serve para mostrar, mesmo se os evento relatados forem exagerados ou falsos, como Augusto via a si mesmo, ou pelo menos como queria ser visto depois que morresse.
Como poderia se esperar, o texto é cheio de primeira pessoa, linguagem que enaltece as ações de Augusto, e poucas menções aos outros grandes causadores do sucesso que Augusto acabou aproveitando sozinho, como Marco Antônio e até Julio César, citado apenas indiretamente. Mas surpreende que tudo o que está escrito mostra um Augusto em serviço do senado e do povo, recusando premiações, cargos e principalmente o cargo oficial de ditador. Ele admite, no final do texto, que era o romano mais influente, mas insiste não ter tido mais poder que seu companheiros cônsules, se posiciona abaixo tanto do senado enquanto instituição quanto do próprio povo, cuja soberania e glória alega ter sido o alvo de todos os seus esforços.
Sabe-se, apesar disso, que Augusto quis sim o poder que recebeu e do qual usufruiu a partir da morte de Julio César, forçou as guerras que alega terem sido para a libertação do povo romano de "facções", e adorava a pompa e luxo com que gastou tanto dinheiro para preencher Roma. Mas, ao mesmo tempo talvez realmente tivesse um interesse altruísta para com o povo, e o resultado fica um misto de governante popular e populista, que fazia questão de ser visto sendo ambos.