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A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore

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Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura. Publicado em 1926, é a reconstituição do segundo livro de Raul Brandão, publicado em 1896 sob o título de História de Um Palhaço (A Vida e o Diário de K. Maurício). Nele perpassam os temas da dor, da miséria, da loucura, do amor e da morte, temas recorrentes em toda a obra do autor Um livro fundamental para compreender toda a obra brandoniana.

128 pages, Mass Market Paperback

First published January 1, 1896

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About the author

Raul Brandão

69 books93 followers
Raul Germano Brandão (Foz do Douro, March 12, 1867 – Lisbon, December 5, 1930) was a Portuguese writer, journalist and military officer, notable for the realism of his literary descriptions and by the lyricism of his speech. Brandão was born in Foz do Douro, a parish of Porto, where he spent the majority of his youth. Born in a family of sailors, the ocean and the sailors were a recurrent theme in his work.

Brandão finished his secondary studies in 1891. After that, the joined the military academy, where he initiated a long career in the Ministry of War. While working in the ministry, he also worked as a journalist and published several books.

In 1896, Brandão was commissioned in Guimarães, where he would know his future wife. He married in the next year and settled in the city. Despite living in Guimarães, Brandão spent long periods in Lisbon. After retiring from the army, in 1912, Brandão initiated the most productive period of his writing career. He died on December 5, 1930, age 63, after publishing a profuse journalistic and literary work.

Published works:

1890 - Impressões e Paisagens
1896 - História de um Palhaço
1901 - O Padre
1903 - A Farsa
1906 - Os Pobres
1912 - El-Rei Junot
1914 - A Conspiração de 1817
1917 - Húmus (1917)
1919 - Memórias (vol. I)
1923 - Teatro
1923 - Os Pescadores
1925 - Memórias (vol. II)
1926 - As Ilhas Desconhecidas
1926 - A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore
1927 - Jesus Cristo em Lisboa, with Teixeira de Pascoaes
1929 - O Avejão
1930 - Portugal Pequenino, with Maria Angelina Brandão
1931 - O Pobre de Pedir
1933 - Vale de Josafat

Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Raul_Bra...

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Luís.
2,435 reviews1,520 followers
October 30, 2022
A small but intense book with a story told profoundly that all words and phrases obey a harmonious order. Yet, I was still eager to get to know this author more and better.
Profile Image for João Pinho.
Author 6 books15 followers
September 14, 2020
Genial!

«Sou apenas um duro egoísta, sem alma, capaz de me enternecer, duma grande sensibilidade, mas não duma grande dor? De tudo senti, mas não de sofrer muito?»

«E no entanto eu não vivi senão por imaginação.»
Profile Image for Alice.
169 reviews
March 2, 2019
Fascinou-me, de início, o estilo de Raul Brandão; entediou-me até "à morte", lido o primeiro terço da obra.
Num livrinho de cerca de 125 páginas, se excluirmos o prefácio, Raul Brandão conseguiu repetir à exaustão palavras que aniquilam o ânimo a qualquer um:
noite: 122 vezes
dor: 99;
alma: 117;
morte: 88; morrer: 63;
sofrer: 60;
desgraça: 58;
negro: 52;
velhas: 53;
velho: 53
lágrimas: 39;
desesperar: 32;....
penar 29;
perder 48;
cova: 21;
nada: 32;
miséria 25;
lama: 27;
quimera: 39... acrescentem-se ainda as palavras "terror", "vazio", "medo", usadas também com fraca moderação, e percebe-se como Raul Brandão acaba por cansar. Não vou tocar no "Húmus", em fila de espera há uns tempitos, nos próximos anos... Deixo-o a ganhar pó, em apropriada decoração.

Uma nota bem positiva para o lindíssimo conto "O Mistério da árvore" que integra o livro. Dos textos mais belos que já li!


Do sítio "www.modernismo.pt:
"É tempo de se reconhecer que o papel de Raul Bran­dão relativamente à novelística portu­guesa contemporânea excede em larguíssi­ma medida a impor­tância que lhe tem sido atribu­ída, uma vez que, com ele, é um novo paradigma ficcional que está em emer­gência: o de uma ficção minada pela suspeita de que a vida é «uma mentira trágica» levantada «até ao céu a poder de palavras»[i]. Ler Raul Bran­dão hoje implica não apenas um confronto com os problemas teó­ricos que a sua obra levanta, mas também a necessidade de os avaliar em função do efeito de ruptura que ela produziu. Sem deixar de interrogar criticamente o seu tempo, a escrita de Brandão surge hoje aos nossos olhos como uma extensa, profun­da e dilace­rada meditação sobre a condição humana face à finitude. Se essa meditação não teve con­dições para frutificar num terreno tão visce­ral­mente adver­so à especula­ção metafís­ica, apesar de se desenvolver no âmbito de uma ex­periên­cia estética investi­da pelo pathos de uma subjec­tividade inter­pelan­te, contribuiu, no mínimo, para refor­çar o estatuto ambíguo da sua obra, embora tal am­biguidade t­enha sido frequen­temente interpretada como o reflexo de uma deficiên­cia estrutu­ral, e não como um inequívoco sinal de moderni­dade extrema. Segundo certa crítica, tratar‑se-ia mesmo de uma abs­oluta in­capacidade de cons­trução nar­rativa, argumento que tem servido para aferir a sua grandeza por defeito."

A recuperação desta figura nas páginas do Correio da Manhã (1895-96) e nos dois primei­ros nú­meros da Revis­ta d’ Hoje (1894­‑95) explica o subtítulo do seu segundo livro: História dum Palhaço (A Vida e o Diário de K. Maurício), publicado em 1896. A fórmula estética d’Os Nefelibatas está, pois, na base de um programa estético que alcança aqui o primeiro desenvol­vimento consequente É com este livro que a nossa modernidade literária conhece uma nova direcção, marcada pela dualidade e pela negatividade. Numa espécie de prefá­cio­ («K. Maurí­cio»), Raul Bran­dão apre­senta‑o como «autor» póstumo de um conjunto de inéditos, «amál­gama de lama e de dor», de que destaca um «roma­nce in­completo [...] que é quase uma auto­bi­ogra­fia» e cor­respon­de à «se­gun­da parte» do livro («O Palhaço e o Amor»). A «primei­ra parte», consti­tuída por excer­tos «dos seus papéi­s» e pelo seu «Diário», abre com uma introdução de três págin­as. A terceira parte, «Os Seus Papéis», inclui quatro pe­quenas nar­rativas (1896, 2005: 7-16). De K. Maurício, figura quase sempre vista como o alter ego ficcional de R. Brandão, quase se diria ser um heterónimo de vida curta, que tendo surgido com Os Nefelibatas ganha alguma consistência nas publicações subsequentes. A sua filoso­fia, timbra­da pelo pessimis­mo finissecular, salda‑se numa volup­tuosidade niilista em que a morte surge como a única saída para o desespero existen­cial. Se uma estéti­ca está neces­saria­mente ligada a uma concepção do mun­do, este livro pode ser visto como um libe­lo anarquista em que a estrutura fragmentária e o recurso à elipse tradu­z­em no plano estético o desejo de dest­ruir um corpo social repulsivo e de desar­ticular os valores que o per­petuam. Num artigo publicado em dois números da Revista d’ Hoje («O Anarquismo»), Brandão já expressara de modo eloquente a sua compaixão pelos excluídos, através do discurso veemente do filófo Pita cujas palavras transitam para a História dum Palhaço. Por conseguinte, os grandes temas bran­donianos já aqui com­pare­cem esboço: a dualidade do «eu», o sonho, a vida como ilusão, a dor, a miséria, a mar­ginalidade, a morte, o grotes­co e o absur­do da condição huma­na. Essa rede temáti­ca é o sub­strato de uma construção simbólica onde já se torna patente o pendor expres­sionista de toda a sua obra e um incon­formismo estético que afirma uma postura ine­quivoca­mente moderna, revela­dora de um poder de negação não assimilável às tendências literárias da época. O desdobramento da narrativa, a dualidade dos narradores, a fuga ao sentido comum – à doxa – através de um discurso paradoxal que se organiza por meio de uma técnica de ascensão metafórica e do recurso frequente a figuras como a antítese, o oximoro, o quiasmo, são alguns dos aspectos que terão mais amplo desenvolvimento em obras posteriores, e que atingirão toda a sua magnitude no Húmus. A «utopia» e a «fé num ideal» são aspec­tos vitais do anar­quismo que Brandão transpõe para a sua obra e que, na sua configu­ração disfórica, assumem uma ressonância trágica: desde as produções juve­nis até às da maturidade, que se inscrevem já num sistema estético‑literário específico, onde avultam as antinomias deflue­ntes da dicotomia vida/arte. A atracção de Raul Brandão pelo jorna­lismo traduz o desejo de superar esta e outras dualid­ades, uma vez que, através do exercício da crónica ‑ o seu género predilecto ‑, foi possível transgredi­r‑lhe as fronteiras e transformá‑lo numa forma artística de intervenção imediata e de alcance ético: naquela «arte de situa­ção», preconizada por Proudhon, que é «função do tempo e do lugar».
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Profile Image for Rui.
153 reviews
April 18, 2020
Um livro absolutamente fascinante, no qual a condição humana é analisada, pelo olhar de alguém que sonhou tudo e que, por isso, perdeu-se da realidade.
É o primeiro livro de Raúl Brandão que tenho o gosto de ler, adquirido na belíssima Cidade Invicta, e que conservarei, certamente, na memória.
Assim sendo, recomendo a todos os meus amigos a sua leitura, deixando um pequeno excerto, para aguçar o "apetite":
«Dir-se-ia que o seu riso era feito da experiência da vida e que êsse palhaço extranho fôra construído com a lama de todos os vícios e com as lágrimas de tôdas as amarguras...»
Profile Image for Jmigdias.
59 reviews1 follower
December 3, 2023
Tenho de reler isto outra vez. Talvez daqui a dois anos.

Quando o Raul Brandão fala de peixes e do mar, eu não curto muito, mas quando ele escreve sobre a morte, a solidão e o "sonho", aí não consigo deixar de o acompanhar.
Profile Image for tiago..
487 reviews130 followers
January 2, 2022
Penso que Raul Brandão já não me surpreende e aparece-me um livro destes...

A resenha fica para mais tarde. Este precisa de ser relido. Várias vezes, de preferência.
Profile Image for Cláudia.
27 reviews2 followers
November 28, 2024
“Ao que cada um se prende é às suas aspirações, às suas penas e não à matéria e ao corpo! […] Vede: a vida aborrece, mas cada um guarda no seu íntimo a secreta esperança de realizar não sei o quê… Muitas vezes nem se sabe…”

“Uma vida de miséria e sonho, atrás de um ideal, sacrificada a um ideal, que só na velhice compreendi que me iludiu. E agora não posso voltar para trás! Viver para um sonho, se esse sonho nunca se alcança, se se torna em barro disforme, de que toda a gente se ri, nas mãos secas da velhice, viver assim é ser grotesco?”

“O que me custa, afinal é a perda da minha personalidade: habituei-me, de tal maneira, ao sofrimento, que me custa a deixá-lo e a ser feliz. E vale realmente a pena? Vejamos: o que faz a minha desgraça, e a nossa desgraça, é a consciência e o raciocínio. E é isto exatamente o que me custa a perder. Porventura um bicho se põe a pensar: fiz mal ou fiz bem?...”

“Errei o caminho: não era por aqui.”

“Há dias que acordo não sei para quê.”
Profile Image for Daniel.
225 reviews1 follower
September 6, 2024
Eu nunca estou só. Quando me isolo é que estou mais acompanhado.






Se as suas mãos débeis não podem já com uma durindana, os cérebros e os corações estão em brasa.

Aos que se alimentam de sonho chega o momento em que não podem viver. A realidade não perde os seus direitos. Raia o dia em que se impõe por força e então o sonhador é colhido e triturado por a ter esquecido. E o ponto trágico em que reconhece com espanto que não pode viver — que não sabe viver, e procura a morte, não para se aniquilar, mas como quem busca um sonho maior, um sonho sem contrariedades e de que se possa à vontade fartar.


Correste em tão tenra idade para que muitos pudessem andar...
Profile Image for Gabriel Oliveira.
10 reviews1 follower
December 22, 2021
Um livro interessante. Embora não seja escrito por Raul Brandão, percebe-se logo que este fez aqui largas alterações ao texto. Se não, somente a proximidade literária no estilo de escrita entre ele e K. Mauricio consegue explanar a constante ponte traçada entre sonho e realidade.
Profile Image for José Alberto Silva.
69 reviews
June 21, 2023
(li a edição da Book Cover, mas por algum motivo não a encontrei aqui)

É provavelmente o livro mais confuso que li até hoje, o que me deixa com mix feelings, porque adorei uma parte, mas as outras duas foram só "meh"...

Talvez o volte a ler daqui a uns anos.
Profile Image for Emanuel.
Author 4 books7 followers
September 2, 2018
Cheio de questões verdadeiras: da vida, da morte, da natureza, enfim da Vida!
Profile Image for Filipe Seabra.
100 reviews1 follower
December 4, 2023
Leitura complexa sobre a mente de um palhaço que arrisco dizer, que seja quase como uma introspecção pessoal do próprio escritor.
Profile Image for Martinho Sá.
46 reviews
October 11, 2025
“O drama de K. Maurício foi este - ter vivido tudo e nunca ter vivido; ter conhecido a vida através dos livros e não saber dar um passo na vida. Habituar-se a sonhar e ter medo de viver.”

Profile Image for Sunny.
87 reviews1 follower
April 7, 2017
"A piedade é afinal por nós e não pelos outros..."
"Eu nunca estou só. Quando me isolo é que estou mais acompanhado: torturas, sombras, ilusões..."

Se eu tivesse bebido um shot (de qualquer coisa que fosse, até de água) por cada vez que li a palavra quimera tinha ficado bêbeda. Isso e tornava-me alcoólica.

O livro: muito filosófico, cheio de analogias e metáforas.
Eu: muito cheia de nervos, completamente confusa e ao mesmo tempo triste.

Deixou-me triste e o melhor de tudo é que eu nem sei dizer porquê. Eu já estou velha para metáforas, e já lá vão anos desde que pensei filosoficamente, mas sinto que entendi o livro ao não o entender de maneira nenhuma.

É fascinante deveras, mas não é mau livro de todo (só é ligeiramente aborrecido).
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