Digo nesta altura e confesso-me: achei que não iria gostar deste tipo de autora - sempre achei o epitome do "lovey-dovey" insipido que não me atrai nada. Mas, ao ser desafiada a ler algo em conformidade com o Dia dos Namorados fiz esta escolha, fora dos meus géneros habituais....e gostei.
Na verdade, voei pelas páginas - li o livro em 2 dias - tal é a fluidez e leveza da escrita que nos envolve, mas também estava bastante interessada no who dunnit, que é a base para o enredo deste livro.
Daisy Keane encontra por acaso numa festa Londrina o self-made man Robert Hardwick, que a salva dos efeitos de um divórcio e consequente pobreza associada, uma vez que o querido ex terminou o casamento junto com todas as poupanças que haviam acumulado durante o mesmo. Robert dá-lhe uma segunda chance de fazer algo por ela, pela vida dela, ao mesmo tempo que tenta curar as feridas psicológicas deixadas pelo divórcio.
Mas, eis que Robert morre inesperadamente num acidente de viação e entra pela vida cuidadosamente planeada e estática de Daisy o detective Harry Montana, um homem misterioso, que vem com uma missão igualmente misteriosa: descobrir quem matou Robert! Mas afinal, foi ou não um acidente?
O desenlace irá dar-se a bordo de um cruzeiro fabuloso pelo Mediterraneo e com uma leitura de testamento dramática numa villa lindissima em Capri. Tudo muito ao estilo de Agatha Christie, em que nada falta, nem uma tempestade, para completar o ambiente tétrico de revelação.
Na prática este livro fala muito de segundas oportunidades na vida, de erros que se cometem e que nos foram cometidos e se poderemos ou não emendá-los...ou emendar-nos ou consertar-nos. Material para reflexão.
Como disse em cima, a escrita é fluida, fácil de acompanhar e com uns cenários e sitios lindos só de ler as descrições. As personagens estão levemente estereotipadas, mas se procuram uma leitura descontraida, com um bocadinho - só um bocadinho - de tensão e amor, então mergulhem neste livro, que vale a pena. Eu, pelo menos gostei.