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Letrinhas de Cantigas

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55 pages, Paperback

First published January 1, 2002

24 people want to read

About the author

António Lobo Antunes

88 books1,045 followers
At the age of seven, António Lobo Antunes decided to be a writer but when he was 16, his father sent him to medical school - he is a psychiatrist. During this time he never stopped writing.
By the end of his education he had to join the Army, to take part in the war in Angola, from 1970 to 1973. It was there, in a military hospital, that he gained interest for the subjects of death and the other. The Angolan war for independence later became subject to many of his novels. He worked many months in Germany and Belgium.

In 1979, Lobo Antunes published his first novel - Memória de Elefante (Elephant's Memory), where he told the story of his separation. Due to the success of his first novel, Lobo Antunes decided to devote his evenings to writing. He has been practicing psychiatry all the time, though, mainly at the outpatient's unit at the Hospital Miguel Bombarda of Lisbon.

His style is considered to be very dense, heavily influenced by William Faulkner, James Joyce and Louis-Ferdinand Céline.
He has an extensive work, translated into several languages. Among the many awards he has received so far, in 2007 he received the Camões Award, the most prestigious Portuguese literary award.

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Community Reviews

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17 (36%)
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2 (4%)
1 star
2 (4%)
Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Mafalda Oliveira.
31 reviews2 followers
May 4, 2024
“Estou aqui como se te procurasse
A fingir que não sei aonde estás
Queria tanto falar-te e se falasse
Dizer as coisas que não sou capaz.

Dizer, eu sei lá, que te perdi
Por não saber achar-te à minha beira
E na casa deserta então morri
Com a luz do teu sorriso à cabeceira.

Queria tanto falar-te e não consigo
Explicar o que se sofre, o que se sente
E pergunta como ao teu retrato digo
Se queres casar comigo novamente…”
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
February 21, 2015
*
Não disse nada nada, amor, não disse nada:
foi o rio que falou com a minha voz
a dizer que era noite e é madrugada
a dizer que eras tu e somos nós.

A dizer os mil rostos de Lisboa
ao longo do teu rosto se te beijo
À luz de um pombo chamo Madragoa
e Bairro Alto ao mar se te desejo.

Não disse nada, amor.Juro, calei-me:
foi uma voz que ao longe se perdeu
Cuidei que era Lisboa e enganei-me
pensei que éramos dois e sou só eu.
*
Profile Image for Miguel.
66 reviews16 followers
March 10, 2019
BALADA DO REDONDO

"Tudo o que à noite é mais claro
é escuro durante o dia
postais em que nem reparo
postigos de talhe raro
e o segredo o desamparo
a que se chama poesia."


RECADO (bolero)

"Estou aqui como se te procurasse
a fingir que não sei aonde estás
queria tanto falar-te e se falasse
dizer-te as coisas que não sou capaz."


DISSE-TE ADEUS À PARTIDA (fado de Coimbra)

"Disse-te adeus à chegada
digo-te adeus à partida
se quero tudo da vida
já de ti não quero nada.

(…)
Dizer adeus é diferente
quando to digo baixinho
no meio de tanta gente
é que me sinto sozinho."


CANÇÃO PARA A MINHA FILHA ISABEL ADORMECER QUANDO TIVER MEDO DO ESCURO (berceuse)

"Nem sombra nem luz
nem sopro de estrela
nem corpinhos nus
de anjos à janela

nem asas de pombos
nem algas no fundo
nem olhos redondos
espantados do mundo

nem vozes na ilha
nem chuva lá fora
dorme minha filha
que eu não vou embora."


FADO DO PEDINTE DA IGREJA DOS MÁRTIRES

"Ai telhados de Lisboa
ai sombras que a noite tem!
Que bando de pombos voa
desde Alfama à Madragoa
do Bairro Alto a Belém?"


FADO TRÁGICO

(…)
"Oh meu amor que noite tão de noite
como a noite que em nós de noite havia
era de noite sim e foi de noite

que a lua em mim nascida em tia morria
que noite tão mais noite que esta noite
que dia tão mais dia que este dia."


RIGOROSO DO PESCADOR DA MARGINAL

"O melhor da minha vida
é estar aqui na muralha
a cana estendida para o negrume do rio
as vigias de um navio
e as ondas de fina talha
(…)
Meu rio tão negro e tão fundo
bacia do mar da Palha
quero lá saber do mundo
quero lá saber do peixe
quem me ama que me deixe
ficar aqui na muralha."


FADO DO HOMEM VELHO

"De modo que fico ao espelho
vendo o que a vida me fez
e ou bem que fico velho
ou bem que nasço outra vez."


FADO DE COIMBRA Nº4

"Não vem ao caso dizer que sinto frio
se amanheço ao teu lado e tu não estás
escrevo um poema que ninguém ouviu
com as palavras que não sou capaz

Não vem ao caso dizer que ainda te espero
como quem espera um filho que morreu
digo que te desejo e não te quero
digo que não te quero e não sou eu."


COLADO NA COLADEIRA (coladeira)

"Colado na coladeira
vi o meu amor dançar
eu danço à minha maneira
como folha pelo ar."



Profile Image for André.
Author 33 books15 followers
December 4, 2015
Um esforço (?) poético que sabe a pouco ou nada - não pelas dimensões da obra mas pela sua falta de conteúdo ou concretização estilística. Com a excepção de uns poucos apontamentos interessantes aqui e acolá (destaco os dois poemas sobre prostituição), as 55 páginas de poemas de "Letrinhas de Cantigas" pouco mais providenciam ao leitor que uma reflexão sobre o vasto oceano de ofertas editoriais disponíveis no mercado e o azar de se ter pescado tão insípido peixe literário.
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