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Cadernos da Água

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A realidade que estamos habituados a ver à distância pode, afinal, vir a ser a nossa.
Num romance composto a múltiplas vozes, é feminina a voz que se sobrepõe, através do fio condutor de um caderno onde regista o seu dia a dia de refugiada na companhia da filha. O destinatário dos seus apontamentos é o marido, em parte incerta, e somos nós quem os lemos. São portugueses estes refugiados.

O Estado português dissolveu-se, e o território está sem lei. Deram-se as Guerras Meridionais da Água, o Primeiro e o Segundo Eventos, e até uma pandemia de rex-vírus 3, que se espalhou pela Europa, pelo Médio Oriente e pelo Norte de África. Os países do Norte fecharam as fronteiras e interromperam o apoio financeiro que vinham a dar aos países do Sul da Europa, a «taxa do deserto». A seca é extrema.

Uma narrativa distópica de leitura compulsiva a partir da primeira linha. Um romance construído com grande mestria e com um desenlace surpreendente.

248 pages, Paperback

First published March 3, 2022

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278 people want to read

About the author

João Reis

109 books617 followers
João Reis (1985) is a Portuguese writer and literary translator. His books are published in Portugal, the USA, Brazil, Serbia, Georgia, Egypt and Greece. He writes both in Portuguese and English.

The Translator's Bride was his first work to be translated into English, and his novel Bedraggling Grandma with Russian Snow was longlisted for the 2022 Dublin Literary Award.

He's also the author of The Devastation of Silence (longlisted for Prémio Oceanos 2019, published in English in November 2022), Quando Servi Gil Vicente (shortlisted for Prémio Fernando Namora 2020), Se com Pétalas ou Ossos (2021), Cadernos da Água (2022, shortlisted for Prémio Fernando Namora and Prémio Fundação Eça de Queiroz), and An Atavic Fear of Hailstorms (2023).

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Community Reviews

5 stars
88 (37%)
4 stars
100 (42%)
3 stars
40 (16%)
2 stars
7 (2%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 54 reviews
Profile Image for Paula M..
119 reviews53 followers
July 27, 2022
O assunto é sério.
A água é hoje um recurso escasso também no nosso país, mas continuamos a regar campos de golfe , a inundar canteiros de miosótis e a encher apetecíveis piscinas sem que a consciência nos moa.
Um dia teremos racionamento, andaremos à procura de alimentos e esqueceremos como é nadar...
A água deveria estar na agenda diária de quem nos governa , e o seu consumo gerido com parcimónia, mas ao “não-ouvi-los” falar sobre o assunto, muita água parece estar a correr por debaixo do solo deste país.
Dentro de pouco tempo, uma área considerável de Portugal será território irreconhecível ...
Portugal acusa Espanha de reduzir os caudais dos rios que entram no nosso país , devido à seca que também enfrenta.
Talvez amanhã sejamos obrigados a lutar pelo acesso aos recursos hídricos...
Vivemos perigosamente no meio de várias pandemias: fake news, Covid-19, endividamento, erosão da democracia, populismo, intolerância, e também com a esperança de que as consequências do aquecimento global não irão afetar profundamente este pequeno país e que, se continuarmos a saber estender pacientemente a mão, cairá, como sempre, algum dinheiro para nos ajudar a encobrir as nossas contínuas desgraças...

Creio que, muito do que estas páginas contêm não é pura ficção. O autor inspirou-se nos problemas e desafios de hoje (que também já eram os de ontem), adianta-se ao nosso tempo e apresenta-nos o que a maioria de nós prefere não antever.

Uma leitura que abala a nossa consciência e perturba o nosso comodismo , contudo magnética …
Profile Image for Luís.
2,409 reviews1,433 followers
September 14, 2024
This book is a powerful tool for fostering empathy, as it immerses us in the experiences of others. It's a stark reminder of the challenges many face, challenges we often dismiss. The fluid writing and brief chapters make it a captivating read from beginning to end!
Profile Image for Dora Silva.
252 reviews92 followers
March 28, 2022
Fenomenal, foi a primeira vez que li um livro deste autor.
Consegui perceber perfeitamente o porquê de tantas referências à sua escrita, por norma sempre com elogios e recomendações.
Nesta obra que foi uma espécie de premonição, nós vamos encontrar a história de uma mãe e filha que são refugiadas.
Os relatos da mãe, apontados num caderno e devidamente pormenorizados, mostram todo o processo doloroso de quem deixa tudo para trás. A forma como o ser humano se adapta a cada circunstância é incrível.
A falta de água e recursos, nesta distopia tão atual e que parece tão real e perto fazem deste livro uma leitura viciante e impossível de largar, 248 páginas que voam e que nos deixam wm reflexão.
A minha opinião mais aprofundada em breve em Livros à Lareira com chá!
Recomendo sem dúvida!
Profile Image for Maria Isaac.
Author 5 books515 followers
June 14, 2022
Uma história que tem como pressuposto um cenário aterrador e (infelizmente) bem possível de se tornar realidade.
JR usou uma estrutura de escrita original e muito bem conseguida que aproxima o leitor das personagens e nos faz viver com elas um cenário dantesco impossível de esquecer.
Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 15 books470 followers
October 23, 2022
A escrita muito direta, sem floreados nem simbolismos, mas elaborada e centrada no que está a acontecer, torna a leitura próxima da experiência audiovisual. O mundo apresentado é distópico. Sofrem-se os efeitos das alterações climáticas que obrigam populações a deslocarem-se para zonas onde ainda existem recursos hídricos. O tom imprimido é particular, cruza a ação americana com a frieza escandinava, colocando-nos no lugar de portugueses refugiados fugidos de um país que já não existe. A particularidade da experiência estética criada só tem par no tom de "Station Eleven" (2014) de Emily St. John Mandel.

Este é o 6º livro de João Reis, o 4º que leio dele — "A Noiva do Tradutor" (2015); "A Avó e a Neve Russa" (2017), "A Devastação do Silêncio" (2018). É um autor que não conseguimos distinguir pelas temáticas abordadas, mas que não podemos deixar de admirar pela particularidade da sua escrita, bastante singular no panorama nacional. Reis faz parecer tudo imensamente simples, mas é quando pegamos noutros autores nacionais que sentimos a enorme diferença, em particular, percebemos o quão difícil é chegar a esta simplicidade. Em Reis tudo parece natural, como se tudo ali existisse, com as palavras a recriarem mundos ficcionais nas nossas cabeças e o autor a convidar-nos a adentrar e a crer no que está a acontecer, tornando a leitura rápida e imparável.

Não esperem respostas. A distopia apresenta um cenário possível dos efeitos das alterações climáticas a partir do simples indício de falta de água na Península Ibérica. Apesar de terminado em 2020, a seca que o nosso país tem atravessado neste último ano torna toda a leitura ainda mais credível. Ainda assim, creio que as alterações climáticas serão provavelmente mais duras do que aquilo que Reis aqui aponta. Percebe-se que Reis não quis ilustrar um apocalipse, criar o horror, mas antes levantar a ponta do véu para nos deixar sentir o que pode estar por vir. O futuro apresentado é muito próximo do nosso atual, o que serve também para tornar tudo mais credível, e mais imediatamente sensível.

Sobre a questão de fundo, a água, tenho de dizer que é algo que me tem feito alguma confusão na discussão nos média. Ao contrário do petróleo, a água não é transformada noutro elemento, ou seja, não se consome. Tirando claro o excesso de população, que poderia ser um perigo se continuasse a crescer no planeta, no resto, a água faz parte do planeta. No dia em que os ciclos de troca de água entre a atmosfera o mar e a terra terminarem, termina o planeta. Agora, como bem ilustra o trabalho de Reis, as alterações climáticas podem alterar estes ciclos, como aconteceu ao longo de 2022, em que a Europa quase não viu chuva, tendo a mesma caído quase toda numa semana sobre o Paquistão. O que nos diz que vamos precisar de aprender a lidar com estes ciclos, e a trabalhar melhor a redistribuição dos recursos hídricos no nosso país. No entretanto, ficamos a aguardar a sequela já prometida por João Reis.

Publicado no VI:
https://virtual-illusion.blogspot.com...
Profile Image for Monica Cabral.
255 reviews53 followers
March 14, 2022
Nem sei muito bem o que escrever sobre este novo livro de João Reis,  ocorre-me muita coisa pela cabeça,  foram muitas emoções postas à prova, mas uma coisa posso garantir: este livro é fabuloso!
Cadernos de Água é um livro que nos transporta para um futuro,  infelizmente possível,  a falta de água,  a guerra a nível planetário,  os grupos paramilitares a actuarem à margem da lei mas sobretudo para o que se passa dentro de um centro de acolhimento de refugiados,  a incerteza do futuro, as fake news, a falta de empatia para com o próximo,  a falta de condições,  etc.
É um livro extraordinário ( mais um)   escrito por um jovem escritor português que deve ser lido por quem gosta de boa literatura.
Profile Image for Bruno Raminhos.
79 reviews26 followers
March 14, 2022
Ontem li compulsivamente o novo livro do João Reis. Wow! Fiquei incrivelmente estupefacto por ter lido um livro tão atual aos dias de hoje. Não são só os Simpsons que têm premonições sobre o futuro, o João Reis passou a integrar essa lista com mestria.

Uma distopia passada num futuro próximo em que devido ao agravamento das alterações climáticas, Portugal é um dos países a passar por uma extrema seca. A falta de água e a consequente escassez de alimentos, e a instabilidade política, foram alguns dos fatores que originaram os conflitos de guerra, entre as quais as Guerras Meridionais da água e ainda pelo meio uma pandemia de um vírus altamente contagioso. Onde é que já vimos isto?!

É aqui que vamos acompanhando os relatos da Sara, uma portuguesa que está na Suécia juntamente com a filha e que regista o seu dia-a-dia de refugiada num caderno que estamos a ler. Escreve para o marido que não sabe nada dele desde que teve de ficar para trás por não ter dinheiro suficiente para o voo.

Cheguei à ultima página do livro, com medo do que poderá vir a ser o nosso futuro. Um possível futuro tenebroso.
O meu coração de gelo não aguentou e ficou bastante emotivo durante a leitura. Tive várias vezes vontade de abraçar a Sara e dizer-lhe que tudo ia correr bem.
É um livro cru e revoltante. Por favor, leiam o livro.

“Salve-se: poupe água.”
Profile Image for Paulo Faria.
Author 36 books66 followers
September 26, 2022
Neste novo romance, João Reis aborda a questão das alterações climáticas e da falta de água, imaginando, num futuro não muito distante, um Portugal irreconhecível. Ou antes (e aqui é que está o rasgo de brilhantismo deste romance, que se lê de um fôlego): nada há de irreconhecível nesta distopia. Todos os elementos que João Reis usa para tecer esta história fazem parte do quotidiano actual de uma vasta parcela da população humana, e o que ele faz, com rara mestria, é transpô-los para o nosso quotidiano de portugueses: a vida no exílio, em campos de refugiados, o colapso dos governos e das instituições, a indiferença ou até hostilidade dos povos que ainda dispõem de recursos perante o sofrimento daqueles que a lotaria climática condenou, o ambiente de «salve-se quem puder». O estilo de João Reis é escorreito, sem rodriguinhos escusados, e agarra-nos da primeira à última página. Excelente.
Profile Image for Rosie.
466 reviews56 followers
May 10, 2022
Admiro este escritor porque escreve antes de mais para si próprio; desafia-se e desafia os leitores criando vários registos literários, tão diferentes entre si. É autêntico e não vai atrás de modas ou o que lhe poderá proporcionar maior rentabilidade. Só por isso… 5 estrelas!

TENHO MEDO! Medo da irracionalidade dos homens.

A estupidez e a ganância irão trazer no futuro muitos dissabores (e com esta expressão estarei a suavizar o que se prevê: uma catástrofe total) … mas esse futuro estará assim tão distante?

O impacto das actividades humanas estão a matar este planeta tão extraordinariamente belo e perfeito! E todos e cada um de nós contribuímos para isso.

Nesta distopia vemos alguns desses impactos.

"As atitudes belicistas e pouco amistosas dos países e dos seus líderes tiveram, sem dúvida, como fundamento real a cada vez maior escassez de água potável e a inundação de várias cidades e regiões costeiras.(…) Por outro lado, mais rios haviam secado, assim como lagos, e até o Mar Morto tinha desaparecido por inteiro." Pág. 215

"… viram-se de novo envoltas em guerras, e todas as nações queriam acima de tudo apoderar-se dos recursos hídricos dos seus inimigos." Pág. 217

Nas páginas de um caderno se escrevem as dores da ausência, do medo, da sede e da fome, do frio, mas sobretudo da desumanização.

Nesta narrativa temos também outras vozes que nos dão a conhecer outras personagens, outras perspectivas, outros lugares, outros momentos sórdidos. De permeio existe ainda extractos de notícias de jornais, memorandos ou comunicados quer do governo, quer militares para nos situar na conjuntura política, geográfica e histórica, contextualizando e criando uma atmosfera muito próxima da realidade.

Numa escrita concisa e crua, tal e qual as circunstâncias pediam, vamos nos sentindo cada vez mais pequenos e insignificantes. E expostos: até que ponto nos mantemos “humanos” perante a sobrevivência?

Lê-se num ápice mas o incómodo fica. Muito bom! Como sempre.


"Este antro de refugiados é um antro de anormais.
Perdi a esperança de encontrar a aliança. Mas nunca perderei a esperança de que venhas."
Pág. 229
Profile Image for Filipe Rodrigues.
28 reviews2 followers
March 10, 2022
Já li vários livros de Reis e é um autor com um estilo próprio, onde a língua e o estilo quase se sobrepõem à história (não é que ela não esteja lá). Neste livro, a história é o mais forte, mas o estilo não deixa de ser forte. Óptimas personagens e narradores, uma protagonista feminina muito bem conseguida (para mim, que sou homem, assim parece), e uma mensagem muito actual e importante. Um possível futuro tenebroso. Um livro difícil de largar, lido em duas doses de rajada. Kudos para o humor cínico de Reis e para a sua capacidade de previsão - previu a invasão da Ucrânia, só a data não é a correcta (mas acertou no dia 24!), e também para trazer para Portugal um estilo que acho pouso usual cá, e que Reis parece ter usado toda a vida ainda que não.
Profile Image for Rita.
70 reviews
September 20, 2022
O João Reis nunca desilude e sempre surpreende. Num novo registo, distópico, mantém o seu estilo de escrita inconfundível: rico e elegante, mas despretencioso. Algo que é transversal ao conjunto da sua obra é o facto de ser perfeitamente reconhecível no estilo, sem nunca se repetir nas fórmulas e, menos ainda, sem nunca oferecer ao leitor mais do mesmo.
Profile Image for Rúben Santos.
212 reviews24 followers
April 28, 2022
4.9 ⭐ Fantástico, surpreendente, arrebatador, viciante, estupendamente bem escrito como só o João Reis o sabe fazer! O meu escritor português vivo preferido!
Profile Image for Colin.
1,693 reviews1 follower
July 25, 2022
Este livro é meu terceiro do João Reis. Geralmente, acho o seu estilo um pouco difícil: a frequência com que estico o braço para agarrar o dicionário é cem vezes maior do que quando estou a ler um thriller como Segredo Mortal, por exemplo. Mas esta vez, consegui ler o livro inteiro sem sentir que estava a perder alguma coisa por falta de domínio da língua. Pois bem, qualquer evidência de progresso é muito bem-vinda!

O género do livro é completamente diferente do último. Trata-se duma história distópica que se passa num futuro próximo mas não é ficção científica ou futurista como Admirável Mundo Novo, por exemplo. É um romance quase profético que conta a história de um possível futuro que pode acontecer daqui a poucos anos. As alterações climáticas dão em escassez de água e de comida (porque o crescimento das plantas também depende da disponibilidade de água). Segue-se uma sucessão de eventos catastróficos incluindo uma nova pandemia e uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Se não me engano, o livro foi escrito antes da guerra atual mas ainda assim... O enredo às vezes é indistinguível das notícias!

No meio deste transtorno, uma guerra surge entre os países do sul da Europa e do norte de África. A Península Ibérica torna-se um campo de guerra; a República portuguesa dissolve-se e portugueses e espanhóis (entre outros) fogem para a Escandinávia e Alemanha. O meu país não é mencionado. Quem sabe? Talvez as ilhas tenham afundado sob as ondas do Atlântico durante "o primeiro evento" ou talvez o primeiro-ministro seja a Priti Patel. Mas seja como for, durante este exílio, os sul-europeus vivem em "centros de acolhimento" e é aí que a protagonista do livro começa a escrever no seu caderno.

O futuro, segundo este romance, é sombrio, até desolador, mas será esse o futuro se não fizermos mudanças na nossa vida. Não há motivo para ser otimista.
Profile Image for Sofia.
1,045 reviews127 followers
August 25, 2022
Em primeiro lugar, gostaria de realçar uma característica que gosto bastante no autor, o facto de que não tem dois livros semelhantes. Cada projeto é original e diferente do anterior (veja-se p.e. o "A avó e a neve russa", comparando com "Se com pétalas ou ossos" e agora com esta distopia "Cadernos de água", tudo obras completamente distintas umas das outras).
Relativamente a este livro, estamos num cenário em que diversos factores (como a falta de água, as tensões geopolíticas e os vírus pandémicos) originam conflitos armados que levam a que o nosso país, enquanto nação independente, deixe de o ser. A história é-nos narrada a várias vozes, mas a principal é a de Sara, uma jovem mãe afastada do marido e que vive num campo de refugiados.
É aqui que a história se torna mais dura. Porque se o cenário acima mencionado é verosímil, mas distópico (ou não "real", apesar de ter a força da possibilidade), foi-me impossível não estabelecer um paralelismo entre o dia-a-dia de Sara e Mariana e tantas outras Saras e Marianas que existem verdadeiramente e não apenas nas páginas de um livro. Este efeito é exponenciado pela capacidade do autor de captar e revelar a natureza humana em todas as suas vertentes, qualidades e defeitos, através de personagens como o Carniceiro, a "doutora" Leonor, o Paulo, etc.
Em suma, todos estes aspectos do livro, seja o cenário distópico como os aspectos reais da natureza humana, resultam bem porque João Reis consegue articular com sucesso as diferentes dimensões da narrativa. Este entra para a lista como um dos meus preferidos do autor.
Profile Image for Jose Santos.
Author 3 books168 followers
September 4, 2022
Gostei bastante da história, contada por vários narradores em forma de entradas de diário e/ou depoimentos de algumas personagens.
A história é uma distopia apocalíptica após algumas pandemias, seguidas de guerras ou conflitos entre países. A situação é-nos sugerida mas não completamente explicada.
E de repente fui surpreendido por um final abrupto e não conclusivo. Vai haver um livro 2? Espero que sim porque estava a gostar bastante.
Profile Image for Marta.
223 reviews77 followers
April 6, 2022
Muito bom! Extremamente envolvente e com acontecimentos que nos dão arrepios mas que são demasiado próximos da realidade para o nosso conforto!
Profile Image for António Costa.
6 reviews
March 4, 2022
Não sei bem o que escrever. A mestria já lha conhecia, mas a versatilidade é assombrosa.
Será João Reis o único escritor português universal da actualidade? Penso que sim. Que não se o ignore como a tantos outros dos bons.
Profile Image for Cátia.
145 reviews36 followers
March 14, 2022
Estamos num Mundo em constante conflito. Uma Guerra Meridional da Água, o Primeiro e Segundo Eventos, uma pandemia com o vírus rex-vírus 3, e Portugal no meio de toda esta catástrofe deixa em parte de existir.
Sara, refugiada portuguesa, começa a escrever num caderno tudo pelo que passa. Nele vai falando do seu quotidiano, as parcas informações que recebe do exterior, as preocupações com a filha que está com ela, o tratamento dado aos refugiados, as quezílias internas e a esperança de voltar a ver o seu marido.
💧
É assustador o quão próximo da realidade este livro está. Num momento onde os noticiários nos falam essencialmente da Guerra e da escassez de água, esta obra é um murro no estômago.
As personagens estão muito bem construídas, ao ponto de me deixar com um ódio visceral por uma das personagens masculinas. A narrativa tem principalmente o ponto de vista da Sara, mas é composta também por outros pontos de vista e documentos que enriquecem esta narrativa.
Parte de mim queria mais, queria saber o que acontece a seguir. Há uma nota de esperança, mas ao mesmo tempo de medo pelo que pode acontecer a seguir. Talvez seja uma forma de nos transmitir a esperança e o medo que os próprios refugiados sentem.
Este foi o primeiro livro que li do autor e os anteriores já constam da minha wishlist.
Profile Image for Margarida Galante.
480 reviews43 followers
March 18, 2022
Num tempo não muito distante do nosso, principalmente através da voz de uma refugiada, é nos apresentada uma realidade que é assustadoramente plausível. Esta portuguesa, sem país, vai registando no seu caderno o seu dia a dia de refugiada, como quem escreve cartas para o marido que não pôde fugir com ela e a sua filha. Guerras na Europa, invasões decorrentes da escassez de água e até uma pandemia provocada por um vírus. Onde é que já vimos isto...
Só espero que a premonição presente nesta história se fique pela invasão da Ucrânia por parte da Rússia.

Um livro com um ritmo intenso que, mesmo retratando situações duras, é difícil parar de ler. O seu único defeito é ser curto pois, por mim, podia ter mais umas duzentas páginas.

Recomendo. Se não conhecem o trabalho do João Reis está na altura de o conhecerem e podem começar já por este livro.
Profile Image for Daniel Pereira.
1 review
March 2, 2022
Recebi-o hoje comprado em pré-venda, li-o sem parar em poucas horas. Grande estouro.
Profile Image for Marta Clemente.
764 reviews19 followers
May 26, 2024
Que escrita boa!!
Este livro de João Reis tráz-nos uma realidade alternativa, distópica e verdadeiramente assustadora. Nesta história contada a várias vozes Portugal já não existe e os ex portugueses que no la contam vivem num campos de refugiados na Suécia e numa Península Ibérica arrasada. Tudo começou com as Guerras Meridionais da Água, guerras estas que abarcaram toda a bacia mediterrânica e que tiveram origem em diversos factores.
"... a carência de água que se fazia sentir h�� anos...; a escassez de alimentos que resultara da quebra acentuada da produção agrícola, devido à falta de água e de agentes polinizadores; a pressão demográfica da África subsariana...; a instabilidade política... ; a pobreza e a revolta social causadas pela pandemia... ; o crescente avanço da extrema direita em todos os países, com o apoio de destabilizadores russos... "
Enfim, uma realidade alternativa verdadeiramente apocalíptica onde" os outros " somos nós e que nos faz ter a noção da fragilidade dos povos. Qualquer um pode vir a ser o oprimido por aqueles que, por um motivo ou por outro, se considerem seus superiores.
Profile Image for Ana.
590 reviews11 followers
August 23, 2022
Nunca tinha lido um livro do João Reis. Apesar da história ser assustadora, gostei muito. As personagens são verdadeiras, estamos ao lado delas e por isso acreditamos que aquele cenário poderá ser uma possibilidade. Medo!
Profile Image for Zé Carlos.
291 reviews2 followers
May 15, 2022
4,6💦
Se um dia a realidade imitar a ficção será assim.
Profile Image for Sara Jesus.
1,707 reviews125 followers
March 7, 2025
Esta é uma história fictícia que pode muito bem acontecer um dia. Narra com detalhes o que acontece quando o mundo enfrenta uma seca extrema, como as pessoas sobrevivem com escassez de água e sem ajudas do governo.

O governo português caiu. Os portugueses tornam-se nos novos refugiados. Precisam de viver em beliches nas piores condições possíveis. Sem ter notícias do mundo. Sem saber se os seus familiares estão vivos e mortos. E estando a mercê de ajudas humanitárias ou representantes que pouco ou nada fazem por ele.

É um livro que nos assusta um pouco. Com os efeitos do aquecimento global cada vez mais serem notados e com a quantidade de guerras que tem destruído o mundo. A realidade presente no livro de João Reis já não nos parece algo impossível de acontecer.
Profile Image for R.J. Miranda.
642 reviews42 followers
March 28, 2022
4,2⭐️ Um livro cru e surpreendentemente verosímil, talvez tanto que atinge um nível efetivamente assustador. Lê-se com uma rapidez vertiginosa e, embora careça, a meu ver, de um final um pouco mais recompensador, representa bem o desespero, desnorte e também a esperança cega num futuro melhor que seriam expectáveis na situação distópica criada (que muito se assemelha a crises que vivemos atualmente). João Reis é exímio no seu uso da palavra e enreda-nos imediatamente nesta trama, não nos tirando a mão do pescoço até chegarmos à última página.
Profile Image for Filipa Gonçalves.
42 reviews
April 3, 2022
Quando a @anatomia_do_livro propôs a leitura conjunta do novo livro de @joaoreis.author mesmo antes de o livro ser publicado, não hesite a juntar-me à iniciativa. E ainda bem que o fiz, porque o livro superou as minhas expectativas.

“Salve-se: Poupe Água”

Neste livro João Reis revela-nos uma realidade distópica assustadoramente aproximada do contexto atual que vivemos, na qual a seca extrema, uma pandemia viral e guerras entre povos e nações originaram uma verdadeira luta pela sobrevivência, numa geografia demasiado desgastada e empobrecida para possibilitar qualquer habitabilidade tranquila. Nesta realidade, não se vive, sobrevive-se.

“Há que aceitar e tentar sobreviver, ou então desistir e morrer.”

A estratégia que o autor utilizou para nos envolver nesta realidade distópica foi, a meu ver, brilhante. A narrativa do livro é feita de várias formas e a múltiplas vozes. O livro começa com Sara, que se encontra com a sua filha num grupo de refugiados na Suécia, que inicialmente se encontra abrigado num aeroporto. Para se distrair e alhear um pouco das circunstâncias do quotidiano supressor do refúgio no aeroporto, com todas as dificuldades causadas pela escassez de recursos alimentares, higiénicos e, sobretudo, de privacidade e liberdade, Sara decide registar o seu quotidiano e os seus pensamentos num caderno. Sara aguarda esperançosamente que Emanuel, seu marido, um dia se junte a ela e à filha de ambos. E por isso, as entradas que faz no caderno são como cartas que lhe dirige, para que ele possa inteirar-se de tudo quando finalmente se reunirem. Acompanhamos também a narrativa através dos pensamentos de Emanuel, que ainda se encontra em território português, e que procura juntar-se a Sara, e de outras personagens. Mas não só: somos também levados a conhecer muitos dos factos e acontecimentos que resultaram nas circunstâncias políticas, geográficas e temporais da história através de artigos noticiosos e científicos, memorandos e comunicados oficiais de várias entidades. Esta multiplicidade de fontes para a construção de um contexto narrativo credível e que me envolveu por completo.

A leitura deste livro foi, do início ao fim, feita em dois tempos: ora era uma leitura lenta, feita de forma a absorver toda a informação e pormenores desta realidade distópica, ora se tornava numa leitura ávida, impulsionada pela curiosidade de saber o que iria acontecer a seguir.

Um livro incrivelmente bem escrito, que nos prende e nos assusta (por perigosamente próximo da nossa própria realidade), da primeira à última página. E, boas notícias: segundo o autor, uma sequela deste livro é muito muito provável.

As minhas opiniões:
- no blog: https://onomedolivro.wordpress.com/
- no instagram: https://www.instagram.com/o.nome.do.l...
Displaying 1 - 30 of 54 reviews

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