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Contos Gauchescos

Com um estilo inigualável, Simões Lopes Neto (1865-1916) impõe-se como um dos grandes nomes da literatura rio-grandense. Sua contribuição estende-se à literatura brasileira, pois vê a questão do regionalismo sob uma outra ótica; aproveita-se da passagem típica, do linguajar pitoresco, da construção das personagens para construir seu regionalismo. Porém, o elemento marcante de sua obra é a exploração dos conflitos vivenciados pelo gaúcho que, afinal, são situações paradigmáticas experimentadas por todos os homens, independente de sua nacionalidade e classe social. Nesse sentido, Simões Lopes torna-se universal. Contos gauchescos & lendas do Sul são verdadeiros clássicos da literatura brasileira. Contos gauchescos foi lançado pela primeira vez em 1912 e Lendas do Sul em 1913. Magníficas histórias que mostram um Brasil tão fascinante quanto o Brasil de Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e outros monstros sagrados que, com sua arte, contribuíram para que este imenso país se tornasse conhecido por todos os brasileiros. Contos Gauchescos: "Trezentas onças" "O negro Bonifácio" "No manantial" "O mate do João Cardoso" "Deve um queijo!" "O boi velho" "Correr eguada" "Chasque do imperador" "Os cabelos da china" "Melancia – Coco Verde" "O anjo da vitória" "Contrabandista" "Jogo do osso" "Duelo de farrapos" "Penar de velhos" "Juca Guerra" "Artigos de fé do gaúcho" "Batendo orelha!" "O 'Menininho' do presépio" Lendas do Sul: "A mboitatá" "A salamanca do Jarau" "O negrinho do pastoreio".

150 pages, Paperback

First published January 1, 1912

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About the author

João Simões Lopes Neto

52 books18 followers
João Simões Lopes Neto foi um escritor e empresário brasileiro. Segundo estudiosos e críticos de literatura, ele foi o maior autor regionalista do Rio Grande do Sul, pois procurou em sua produção literária valorizar a história do gaúcho e suas tradições.
Simões Lopes Neto só alcançou a glória literária postumamente, em especial após o lançamento da edição crítica de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, em 1949, organizada para a Editora Globo, por Augusto Meyer e com o decisivo apoio do editor Henrique Bertaso e de Érico Veríssimo.
Em certa fase da vida, empobrecido, sobreviveu como jornalista em Pelotas, sua cidade natal. Morreu na mesma cidade, aos cinquenta e um anos, de uma úlcera perfurada.

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72 (23%)
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81 (26%)
3 stars
107 (35%)
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35 (11%)
1 star
10 (3%)
Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Daniela Soares.
Author 1 book26 followers
September 6, 2011
Contos Gauchescos trata de diversos contos curtos protagonizados ou narrados pelo mesmo personagem, o Blau Nunes. Já em Lendas do Sul são narradas histórias baseadas em algumas das lendas folclóricas aqui do Rio Grande do Sul, a descrição delas e ainda um apanhado rápido de outras lendas pelo Brasil afora.

O bacana dessa obra, principalmente do primeiro livro, é o tom de conversa, de prosa mesmo, que o autor confere ao seu texto. Pois o narrador é um gaúcho do campo, ele é o contador de histórias, o velho proseador que abre o livro conversando com um personagem que não aparece e que pode muito bem ser você leitor. Todas as histórias apresentam o interior do Rio Grande, mesmo que Simões Lopes Neto nunca tenha andado pelos pagos que descreveu, ele morou em Porto Alegre e Pelotas e nunca visitou nenhuma outra cidade além destas (pelo menos é o que consta na minibiografia que antecede o livro). E as descrições são tão vivas e os personagens tão característicos (alguns deles), as histórias tão marcantes que é impossível não embarcar em uma viagem no tempo e sentir cavalgando pelas coxilhas do pampa gaúcho.

No entanto, essa mesma característica que engrandece tanto a leitura, é também prejudicial. O vocabulário é muito hermético e eu, nascida e criada no RS senti dificuldades com alguns vocábulos. Alguns em desuso, outros muito particulares de certas regiões do Estado e outros ainda particulares de situações e contextos que não fazem parte do meu dia a dia. Talvez por isso a leitura tenha demorado mais do que o esperado, pois o livro é bastante pequeno e esperava lê-lo em dois ou três dias no máximo. Além disso, alguns contos são bem massantes, o que não tira o mérito de passagens realmente genias como em Melancia - Coco Verde, Contrabandista e Jogo do Osso.

Em Lendas do Sul as histórias são basicamente um apanhado da tradição oral das histórias contadas por aqui: A mboitatá, A Salamanca do Jarau, O Negrinho do Pastoreio e argumentos sintéticos de outras lendas missioneiras e do centro-norte do Brasil. Em A Salamanca do Jarau (uma das minhas histórias favoritas do nosso folclore) o protagonista é mais uma vez Blau Nunes, que em uma de suas andanças topa com um vulto de face tristonha que o guia até o Cerro do Jarau para encontrar a Salamanca e enfrentar os desafios para merecer uma recompensa e ficar muito rico. Dessa forma ele sintetiza as origens da lenda e aplica a crença popular em algo que aconteceu ao personagem.

De toda forma, esse é um livro muito interessante para quem quer aprender e se aproximar mais da cultura gaúcha e por ser um livro de 1912 (Contos) e 1913 (Lendas) ele está ainda bastante próximo temporalmente dos fatos narrados (mais do que nós, certamente) e dentro de uma tradição de resgate e preservação da cultura gaúcha. É importante salientar que ele não narra fatos históricos, mas todos os seus textos estão precisamente situados na linha temporal da história gaúcha.
Profile Image for Bruno.
34 reviews38 followers
February 18, 2015
Serve como um ótimo documento histórico mesmo que escrito por alguém que viveu bem depois dos fatos narrados, muito embora bem mais perto, no tempo, que nós. Mostra que o escritor é profundo conhecedor do que escreve. Porém a linguagem carregada de regionalismos torna a leitura difícil e arrastada para um livro tão curto. Até para quem é gaúcho (como eu) sofre. Arcaísmos do português e muitos muitíssimos platinismos ou seja espanhol da região do Rio da Prata, especialmente do Uruguai, alguns ainda em uso, torna uma consulta frequente ao dicionário indispensável para ir "desbastando" o que o autor quer dizer com tantas palavras estranhas ao vocabulário cotidiano. Mas uma vez que você "vai pegando o jeito", a delícia das histórias supera a dificuldade da linguagem.

O estranho é que o último grande escritor regionalista gaúcho tenha morrido quase anônimo há mais de 100 anos, tendo sua curta obra recuperada por ninguém menos que Érico Veríssimo décadas após sua morte.
Profile Image for Cicero Marra.
381 reviews23 followers
May 19, 2022
É maravilhoso, mas não tem jeito de ler numa sentada. Tem que ter um glossário ao lado, para esclarecer, por exemplo, as mais de 50 palavras que o gaúcho tem pra se referir a "cavalo".
Profile Image for Fábio Aragonês soares.
4 reviews
March 18, 2023
O livro é um alento ao gaúcho emigrado, retomando termos, temáticas e lendas que foram parte do cotidiano dos ‘miúdos’ crescidos no Rio Grande do Sul. Um verdadeiro e emocionante resgate de um tempo que permanece somente nos contos dos mais velhos de boa memória.
Profile Image for Eduarda Preussler.
2 reviews
August 23, 2026
Tinha que ler só um conto pra um trabalho de literatura, acabei lendo todos. AMOOO minha cultura gaúcha só que contos não é tão meu forte, mas pelo menos eu entendi o que ele falava (percebam que eu tenho um problema com linguagem arcaica)
109 reviews3 followers
October 26, 2018
3.5/5. Se mostrou uma boa companhia de viagem. É uma leitura muito regionalista, podendo ser sem graça para outro tipo de leitor.
Profile Image for Giorgia.
127 reviews38 followers
September 15, 2018
Um livro bem gaudério e divertido. Blau Nunes é o narrador e usa linguagem coloquial e termos regionais, o que traz originalidade a leitura.
Profile Image for sue rr.
977 reviews89 followers
August 9, 2011
O que mais dificultou a leitura foi realmente o "gauchês" o tempo inteiro. Mas os contos são muito bons e o Blau Nunes é um narrador encantador, dá para enxergar a inocência que emana das palavras dele.
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