A obra é muito estimulante, conta a história dos sefarditas de origem portuguesa pelo Novo Mundo recorrendo quer à macro-história (das economias-mundo, das nações), quer à micro-história, concretizando-a com os exemplos reais de indivíduos anónimos ou influentes no devir histórico.
Mas a edição portuguesa peca pela falta de ambição, toma-nos a nós, leitores, como preguiçosos e avaros, por achar que não compraríamos um livro com muitas páginas. A culpa não é do conteúdo, mas da opção por não publicar as notas de rodapé e a bibliografia. A ligação que consta no livro leva-nos a um pdf de 34 páginas que são as primeiras páginas do livro impresso. Quando me queixei à editora, mandaram-me um ficheiro com as notas, um índice remissivo muito útil e a bibliografia. Para consultar as notas ao mesmo tempo que lia, até porque se fica com curiosidade para perceber a partir de que originais se chegou àquela conclusão e qual foi o raciocínio do autor, seria necessário ter o computador ou um telemóvel à mão. É absurdo. Não me importo de pagar mais uns euros pelas 74 páginas em falta. Se calhar é uma forma de nos fazerem comprar duas edições, quando na segunda colocarem estas 74 páginas.
Não há notas, portanto. Pensam os editores que só os especialistas lêem as notas, aliás essenciais à crítica da obra. Mas a edição original brasileira tem-nas, mas valia ter comprado essa, mesmo que a ortografia fosse diferente, pois a versão original é de facto a melhor. O facto de não se respeitar o acordo ortográfico (aleluia) só prova como o dito não uniu nada, só desuniu, e não impede que continuem a existir versões portuguesa e brasileira do mesmo livro escrito originalmente em português. Não me importava de ler em português com ortografia do Brasil, podiam tê-la mantido, as línguas são assim, variadas e vivas.
É uma pena, pois o conteúdo é soberbo; nesta nota, que já vai extensa, só me queixo da forma. É injusto para o autor e para a obra.