"Os costumes daquele longínquo país são assim interessantes e dignos de acurado estudo. Eles tem uma curiosa mistura de ingenuidade infantil e idiotice senil."
Parafraseando, é quase um "O brasileiro tem que ser estudo. Tem 'progresso' na bandeira, mas é um bando de conservador"
Eu amo a ironia e a sátira com que Lima Barreto construiu suas obras, de um sutileza hábil para captar as hipocrisias e ilusões que a política da época da Primeira República tinha. Além disso, nesse livro ele mostra a arrogância de uma nobreza intitulada apenas por conquistar de título como "doutores" ou por simples tradição, enquanto a miséria era evidenciada a população marginalizada. Observo críticas ferrenha ao sistema de mercado na época, pautado em um sistema agrário que comandava a sociedade e tinha seus privilégios na política.
Há algo, porém, que me incomodou: a narrativa. Sendo muitas vezes repetitiva, acabou sendo maçante ao decorrer dos capítulos, tendo até uma nota da editora evidenciando essa repetitividade.
Enfim, ler Lima Barreto é observar que muitas coisas do passado brasileiro ainda são realidade em nossos tempos.