“A Noite do Caçador” é um standalone ligado ao mundo da Saga das Pedras Mágicas, e ocorre durante um passado muito antes da linha temporal da Saga das Pedras Mágicas, quando os vikings ainda não se haviam estabelecido como tal.
Este livro tem três partes, a primeira segue Theron, um feiticeiro renegado, e é pelos seus olhos que aprendemos sobre os feiticeiros e recebemos um enquadramento histórico, descobrindo o motivo para ele ser renegado. É esta primeira parte que formas os pilares para os eventos que se seguirão.
A segunda parte segue a infância de Mikkel e aprendemos sobre a sociedade humana da época, sobre as regras e sobre o que é esperado. Aprendemos sobre as personagens, sobre as suas ligações uns com os outros. Acabamos por nos ligar à família de Mikkel, e sentimos que lutamos lado a lado dele.
A terceira e última parte é anos depois, e é o culminar de tudo. É tão intenso como anteriormente, se não mais. Descobrimos segredos escondidos, suspeitas são validadas, e batalhas ocorrem. Podia dizer mais, no entanto não quero estragar as vossas leituras e jornadas neste mundo.
Quanto às personagens… Bem, apesar de renegado e de tudo o que ele fez antes do livro começar e durante também, eu adorei o Theron desde a primeira página. Ele podia ter um passado sombrio e duvidoso, podia usar a magia obscura… mesmo assim, fiquei fascinada por ele. Pensando bem no meu historial, não é a primeira vez que uma situação destas me ocorre. E no final, continuo a amar momentos destes, quando personagens que se encontram na zona cinzenta do espectro, me fascinam.
Já Korinna… A primeira vez que li a sinopse comecei a rir, porque para além de leitora, reviewer e blogger, sou escritora também, e eu tinha acabado de escrever uma história cuja personagem principal se chamava Korinne. Dito isto, podem compreender o quanto entusiasmada estava para descobrir mais sobre ela. Claro que, assim que ela apareceu algo não estava certo. Não senti qualquer simpatia por ela, alias, ao contrário do Theron, ela parecia ser mesquinha. Adorei-a de um ponto de vista estrutural, não como pessoa, isto porque Korinna, para mim, foi uma personagem muito bem concebida. Claro está, enquanto com Theron até queria conhecê-lo melhor, com Korinna apenas não desejaria ser sua amiga.
Depois tem Mikkel. E Senhor do Céu! Eu adoro o Throst (personagem da Saga) e ele foi o meu primeiro book boyfriend, mas Mikkel… Também roubaste um bocadinho do meu coração. Ler a história pelo seu ponto de vista intensificou a experiência para mim. Vê-lo crescer, e vê-lo determinado. Vê-lo pensar na sua família e no povo, vê-lo lutar pelo que acreditar e procurar respostas para as suas origens. Adorei todos os momentos. E não me importo de o partilhar com a Kitta.
Podia descrever-vos sobre tudo o que pensei de cada personagem, contudo não o vou fazer. Quero que vocês tirem as próprias conclusões. Apenas posso dizer que todas as personagens me deixaram curiosa em algum momento, quer seja por um mistério que ainda não tinha descoberto, ou sobre algo que sabia ser uma mentira, ou sobre o facto de ter ficado em aberto e agora desejar que a Sandra Carvalho continue a história.
De uma forma geral, este livro foi diferente dos outros por se focar na ligações entre homens. Na lealdade entre irmãos de armas, na lealdade entre membros da família, nas relações com inimigos. Mostra um lado mais masculino do romance, não tão focado, mas igualmente perfeito no seu realismo. Deixa-nos interessadas em saber mais sobre a vida da tribo.
O livro está repleto de diversas emoções. Tem ação, segredos, momentos rápidos e complexos, e momentos leves e lentos. Tem batalha e tem amor. Tem compromissos e promessas. Tem juramentos e omissões. Tem morte e tem nascimento. Tem magia e tem Lobos.
Se recomendo o livro?… Claro! Tal como com todos os livros desta autora, eu recomendo-os. Para quem não conhece os livros dela, é um bom começo.