Podemos verdadeiramente separar a obra do artista? Eu acredito que não. Para compreender uma criação na sua plenitude as suas origens, o seu significado íntimo, o sopro emocional que lhe deu forma é necessário conhecer, ainda que de relance, quem a concebeu. As suas motivações, os seus medos, a sua forma de olhar o mundo.
Vincent van Gogh sempre me intrigou: a sua devoção quase sagrada à natureza, a capacidade de encontrar grandeza em objetos simples, e a profundidade emocional que emerge das suas pinturas com uma aparente simplicidade pequenos traços, cores intensas, mas sempre um universo inteiro a pulsar por baixo. Há algo nele que nos alcança sem pedir permissão.
Ler este livro foi como abrir uma janela para dentro da alma de Van Gogh. Acompanhar a sua história permitiu-me deixar de ser apenas uma espectadora distante, que observa um quadro pendurado numa parede, para me tornar alguém que vive cada obra por dentro. Alguém que não vê apenas cores e formas, mas também o sentimento, as emoções, os traumas, a esperança e a vulnerabilidade que as alimentam.
Por isso, considero este livro não apenas útil, mas essencial. É uma ponte que nos leva a conhecer melhor este artista extraordinário e a olhar para as suas obras não apenas com os olhos mas com a sensibilidade de quem finalmente compreende a vida que lhes deu origem.