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Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco

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Benjamin Zarco e o seu primo Shelly foram os únicos membros da família a escapar ao Holocausto. Cada um à sua maneira, ambos carregam o fardo de ter sobrevivido a todos os outros. Benjamin recusa-se a falar do passado, procurando as respostas na cabala, que estuda com avidez, em busca daquilo a que chama os fios invisíveis que tudo ligam. E Shelly refugia-se numa hipersexualidade, seu único subterfúgio para calar os fantasmas que o atormentam.

Construído como um mosaico e dividido em seis peças, Os dez espelhos de Benjamin Zarco entretecem-se entre 1944, com a história de Ewa Armbruster, professora de piano cristã que arrisca a vida para esconder Benni em sua casa, e 2018, com o testemunho do filho de Benjamin acerca do manuscrito de Berequias Zarco, herança do pai, talvez a chave para compreender a razão por que Benjamin e Shelly se salvaram e o vínculo único que os une.

Um romance profundamente comovente e redentor, com personagens inesquecíveis. Uma ode à solidariedade, ao heroísmo e ao tipo de amor capaz de ultrapassar todas as barreiras, temporais e geográficas.

440 pages, Paperback

Published September 20, 2018

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437 people want to read

About the author

Richard Zimler

44 books642 followers
Richard Zimler was born in Roslyn Heights, New York, in 1956. He has a bachelor's degree from Duke University (1977) and a master's degree in journalism from Stanford. In 1990, he moved to Porto, Portugal, where he taught journalism for sixteen years at the university level. In 2017, the city of Porto awarded Zimler its highest distinction, the Medal of Honor. At the ceremony, Porto's mayor described the novelist as "A citizen of Porto who was born far away, who makes the city greater and grander... Zimler projects Porto out into the world and brings the rest of the world to us."

Richard has published twelve novels over the last 22 years, and his works have been translated into 23 languages. His most recent novel is THE INCANDESCENT THREADS, which was a finalist for the National Jewish Book Awards in the USA. In chronological order, his novels are: The Last Kabbalist of Lisbon, Unholy Ghosts, The Angelic Darkness, Hunting Midnight, Guardian of the Dawn, The Search for Sana, The Seventh Gate, The Warsaw Anagrams, Teresa Island (only in Portugal and Brazil), The Night Watchman, The Gospel According to Lazarus (The Lost Gospel of Lazarus in paperback) and The Incandescent Threads. His novels have appeared on bestseller lists in 12 different countries. Five of his books have been nominated for the prestigious International Dublin Literary Award: Hunting Midnight, The Search for Sana, The Seventh Gate, The Warsaw Anagrams and The Night Watchman.

Richard has also published six children's books in Portugal. He writes his children's books in Portuguese and his novels in English.

The Last Kabbalist of Lisbon, Hunting Midnight, Guardian of the Dawn, The Seventh Gate and The Incandescent Threads form the "Sephardic Cycle," a group of inter-connected - but fully independent - novels about different branches and generations of a Portuguese Jewish family. You do not need to read them in any order. Each book stands on its own. You can read the first chapters of all his books at his website: www.zimler.com

Richard's latest novel, The Incandescent Threads, is published by Parthian Books. It was a Number 1 Bestseller and Book of the Year in Portugal. It was also chosen as one of the Books of 2022 by the Sunday Times and Jewish Chronicle. Here is a brief synopsis:

From the acclaimed author of The Last Kabbalist of Lisbon and The Warsaw Anagrams comes an unforgettable, deeply moving ode to solidarity, heroism and the kind of love capable of overcoming humanity’s greatest horror.

Maybe none of us is ever aware of our true significance....

Benjamin Zarco and his cousin Shelly are the only two members of their family to survive the Holocaust. In the decades since, each man has learned, in his own unique way, to carry the burden of having outlived all the others, while ever wondering why he was spared.

Saved by a kindly piano teacher who hid him as a child, Benni suppresses the past entirely and becomes obsessed with studying kabbalah in search of the ‘Incandescent Threads’ – nearly invisible fibres that he believes link everything in the universe across space and time. But his mystical beliefs are tested when the birth of his son brings the ghosts of the past to his doorstep.

Meanwhile, Shelly – devastatingly handsome, charming and exuberantly bisexual – comes to believe that pleasures of the flesh are his only escape, and takes every opportunity to indulge his desires. That is, until he begins a relationship with a profoundly traumatised Canadian soldier and artist who helped to liberate Bergen-Belsen – and might just be connected to one of the cousins’ departed kin.

Across six non-linear mosaic pieces, we move from a Poland decimated by World War II to modern-day New York and Boston, hearing friends and relatives of Benni and Shelly tell of the deep influence of the beloved cousins on their lives. For within these intimate testimonies may lie the key to why they were saved and the unique bond that unites the

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4 stars
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51 (14%)
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8 (2%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 75 reviews
Profile Image for Miguel.
Author 8 books38 followers
December 1, 2018
Adorei este mais recente livro de Richard Zimler. Li-o com o coração, e muitas vezes com os olhos rasos de água. É impossível não amarmos a personagem de Benni,mas também Shelly, George ou Ewa. Aliás, a sequência narrada por Ewa, que conta como Benni conseguiu escapar aos nazis, foi a minha preferida.
Gostei do aspecto místico do livro. Apesar de não ser dado a misticismos, neste livro esse aspecto é sempre misterioso, nunca é claro se as coisas acontecem mesmo ou se são projecções emocionais das personagens, modos de lidar com realidades que nos ultrapassam.
Mas achei sobretudo um livro de uma ternura imensa, o que é tanto mais admirável quanto o livro aborda a questão tão dolorosa do holocausto e dos seus sobreviventes.
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
October 27, 2019
Depois de ter terminado a leitura deste último romance de Richard Zimler, pergunto-me porque razão, durante tanto tempo, ignorei-o, repudiando-o até, considerando-o um autor de massas e que não valeria a pena dedicar o meu tempo de relax, de descanso e apropriação de conhecimentos com um autor que em nada me falava aos sentidos, embora nunca tivesse tido a preocupação de ler algo seu. Era apenas uma ideia, um instinto, uma perceção.

Como estava enganada!!!! Autoflagelo-me por ter tido um pensamento tão ingrato e desapropriado às características e ao talento literários de um génio – não, não exagero -, pois o melhor epíteto que posso dedicar a um autor é, indubitavelmente, aquele que me faz crescer. E Zimler tem essa propriedade.

Ao ter lido “O Evangelho Segundo Lázaro” e “A Sétima Porta” percebi logo que o meu preconceito estava a levar-me para maus caminhos. E este “Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco” exterminou, definitivamente, da minha alma essa proibição … Quero mais!!

Trata-se de uma narrativa notável que se debruça sobre a vida de dois judeus sefarditas que conseguiram escapar ao Holocausto: Benjamin – Benny para os amigos - e Shelly, ambos encarcerados no ignóbil ghetto de Varsóvia, durante a Segunda Guerra Mundial, que conseguem escapar, seguindo, porém, rumos diferentes. Este é o resumo formal; o emocional retrata a luta de dois jovens, talvez três se incluirmos George, o grande amor de Shelly, que lutam com os seus sentimentos de dor, medos, distúrbios, disruptivos até, mas ao mesmo tempo conseguem dar sentido às suas vidas através da solidariedade, da esperança, de uma fé inabalável e, sobretudo, do amor.

É uma história de heróis que nos ensinam como viver, como resgatar a nossa alma depois de momentos inconcebíveis de tristeza e desânimo, desesperança e tibieza, de abandono e frieza, loucura e terror – “aprendi que a loucura se encontra a uma curta distância do sítio em que cada um de nós vive” -, sentimentos vividos no passado mas tudo compensado pela possibilidade do reencontro, do calor da amizade, do milagre de conseguirmos voltar a amar, de partilhar não as nossas dores passadas, mas as esperanças do presente na construção do futuro e, fundamentalmente, “ a sermos muito meigos uns com os outros, porque nos partimos com facilidade”.

A reconstrução do ser, a sua reestruturação, muitas vezes consideradas por almas mais frágeis como algo impossível, rebatemos com a força interior que todos nós possuímos e que só o sabemos quando somos postos à prova:” É espantoso como uma pessoa consegue viver sem ter consciência da trajetória descendente de todos os seus pensamentos – e do efeito devastador que está a ter sobre as pessoas que a amam”.

Benny, Shelly e George são pessoas vitoriosas pois conseguiram tecer uma existência prenhe de felicidade e de motivos para continuar, pese embora o espetro do passado percorrer toda a sua existência. Mas será possível reconstruir a nossa vida sem sabermos o que teria acontecido aos nossos entes mais queridos? Nós, que tivemos a enorme felicidade de não estar na pele dos judeus durante o Holocausto, sabemos o que lhes acontece: partem mas deixam conosco o seu melhor lado. Naquele tempo, nem sequer consigo imaginar o não sabermos o que acontecera, o que deveria trazer enormes angústias e ansiedades porque temos sempre de enterrar os nossos mortos para podermos fazer o luto.

A força interior de outras personagens é também mais um aspeto deste fantástico livro, criadas pela imaginação de um autor único: Rosa Zarco – elemento mais do que crucial para a narrativa, Ewa – a professora de piano que escondeu Benny em sua casa quando era criança correndo todos os riscos -, Teresa, sua mulher de que morre de cancro deixando duas filhas que Benny criou com o amor de quem vira desperecer os seus pais no ghetto e Berequias Zarco que, transversalmente, vai surgindo ao longo do texto, cujo manuscrito, já no final do livro, irá revelar alguns pontos mais obscuros da narrativa.

E depois, temos este discurso, de Benny para o seu neto, quando recebeu a notícia da sua homossexualidade: “O teu coração, o meu e o do teu pai… seguem as mesmas leis que a Terra quando gira à volta do Sol, e as mesmas leis que governam o crescimento das tulipas amarelas e cor de laranja no nosso jardim, as mesmas leis que controlam os moldes como tudo no universo é atraído para tudo o mais, enfim, aquilo que normalmente chamamos gravidade. Portanto, nunca poderia sentir vergonha de tu te apaixonares por um rapaz, tal como nunca poderia ter vergonha das estrelas no céu, ou dos esquilos no jardim, ou dos gaios azuis que vêm pendurar-se no comedouro lá fora. Eras capas de ter vergonha de uma tulipa?”.
Fiquei com lágrimas nos olhos.

Outro aspeto que também me marcou foi como Benny recebeu a morte com dignidade. Porque se temos de saber viver, também temos de saber morrer.

A parte dos Dez Espelhos, se bem que extraordinariamente interessante e que conclui a narrativa considero eu, que não professo a fé judaica, algo distópico mas ao mesmo tempo extremamente relevante para um povo perseguido durante séculos com episódios vergonhosos para a humanidade, como a história das civilizações nos revela. É por tudo isso que considero “Os Dez Espelhos de Benjamin Zaco” uma leitura obrigat
Profile Image for Alda  Delicado.
739 reviews8 followers
November 5, 2018
Certamente um dos mais bem conseguidos romances do autor. Gostei particularmente da estrutura não linear dos capítulos que nos faz ir descobrindo a história já com a certeza do seu final. O capítulo narrado por Ewa é uma das histórias mais bonitas e humanas sobre o Holocausto que eu já li.
Profile Image for Cat.
1,168 reviews144 followers
December 11, 2022
Tenho de ser muito sincera: comprei este livro numa promoção que o Continente teve, em que os livros estavam bastante baratos. Este estava a um preço interessante e já não lia Richard Zimler há bastante tempo; não era um livro que estivesse numa lista de livros para ler, ou livros desejados.

Mas confesso que, sendo um livro de Richard Zimler, estava à espera de melhor.

A história (ou histórias) não me encantou e achei algumas partes um bocado chatas. Também achei os personagens masculinos extremamente dramáticos, o que me irritou um bocado. Zimler escreve muito bem, mas esta livro foi daqueles que não puxou por mim. Chegou mesmo a acontecer retomar a leitura, ler durante uns minutos e voltar a fechar o livro.

2,5 estrelas, arredondadas para três.
Profile Image for Carla.
185 reviews25 followers
August 24, 2024
Terminei de ler o livro "Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco, do escritor luso-americano Richard Zimler, há quase duas semanas, mas tenho adiado escrever um comentário acerca do mesmo, pois afloram-me pensamentos contraditórios sobre este romance histórico.

Em primeiro lugar, porque gosto da maioria dos livros deste autor, em particular de "Goa ou o Guardião da Aurora", "Meia-Noite ou O Princípio do Mundo" e "Os Anagramas de Varsóvia", que tratam de temas históricos, como a perseguição dos judeus pela Inquisição em Goa, na Índia, no final do século XVI, no primeiro, os últimos resquícios da Inquisição no início do século XIX, durante e após as invasões napoleónicas em Portugal, no segundo, e a vida de uma família judia no gueto de Varsóvia durante a ocupação nazi da Polónia, no terceiro, sempre aliados a personagens que revelam, em simultâneo, sofrimento, coragem e capacidade de se reconstruírem após os traumas sofridos, e os quais envolvem, também, segredos familiares, que o leitor apenas descobre no final das obras.

Em segundo lugar, porque o livro "Os Dez Espelhos de Benjamim Zarco", conta-nos a história de dois judeus polacos sobreviventes do Holocausto perpetrado pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, mais concretamente de dois primos, um ainda criança, e o outro, um jovem adulto, os únicos sobreviventes de uma família alargada, cujos restantes membros foram assassinados no gueto de Varsóvia ou em campos de concentração, e que durante toda a vida sentem culpa por não terem morrido com as suas famílias, tentando, cada um deles, à sua maneira, ultrapassar a dor da sua sobrevivência.

No entanto, não consegui gostar do livro, e senti-me, pela primeira vez, incomodada comigo própria com isso, apesar de não conseguir descortinar as razões para tal.

E não gostei desta obra porquê?

Não apreciei as duas personagens principais, Benjamim, que ainda criança, consegue fugir do gueto de Varsóvia, refugiar-se em casa de uma professora de piano polaca, e que, após o final da Segunda Guerra Mundial, é encontrado pelo seu primo Shelly. Este também foi capaz de escapar da Polónia, quando era um jovem adulto, refugiando-se no Canadá, e depois da derrota da Alemanha, regressa a um país em ruínas, ocupado pelos soviéticos, odiado ainda pelos polacos que se apropriaram dos bens dos judeus, e leva o seu primo para outro continente, ficando o primeiro a viver nos Estados Unidos e o segundo no Canadá.

Benjamim e Shelly viveram com as suas dolorosas recordações, mas não as conseguiram partilhar com as suas mulheres e, em especial, com os seus filhos, que se sentiram sempre excluídos do passado dos pais e não merecedores da sua confiança, apesar do escritor, no final da história, tentar encontrar uma forma para a reconciliação plena, a qual não me convenceu.

Também não gostei da descrição pormenorizada de cenas de sexo explícito que, a certa altura, mais me pareciam pornografia, sobretudo no que diz respeito à hipersexualidade da personagem Shelly, que o autor justifica como uma forma de ultrapassar os fantasmas do passado.

Finalmente, o autor abordou o misticismo judaico, nomeadamente a cabala, os costumes e os acontecimentos culturais e religiosos do povo judeu, sem os explicar, como se os leitores tivessem obrigação de os conhecer, sendo que o glossário existente no final do livro com a tradução de palavras em iídiche (língua falada pelos judeus da Europa Central e Oriental) e em hebraico para português, pouco me ajudou a compreendê-los, contrariamente ao que aconteceu noutros dos seus livros.

Apenas consegui ler o livro até ao seu final, por ser persistente, por nunca deixar uma leitura inacabada, pois um livro é um amigo que não se abandona, e, ainda, porque sou muito curiosa e gosto de conhecer o final das histórias.

De interessante neste livro, considero serem os factos históricos, a estrutura do mesmo (seis capítulos narrados por personagens secundárias que eram muito próximas das duas personagens principais), e, por último, a descrição de episódios onde a bondade surge nos momentos mais sombrios da História da Humanidade, permitindo a salvação de quem se crê já estar condenado a um fim trágico.
Profile Image for João Teixeira.
2,325 reviews45 followers
February 14, 2019
Antes de mais, gostaria de começar pelo princípio. Por que razão se terá optado por este título para a edição portuguesa, quando o título original é The Incandescent Threads? Não teria feito mais sentido, neste caso, uma tradução mais literal do título em Inglês? Eu percebo que Benjamin Zarco acabe por ser, mais ou menos, o elo de ligação em cada capítulo, mas sinceramente não me parece que seja a personagem principal. Shelly, o outro sobrevivente do Holocausto deste romance é, a meu ver, outra personagem importante, até porque também lhe é dada atenção em mais do que um capítulo. Ou Ethan, o filho de Benjamin, que tem direito a dois capítulos em voz própria. Na verdade, este é um livro composto por várias personagens, pelo que não consegui perceber a opção editorial de dar mais “protagonismo” a Benjamin (e de certeza que isto foi algo com a concordância de Zimler, pois o livro não foi editado sem a sua supervisão).
The Incandescent Threads faz muito mais sentido, pois até está mais de acordo com a história que nos está a ser contada, nomeadamente pelo facto de ser contada a várias vozes e em diferentes momentos históricos, e que é sustentada pelo que temos possibilidade de ler determinada altura: «(…) tudo o que acontece está interligado por finos filamentos de causa e efeito (…). [Benjamin] Chamava-lhes os fios incandescentes, porque dizia que emitiam uma luz quente, pelo menos para os com visão mística suficiente para os verem.» e, mais à frente “(…) os fios incandescentes estão sempre à nossa volta, à espera de que os vejamos e utilizemos para encontrar em segurança o nosso caminho para o passado ou para o futuro.»
A verdade é que gostei deste livro, mas não gostei tanto como gostei de outros livros de Zimler ( A Sétima Porta , livro que já li duas vezes, continua a ser o meu preferido, não só pela temática, mas também pela forma tocante a que, de resto, Zimler nos foi habituando em toda a sua obra literária). Por que não terá este livro conseguido “convencer-me” totalmente...?
Talvez não tenha sentido as personagens como "reais", aliás, pareceram-me todas até muito iguais, sem nada que verdadeiramente as diferenciasse. A par disso, pareceu-me muito inverosímil a forma como alguns temas foram abordados, especialmente o tema da homossexualidade. Será que nos anos 40 do século XX tantas personagens achariam banal ver dois homens beijarem-se ou aceitar-se tão facilmente como normais experiências homossexuais (masculinas), como é dado a entender na narrativa? Eu sei que Zimler é um autor abertamente homossexual e, provavelmente, é seu objectivo tornar este assunto específico num “não-tema”, ou seja, banalizá-lo, transformá-lo numa coisa “normal”. Mas penso que a bem da verosimilhança daquilo que escreve, tendo em conta os contextos históricos em que decidiu ambientar a narrativa, poderia ter sido mais cauteloso.

Agora, aquilo de que mais gostei neste livro… De certa maneira, gostei que a história seja narrada de forma não cronológica. Trata-se de uma opção que exige muito mais dos leitores, e que pode desagradar a um grande número deles. A mim, porém, não desagradou. Gostei igualmente do facto de serem utilizados diversos períodos históricos. Quanto a este ponto em específico, quero ressaltar, porém, que o meu capítulo preferido foi, sem dúvida, “Variações sobre Uma Melodia Antiga”. Quem me dera que esse capítulo fosse mais desenvolvido e se tornasse um livro autónomo do “ciclo sefardita” zimleriano. Da mesma forma, gostaria tanto de ler um romance dedicado a Rosa Zarco, a guardiã das tradições da família, disposta a sacrificar-se pela salvação dos seus descendentes. Quão maravilhoso não seria que Zimler viesse a escrever um livro só sobre essa personagem?
E dito isto tudo, o que poderei eu acrescentar? Que é um livro de Richard Zimler e, como tal, é impossível eu não gostar. É um livro sobre seres humanos, das relações que estabelecem entre si. E é também um livro sobre sobrevivência e aquilo que impele cada ser humano a continuar a viver, mesmo depois de ter presenciado ou até mesmo vivenciado, as mais nefastas e inacreditáveis atrocidades de que o ser humano é capaz. Não será sempre sobre a redenção do ser humano que Zimler escreve? De facto, o ser humano é, inexplicavelmente, capaz de perpetrar as piores atrocidades sobre o seu semelhante. Mas por via da amizade, por via do amor, por via dos laços familiares e por via da justiça, o ser humano detém em si igualmente o poder da redenção.
4 reviews
January 7, 2019
Gosto muito de ler Richard Zimler, mais uma vez conseguiu surpreender-me. Os sentimentos estão sempre à flor dos livros do Richard Zimler. Aforo!
Profile Image for Chandra Sundeep.
262 reviews25 followers
October 19, 2022
The Incandescent Threads by Richard Zimler is a powerful work inspired by the lives of people affected by the Nazi occupation of Poland. The author has done a brilliant job of tying the past, the present, and the impact of the Holocaust on survivors and their children.

The story starts in 2007 when an old man, Benni Zarco, is being comforted by his son, Eti. Benni is a Holocaust survivor and had lost his entire family in Treblinka. He survives because of the kindness of strangers and his cousin Shelly who brings him to America years later. Benni and his son share a strained relationship and later we come to know the reasons behind it. Benni doesn’t like to talk about his earlier trauma, despite Eti’s best efforts to reach across to him.

The timeline flips back and forth between the war and the present. Narrators change as the timeline changes, and we get to know many stories. The moment one character’s story ends, another picks up the threads and weaves their own story. The intertwined stories are close-knit, well-tied, and impactful in delivery.

Ewa, a Polish piano teacher who shelters 11-year-old Benni in her home, Shelly, George, his long-time gay partner, Rosa, Benni’s grandmother, Julia, Shelly’s wife, Teresa, Benni’s wife, and Teresa’s dad are other important characters in this story.

Though the author mentions the shift in the timeline, he does not highlight the narrator’s name. I found this transition confusing and had to read a bit back and forth to understand the speaker’s identity. A few chapters could have been trimmed, especially those involving tracing Jewish persecution to Egypt.

I found the reference to a certain mystical experience involving Shelly’s sister, Esther, hard to believe. Other readers may not have an issue with it, but I don’t think it added much value to the story.

All the characters are well-defined. Their flaws make them realistic and relatable. I liked all of them, except Shelly.

The author describes in detail his sexual escapades, unfaithfulness toward his wife, and surprisingly open acceptance by others. Two instances felt outright wrong and uncalled for.

The first one is in the 1950s when 30-year-old Shelly is on a first date with a 19-year-old. I don’t have a problem with the age gap. But I certainly find the next scene disturbing.
With a confident smile, he told me then it was time for my belle surprise and moved my hand below the table and pressed it into something hard and warm, and it took me a moment to realise he’d taken his cock out of his pants.


The girl, instead of being appalled or terrified, finds it interesting and later even falls in love with him and marries him. Would any girl appreciate this kind of interaction on her first date? Does this description suit the era?

The second is regarding his physical relationship with his cousin Benni, who is just 11 years old when the much older Shelly indulges in a supposedly comforting sexual act with the kid. Pedophile alert!

Zimler’s writing is moving and terrifying. He highlights familial ties, friendship, and the power of the community in a captivating manner. The Yiddish and Ladino vocabulary and Jewish mysticism add a special touch to the narrative.

The Incandescent Threads is a deeply moving story of Holocaust survivors and generational trauma. I would have rated it much higher if not for the uncomfortable and unappealing bits.

I received a free copy of this book from Parthian Books through NetGalley in exchange for an honest review. This does not affect my opinion of the book or the content of my review.

Wordsopedia Rating 3.6/5
Profile Image for bea.
13 reviews1 follower
January 30, 2021
A mesma origem, mas contada através de seis pessoas diferentes em fundos temporais e locais diversos, que tornam a história muito mais interessante e chamativa. O último capítulo foi o melhor de todos, mas também o mais pesado. Só mais um livro incrível de Richard Zimler.
Profile Image for Harrison Wallace.
130 reviews
July 1, 2024
The prose of the book was beautiful and it was all well written. I liked the characters narrating each section, but as for the main characters? Not so much.

Some tiny spoilers:
This book was definitely easy to read, but a lot of that was motivated by a desire to be angry, because anger is ultimately the main emotion I felt reading this. Maybe I have a bias against main characters or maybe it’s because the mosaics never allowed us to actually read Benni + Shelly’s perspective. Either way they came across like awful people who, despite how terrible their actions could be, were loved unconditionally and immensely. What do you mean your husband who, IS BISEXUAL WE GET IT, keeps cheating on you because he can’t help it but all you feel is envy that he loves so much? How are you content with your father shutting you out (literally and figuratively) because he can’t talk to you about his past (although this is a controversial take I can imagine)? Also, the thing I can’t forgive is how Shelly, at 27 years old, goes to Poland with his booty call at the time who is singlehandedly responsible for finding his cousin, then proceeds to reunite with his cousin who is 16…and then have sex with him. How does that happen? Why does that need to happen? Is this a wartime mindset I simply do not understand? This can’t be normal right.
210 reviews4 followers
September 30, 2022
This book sounded intriguing and the format and writing was compelling. Unfortuately I found the charachters to be off-putting and bizarre in their behavior. This is especially true for Shelly who literally has no scruple whatsoever about with whom he has sex and in what circumstance .

What was even more off-putting the descriptions of the personalities and behaviors of the holocaust survivors. I have known survivors for all of my adult life and I know no one who was anything like the charachters that people this book. Even the glossary in the back of the book rings false. Gefilte fish is defined as"fish paste". Anyone who is willing to spend thirty seconds in the kosher section of their supermarket knows this is wrong. A goy is not a Christian, the are simply not Jewish.

The closeness and love displayed by Benjamin, his family and friends among each other was compelling and had the book stuck to this theme it would have been far more successful
Profile Image for Ana Santos.
Author 2 books23 followers
October 7, 2018
Se houvesse mais de 5 estrelas era o que atribuía.
É um livro extraordinário. Uma vez mais Richard Zimler (e é o único autor que o consegue) prende-me num livro em que entra no horror do nazismo (é estranho, se fosse crente na reencarnação pensaria que morri assassinada no genocídio tal o horror que tenho). Mas o escritor consegue cobrir com tanta humanidade, com tanta sensibilidade, com uma envolvência tal que se torna num livro indescritível.
A fina trama entre personagens, sem hiatos, numa fluidez e numa escrita tão escorreita que devia ser obrigatório ler para bem escrever.
Penso que me acontece com Richar Zomler o que só me sucede com escritores (e também cantores) que coloco no topo de todos os tops: cada livro que leio me envolve mais que o anterior.
Muito obrigada!
51 reviews
March 24, 2019
Um livro muito fraco, que deixou imenso a desejar. Não traz nada de novo além de querer assumir a homossexualidade em quase todo os personagens e quer fazer disso uma situação normal e aceite por todos mesmo entre judeus e em meados do século XX. Ninguém tem problemas em assunir essa homossexualidade e tudo é muito bem aceite inclusive situações assumidas em publico e em familia. Uma situação deveras irreal e demasiado insistente no tema. Também a parte de os homens estarem sempre a chorar quando se encontram se torna demasiado piegas e irreal. Tudo é demasiado feliz e bom e exagerado em termos de uma sensibilidade piegas que torna o livro quase intragável. Irreal.
Profile Image for Carla.
11 reviews
October 15, 2018
Dei 4 estrelas, mas apenas porque gosto muito do escritor. Infelizmente, acho este o seu livro menos bem conseguido. Não sei se por não ter percebido a razão da construção por histórias autónomas e cuja ordem me escapou totalmente. E, mesmo as personagens não têm a mesma densidade habitual.
De todo o modo os restantes livros são excelentes e a leitura deste não deve desencorajar a vontade de ler mais deste autor.
Profile Image for Mónica Leirião.
129 reviews
January 23, 2019
Zimler de volta à familia Zarco, num livro muito bem escrito, em que o formato de cada capitulo ser um narrador da história em épocas diferentes, prende ainda mais que outros livros já de si bastante cativantes escritos por Zimler.
4,5 seria a minha real pontuação
Profile Image for Helena.
664 reviews
April 7, 2020
Hmm...
Meh! É só o que me apetece dizer.
Acho que começo a ficar farta da familia Zarco... A parte mais interessante para mim foi a parte de Benjamin quando pequeno com a Ewa. O resto foi meh...
711 reviews1 follower
October 21, 2024
Somewhat uneven, parts were very compelling. The end felt unedited, as though the author just took a chunk of his own life and threw it in there. I don't appreciate it when authors get political, and it takes the reader out of the story and drops them into polemics. Some very agenda driven sections. Might read some of the other volumes in the series, might not.
Profile Image for Betita.
134 reviews10 followers
July 30, 2020
Lindo ❤️
Personagens que nos ficam no coração...

..."O teu coração e o meu... seguem os dois as mesmas leis da Terra quando gira à volta do Sol, e as mesmas leis que governam o crescimento das tulipas cor de laranja e amarelas que crescem no nosso jardim."
Profile Image for Nora.
929 reviews16 followers
August 4, 2022
thank you netgalley this was an enlightening read.
i didn't know this was a part of something bigger when i requested to read i just wanted to know more i guess, and know more is exactly what i recieved. i can't say i wasn't lost sometimes while reading but it was a ride I'm so glad i got on.
Profile Image for Raquel Santos.
708 reviews
August 7, 2020
Mais uma excelente obra deste autor, esta situada em diversas alturas de uma época contemporânea, seguindo os passos da mesma família em países diferentes e datas variadas.
Profile Image for Sandra.
17 reviews
January 21, 2021
Dois dias depois de ter finalizado a leitura deste livro ainda sinto saudades das personagens. "participei" de muitos momentos narrados com os olhos rasos de água.
Profile Image for Ana Rita.
5 reviews
August 21, 2024
“O amor que não sabe atravessar pontes não é amor verdadeiro” Richard Zimler

Incrível
Profile Image for Marta Clemente.
758 reviews19 followers
August 20, 2022
Que livro tão bom!
Em "Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco" Richard Zimler apresenta-nos Benjamin e o seu primo Shelly, judeus polacos únicos sobreviventes da sua família ao holocausto.
Este livro é contado a várias vozes, em vários horizontes temporais. É uma história acerca de feridas antigas e profundas, de como elas afectam a vida de quem as viveu e dos seus descendentes, mas é acima de tudo uma história de amor, de como o amor salva e cura.
A história não é linear. Os saltos temporais obrigam a atenção redobrada, mas têm toda a razão de ser e explicam tão muito o interior das almas destas personagens tão ricas!
Adorei e recomendo!

"Quero que este miúdo viva mais cinquenta anos depois de eu morrer, dê por onde der. Quero que seja feliz. Não quero que sinta o fardo de uma parcela que seja da minha tristeza."

"... ainda no gueto, Shelly havia jurado que, se conseguisse sobreviver à guerra, procuraria o amor sempre... "

"... tens de compreender que Aquilo Tudo nunca acabou verdadeiramente para o Shelly. Aquilo Tudo era o código de Benni para designar o Holocausto. "

" Pareceu-me surpreendente e vergonhoso que ninguém até aquele dia de primavera tivesse tido a coragem de dizer, ou sequer pensar, que as bombas, balas e lança-chamas dos americanos estavam a gerar um holocausto para o povo vietnamita. "

" Arrependo-me de tudo o que não fiz, de tudo o que não disse, e de tudo o que ninguém fez ou disse, e peço-te perdão. "

" A Rosa dizia que os livros são a forma humana dos anjos... aquilo que conseguimos ver e tocar. Dizia que era por essa razão secreta que os nazis os queimavam. "
Profile Image for Susana.
Author 2 books16 followers
January 19, 2019
Um fino e delicado bordado sobre o que é sobreviver ao indizível.
Profile Image for Takas.
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May 29, 2019
Foi uma decepção total. Não vou conseguir ler mais nenhum livro do autor.
Profile Image for Marta Moreira.
18 reviews8 followers
October 13, 2020
“Tudo o que acontece está interligado por finos filamentos de causa e efeito, que normalmente não conseguimos ver” não é a primeira frase de Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco, mas será porventura um bom resumo do que este representa e do seu esqueleto. Richard Zimler é aqui tecelão duma intrincada tapeçaria, onde se entrelaçam as histórias de vida de dois primos, judeus sefarditas e sobreviventes ao horror do Holocausto na Polónia. A forma como cada um deles edifica a sua existência posterior é bem diferente: se um encontra refúgio numa hipersexualidade que não aceita amarras, o outro carrega uma culpa insuperável. Mas é no decorrer da narrativa que percebemos até que ponto se interseccionam e se revelam como um jogo de espelhos permanente.

Primeiro, a estrutura: uma linha temporal que atravessa a fase final Holocausto, a recuperação que se lhe seguiu e a actualidade, e que se espraia pela Polónia, Canadá, EUA e até Portugal. Em forma de mosaico, o autor desenha a narrativa em seis relatos diferentes, estilhaços que o autor reorganiza com notável mestria, compondo o puzzle que nos revela toda a história sem que isso obedeça aos ditames da cronologia.

A voz de Ethan, filho de 45 anos duma das personagens centrais desta história, em 2007, começa por nos contextualizar: esta é a história da vida de Benjamin Zarco, ou Benny, sobrevivente do terror no gueto de Varsóvia, cujas marcas não o impedem de se tornar um homem notável (e uma personagem de quem é impossível não gostar), mas que em diversos momentos se revelam jaulas difíceis de escapar. A seguir recuamos para a voz de Jules em 1977, mulher do primo Shelly só a muito custo reencontrado, e é aqui que percebemos que as histórias destes dois personagens, indelevelmente unidas, são a base sobre o qual Zimler nos atinge com as grandes questões que atravessam todos os grandes horrores da Humanidade.

À medida que avança a narrativa – de seguida pela voz de Ewa Armbruster, a professora de piano que salva a vida de Benny em 1944, e de Teresa, sua mulher, que em 1965 lhe oferece a derradeira redenção – as questões são identificadas. O enquadramento do ódio dos polacos pelos seus compatriotas judeus, como lente para olhar a guerra do Vietname e até o genocídio perpetrado contra os nativo-americanos; a significância da preservação da cultura e tradição judaica, como reacção à ameaça declarada de extinção; e finalmente, a mensagem inspiradora de que não importam as fronteiras, tanto físicas como linguísticas. No essencial, une-nos a emoção humana, tanto no mais atroz sofrimento, como nas pequenas idiossincrasias que compõem uma vida.

Com o avanço neste trajecto – depois pela voz de George em 1947, o navajo e meio-judeu que foi amante de Shelly para depois se tornar parte da família, e por fim regressando a Ethan, já na súmula de todas estas vidas em 2018 – vamos desvendando adornos narrativos subtis, mas que pontuam este livro com uma rara beleza lírica. Desde a espiritualidade pungente – as descrições da mitologia hebraica e tradições iídiches são belíssimas, e o momento da possessão de Shelly pelo espírito da sua irmã Esther (um dybbuk errante) é particularmente impactante -, ao poder transformador da Arte – seja na simbologia do hino Variações sobre uma Melodia Antiga, peça composta por Ewa depois duma visita em sonhos do propulsor de toda a narrativa (Berequias Zarco, o judeu sefardita na origem de toda esta belíssima história familiar) e convertida em totem, seja nas descrições do universo emocional vertido na pintura tanto de George como de Ethan, ambos ensombrados pelo que não conseguem explicar doutra forma, esta história logra provar que a resiliência humana pode bem pegar no trauma e dele reerguer uma vida.

Forma, conteúdo e lírica, elementos fulcrais combinados na exacta proporção para conferir a este livro o tom de relato vívido, muitas vezes perturbador, mas sem dúvida inspirador. Talvez seja essa a mensagem mais impactante deste livro e em simultâneo a razão porque deixa para trás, incrustado bem fundo no leitor, uma esperança reconfortante na Humanidade: mesmo que os traumas possam talhar uma vida, é nos outros e no poder transformador de cada um que podemos encontrar a redenção.

Review escrita para a Revista Intro, aqui - http://www.intro.pt/os-dez-espelhos-d...
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