Este livro de Barbara Frale é um bom ponto de partida para quem tem interesse no tema dos Templários. Não é muito extenso e oferece uma boa visão da história da Ordem do Templo, disponibilizando no final recomendações bibliográficas para especializações do tema. Parece-me que a única falha é o facto de se focar apenas na Síria-Palestina e na França, deixando de parte outras regiões de atuação dos Templários, como a Península Ibérica.
O primeiro capítulo ("Jerusalém, o Santo Sepulcro e o Templo") oferece-nos uma boa contextualização histórica da formação da Ordem do Templo e o porquê da importância de Jerusalém na formação da ordem e na Cristandade medieval.
Segue-se o segundo capítulo, intitulado de "Uma Ordem de Santos Guerreiros" onde a autora aborda a institucionalização da ordem, processo iniciado por Hugo de Payns e que contou com o apoio de Bernardo de Claraval, através da análise do quadro político-religioso (sobretudo o desenrolar político no Papado), do cenário da guerra na Terra Santa e da dificuldade de aceitação do conceito de monges-guerreiros pela sociedade da Cristandade.
No terceiro capítulo ficamos a saber "O Código de Honra dos Templários": o modo cavalheiresco, a humildade e a excelência, o equilíbrio entre o corpo e a alma, a lealdade à unidade do grupo, a solidariedade, as normas e a hierarquia, o lado financeiro e a política e a diplomacia. A autora aqui recorre a várias fontes primárias, o que permite compreender melhor este "código".
No capítulo seguinte ("Ao Serviço da Terra Santa"), Barbara Frale faz-nos um resumo de todo o quadro político-militar do território cristão na Síria-Palestina (o Outremer) e das cruzadas encabeçadas pela Cristandade contra o Islão, embora este resumo se torne muito confuso e poderia analisar mais a ação dos Templários nestas campanhas militares. Ainda assim, acaba o capítulo abordando a recolha de recursos financeiros para a Terra Santa e as críticas aos Templários pelo mundo ocidental, que viriam a consolidar-se com o fim do Outremer.
O quinto capítulo ("Entre a Espada e a Parede") dá-nos uma boa visão sobre todo o contexto que viria a levar ao fim da Ordem do Templo. Desde o pontificado de Bonifácio VIII, que as relações entre o Templo e a Coroa francesa entram em rutura, sobretudo pelos desejos de Filipe IV, O Belo, de aumentar o seu poder e a sua riqueza. Simultaneamente, a nível interno, a ordem está dividida em dois partidos: Oriente, liderada por Jacques de Molay e que pretende restabelecer a Ordem ao seu código oririnal, e Ocidente, partidários da Coroa francesa, com uma visão quase exclusivamente financeira. Durante o pontificado de Clemente V, o processo iria acelerar-se e, eventualmente, pôr fim aos Templários.
Por fim, no último capítulo ("Sob Processo"), ficamos a saber todo o processo que é encabeçado por Filipe IV, O Belo, contra o Templo e que o papa Clemente V procurou resolver. No entanto, o esquema do rei francês já não poderia ser impedido pelo papa, que veria a sua queria ordem "pessoal" terminar de vez e com uma imagem herética.