Como sobreviver com a mente cheia de memórias da Segunda Guerra Mundial? Como lidar com o trauma de ter presenciado a destruição arrebatadora de uma bomba atômica praticamente ao seu lado? E como pensar em salvar civis quando sua própria vida está em jogo? Conheça neste livro a história do Sr. Takashi Morita, sobrevivente da bomba atômica que dizimou milhares de seres humanos e que até hoje manifesta efeitos na saúde física e mental da população de Hiroshima e de Nagasaki. Era 6 de agosto de 1945. Ninguém poderia prever, mas foi neste dia que a vida de inúmeros japoneses – e das gerações subsequentes – mudaria para sempre. As consequências da bomba atômica foram devastadoras, e não apenas no que diz respeito à saúde daqueles que se encontravam nas imediações do epicentro, como é o caso do Sr. Takashi, que exercia o ofício de soldado na época. Para além das numerosas enfermidades oriundas da intensa radiação emitida em Hiroshima e Nagasaki, os atingidos pelas bombas sofreram muita discriminação, principalmente pelo fato de as consequências decorrentes da radiação para os sobreviventes e seus descendentes serem ainda uma incógnita. Após sofrer situações tão devastadoras como as que o Sr. Takashi viveu, muitos de nós provavelmente sucumbiríamos ao rancor. A sabedoria, no entanto, com a qual ele enfrentou suas memórias mais sombrias é inspiradora. Quando questionado a respeito de suas mágoas com relação aos norte-americanos, responsáveis pelo envio da bomba atômica a Hiroshima, o veterano responde: "Estavam apenas fazendo o seu trabalho." O perdão, a compreensão, a empatia e todos os laços e fortalezas construídos em detrimento de um passado que é impossível de esquecer são lições que o Sr. Takashi, agora um comerciante de 92 anos que vive no Brasil, visa nos ensinar neste emocionante relato.
"Esse foi o pior dia da minha vida e, ainda assim, nunca consegui apagá-lo da memória. Mesmo depois de mais de setenta anos, posso revivê-lo detalhadamente, como todo o horror que presenciei. "Takashi Morita - Sobrevivente da Bomba Atômica
A história de um sobrevivente. Morita estava lá e presenciou o pior momento da humanidade, a explosão da bomba atômica sobre Hiroshima. Mas, além da bomba, essa é uma história de vida. De perdas, mas também de encontros e reencontros. O relato de sua vida nos ensina que todos somos humanos, não importa de que lado da trincheira.
Takashi Morita foi membro da Kempeitai, Polícia Militar do Exército Imperial Japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Atuava no Posto de Vigilância Aérea de Hiroshima, em agosto de 1945, quando a presença dos temíveis B-29 americanos já não era nem estranhada nos céus do Japão. No dia do ataque nuclear, estava a pouco mais de um quilômetro do epicentro da bomba atômica e sobreviveu devido ao pesado fardamento que usava (era uma manhã ensolarada e a maioria das vítimas usava roupas de verão). Emigrou para o Brasil após a guerra e passou parte dos seus 93 anos (consta que ainda vive com a família em São Paulo, onde possui uma mercearia) assombrado pela ameaça que a exposição aos componentes radioativos da bomba poderia representar à sua saúde: ele desenvolveu leucemia num dos ciclos das doenças que acometiam os sobreviventes e também resistiu ao tufão Makurakazi, que arrasou Hiroshima nos dias consecutivos à tragédia, varrendo os poluentes radioativos mas também produzindo um deslizamento de terra no hospital em que ele estava, tirando a vida de muitos dos sobreviventes que haviam acabado de se recuperar da primeira catástrofe. Embora, desde o título, a edição tente nos conduzir a uma leitura enviesada do que um sobrevivente de desastres dessa natureza tenha a nos ensinar - nós, meros sobreviventes de tribulações cotidianas e bem mais banais -, é no depoimento descompromissado de Morita com qualquer causa além da paz, e da necessidade de que erros históricos assim não voltem a acontecer, que reside a grandeza de seu testemunho, com passagens intensas como a de sua viagem de trem para Hiroshina: quando seu vagão foi seguido por um B-29 que ia bombardeando todas as estações pelas quais o trem ia passando, errando um dos alvos e permitindo a primeira de suas muitas narrativas de sobrevivência.
Passo com bastante frequência em frente à mercearia do senhor Takashi Morita, e ele sempre está lá, simpático, cumprimentando e agradecendo aos seus clientes. Incrível conhecer a sua história, com episódios contados com ótima narrativa e excelente nível de detalhe, que me fizeram sentir como se estivesse junto dele vivenciando cada momento descrito, inclusive o fatídico dia da bomba.
Um livro que lança luz à vivência de um sobrevivente da bomba atômica de Hiroshima.
De leitura rápida e muito interessante, descobri muitas coisas que nunca tinha ouvido falar sobre a Segunda Guerra Mundial, por não conhecer muitas obras que relatam esse período sob o ponto de vista japonês.
A descrição do dia 6 de agosto de 1945 e tudo o que veio depois é muito, muito impactante e triste.
É possível perceber que, por mais que os Estados Unidos sempre tentem retratar que tiveram o papel mais importante para o término da guerra com o lançamento das bombas, na verdade, isso era apenas uma desculpa para usar as cidades japonesas como cobaia para testar essa nova tecnologia. Afinal, não foram eles os responsáveis pela derrota dos avanços nazistas.
Mesmo relatando o descaso do governo japonês com as vítimas dos bombardeios, o autor se posiciona de forma a atribuir toda a culpa do que aconteceu na "guerra", como se ela fosse uma entidade sem agentes causadores.
De qualquer forma, foi muito interessante conhecer a vida do autor, passando pela juventude como militar, a vinda para o Brasil e a dureza da vida em solo brasileiro.
Só senti falta de mais contextualização cronológica, histórica e geopolítica permeando a narrativa.
“Tempos de guerra são tempos de absurdos, e o pior que pode acontecer ao ser humano é ver o absurdo como algo normal.”
O relato do Takashi Morita é muito forte e tocante. Muito triste ler um livro como esse, ouvir de um sobrevivente os horrores de uma guerra e mesmo assim, em 2025, estar acontecendo uma guerra parecida.
A parte mais tocante pra mim foi quando ele disse que ele não culpa os Estados Unidos pela bomba, e nem seu povo, que ele perdoou. Pra ele, a culpa é da guerra.
Uma história autêntica, contada em primeira mão por um hibakusha, sobre o horror inimaginável da bomba atômica e o sumiço de uma cidade cheia de vida. O livro narra a superação do Sr. Takashi Morita e de sua família, apesar de todos os desafios que enfrentaram tanto no Japão quanto no Brasil. Relato lindo demais mas, ao mesmo tempo, chocante por tudo que o Sr. Morita presenciou.
Amo os livros sobre a 2° Guerra Mundial, como já li vários é difícil me surpreender mas esse me deu informações que eu não tinha ideia sobre a guerra. Ter conhecido pessoalmente Hiroshima deixou esse livro ainda mais especial para mim.