Carl Spitteler (1845-1924) é um autor pouco lembrado hoje. Não acredito que muita gente saiba quem ele é. Apesar disso, ele em seu tempo teve reconhecimento, tendo sido o único suíço a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Esse Imago parece ser o segundo livro dele publicado por aqui. Antes, apenas Prometeu e Epimeteu, publicado nos anos 1960 com tradução de Manuel Bandeira.
Neste Imago, temos o personagem de Viktor, um sujeito sem profissão muito clara, que retorna à sua pequena cidade natal em busca de uma mulher – Theuda – por quem se apaixonara em um encontro em uma estação de férias anos antes. O amor não é recíproco e além disso ela se encontra casada.
Mas além da falta de reciprocidade, Viktor tem uma relação perturbada porque além da Theuda real, ele tem algumas projeções mentais dela. A primeira é chamada e Pseuda, que é a Theuda depois de casada com outro homem, que é uma traidora desse amor que ela imagina que ela tenha por ele. Mas lembremo-nos que ela não sente absolutamente nada por ele. Além disso, existe Imago, que é uma outra projeção de Viktor.
Além dessas projeções, Viktor tem outras, como o coelho, o leão, a razão, o coração, bem como batiza a seu próprio corpo de Konrad. Enfim, ele além de fazer uma divisão entre corpo e espírito, faz essas diversas projeções que poderiam ser qualificadas como um autêntico quadro psicótico.
Como se não bastasse, todos na cidadezinha o detestam ou o desprezam pelo seu comportamento que é um misto de loucura, complexo de superioridade, falta de julgamento, grosseria, falta de tato, etc. A única exceção é a Sra. Steinbach, que acaba funcionando como a única gota de racionalidade no comportamento dele.
A obra tem pontos interessantes, especialmente no que diz respeito à loucura do protagonista.