Depois da aclamada trilogia biográfica de Getúlio Vargas, Lira Neto se lançou ao desafio de contar a história do samba urbano. Em sua nova empreitada (de fôlego!), o escritor cearense pretende retraçar, com sua verve narrativa singular, o percurso completo desse ritmo sincopado que é um dos sinônimos da brasilidade. Em virtude da riqueza e da amplitude do material compilado, recheado de documentos inéditos e registros fotográficos, o projeto será desdobrado em três volumes - neste primeiro, Lira leva o leitor das origens do samba até o desfile inicial das escolas de samba no Rio. O samba carioca nasceu no início do século XX a partir da gradativa adaptação do samba rural do Recôncavo baiano ao ambiente urbano da então capital federal. Descendente das batidas afro-brasileiras, mas igualmente devedor da polca dançante, o gênero encontrou terreno fértil nos festejos do Carnaval de rua. Nas décadas de 1920 e 1930, com o aprimoramento do mercado fonográfico e da radiodifusão, consolidou seu duradouro sucesso popular, simbolizado pelo surgimento das primeiras estrelas do gênero e pela fundação das escolas de samba.
Lira Neto, jornalista, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti na categoria biografia, nasceu em Fortaleza em 1963. Radicado em São Paulo, escreveu, entre outros livros, Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão (Companhia das Letras, 2009); Maysa: Só numa Multidão de Amores (Globo, 2007), O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar (Globo, 2006) e Castello: A Marcha para a Ditadura (Contexto, 2004).
Eu estou simplesmente encantando com a escrita do Lira Neto! Ele começou a compartilhar no meu coração a vaga de biógrafo nacional preferido junto com o Ruy Castro! Apresentação divertida dos personagens centrais, da história do país, do desenrolar e do impacto da política na construção da história do samba!
Estou ansioso pelo volume 2, e enquanto isso provavelmente irei dar uma chance pra biografia do Getúlio Vargas que o Lira escreveu!
Música é a arte das artes para mim, por isso, digo sem pensar, que eu poderia viver sem os livros, sem o cinema, mas que jamais viveria sem música. Pois, é engraçado que alguém que ame tanto os livros fale isso, mas é a verdade: a minha ligação com a música é algo inexplicável, muito grande. O que dizer, então, da mescla incrível entre a leitura e a música?
'Uma História do Samba' é um excelente exemplo de como isso pode se dar. Por mais que eu amasse música brasileira a algum tempo, tendo algo de samba e de chorinho nas minhas playlists, jamais havia adentrado em seus sub-gêneros e entendido pontos importantes do gênero, como a roupa branca e a ideologia do malandro.
Dos tempos de Hilário Jovino e Tia Ciata na Praça Onze; dos terreiros onde os jovens Donga, Sinhô, João da Bahiana e Pixinguinha cresceram; das primeiras disputas carnavalescas entre Estácio, Mangueira e Portela; do surgimento das grandes vozes de Mário Reis e Francisco Alves; até as bebedeiras pesadas de Noel Rosa e Cartola; esse livro conta a história crua das origens do gênero mais brasileiro entre todos os gêneros.
"Só quem vive nos morros a vida livre, cheia de angústias e incertezas, de misérias e sofrimentos, de vicissitudes e tormentos amorosos, pode sentir o samba como eles sentem."
Faça como eu: leia o livro de Lira Neto acompanhado da música que ele cita e sinta um verdadeiro orgulho de morar em um país que produziu e produz música de tamanha qualidade.
Muito legal!! Quase tirei 1 estrela pq fiquei "ai, faltou imagens, queria imagensss" mas elas estavam no final então deu pra dar rosto aos nomes, eu adorei, já vou atrás de ver se tem um segundo volume
Lira Neto, autor da trilogia que biografa GV, inicia agora uma nova trilogia, dessa vez pra contar a história do samba. No 1o volume mostra-se a gênese do gênero, do fim do século XIX até o início dos anos 30. O livro é bem bacana ao mostrar, através de histórias individuais, como o samba nasceu. A "santíssima trindade" que deu origem ao gênero (João da Baiana, Donga e Sinhô), os primeiros grandes compositores e intérpretes, o sucesso do surgimento das escolas de samba, enfim, está tudo lá. Recomendo bastante àqueles que gostam do gênero, de MPB ou de história popular do país. Dá pra ler sem complexidade e de forma rápida.
Quem não gosta de samba - e de história - bom sujeito não é. Impossível parar de ler o livro de Lira Neto. É história do samba, mas é também história do Rio, seus bairros, sua transformação e expansão. Me senti caminhando pelo Centro, pelos mortos da Providência e da Mangueira, pelo Engenho do Portela, tomando uma birita com Sinhô, João da Baiana, Ismael Silva, Francisco Alves, Cartola e Noel. Agora fica a tarefa de controlar a ansiedade da espera pelo próximo volume.
Em clima de carnaval... . Há 90 anos, em 1929, acontecia o protótipo do que viria a se tornar o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. No pleito, competiam as “embaixadas” da Mangueira fundada por Cartola, a Oswaldo Cruz - futura Portela - capitaneada por Paulo da Portela, e a Estácio. Esta última, sob comando de Ismael Silva, teria sido responsável pela instauração da tríade surdo-cuíca-tamborim no samba urbano para responder a uma necessidade imediata e utilitarista: eram os instrumentos que mais se adequavam aos pioneiros desfiles organizados pelo grupo carnavalesco “Deixa Falar”, assegurando que o “paticumbum prugurundum” que davam ritmo ao cortejo pudesse ser ouvido de longe, da carreta de rolimã que servia de abre-alas à ala de homenagem às velhas tias baianas. . Ali encontrávamos parte do arranjo que se converteu em espetáculo a partir da articulação entre Escolas, Estado e imprensa. Lira Neto, na obra “Uma História do Samba: as origens” [1º volume de uma série que deve ganhar outros dois], insere o acontecimento em um processo histórico que inclui a própria gênese tortuosa do samba como gênero musical e sua consolidação como legítimo produto nacional no nascente mercado fonográfico brasileiro. . Destacam-se aí artistas como Donga e Sinhô, envolvidos no imbróglio referente à autoria do primeiro samba a receber registro fonográfico, “Pelo telefone”, em 1917. Ambos reivindicavam a autoria e mutuamente se acusavam de plágio pela música que, em termos estilísticos, passa ao largo do que hoje conhecemos por samba. . Segundo o próprio Donga, tratava-se de um “tango-samba” ou um “tango brasileiro”, variante do maxixe que, por sua vez, fundia células rítmicas e padrões melódicos do lundu, da habanera e da polca... um sucesso no circuito de música dançante que ganhava a noite carioca nos primeiros decênios do século XX. O que há de novo em “Pelo Telefone”, chamará a atenção Lira Neto, é o procedimento e a estratégia de divulgação e circulação nos meios comerciais, no que Donga, e em seguida Sinhô, são emblemáticos: representam o fim gradativo da produção artesanal de canções populares, incluindo aí os demais processos adjacentes, e o início de uma lógica profissional do mercado de composições. . Nesta obra, Lira Neto nos faz passear pela casa de Tia Ciata e pelas trajetórias de João da Baiana, Sinhô, Donga, Pixinguinha, Cartola, Paulo da Portela, Ismael Silva, Noel Rosa e Hilário Jovino, que morre em uma quarta-feira de cinzas, em 1933, após o bicampeonato da Estação Primeira de Mangueira na segunda edição do Desfile, nos colocando em contato com “as origens” do samba, que dá subtítulo ao livro.
Primeiro volume de uma pretensa trilogia (aguardando ansiosamente), Lira Neto narra a história do Samba a partir de pessoas que a fizeram. O livro abrange as três primeiras décadas do século XX, começando com o desenvolvimento das letras populares nas zonas urbanas do Rio e termina com a transição para o samba do morro. Anda de mãos dadas com a história política do país, inclusive. Narrativa é um ponto de destaque nessa obra: mais do que informativo, são histórias contadas.
As a Brazilian who was born and live in the former capital city Rio de Janeiro , this lecture was such an emotional experience ! It allowed to get in contact with great details of my roots , very well described. For those who are not Brazilians ( and are able to read in Portuguese) this book expresses the Brazilian soul perfectly. I can't wait for the sequences that are yet to come.
Difficult to explain how pleasurable was reading this book. Much more than a music theory/history book, it helps the reader to understand the foundation of Rio's culture and city organization, in both politic and social standpoints.
Uma excelente análise jornalistica da história do samba; pessoas com formação em ciências sociais sentirão falta de considerações teóricas sobre os processos e os atores envolvidos mas não deixa de ser uma leitura deliciosa que alcança o que se propõe a fazer.
Muito boa descrição dos primeiros anos do samba e seu gradual envolvimento com a sociedade e a história brasileiras, leitura fácil e que nos pega do começo ao fim. No final nem parece que tem mais de 300 páginas. Já querendo o segundo volume.
Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, mas conhecer as raizes do samba faz com que escutemos este gênero com outros ouvidos. Delicioso este primeiro volume. Estou ansioso pel continuação
Livro com vasto material de pesquisa em jornais antigos. A pesquisa cobre a trajetória dos primeiros sambistas reconhecido como músicos e toda a cultura envolvida com a sociedade negra