Interessei-me por ler “Políticas do design” pois acreditava se tratar de um ensaio aprofundado sobre como se dá o design do mundo que nos cerca, de um mundo que é cada vez mais um mundo cultural, fabricado, tecnológico… e político. Entretanto, o que Ruben Pater entrega são textos curtos, anedóticos, sobre episódios do design — do mau design, do design mau, ou do igualmente imperdoável design ingênuo.
Chama atenção o projeto gráfico de “Políticas do design”. Afinal, é um livro para ser lido pelas imagens mais do que pelo texto. Pelo que parece, a edição brasileira seguiu, o mais fielmente possível, o design do original. Fato é que o livro não é agradável (visualmente) de ler — falta de contraste, ausência de padronização das fontes, alinhamentos aleatórios. Creio (ou desejo crer) se tratar da intenção do autor em “renegar” os princípios de design de modo a nos conscientizar sobre eles. Talvez seja a demonstração de que abdicar do design não leva a um design neutro e que, portanto, nós não podemos nos furtar a fazer escolhas. Que sejam, portanto, escolhas estudadas, testadas e includentes.
Por um lado, a estrutura baseada em textos curtos e muitas ilustrações possibilita a leitura da obra em uma única sentada. Por outro, dá a sensação de ser um aperitivo: não sacia a fome do assunto. Abre o apetite? Não, não mais do que o que já havia de início. Mas quem resiste a um bom aperitivo?