Obrigadas a se casarem ainda meninas. Escravizadas, violentadas, por vezes assassinadas. Cobertas com o véu negro – o niqab – as mulheres do Iêmen parecem fantasmas. Contudo, pouco a pouco, com delicadeza, coragem e determinação, elas travam uma batalha corajosa por sua emancipação. Uma revolução silenciosa está em marcha para fazer valer seus direitos e sua liberdade. Aisha, Sabiha, Hamedda, Houssen e tantas outras: aqui estão algumas de suas histórias. Uma extraordinária reportagem em quadrinhos de Ugo Bertotti inspirada pelas imagens e pelas entrevistas da fotojornalista Agnes Montanari.
Ugo Bertotti was born in Trento, in 1954. He graduated at Fine Arts Academy of Brera, Milan. From Seventies he wrote and drew. His works have been translated in several countries. In 2012 he published the comic reportage “Femmes du Yémen” inside the French magazine XXI. In 2013 he published the graphic novel “Il mondo di Aisha”, Coconino Press, about the silent resistance of the women in Yemen. In 2016 his latest comic book “Vivere” was published too.
Iémen, um daqueles países que me parecem tão distantes e dos quais pouco ou nada sei. Depois de ler este livro também não fiquei muito contente com o que descobri. É mais um país onde as mulheres valem tanto ou menos do que as panelas que usam para fazer a comida. Aqui, temos as histórias de sete mulheres, umas tiveram mais sorte que outras e, mesmo num país conservador, ainda conseguem ter alguma liberdade. São relatos breves mas muito fortes, que marcam, principalmente o da primeira jovem, Sabiha.
PT Comprei esta obra unicamente por abordar um tema raramente explorado na banda desenhada — ou mesmo na nossa sociedade. Sempre que encontro livros assim, sei que vou aprender algo novo, e adoro quando a banda desenhada me ensina enquanto me entretém.
Não esperava uma obra magnífica, apenas uma leitura relevante pelo tema que trata. Enganei-me. Além de abordar um assunto profundamente importante, é uma obra excecionalmente bem executada em todos os aspetos.
Trata-se de uma leitura essencial para compreender melhor uma sociedade tão distante da nossa — as suas tradições, os seus contrastes e, sobretudo, os desafios enfrentados pelas mulheres na luta pela emancipação.
Uma leitura fantástica em todos os níveis. Recomendo vivamente.
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EN I bought this book solely because it tackles a theme that is rarely explored in comics — or even in our society as a whole. Whenever I come across works like this, I know I’ll learn something new, and I love when comics teach me while also entertaining me.
I wasn’t expecting a masterpiece, just a meaningful read because of its subject matter. I was wrong. Not only is the topic profoundly important, but the work itself is exceptionally well executed in every aspect.
It’s an essential read for anyone who wants to better understand a society so distant from our own — its traditions, its contrasts, and above all, the challenges women face in their fight for emancipation.
A fantastic read on every level. I highly recommend it.
Fiquei um pouco com o pé atrás em comprar essa hq devido ao preço salgado (40 dilmas), mas ao ler algumas páginas na livraria tive a certeza de que tinha que levá-lo pra casa. Um relato emocionante das incríveis mulheres do Iêmen, que tentam sobreviver em um mundo opressor e violento. Fiquei apaixonada. Leitura obrigatória.
Este é um livro em quadrinhos que trata sobre a vida de diversas mulheres dos Iêmen, e como elas são silenciadas socialmente. Por trás do niqab (o véu que deixa apenas os olhos descobertos), há mulheres com histórias, muitas sofridas e conscientes da sua condição. Se trata de uma obra de fotojornalismo, ou seja, todas as histórias contadas são de mulheres reais. Eu gostei do livro e o li em poucas horas, mas mais por não saber nada sobre o Iêmen do que pelo livro em si. Achei que faltou aprofundamento nas narrativas, e às vezes a história sendo contada mudava completamente, trazendo outro ponto de vista, de outra pessoa, que eu achava que tinha pulado umas páginas sem querer.
"Nas ruas, as mulheres são como manchas negras, que se movem flutuando. A partir de certa idade, seus corpos se preparam para desaparecer. E sobre aqueles véus negros parece não haver mais mulheres de carne e osso. Parecem pássaros negros, misteriosos vírgulas inabordáveis."
Já dizia Rubem Alves "Deus nos deu asas, mas as religiões inventaram gaiolas." Mulheres levando tiros e ficando paralíticas por respirar ar puro na janela, sendo espancadas porque querem sair para fazer compras, sendo esbofeteadas porque querem trabalhar, casando com desconhecidos muito mais velhos, engravidando com 13 anos ou menos, chegando aos 20 anos já com 4 filhos, humilhadas em nome de religião e da honra da família. Realmente não é fácil ler a realidade que várias mulheres vivem por esse mundo, chega parecer surreal. Mas infelizmente é bem real. A HQ só peca por ser curta demais, no final você quer saber mais sobre as personagens e o que aconteceu e acontece ainda na vida delas.
Cada capítulo traz uma história diferente que é, ao mesmo tempo, muito parecida com as outras. São histórias de mulheres reais que compartilham suas memórias com o leitor, como o casamento no início da puberdade e geralmente com homens bem mais velhos, a violência doméstica, a luta para criar os filhos ou sair do casamento ou seguir trabalhando e ter uma profissão. Elas também falam sobre a opção de usar o niqab não por conta da religião, mas como forma de proteção dos olhares masculinos, dizendo que se tornam invisíveis e, portanto, acabam ganhando mais liberdade para se mover. A mistura das ilustrações com fotos amplifica a voz dessas mulheres, tornando as histórias biográficas, lhes dando um rosto (mesmo que escondido pelo niqab). Esses relatos nos levam a questionar as diferenças -- e, mais ainda -- os pontos em comum entre culturas aparentemente tão distantes.
Dou 4 estrelas pela história contada, o que há por trás dela, mas achei a narrativa um pouco pobre e até meio confusa. Muitas vezes parece que os dados só estão senso jogados pro leitor. Talvez por se propor a ser mais documental eu tenha estranhado, mas senti falta de um pouquinho mais de dinâmica do desenvolvimento das histórias.
O quadrinho é resultado de uma investigação jornalística no Iemen. Mostra os horrores da guerra e de uma sociedade extremamente patriarcal que, em geral, as mulheres são vistas como inferiores aos homens. Apesar de ser um relato bastante honesto aparentemente, falta uma visão mais complexa da situação das mulheres nessa sociedade, afinal, quais os ganhos das mulheres que sabem se conformar àquela estrutura social? Essa questão surge no momento em que o próprio quadrinho demonstra que as próprias mulheres perseguem aquelas que não agem de acordo com o decoro social. Por que isso ocorre? Da mesma forma, o que perdem os homens, principalmente os meninos, em razão desse modelo? O objetivo do quadrinho é tratar da questão das mulheres revolucionárias, mas por não tratar dessas questões fica um ar meio "exotizante" e uma certa inocência que permeia a noção de "social justice warrior", que esses povos precisam ser salvos da ignorância pelo Iluminismo do ocidente. Ainda assim, uma leitura recomendada.
Avec cette BD je m'attendais à un récit sur le Yémen, instructif, un peu froid et vu de l'Occident. Au final ces histoires de femmes sont bien plus sensibles. On les découvre dans leur intimité, racontée de leur point de vue. Il y est question de voile, beaucoup, de choix, de société traditionnelle, d'études... Le Monde d'Aïcha a la bonne idée de multiplier ces regards sur ce pays. C'est assez captivant de lire ces parcours de vie, qui raconte le Yémen, ses traditions, et surtout comment ces femmes se placent dans une société où elles n'existent pas ou très peu. On a d'un côté le dessin assez dur de Bertotti, son découpage et sa narration plutôt fluide, et de l'autre la matière première, les récits de voyage et les quelques photos d'Agnès Montanari qui sont plein d'une certaine complicité, une complicité de femme à femme, qui donne sûrement sa finesse à l'histoire. Et ça fonctionne très bien. Intéressant et bien mené.
Il tratto denso ed espressivo di Ugo Bertotti mostra, in una sorta di piccola "mille e una notte delle donne yemenite", una realtà allucinante e molto vicina alla schiavitù, aggravata dalla volontarietà delle stesse protagoniste, assuefatte a uno schema sociale che vede nell'uomo l'unico avente diritto a libertà e nella donna un animale da bambini, venduto a 10 anni, obbligato a procreare da 13 anni e legato a una figura maschile per sopravvivere. Le foto che inframmezzano questo reportage a fumetti ben si legano ai disegni in bianco e nero, le storie riescono ad avvincere e stupire e riflettere. Un volume da leggere.
Nenhum soldado de Esparta, nenhum seguidor do estoicismo, nenhum homem na história da humanidade vai conseguir ser tão forte quanto as mulheres do Oriente Médio. Seu sofrimento em silêncio e sua capacidade de continuar apesar da total ausência de esperança são um exemplo de como cada muher deve encarar a vida. Nada é fácil, afinal "it's a man's world". As histórias de Aisha inspiram todas as melhores a ativarem sua "toughness" e encontrarem dentro de si a força que preciamos para viver em um mundo onde não há espaço para nós. Brilhante obra!
Ugo Bertotti adaptou o foto documentário de Agnes Montanari para mostrar a história dessas mulheres que veem o mundo por detrás do niqab - véu que cobre o rosto e só revela os olhos. Dependendo da região, o niqab pode ser fard (obrigatório) ou sunnah (recomendado), mas a maioria das mulheres iemenitas evita sair de casa sem ele.
Reportagem em quadrinhos de Ugo Bertotti, inspirada pelas imagens e pelas entrevistas da fotojornalista Agnes Montanari. Por mais que você já tenha ouvido falar do Iêmen nos meios de comunicação, país esse situado no Oriente Médio e que vive uma grande guerra civil, ler essa HQ é se transportar para um universo completamente diferente, apesar do progresso, do desenvolvimento da civilização, olhar para esse país é como regredir a uma era primitiva, onde sua população se estagnou no tempo e espaço, onde crianças e mulheres são tratadas de forma desumana, privadas de seus direitos básicos. Ser mulher no Iêmen é viver numa eterna prisão. Desde cedo, meninas são condicionadas a servidão, na maioria das casas são obrigadas a casarem cedo, logo, terão de aprender a serem mães. Esse é o destino "inelutável" de várias meninas que vindas de famílias pobres são vendidas: Trabalhar e fazer filhos serão obrigações. Tratadas como meros objetos de decoração: "Sabiha pertence a esta casa como os móveis, os tapetes, as panelas e todo o resto". Dificilmente uma menina terá acesso à educação, e com o amadurecimento de seu corpo o Hijab é uma obrigação. As mulheres são "aconselhadas" a usarem o Niqab - véu negro que cobre todo o corpo - e as mulheres que optam por não usarem, não serão bem vistas pela sociedade, sendo até rechaçadas por outras mulheres. Pela lei tribal, o marido tem o direito de repudiar a esposa quando quiser, sendo que algumas famílias acabam por não a aceitá-las de volta, viúvas, divorciadas são marginalizadas. Existem lares para mulheres, sendo alguns estabelecimentos anônimos, apesar de serem legais "mas é melhor não dá na vista, para não provocar os fundamentalistas", é crime uma mulher morar sozinha, punível com prisão. Existem várias histórias tristes de mulheres, que sofrem violência todos os dias. Outro fato assustador, que não é citada na HQ, mas que se ouve falar, são as chamadas: mutilação genital feminina, concentrada principalmente na África e no Oriente Médio, um procedimento trágico na vida de uma mulher. São casos e casos, infelizmente a violência contra a mulher é um problema mundial. Apesar dos direitos já conquistados, as mulheres ainda lutam pela igualdade de direitos, para ser respeitada e não abusadas, ainda a um longo caminho a ser trilhado. "Existe apenas uma verdade universal, aplicável a todos os países, culturas e comunidades: a violência contra as mulheres nunca é aceitável, nunca é perdoável, nunca é tolerável." (Secretário Geral da ONU- Ban Ki Moon)
"Aisha's world" by Ugo Bertotti is inspired by the work of photojournalist Agnes Montanari who was in Yemen in 2000 while accompanying her husband on a Red Cross mission, and on the occasion photographed and interviewed different Yemeni women.
Before reading this GN, my first literary contact with Yemen was through the epistolary novel "The Salmon Fishing in Yemen" by the English Paul Torday (we have a review). But unlike Torday, and with all the information provided by Agnes, Bertotti will delve into the country's culture and focus on women and their daily struggle using the sensitivity of the Graphic Novel's language.
Yemen is on the Arabian Peninsula, Osama bin Laden's father (founder of Al Qaeda) was born in Yemen, the country's GDP is one of the smallest in the world, there are two AK-47s per inhabitant, weapons are part of the Yemenis' daily life, in addition a girl may be forced to marry at age 11 and few have access to health care and education.
Bertotti presents in his HQ three stories about real women from Yemen, the first story is shocking... and with the unfolding of the other stories we understand the silent revolution of the title. The author addresses the use of the niqab, the black veil that only shows the eyes. This veil is used in Arab countries, but it can also be found in other nations with a Muslim religious tradition. And what is interesting about the debate raised by the author is not the use of the veil, but the imposition of its use. Other problems are addressed in the story and we realize that little has changed since the book's publication.
While the eyes of the world are on the war in Ukraine, Yemen is experiencing one of the most violent periods since 2014, when the country's civil war began. According to the 2021 Global Gender Gap report, Yemen ranks second to last on the list of 156 nations, Afghanistan is the first. The ranking is annual and for over a decade Yemen has been in the bottom positions.
We don't have much to be proud of with regard to violence against women. In Brazil, every 10 minutes a woman is raped and a femicide takes place every 7 hours, we are in the 93rd position of the GAP 2021 ranking.
Le Yémen est connu pour sa pauvreté, ses guerres et parfois aussi pour sa pratique dure de la religion. Cette bande dessinée nous offre une porte d’entrée unique à travers le destin de différentes femmes au Yémen.
En 2012, Agnès Montanari part en photo-reportage au Yémen et rencontre Aïcha, une yéménite d’apparence comme les autres femmes, voilée de la tête au pied, et avec qui elle se lie soudainement d’amitié. Aïcha lui fait par la suite rencontrer d’autres femmes qui lui conteront leurs vies, leurs aspirations ainsi que les difficultés d’être une femme au Yémen, hier et aujourd’hui. De cela en découle une série de photos et de portraits (voilés) que l’on peut partiellement retrouver à la fin de l’ouvrage. Ugo Bertotti utilise l’ensemble de ces témoignages visuels et textuels pour nous raconter ces histoires de femme.
J’ai vraiment beaucoup aimé cet ouvrage tant il est intéressant d’un point de vue historique et journalistique. C’est comme regarder une vidéo Youtube Arte mais en BD. L’histoire de Sabiha au début m’a également touché car elle est le symbole de l’absurdité des traditions, de l’oppression que peut représenter les questions d’honneur et de l’injustice qui repose derrière ce système patriarcale. Cette BD m’a beaucoup pensé au travail de Troubs avec sa BD sur le Turkménistan, à la fois dans le style, la narration, et les enchainements entre une certaine beauté de la vie qui finit toujours par être remis à sa place par un système rigide.
Le monde d’Aïcha date de 2013. Soit une éternité dans l’histoire récente du Yémen dans laquelle, suite à la chute du président en 2012, le processus démocratique a échoué et s’en est suit une guerre meurtrière depuis 2014 avec de large mouvements de population, des famines, et de nombreuses pandémies ou autres malheurs. Nul doute que les faibles espoirs sur lesquels s’entrouvait la BD ont malheureusement été mis à mal par le contexte qui a suivi.
Je recommande fortement cette première oeuvre de Bertotti qui ouvre les portes d’un pays méconnu et d’une culture à l’accès compliqué.
Assim como em "Habibi" de Craig Thompson, vemos novamente (sob um ponto de vista ocidental) como a cultura dita como tribal no oriente médio torna a vida das mulheres bastante complicada. A diferença em relação a obra do Thompson é que a obra de Ugo Bertotri aborda experiências reais e tem um teor mais jornalístico, semelhante a "Reportagens" de Joe Sacco. A graphic novel conta com fotografias em meio aos quadrinhos, essas tiradas por Agnes Montanari, o que acaba se tornando um diferencial e contribuindo nas representações abordadas, fazendo com que a leitura fique mais fluida. Algumas mulheres do Iêmen, em especial a Aisha expõem as dificuldades que sofrem na região, como o preconceito por trabalhar em meio aos homens, a violência doméstica, os casamentos arranjados, etc. Cabe destaque um pequeno trecho, onde uma das entrevistadas fala sobre como a mesma enxerga a cultura do Niqab (véu negro), para ela essa pauta é secundária, uma vez que, segundo a entrevistada, as mulheres do Iêmen se importam mais com o acesso à educação, ao emprego e à política (ambientes muitas vezes com total predominância de homens), e que vê essa questão do véu como meramente estética, e que só a partir do momento em que as mulheres ocupassem os espaços de poder isso teria chances de ser melhor discutido, e que para chegar ao poder era necessário "aceitar" o niqab. Embora essa questão crie muitas interpretações, principalmente no que tange os direitos humanos, é preciso relativizar e ser menos etnocêntrico. "A vida de Aisha", em muitos momentos fugiu dos velhos preconceitos e estereótipos e ouviu o outro lado, um lado que, embora sofra muito com a cultura patriarcal gritante dentro de umas vertentes do islã, ainda busca perseverar.
Metti un autore di fumetti nato a Trento e che vive in Romagna (Ugo Bertotti); metti una fotoreporter che finisce in Yemen per raggiungere il marito che lavora per il Comitato Internazionale della Croce Rossa (Agnes Montanari). E hai questo bel libro che ho divorato in poco tempo. Non l'ho trovato il classico libro di denuncia di lesione dei diritti umani, in particolare di quelli delle donne. Ho avuto per le mani un testo che descrive storie e realtà certamente molto lontane e diverse dalla nostra. E a testimoniare il dato di realtà ci sono anche le foto che fanno capolino tra le vignette (e che chi vuole trova anche qui http://agnesmontanari.photoshelter.com). Emergono i punti di vista diversi. Scrive, nelle ultime pagine Agnes Montanari: “Camminando per le stradine della città vecchia di Sana'a si ha l'impressione di incrociare degli uccelli misteriosi, delle ombre nere, che solo la taglia permette di distinguere. E poiché queste donne non mostrano il viso, elemento essenziale di conoscenza e riconoscimento nelle nostre società occidentali, si conclude rapidamente che esse non esistano”. Poche righe sotto Aisha afferma: “Qui gli uomini non sono abituati a vedere le donne con il viso scoperto e noi ci sentiamo a disagio. Questo non ha niente a che vedere con la religione” Conclude la Montanari: “Alla fine del mio soggiorno, il velo per me non esisteva più. Benché coprisse sempre il loro viso, era diventato trasparente. Io sapevo che dietro di esso si celava una donna fatta di carne, di intelligenza e di emozioni.”
Indicação Semanal = “O Mundo de Aisha: A revolução Silenciosa das Mulheres no Iêmen 🖋 PUBLICAÇÃO DE = Ugo Bertotti 📃 PÁGINAS = 148 Avaliação: 5.0 ⭐
Sob o véu negro do niqab e cercadas pelo hijab, as mulheres do Iêmen são omissas das posições de poderio ou influência, como vivências basilares de suas próprias sociedades, possuindo algum enfoque quando se elenca a recorrências de uniões estáveis informais e formais na plena infância, casos de escravização e violência, sucedidas de feminicídios. A obra concede luz para cada uma dessas condições, compondo experiências femininas na localidade, direcionando reflexões sobre as ausências do exercício da dignidade humana.
Ao mesmo tempo que este livro é ótimo, ele é revoltante. Com ilustrações incríveis, contém alguns registros fotográficos ao longo da história. É uma graphic novel no formato de uma espécie de documentário. As histórias das mulheres do Iêmen retratadas neste livro são incríveis. Algumas, entretanto, não tem a mesma "sorte" que outras. "Sorte" entre aspas, pois mesmo estas sofrem nesta sociedade conservadora em que as mulheres devem no mínimo usar o niqab (véu negro) para serem um pouco respeitadas. Recomendo fortemente a leitura.
Un roman documentaire graphique agrémenté de photos composé de plusieurs histoires de femmes. Il débute avec un histoire tragique qui a mon sens, est le point faible de ce petit ouvrage. Cette histoire bien sombre n'a rien de novateur et joue, au contraire, sur les représentations autour du niqab.
Les autres histoires, qui comportent plus de photos, qui sortent de l'ordinaire, qui contiennent des anecdotes / éclaircissements intéressant.e.s sur la politique au Yemen et sur la langue arabe, ont bien plus d'épaisseur.
Muito boa a sensação ilusional de que somos completamente livres por não estarmos escondidas atrás de véus quando a verdade é que opressão conta a mulher é algo universal.
Podemos buscar nos diferenciar das outras culturas para não encarar essa realidade dura, mas os casamentos forçados, as diversas violências, e o fundamentalismo religioso que aparece para justificar as perversidades são coisas que batem na nossa porta há tempos.
Ainda assim, a luta prevalece. Força é substantivo feminino, e é através de histórias assim que entendemos o porquê.
Hq muito boa contando um pouco da história de mulheres reais do Iêmen que agradará bastante até aqueles não habituados com quadrinhos. As histórias são bem rápidas e bastante interessantes, os leitores ocidentais não habituado com estas "tradições " vai se impressionar. Nem todas as histórias são tristes mas sempre envolvem a luta contra o preconceito e a tentativa de vencer a submissão.
Sem a densidade das obras de Joe Sacco, mas com uma temática potente, que poderia ser mais detalhada. A luta diária de mulheres e sua invisibilidade, perante a sociedade que privilegia homens. Claro que há uma lente ocidental, tanto nas fotografias, e também na minha interpretação, porém é indiscutível a repressão nos relatos.
“Caminhando pelas ruazinhas estreitas da cidade velha de Sanaa tem-se a impressão de cruzar pássaros misteriosos, sombras negras, que só se distinguem pelo talhe. E como essas mulheres não mostram o rosto, elemento essencial para o conhecimento e o reconhecimento em nossas sociedades ocidentais, logo se conclui que elas não existem”
Ugo Bertotti cria essa reportagem em quadrinhos inspirada pelas imagens e entrevistas da fotojornalista Agnes Montanari. O resultado é uma poderosa narrativa da vida de diferentes mulheres inseridas numa cultura que tenta apagar suas individualidades. Complexo, geracional, o tema é amplo, e a obra é um convite a se olhar culturas partindo de seus indivíduos, no caso, especificamente, mulheres.
É incrível como uma graphic novel pode te mostrar um mundo totalmente diferente do seu e te fazer refletir sobre a sua própria realidade por uma nova e conflituosa perspectiva, e "O mundo de Aisha" é arrebatador nesse sentido. Caramba...