Gonçalo, Teresa, Duarte, Pedro, Isabel e Inês pertencem a uma geração que vive a dramática ruptura com a herança ideológica pesada, onde um catolicismo tradicionalista arbitra as regras da existência. Estes protagonistas, embora com as mais diversas filosofias de vida, estão todos eles marcados por uma sociedade bem portuguesa e todos eles, na fragilidade das suas vidas, da sua solidão, se encontram estreitamente ligados às suas existências. Se «Os Nós e os Laços» é um romance de conflito de valores com o passado ainda presente, é também exploração de novos percursos que se entreabrem à experiência de cada um dos personagens: é a descoberta do corpo como lugar privilegiado de comunicação, são os jogos de existência em que bem e mal permutam constantemente de posição, e é sobretudo esse discreto mas instaurador movimento de pensar o mundo feminino.
António Alçada Baptista nasceu em 1927 na Covilhã e faleceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 2008. Licenciado em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição. Em 1971 publica o seu primeiro livro de reflexões Peregrinação Interior; Peregrinação Interior II, publicada em 1982. Seguiram-se entretanto as obras O Tempo Nas Palavras; Conversas Com Marcello Caetano e Os Nós e os Laços. Catarina ou o Sabor da Maçã; Tia Suzana, Meu Amor e O Riso de Deus. A Pesca à Linha - Algumas Memórias, um livro que se assume como uma obra de memórias, recordações, lucidez e ironia, e à qual não é alheio o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita deste autor. Como cronista e defensor da liberdade Alçada Baptista publicou em Outubro de 2002 Um Olhar à Nossa Volta, o testemunho de uma vivência colectiva registada na década de 70 e 80 marcada por inquietações político-sociais. Mais recentemente A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações.
Muito surpreendido pela riqueza na descrição do fundo sociológico das personagens e de todo o ambiente ao longo do livro. As discussões entre as diferentes personagens sugeriram-me um conflito interno no autor. Ser capaz de discutir consigo próprio usando as personagens com pontos de vista diferentes foi surpreendente para mim, numa altura em que toda a gente está absolutamente convicta da sua opinião e são incapaz de se debater face a outras opiniões.
Um livro que prima pela riqueza e profundidade do diálogo entre os personagens, convidado o leitor a uma reflexão profunda sobre os temas debatidos. Dei por mim fascinada com a complexidade de alguns argumentos apresentados pelos personagens em simples conversas entre amigos. Em alguns casos, apesar de não concordar com as opiniões expressas, a forma como esses argumentos eram explicados fez com que percebesse melhor esses pontos de vista diferentes dos meus e eliminasse alguns preconceitos.