Laura Alarcão regressa à vila onde nasceu e cresceu para assistir ao funeral da mãe com quem não se relacionava há treze anos. Regressa a uma família devastada, ao escrutínio dos vizinhos que enfrentam os seus próprios fantasmas, a uma verdade dolorosa que a afastou da família durante anos: sente-se culpada pela morte da irmã mais nova que tragicamente caiu a um poço quando eram crianças.
Após anos de afastamento, e à medida que novas revelações contrariam tudo aquilo em que Laura sempre acreditou, relações familiares são postas à prova, numa jornada emocional e sombria onde a busca por respostas deixará um rasto de sacrifício.
Numa saga familiar profunda e comovente, Susana Amaro Velho convida o leitor a refletir sobre redenção e aceitação, sobre a vida enquanto coleção de eventos e consequências emocionais que se desdobram.
Descansos evoca a beleza dos laços que nos unem mesmo quando as maiores tragédias são capazes de nos devastar.
Susana Amaro Velho é licenciada em Jornalismo e Solicitadoria. A leitura e a escrita são as suas grandes paixões e a sua vida mudou quando decidiu escrever para ser lida e não apenas para si. Afinal, foi John Lennon quem disse: «Um sonho que sonhes sozinho é apenas um sonho. Um sonho que sonhes em conjunto com outros é realidade.»
É viciada em salame de chocolate, não passa sem café e odeia azeitonas. Nunca sai de casa sem um livro na mala e tem um caderno na mesa de cabeceira.
Vive em Mafra com o marido e os três filhos.
Tem quatro livros publicados e um quinto em co-autoria.
Sou suspeita porque acompanhei o processo de escrita deste livro e passei muitas horas a conversar com a Susana sobre as histórias e as conexões entre as personagens, mas é difícil escrever uma opinião que vos incentive a ler – a vocês leitores, que virão aqui ao Goodreads em busca de um motivo que vos leve a comprar – aquele que provavelmente será um dos melhores livros de autora portuguesa publicado este ano. Descansos é um livro sobre a vida, sobre os passos aleatórios que damos todos os dias e que nos levam ao nosso destino, sobre as escolhas que fazemos para sobreviver, sobre as dores que carregamos e nos pesam e nos esmagam, sobre as relações que nos salvam, sobre amizade, sobre família, sobre perda, sobre fé, sobre amor, sobre seres humanos como eu e vocês. No meio de todo o barulho que existe à nossa volta, Descansos vai impactar-vos, vai fazer-vos refletir na vida e saberão que é um bom livro quando perceberem que o irão voltar a ler. 10/5!
Que imensidão de livro terminei? Um calhamaço com mais de 400 páginas. mas que as mesmas se lêem com uma leveza em certos momentos e com uma voracidade noutros, para não perder pitada do que está a acontecer nesta vila.
é um livro triste. ponto final. é drama. é um novelo quase impossível de desfazer, de relações familiares cortadas, aniquiladas, segredos e um mistério que prende até à última página. é pensar que tudo poderia ser diferente, se… é pensar que atitudes que temos no presente, que achamos que em nada irá afetar outras pessoas que não tenham nada a ver connosco, podem fazer toda a diferença lá na frente.
mas foi muito perto do fim, numa conversa maravilhosa entre Laura e uma amiga sua Nica, mexicana, que me rendi completamente a este livro e ao seu título. deixou-me em lágrimas e ressoou tanto comigo, que nem consigo, nem posso explicar, porque não quero estragar nada do que este livro tem para dar a quem pegar nele.
Laura é a nossa protagonista, vem de uma família abastada da vila, mas é rebelde, incompreendida, tem mais 2 irmãs, Miranda a do meio, e Juca a mais pequenina, que nunca cresceu. numa brincadeira subiu a um poço e a sua morte abalará e mudará o curso de muitas vidas.
algo que ao início me "assustou" foi o índice de personagens e pensar para comigo: será que vou conseguir acompanhar todas? brilhantemente, a escrita da Susana apresenta cada personagem, que com os seus pontos de vista enriquecem esta trama, comentando tanto sobre Laura e a sua família, como das suas próprias vidas.
encheu-me e deu-me tanto que no final, foi um vazio que se instalou, foi um coração partido que ficou, mas aplaudo e respeito imenso este final com uma homenagem a uma tragédia vivida no nosso país, que arrepia.
este livro, para mim, consolida Susana Amaro Velho como uma autora que tenho a certeza se ouvirá falar muito, ficará nos nossos registos, assim espero. ♥️
Que livro incrível . Cheio de personagens ricas e tão portuguesa . A Susana está de parabéns ! Adorei os outros dois livros dela, mas este está noutro nível. Nota-se uma clara evolução da escritora. Can’t wait para os próximos livros da Susana!
Esta leitura tem algo de novelesco, mas absorveu-me completamente, impregnou-se em mim como este calor demoníaco e, passados estes dias, ainda surge no meu pensamento. Por todas estas razões e porque me apaixonei pela forma como está escrita, por e para onde nos leva a trama e pelo seu final deveras aflitivo, vi-me "obrigada" a dar-lhe a pontuação máxima, que é bem merecida!
"Porque descansos também podem simbolizar um ponto de viragem na vida de alguém. Alguma coisa que termina e outra que começa."
Uau, uau, uau! Não sei se acabei este livro ou se foi o livro que acabou comigo, mas de uma coisa não tenho dúvidas, este é um dos livros favoritos do ano para mim.
Acho que não tenho as palavras certas para caracterizar este livro e vos passar a dimensão do que li, mas este livro tão peculiar, tão português nas suas personagens, paisagens e expressões é um murro no estômago, um livro que aborda temas tão duros mas que se lê num sopro, um livro grande mas que se lê com leveza, que se lê com calma como se tivessemos a apreciar uma viagem, a viagem da vida que não é nossa mas poderia tão facilmente ser.
É um livro sobre amizade, amor, luto, perda, resiliência, esperança, um livro que nos mostra que a vida pode ter tanta coisa boa para quem não deixa de a apreciar, que nos mostra que tantas vezes nos perdemos nos pormenores que pouco interessam, que tantas vezes nos focamos no que está mal, no que nos correu mal, no que nos fizeram, e esqueçemos que a vida é aquilo que fazemos dela no presente e não no passado ou no futuro.
Eu sabia o que me esperava no final do livro, a autora prepara-nos para isso mas no final senti que um bocado de mim se perdeu e ali ficou, que o meu coração se apertou tanto que foi impossível não soltar umas lágrimas.
A Susana prova mais uma vez que escreve como ninguém, que nos faz sentir tantas emoções e que por isso é, sem dúvida, a minha escritora nacional favorita.
Que nunca deixes de transformar em magia as tuas histórias, nem sempre bonitas mas sempre reais.
Esta história desenrola-se quando Laura Alarcão vê-se obrigada a voltar a casa na aldeia para o funeral da mãe. Desprovida de algum sentimento e sem manter contacto com a mãe há muito tempo sente-se na obrigação de vir ajudar o pai e a irmã e calar as bocas de muitas bilhardeiras da aldeia. Ficamos a conhecer Laura de outra forma, o porquê de não falar com a sua mãe Ivone, o porquê da sua irma Juca ter caído ao poço e os segredos envoltos nessa morte. Miranda, sua irmã do meio que acompanhou sempre os seus pais e nunca provocou-lhe nenhum desgosto e agora está grávida e esconde um terrível segredo que terá de ser desvendado para sentir paz . E ao longo da história vamos conhecendo inúmeras personagens que depois interligam-se entre elas. E no fim temos uma grande lição de vida sobre a aceitação da vida tal como ela é.... Umas vezes justa e tantas outras nem por isso. Os pontos menos positivos foi o envolvimento de Fred e Laura poderia ter sido um pouco mais trabalhado. E o final deu-me tantos flashs de um acontecimento terrível e trágico que aconteceu em Portugal a uns anos atrás, mas sinceramente não era o final que idealizei na minha cabeça. Também neste livro já vemos bem o desenvolvimento da escrita desta autora desde o seu primeiro livro lido. Caracterizou tão bem as aldeias portuguesas de uma forma natural e assertiva. Esperamos que venham muitos mais livros.
Excerto preferido: "— Porque descansos também podem simbolizar um ponto de viragem na vida de alguém. Alguma coisa que termina e outra que começa. As mulheres, antes dos vinte anos, já morreram centenas de vezes. Podes criar um mapa dos descansos da tua vida."
✒️ " A dor transformava o mundo numa coisa pequena. "
🌸 Descansos o título mais apropriado para esta história sem dúvida ! Esta capa é das mais bonitas que habitam a minha biblioteca pessoal.
Numa escrita magistral e ritmada, encontramos nas palavras da Susana uma história pautada por emoções humanas e sensibilidade. Um Romance surpreendente e que tem dentro de si histórias encadeadas umas nas outras, um saga familiar carregada de personagens inesquecíveis. Não é livro para se falar muito, pois é necessário entrar na história e saber pouco, a acção acontece numa pequena vila que por acaso conheço muito bem e achei as descrições muito interessantes. O interior do pais e as gentes muito bem retratados. 🙋♀️ Temos uma protagonista a Laura que regressa a esta localidade alguns anos depois, será que está capaz de encarar a verdade?🌸 Posso adiantar que os lugares pequenos são muito bons no bom mas horríveis no mal,entre mexericos e cusquices,este livro parece uma história real. E as pessoas que parecem mesmo daquele lugar😅
É um livro sobre tragédia, dores, resiliência e até n a própria cura e ao perdão. Num exercício de reflexão não conseguimos desligar da história e da tragédia que a inicia. Uma obra cheia de simbolismo, A Susana tem uma voz contemporânea que nos delícia.
O final foi😱, qualquer coisa de uauuu. A autora está de parabéns, eu gostei imenso de conhecer a sua escrita e ter sido com esta obra. Tem frases fabulosas✒️ Agradeço a todas as pessoas que se juntaram à leitura do " Vem ler comigo no Livros à Lareira com chá ".
Um livro sobre uma mulher jovem e a sua família e os seus amigos. Um livro sobre o regresso de uma mulher à terra onde viveu, onde foi feliz e infeliz, onde fez o bem e o mal, onde acatou e onde se rebelou, onde quis mais e não conseguiu. Um livro sobre decisões, previsíveis e imprevisíveis, relações, conflitos, reencontros. Um livro sobre tomadas de decisões e o impacto que podem ter na própria vida e na dos outros. Um livro sobre amor, tomadas de consciência, ansiedade, verdades, aproximações e afastamentos. Sobre dor e amor, sobre inícios e fins, sobre aceitar e não mudar, sobre verdades.
Que livro maravilhoso! ❤️ Uma escrita bonita, como Susana Amaro Velho nos habituou, mas uma história densa, crua e dura. Um livro que me fez pensar na minha família em alguns momentos porque revi relações. Um livro que me fez pensar na falta de empatia (e em alguma crueldade) de algumas personagens, preocupadas com as aparências ou por não quererem lidar com ações que tiveram. Mas este livro levou-me às lágrimas por a sua história ocorrer durante um acontecimento horrível neste país num passado ainda recente. E não me foi indiferente quando aconteceu nem durante esta leitura... E foi doloroso pensar novamente nele e no que as pessoas viveram e na experiência traumática vivida por uma colega de trabalho. E o final do livro é uma homenagem linda...
Li este livro a primeira vez em Outubro do ano passado e não me convenceu. Pousei-o na estante, juntamente com todos os outros em espera, para voltar a ele mais tarde. Achei que podia não ter sido o livro certo para mim naquele momento sendo que, na altura, nem o consegui terminar. Agora que acabei de o ler pela segunda vez, confirmo tudo o que senti anteriormente. Adoro a escrita da Susana, mas este livro não foi definitivamente para mim.
“Descansos” conta-nos a história de Laura, que volta à sua terra natal, 13 anos depois de a ter abandonado, para o funeral da mãe, Ivone, com quem deixou de ter relação. Ao voltar, vê-se obrigada a lidar com uma realidade e um sítio que há muito deixara.
Até aqui, tudo bem, é um drama familiar, muito ao estilo daquilo a que a Susana nos tem habituado. A escrita é exímia, nota-se uma desenvoltura totalmente diferente relativamente aos livros anteriores. As personagens são todas muito ricas, cheias de camadas e estão construídas de forma perfeita. O encadeamento da história está muito bem feito. As vidas na aldeia misturam-se na perfeição entre capítulos e não há pontas soltas ou coisas menos bem explicadas.
No entanto, tive muita dificuldade em entrar na história. A ação é demasiado lenta e tem um fim muito apressado. Falta-lhe ritmo, o que faz com que nem seja sempre fácil continuar a ler.
O meu outro problema foi a escrita. Apesar de ser incrível, tinha frases demasiado longas, complexas, com um excesso de detalhe que, muitas vezes, me fez perder o fio à meada (e obrigou a ler a mesma frase algumas vezes).
O final, para mim, foi previsível. Ou melhor, pouco surpreendente. Acredito mesmo que esta história não foi para mim. Ainda assim, continuarei à espera de novos trabalhos da Susana. Estou sempre pronto para a ler.
Terminei este livro sem palavras para o avaliar. De tão perfeito, tão inteligente, tão brilhante na estrutura, na escrita, na narrativa, nas camadas e camadas e camadas que vai apresentando, fiquei completamente rendida à história, às metáforas, ao inevitável processo de reflexão pessoal, à comunidade protagonista deste livro.
Foi um enorme leque de emoções, ora vagarosas e graves, ora céleres e vertiginosas, a sentir-me a aproximar da beira do precipício.
Já tinha lido o Bairro das Cruzes e decidi iniciar este a conhecer o mínimo da história e o facto que tinha uma lista de personagens. Não sabia mais nada, não sabia ao que ia e ainda bem que assim foi. Recomendo sem reservas.
Laura é uma mulher mal resolvida com o seu passado. A morte precoce e violenta da sua irmã mais nova, a relação conturbada com a sua mãe e um episódio na juventude que alterou todo o curso da sua vida deixaram cicatrizes que teimam em não sarar e uma culpa que a distância não atenua. São estes os múltiplos “descansos” que foi contando ao longo da sua vida e que, por tantas vezes, a obrigaram a renascer e a reinventar-se. Depois de 13 anos afastada da vila que a viu crescer, regressa para o funeral da sua mãe, Ivone, não pela consideração ou afeto que lhe tinha, mas pelos laços que ainda a unem a Alberto e a Miranda, o pai e a irmã que lhe restou. Voltar a entrar na quinta Alarcão e percorrer as ruas de uma vila pequena onde a sua reputação ficou manchada significa reviver dias amargos e ressuscitar ressentimentos antigos. Mas, para seguir em frente, é preciso fazer as pazes com o passado, compreender que nem tudo é o que parece e que cada um carrega os seus "descansos" também. Capítulo após capítulo, a autora vai apresentando cada uma das figuras mais icónicas da vila, deixando pequenos detalhes que, no final, encaixam na perfeição. Afinal, numa comunidade, para o bem e para o mal, estamos todos ligados. A Lena Florista, o Antunes do café, o Zé dos Caixões, a Ofélia, o Fred, a Luz, o Tito Maluco e as irmãs Glória e Diana são algumas das personagens que nos farão sofrer de angústia nos capítulos finais desta história. É que os quatro dias em que decorre esta narrativa correspondem ao fatídico fim-de-semana prolongado de junho de 2017 que todos lembramos pelos piores motivos. Quem terá ficado para contar a história? Mais uma vez, a Susana superou-se e deixou a alma nestas páginas. A escrita aprimorada, o cuidado em cada palavra, a construção de cada uma destas personagens revelam uma história que foi escrita com tempo e que deve, igualmente, ser lida com vagar. Não há forma de consolar a dor de uma tragédia como a de Pedrógão Grande. Mas se há palavras que curam, elas estão aqui dentro.
Ao falar sobre este livro é difícil estar à altura do que ele nos transmite, mas eu vou tentar.
Este foi o terceiro livro que li da autora e, se já estava rendido, agora nem sei o que vos diga. Era a pessoa que poderia escrever a lista de supermercado e eu ia ler! Desta vez uma escrita mais literária. Isto é a Susana.
📌 Nunca saíra de casa da mãe. Ouvia-a bater os tapetes no quarto ao lado, sacudir o pano do pó com a frescura de uma vida que só disso se ocupava. Marília via apenas de um olho; o outro, baço e branco como um berlinde opaco, só servia de enfeite, já que não via nada. O olho morto era o centro de uma de flor, uma mancha cor de beringela que lhe pintava metade de um rosto que poderia ter sido bonito, não fosse uma máscara de carnaval permanente. Ficara cega quando, em miúda, deitara a mão a um púcaro de água que fervia em cima do fogão. O chá de camomila não chegara a ser feito, não acalmou ninguém, mas pô-la a dormir três semanas nos Cuidados Intensivos.
Conseguem perceber com este excerto a melodia e intensidade da escrita? Acredito que possa não ser um livro para todas as pessoas pois não deve ser lido à pressa! É uma teia de histórias, é um drama familiar com vários intervenientes e perspectivas. Tem como centro a Laura. ‘Obrigada’ a regressar à vila (de onde fugiu há vários anos) devido à morte da mãe, Laura vê-se …
Gostei de tudo neste livro. Da capa, da escrita, da história, do sítio que serviu de inspiração, , das personagens … dos descansos! Sem dúvida um/o favorito do ano.
Espero que tenham a curiosidade e a possibilidade de o ler e apreciar. Acredito que seja um livro que vai despertar sentimentos diferentes em cada um de vocês. Acredito ainda que possam ler e reler sentindo coisas diferentes em casa passagem.
Fiquei com a sensação que a autora tem potencial, mas não me parece que esta história precisasse de mais de 400 páginas para ser contada. O leque de personagens é vasto, umas mais interessantes que outras (em especial algumas secundárias), mas na principal (Laura) pareceu-me que a autora se esforça em demasia para a tornar cativante - a sua caracterização psicológica talvez não precisasse de tanta descrição e detalhe e fosse mais eficaz fazê-lo através de ações. Há características da personagem ou factos da sua vida que nunca parecem convincentes ou sequer ter muita importância para ela ou para ao enredo. Quanto à história propriamente dita, começa de uma forma intensa e o seu desenrolar promete deselances e revelações surpreendentes, e eles acabam por aparecer mas pessoalmente não tiveram muito impacto. O final pareceu-me apressado e demasiado dramático. Foi uma leitura ok, mas não sei se foi suficiente para me fazer ter vontade de ler outro da autora...
1) Qualquer música do Pedro Sampaio tem uma parte em que alguém grita: PEDRO SAMPAIO!
2) Qualquer pessoa que entra num reality é frontal;
3) Qualquer livro da Susana tem aposto selo nacional de qualidade ímpar.
4) Qualquer cálculo aritmético feito por mim é provido de alta imprecisão.
A Susana é exemplo de perseverança e obstinação em busca da perfeição – tendo privado desde tenra idade com um dos maiores colossos da comunicação, o que fez com que nunca desanimasse nem desistisse dos seus objetivos, nunca baixando os braços (literalmente!), pois manteve sempre o seu braço direito num quase perfeito angulo de 90ª graus de forma a colocar em caderno todo o aprendizado, otimizando, assim, todos os momentos passados comigo - apesar de todo o tempo ser exíguo face ao vasto conhecimento que possuo, não obstante a minha alargada capacidade de transmitir conhecimento – a Susana escreveu, escreveu, escreveu e conseguiu lançar quatro obras absolutamente sublimes e imperdíveis (mais uma em coautoria que ainda não li, motivo pelo qual desde já me penitencio).
Se a Susana trabalhasse no Cirque du Soleil era uma exímia malabarista de palavras.
Todos os livros da Susana são especiais, aliás, continuo a guardar um espaço muito, muito especial no meu coração para o seu primeiro livro “A última linha destas mãos”. Ai!, e este “Descansos”? Deixou-me tudo menos descansada – deixou-me desamparada, emocionalmente exposta, desarmada, cega de raiva.
Também ri, e muito.
O livro tem um ritmo em crescendo, equilibrado, de forma a dar-nos tempo para criarmos empatia com as personagens, num enredo muito bem construído e credível através de uma criatividade estruturada, num emaranhado de histórias de vida singulares, que ora se entreolham ora se enovelam, e com aquela portugalidade típica das localidades mais pequenas que a autora tão gosta de invocar (e que lhe corre com orgulho nas veias!), fazendo constantes jogos de palavras - ainda mais lustrosos no final de cada capítulo a fim de aguçar o apetite para o próximo.
Numa narrativa sobre dramas familiares corre-se muitas vezes o risco dos capítulos se tornarem monótonos e enfadonhos. Porém, aqui vemos totalmente o oposto, uma escrita emotiva e familiar que lembra tanto a Elena Ferrante, uma das minhas escritoras preferidas. Ambas têm o dom de se entranharem comodamente no nosso coração sem pagarem entrada nem passe social da Carris.
A Susana conta-nos uma serie de acontecimentos que se vão desenrolando ao longo de vários anos, por pessoas falíveis, cobardes, egoístas, generosas, amáveis, simples, prepotentes, frágeis, olhem, como diria a Luz, fds! imperfeitas (aliás, como todos nós, exceto o Pedro Pascal).
E quando esperas impacientemente por um final, a contingência da vida acontece e tudo muda, mais uma vez.
Adorei a explicação do título do livro. E a capa. E a simbologia do melro. E tudo.
Não aceito que não tenha continuação, pois várias personagens merecem ser catapultadas a protagonistas a breve trecho.
Recomendo muitíssimo 📚🩷
BTW, A Susana no livro do Hemingway gostou do mar mas Amaro Velho. 😅😅 Fui!
"Os segredos eram o maior tesouro que se podia carregar."
"Descansos" foi o primeiro livro que li da "autora sensação" Susana Amaro Velho. O livro aborda a história de uma família rica que moraria, provavelmente, em Figueiró dos Vinhos, que acolhe no seu seio uma terrível tragédia e que termina com uma das feridas mais profundas da história recente de Portugal (que não vou dizer qual é porque não sou pessoa de spoilers).
Posso dizer que a premissa tinha tudo para ser uma história interessante e por isso é que peguei nele. Laura, uma das filhas da família Alarcão (a tal família rica) volta à sua terra natal, depois de anos de ausência, para o funeral da mãe, com quem a própria já não fala há vários anos. Logo no início da trama, conseguimos perceber onde se situa o trauma familiar e como ele se perpetua no tempo e como devasta tudo em redor. E poderia ser muito bom. Mas...
Mas... a autora prolonga-se em descrições de personagens excessivas. Aliás, são capítulos inteiros com recortes de resumo, ao pormenor, da vida de quase todos os habitantes da vila que, no final, percebemos, que não precisávamos, de todo. Entendo que se quisesse criar uma atmosfera, mas julgo não ser necessário este detalhe que depois nos fica no ar; não ajuda a avançar a história; e não nos dá respostas, nem tampouco nos abre questões.
Por outro lado, chegamos ao final e aparece uma personagem nova, que essa sim, deveria ter sido descrita com mais pormenor em algum capítulo, porque é ela que acaba por dar nome ao livro e é a condutora do final da história. Mas não, aparece a dois capítulos do fim. Metida a ferros, sabe-se lá porquê.
E depois é a escrita. A autora desfaz-se em lirismos excessivos que tenta contrabalançar com discurso rural português. E poderia ficar bem. Mas a autora não consegue que fique, porque, mais uma vez... é demasiado.
Quando se tenta colocar estas duas formas no mesmo texto tem de haver jogo de cintura, ritmo e um certo trejeito com a sintaxe que se perde, completamente. Eu entendo o esforço, mas parece que fica meio... Pueril. Como alguém que tenta muito mostrar que sabe e que consegue, mas que não alcança a dosagem correta, restando uma mixórdia esquisita.
Nisto, foi para mim muito difícil avançar no livro. Foi um suplício até, em certas alturas. Mas, como se previa uma tragédia maior que aquela que já havia sido declarada ao início, eu, como sou muito coscuvilheira, queria saber qual era.😅
E bem, cheguei hoje ao fim. E entendi que a escritora gosta muito de pegar em casos reais e lhes tecer uma história.
Resumindo, tem uma história interessante e a escrita, se limada e com mais ritmo, é capaz de chegar lá. Mas pecou pelo excesso. E isso, tornou tudo muito enfadonho. Pena. Que eu queria mesmo ter gostado. Tanto que até guardei duas quotes. A do início e esta:
"Se não fosse boa a libertar-se de traumas antigos, não teria sobrevivido".
Mas pronto, esta é apenas a minha modesta opinião. Tanta gente gostou. Provavelmente, sou só eu a ser esquisita. 🤣
Não esperava o final que teve. Um livro sobre valores, expectativas que criamos nas pessoas e a história que nos faz acreditar na verdade. Verdade essa que por vezes, não é bem assim. Verdade para proteger quem mais amamos. Recomendo e entendi quase no final o que significava o título do livro.
"Desamparados, ainda que juntos, como peões que nunca se tocavam, traços paralelos de estrada, um vazio que não se preenchia por mais que se disfarçasse."
Mais um livro da querida @susanaamarovelho que nos apaixona e agarra do início ao fim. Fazem falta mais romances assim.
Sobre muitas vidas. Vidas cheias de marcas, cheias de desgraças, cheias de vida (e de morte também!) Com várias personagens e cada uma é um testemunho com cicatrizes permanentes. Sobre vidas em suspenso, em silêncio e com rotinas que não mudam nunca.
Sobre culpa, vergonha, tristeza. Sobre sofrimento. Sobre perdas. Sobre mágoa. Sobre culpa. Mas também sobre momentos. Sobre momentos de viragem. Sobre recomeços. Sobre perdão. Sobre aceitação.
Gostei de ler cada história, gostei de ler cada personagem, gostei sobretudo de ler sobre vários acontecimentos diferentes, vistos da perspectiva de cada uma das personagens, gostei de todas as teias que se foram criando entre todos. Gostei sobretudo da intensidade de cada personagem. Gostei da subtileza com que a Susana conseguiu abordar muitas temáticas importantes. Do melhor que li nos últimos tempos. É de uma leitura lenta, mas muito intensa, muito rica, que nos toca.
A vida tira e a vida dá. É tudo imprevisível, aleatório, e sobretudo passa num sopro. Porque afinal a felicidade está nas pequenas coisas.
Sou claramente uma outlier. Mal tinha chegado a 10% e já estava com vontade de desistir. Não estava a gostar da escrita e a própria história também não me cativou. Definitivamente, não é um livro para mim.