"Os corvos lutam pela carne de um morto, e matam-se uns aos outros pelos seus olhos. Tivemos um rei, e depois tivemos cinco. Agora tudo o que vejo é corvos, em disputa pelo cadáver de Westeros"
Este é, sobretudo, um livro dedicado às mulheres e a sua luta pelo poder, em alguns casos pela sua manutenção, noutros pela sua conquista:
- Cersei finalmente no trono de ferro, e pela primeira vez sozinha, sem Ned Stark, Tyrion Lannister ou Tywin Lannister para controlar o seu génio e as suas maquinações, e pronta para abraçar o poder a todo o custo.
- Asha, a filha da lula gigante, na defesa infrutífera da sua pretensão como rainha das Ilhas de Ferro.
- Arianne, a Fazedora de Rainhas, na luta pela sua pretensão a Lançasolar como princesa de Dorne e, aparentemente, na busca pela vingança da adorada Víbora Vermelha.
Contamos ainda com as narrativas de outras importantes personagens femininas:
- Brienne de Tarth, a Bela, procura obstinadamente cumprir a promessa feita a Catelyn e Jaime.
- Arya Stark finalmente parte em busca de uma nova aventura em Bravos.
- Sansa Stark, agora Alayne, permanece escondida no Vale, nas mãos de Mindinho, com o qual começa a aprender a jogar o jogo dos tronos.
No geral, é um livro com um ritmo mais lento ao que estava habituada e que tenta, sobretudo, introduzir, de maneira refrescante, novos pontos de vista até então pouco ou nada explorados. Com a (aparente) extinção dos Lobos de Winterfell, temos espaço para conhecer em primeira mão novos territórios como as Ilhas de Ferro, Dorne e Bravos.
Com a partida de Tyrion Lannister de Porto Real, George R. R. Martin recompensa-nos, pela primeira vez, com pontos de vista de Cersei, o que nos permite um conhecimento mais íntimo da personagem e das suas motivações, sem ser por intermédio de olhos de terceiros. A sua audácia, irreverência e paranóias prometem muitas intrigas futuras, especialmente com os Tyrell, que conseguem ser mais subtis do que a auto-intitulada verdadeira sucessora de Tywin Lannister.
Também contamos com mais pontos de vista de Jaime que vêm, surpreendemente, substituir Ned Stark e Tyrion Lannister como voz da razão em Porto Real, os quais surgem frequentemente seguidos ou antecedidos dos capítulos de Cersei. Afinal, afigura-se como tremendamente interessante constatar a dualidade existente entre os dois gémeos, que em tempos foram um só.
Desde A Guerra dos Tronos à A Glória Dos Traidores, a narrativa oscilou de uma maneira absolutamente envolvente e brilhante. A genialidade do último livro é, como seria de esperar, difícil de ultrapassar. Todavia, a narrativa não deixa de ser soberba, sendo claro que este livro tem como objetivo principal introduzir novos focos de intriga, o que se torna claro com a ausência (ou quase) de certos personagens principais que tiveram presenças muito fortes em livros anteriores, como Daenerys, Tyrion, Bran e Jon Snow.
Dito tudo isto, e apesar de todos os merecidos elogios, foi o livro que menos gostei até agora, pelo que lhe dou a classificação de 4 estrelas.
Rita Almeida