O livro "A Falsa Vidente", como deveria ser intitulado na minha modesta opinião, é o terceiro da série do Inspetor Joona Linna.
Antes de mais, aviso-vos já: este livro nada tem sobre a poderosa temática do sobrenatural ou aborda aspetos do fantástico. Não vão conhecer nenhum espírito e as vossas tranquilas noites de sono não vão ser perturbadas. Longe disso, fecha-se o livro, evaporam-se as personagens e as suas vidinhas problemáticas. A complexidade que esta abordagem exigiria não está ao alcance de Lars Kepler, já que os escritores optaram por enveredar pelo caminho comercial.
Apesar do bom ritmo do enredo, a história principal é caracterizada por um excesso de tramas e personagens, que não são devidamente delineadas. Senti-me excluída logo desde o inicio, não sentindo empatia nem pelo pobre do Inspetor Linna, cuja trágica e misteriosa vida pessoal é quase surreal.
Dito isto, a introdução conseguiu despertar-me pela falsa ideia que criei ao me encontrar perante uma instituição para raparigas problemáticas. A premissa cheia de potencial não foi desenvolvida. Em vez disso, foi descartada para segundo plano, misturando-se com outras histórias secundárias, todas elas apenas visíveis há superfície.
A linha de investigação é quase inexistente e o único acesso que temos ao processo de resolução do crime é através da mente peculiar do Inspetor, que apenas está presente como observador. Ora, se ele é um simples observador, nós também o somos! Sendo assim, os pormenores mais técnicos estão ausentes e o enredo flutua por entre suposições e palpites.
A comparação da dupla sueca com Stieg Lasson é um insulto ao criador de Lisbeth Salander, cuja personalidade fascinante foi, muito certamente, a base para Vicky, uma rapariga perturbada e incompreendida que está no centro de toda a tensão - ou falta dela, neste caso. Contudo, a pseudo Lisbeth Salander, em versão adolescente, foi o que manteve a minha curiosidade e interesse despertos.
Apesar da previsibilidade da maior parte do desenrolar dos acontecimentos o livro proporciona algumas surpresas, umas mais agradáveis que outras, deixando um final em aberto, a meu ver, bastante fora do contexto.
Outro pormenor interessante foram os cenários da ação. Incrivelmente, um armazém em particular, fez-me recordar o mundo de Salander e a sua perseguição pela vingança. Mas não me deixando enganar por este aparente thriller psicológico, mantive as expectativas baixas - como rapariga esperta que sou - e consegui usufruir deste leitura fácil e sem reflexões de maior.