Só Warren Ellis para se atrever uma diatribe anti-sistema político americano num comic da Marvel. Este D00m 2099 lê-se como o filho bastardo de um cruzamento entre o simplismo moral de Stan Lee e o futurismo destravado de Transmetropolitan. Em 2099, novos heróis estão numa Terra muito alterada, e o Doutor Destino caminha na linha fina entre déspota iluminado, vilão e herói amoral. Tudo o que quer é salvar o mundo, e para o fazer, decide derrubar o governo americano com um golpe de decapitação, que lhe permite proclamar-se presidente. Mas apesar de todo o seu planeamento, que incluiu orquestrar hackers, forças de elite, mercenários e justiceiros de rua, comete um erro. Não elimina a verdadeira liderança americana, os representantes das grandes corporações, pensando que o temor que inspira será o suficiente para assegurar a sua obediência (isso, e o eliminar com extremo prejuízo, um deles, que se revela ser um alienígena). Mas estes, não querendo perder os seus privilégios, e reagindo contra um novo sistema que redistribui a riqueza pela população (Doom como socialista, só mesmo Warren Ellis para ir por este caminho), aliam-se a um homem que guarda tecnologias proibidas. Um louco que quer exterminar a vida na Terra, para ir para Marte fundar uma nova humanidade. Que liberta as armas mais exóticas do seu arsenal contra Doom, e ressuscita o velho Capitão América para liderar o país.
Uma série alucinante, com Warren Ellis a fazer o que faz melhor, cruzar futurismo destravado com fetiches tecnológicos e especulação entre o bizarro e o assustador.