"Uma história de amor, com um fecho de ouro à altura do palco monogâmico de um balé de cisnes brancos".
Um fato: Elvira Vigna nos deixou cedo demais. Outro fato: eu não indicaria esse livro para um iniciante em literatura. Não por ele não ser bom, é o oposto.
É bom, muito bom.
A questão está na forma. Ela não é, e não pretende ser, didática com o leitor.
Numa narradora em autodestruição, Vigna funde um fluxo de consciência com planos cinematográficos que dariam inveja a Ingmar Bergman. Eu diria que é uma narradora que constrói a história a medida que a narra. No caso, triângulos amorosos que envolvem artistas alemães, galerias de arte em SP, poker e a cidade do Guarujá.
Talvez só nesse caos narrativo de sua escrita, no meio desse turbilhão de núcleos — o que torna confuso alguns momentos da história —, é que seja possível a narrativa funcionar. É só desse jeito, como o próprio título do livro explicita, dizer o que é o possível dizer dessa (não) história de amor que, afinal, vive a narradora.