Publicados originalmente em 1995, os nove contos breves reunidos neste livro combinam alta intensidade dramática e extrema densidade literária. Com sua maestria narrativa, a autora cria situações que expõem suas personagens no que elas têm de mais secreto e indizível. Publicado originalmente em 1995, A Noite Escura e Mais Eu (título tirado de um verso de Cecília Meireles) enfeixa nove contos breves de alta intensidade dramática e extrema precisão literária. Usando ora a primeira, ora a terceira pessoa narrativa, Lygia Fagundes Telles parece colher sempre suas personagens no contrapé, em situações-limite que revelam o que elas têm de mais secreto e incomunicável. São, em geral, histórias de destinos frustrados em algum momento, seja por circunstâncias externas, seja por traumas e fantasmas interiores. Nestes contos de maturidade, a autora exibe toda a sua maestria narrativa, feita de sensibilidade e sutileza, onde não há lugar para o exibicionismo nem para a vulgaridade.
Lygia Fagundes Telles (born April 19, 1923) is a Brazilian novelist and short-story writer. She was born in São Paulo and is one of Brazil's most important living writers.
Her first book of short stories, Praia Viva (Living Beach), was published in 1944. In 1949 got the Afonso Arinos award for her short stories book O Cacto Vermelho (Red Cactus). Among her most successful books are Ciranda de Pedra (The Marble Dance) (1954), Verão no Aquário (1963), Antes do Baile Verde (1970), Seminário dos Ratos (1977) and As Horas Nuas, (1989). The book Antes do Baile Verde won the Best Foreign Women Writers Grand Prix in Cannes (France) in 1969.
Her most famous novel is As Meninas (The Girl in the Photograph), which tells the story of three young women in the early 1970s, a hard time in the political history of Brazil due to the repression by the military dictatorship. In 2005 she won the Camões Prize, the greatest literary award in the Portuguese language.[1]
She is one of the three female members of the Brazilian Academy of Letters.
“Quis explodir num palavrão e se conteve com a aliviante alegria de não canalizar a exaltação para uma palavra vulgar, que a velhice já era a própria vulgaridade com seu rápido-lento processo de decomposição.” - Boa Noite, Maria
Mesmo que mais nenhum conto fosse bom, esta colectânea já valeria por “Boa Noite, Maria”, sobre a velhice e a eutanásia, que irá assombrar-me para sempre. Através de uma escrita límpida mas com uma precisão cirúrgica, voltam a surgir os temas da loucura, do suicídio, da homossexualidade e da impotência sexual que estão presentes noutras obras da autora, como "Ciranda de Pedra".
Dolly - 4* Você não acha que esfriou? - 4* O crachá nos dentes - 2* Boa noite, Maria - 5* O Segredo - 4 * Papoulas em feltro negro - 5* A Rosa Verde - 3* Uma Branca Sombra Pálida - 4* Anão de Jardim - 3*
Eu já tinha um livro de contos preferido, mas agora tenho um novo.
Não é preciso falar muito, é brilhante, um conto melhor que o outro, um misto de morbidez, solidão, traumas e fuga em uma obra que lembra os melhores contos de Machado de Assis. Não há muita luz aqui, Lygia trabalha com o caos e é dele que o leitor passa a estar em contato com a morte, com o crime e com a violência, mas sobretudo, com excelente drama em crescente. A mim, inacreditável de tão bom.
terminando o ultimo dia do ano com minha autora das autoras (e autores). nunca tinha percebido antes, mas a lygia é uma das escritoras que mais (e melhor) escreve com a bolsa de ficção nas mãos, atenta aos objetos e tudo mais que chamamos de "coisas". com ela, os anões de jardim, as formigas e os mortos tem modos de ler o mundo tão dignos de protagonismo quanto qualquer "heroi", ou melhor, os heróis estao tão próximos de todas as coisas, que acabam se misturando com elas (e um herói que esmaga formigas e está em um conto ao lado de outro conto em que o narrador é um anão de jardim não pode ser um Herói).
nos últimos dias ando cada vez mais percebendo como a noite é importante ao meu coração de diversas formas. quando li o título do livro e também percebi que fazia muito tempo que não lia nada da lygia, acabei por então juntar a flor com a abelha e ir em frente, e me fez mesmo muito bem. desses fragmentos todos da lygia é que se faz uma vida. talvez essa seja a forma mais livre de traçar uma biografia: juntar essas pecinhas de memória e ficção (como tudo é na vida) aparentemente vistas sem importância de histórias cotidianas, sem aquelas demarcações de tempos dadas pelos acontecimentos que são tratados como grandes (entrou na faculdade, casou, nasceu o filho, ganhou um prêmio, mudou de cidade...). aqui isso não existe. não existe o trivial. a vida me parece muito mais vida nesses pequenos contos todos. como queria eu que a minha fosse assim.
Meu primeiro Lygia Fagundes Telles!!!!! Muitas exclamações porque estou feliz demais de ter lido ela! Eu estava honestamente meio receosa achando que talvez fosse uma leitura difícil mas me surpreendi tão positivamente! É na verdade uma delícia de se ler! Este modo de “livre associação mental” e “monólogo anterior” é muito um estilo que eu amo, então logo no primeiro conto (Dolly) eu me apaixonei; ele inclusive foi o meu preferido de toda a coletânea.
Livros de contos são sempre mais complicados pelo fato de que muitos autores não conseguem ter uma sintonia entre as histórias, às vezes umas acabam sendo boas e outras mais fracas, mas não achei que foi o caso aqui. Eu gostei muito de praticamente todos os contos, sendo meus preferidos Dolly e Uma branca sombra pálida. Anão de jardim eu simplesmente adorei o final! Enfim, recomendo muitíssimo o livro, e como primeiro contato eu achei perfeito! Ansiosa pra ler As meninas e mais outros dela!
li com meu amor! ultima leitura do ano: super especial por ser com meu amor, que conhece lygia e me ensinava sobre ela, por ser lygia, que é lygia, e por ser mágico.
meus favoritos: você não acha que esfriou? a rosa verde uma branca sombra pálida anão de jardim
que outra maneira de encerrar o ano senão com mais um livro de contos da Lygia? A Noite Escura e Mais Eu é o quarto degrau na minha jornada de ler todos os contos da autora e aqui encontramos mais uma vez uma escrita aguda e perfurante em uma coleção mais enxuta de somente 9 textos. acho que se quisesse estabelecer algum paralelo com outro livro dela, enquanto Seminário dos Ratos traz o insólito quase fantástico, mesmo uma acid-trip, A Noite Escura e Mais Eu o traz mais voltado para o mistério do dia a dia, aquele incômodo repentino no esterno que nos pesa para baixo e para o qual respostas claras não encontramos, ou me valendo do inglês, o tom aqui é ominous. não foram meus contos favoritos da Lygia, mas não diria que são ruins; apresentam-se por vezes de natureza quase impenetrável, na superfície algo relativamente simples, mas com um olhar mais atento percebemo-nos enredados, encucados sem saída. ainda assim, trago meus destaques: Você Não Acha que Esfriou?; Boa Noite, Maria (meus dois prediletos, estupendamente bons); Papoulas em Feltro Negro; Uma Branca Sombra Pálida & Anão de Jardim. ansioso por um 2024 com mais e mais Lygia.
The dark night and I, by the wonderful Lygia Fagundes Telles, was originally published in 1995 and is composed of nine short stories that carry the entire literary experience of the Lady of Brazilian literature, it has a strong dramatic bias. Of the nine tales, seven are narrated by women, which is typical of Lygia's literature, she seeks to represent the feminine force in her work. The other two tales are narrated by a dog and a garden gnome, the latter ending the short story collection.
The title of the book was inspired by a poem by Cecília Meireles, "whistle". In general, the tales tell stories marked by complicated destinies and conflicting situations at some point in their lives, either by extrinsic circumstances or by traumas from the ghosts of the past. Without a doubt, this collection is one of the author's best and reveals all her technique and mastery of language.
The stories deal, in addition to external and internal conflicts, with old age, loneliness, euthanasia, madness, suicide, homosexuality, sexual impotence, fear, death and love. Some stories like the one that starts the collection starts in a dark and somewhat mysterious way, "Dolly" holds you from start to finish... It's beautiful to see poetry in Lygia's prose and how she realistically explores and describes the characters' deepest feelings, as well as their desires and hopes.
According to the literary critic, Alfredo Monte, the tales denote a rite of passage, a theater of innocence. Where the characters at some point in their lives will lose their innocence when taking a reality shock, this is more evident in "Dolly" and "Good night, Maria". Monte also divides the book into 3 parts, I found this theory very interesting.
They would be: Part 1 - Passionate and tragic atmospheres (Dolly, Don't you think it's cold? and the The badge on the teeth); part 2 Female conflict (Good night, Maria, the secret and Populas in black felt) and; part 3 Situation of impotence (The Green Rose, A Pale White Shadow and Garden Gnome). Reading Lygia is absurdly human, sometimes complex, sometimes difficult, sometimes tiring, not always happy and always very interesting, as we are.
A Autora tem narrativa envolvente e os temas tratados são de extrema relevância, envolvendo sentimentos profundos e sutis, sempre muito bem descritos, o que ocorre principalmente no decurso da própria narrativa, via de regra em primeira pessoa.
O estilo é muito próprio, o que se traduz na forma de escrita propriamente dita, assim como na pontuação e fluidez do texto. A construção da narrativa é brilhante, com personagens complexas e narrativas que transitam no tempo, introduzindo elementos novos de forma surpreendente.
A autora aproveita-se da simplicidade dos contos, descrevendo breves momentos de forma única e significativa, o que nos leva a reflexões sobre os temas e a sentir na pele o que sentiram os personagens. Aliás, a desenvoltura da Autora para encarnar em primeira pessoa as personagens descritas é magnífica.
Gostei muito de "O Segredo" e de "Uma Branca Sombra Pálida". Não gostei tanto dos outros contos. Há um universo feminino aqui nestas narrativas, nestas histórias, que vai surgindo, em diferentes personagens, e em todos os momentos da vida. Na infância e na adolescência, na meia-idade e na velhice. Em momentos de descoberta sexual, no casamento e no divórcio. Na morte, vivida socialmente e a um nível pessoal. É-nos dado a conhecer o íntimo das personagens, de uma forma interessante, com uma escrita fluída, ágil e sensorial.
“A Noite Escura e Mais Eu”, De Lygia Fagundes Telles
A noite escura desce sobre nós, como véu descoberto na primeira pessoa, quase sempre no feminino. Universo de perturbadoras personagens, e outros desassossegos (podem ser nossos ou fictícios, como se quadro e artista em inquietante harmonia).
A noite de Lygia partiu de poema de Cecília Meireles; - no seu coração reinventou elucubrações e sentimentos. - Lua prenhe de nós mesmos: dúvidas, medos, ansiedade, amor, solidão, velhice, morte, desamparo.
O fantástico e absurdo mundo nem sempre termina como gostaríamos, o que traduz, além da maravilhosa linguagem, um íntimo e estranho mundo realista.
Uma noite escura (iluminada pelo génio) intensamente dramática, na sombra, vivem nossos fantasmas.
Cada conto dessa coletânea é uma obra prima. Histórias envolventes, com começo, meio, fim e muitas camadas. Assuntos surpreendentes, socialmente ousados, abordados de forma sensível e manejo das palavras feito com tato e de forma magistral. Lygia merece todas as honrarias. Lerei novamente, darei de presente e lerei tudo que ainda não li dessa mulher genial que eleva a literatura brasileira a patamares altíssimos.
Há muito tempo queria ler Lygia Fagundes Telles e decidi começar por “A Noite Escura e mais Eu”. Talvez não tenha sido a melhor decisão: o livro simplesmente não me pegou, os contos em geral não me cativaram e a escrita não me impressionou. Não foi uma leitura que gostei de fazer. Isso, porém, não há de me impedir de buscar outras obras da escritora (provavelmente serão “As Meninas” e “Ciranda de Pedra”).
Todos os contos são muito bem escritos e tem um ritmo sensacional nas palavras (e talvez venha do hábito, que dizem que ela tinha, de sempre escrever ouvindo música). Mas achei os textos desinteressantes em geral. Gostei apenas de três deles (Boa noite, Maria; Papoulas em feltro negro e A rosa verde). O segredo e Anão de jardim achei medianos e os outros ruins mesmo.
Esta coletânea, a princípio, não tinha me fisgado na primeira linha. Mas Lygia é sempre um mistério. Começamos suas histórias de uma maneira, mas terminamos de outra. Ficamos sem fôlego, sentindo um gosto agridoce na boca (não sei se a analogia faz sentido, mas enfim). Finalizar o ano com seus contos é sempre uma boa pedida.
Belíssimo livro de contos de Lygia Fagundes Telles em que ela manifesta todo o seu primor em narrativas marcadas pelo fluxo de consciência em histórias inusitadas que revelam os sentimentos mais íntimos e inconfessáveis dos personagens, a ambiguidade da natureza humana, a vaidade, a sexualidade, a morte. Os contos são o gênero em que fica evidente sua genialidade literária.
Nunca tinha lido a autora, gostei muito da forma que ela escreve, sua escrita tem um fkuxo rapido e verborragico. Me disseram que é mais uma caracterisrtica de uma fase dela do que uma marca registrada da autora, fiquei curiosa pra lê-la em outris momentos
Eu até poderia listar os meus contos favoritos desta coleção mas seriam quase todos, salvo Você Não Acha que Esfriou? e O Crachá nos Dentes, que não me cativaram tanto assim (mas que ainda têm o seu valor, é claro). Lygia sempre será para mim a maior contista brasileira.
A escrita da Lygia me faz sentir coisas e entrar na atmosfera da história de um jeitinho que só ela sabe fazer! Mais uma coletânea de contos maravilhosa, como sempre!
Contos favoritos:
Dolly Boa Noite, Maria A Rosa Verde Uma Branca Sombra Pálida Anão de Jardim
É um livro de contos lindos. Os meus preferidos - e por isso quero dizer que realmente me comoveram - são O crachá nos Dentes e principalmente a Rosa Verde.
Alguns contos não me marcaram em absolutamente nada. Alguns são geniais. Destaco Dolly e Uma Branca Sombra Pálida. O Anão de Jardim encerra muito bem a obra.