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Deixem Falar as Pedras

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No dia em que se ia casar, Nicolau Manuel foi levado pela Guarda para um interrogatório e já não voltou. Viveu, assim, quase toda a vida na urgência de contar a verdade a Graça dos Penedo, a noiva que mais tarde lhe seria arrebatada pelo alfaiate que lhe fizera o fato do casamento. Porém, sempre que se abria uma possibilidade, uma ameaça desviava-o dramaticamente do seu destino - e agora, meio século volvido, está velho de mais para querer mudar as coisas, gastando os dias com telenovelas. De tanto ter ouvido ao avô a sua história rocambolesca, Valdemar - um rapaz violento e obeso apaixonado pela vizinha anoréctica - não desistiu, mesmo assim, de fazer justiça por ele. E, ao encontrar casualmente a notícia da morte do alfaiate, sabe que chegou a hora de ir falar com a viúva: até porque essa será a única forma de resgatar Nicolau Manuel da modorra em que se deixou afundar.
Alternando a narrativa dos sucessivos infortúnios de Nicolau Manuel - que é também a história de Portugal sob a ditadura, com os seus enganos, perseguições e injustiças - com a de um adolescente que mantém um diário com numerosas passagens rasuradas como instrumento de luta contra o mundo -, Deixem Falar as Pedras é um romance maduro e fascinante sobre a transmissão das memórias de geração em geração, nunca isenta de cortes e acrescentos que fazem da verdade não o que aconteceu, mas o que recordamos.

332 pages, Paperback

First published January 1, 2011

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136 people want to read

About the author

David Machado

60 books70 followers
David Machado nasceu em Lisboa em 1978. É autor do romance O Fabuloso Teatro do Gigante e do livro de contos Histórias Possíveis. Em 2005, o seu conto infantil A Noite dos Animais Inventados recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, e desde então publicou mais três contos para crianças, Os Quatro Comandantes da Cama Voadora, Um Homem Verde num Buraco muito Fundo e O Tubarão na Banheira, distinguido com o Prémio Autor SPA/RTP 2010 de Melhor Livro Infanto-Juvenil. Tem livros publicados em Itália e Marrocos e contos presentes em antologias e revistas literárias em Itália, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Islândia e Marrocos. Traduziu os livros O Herói das Mulheres, de Adolfo Bioy Casares, e Obrigada pelo Lume, de Mario Benedetti.

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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Ana.
762 reviews179 followers
September 27, 2019
Este foi o primeiro contacto com as letras de David Machado e não será a última, ai não será, mesmo!
Que exímio contador de histórias dentro de histórias que é este autor português que veio ter comigo por tua culpa, Paula!

Opinião completa aqui, no sítio do costume (a partir do minuto 00:54):
https://www.youtube.com/watch?v=17ekp...
Profile Image for Ensaio Sobre o Desassossego.
432 reviews212 followers
December 31, 2020
"E ele contou a história sobre como perdeu os três dedos da mão direita. Era uma história sem peso, era uma bolha, frágil e transparente, a flutuar pelo espaço entre as estrelas, a qualquer momento podia rebentar. Não era bem uma história feliz. Mesmo assim, a verdade dói sempre menos do que os sonhos, claro."

'Deixem falar as pedras' conta a história de Nicolau Manuel, um homem normal, sem qualquer afiliação política, que caiu às mãos da PIDE. E nunca mais se conseguiu soltar. A história é contada pelo Valdemar, neto de Nicolau Manuel, o que torna tudo ainda mais especial.
Histórias que relembram as atrocidades cometidas durante o Estado Novo, especialmente pela PIDE, já que o protagonista esteve preso em Angra do Heroísmo, depois foi transferido para o Tarrafal, esteve ainda preso em Caxias e, por último, no Forte de Peniche. Para um homem praticamente apolítico, como é que isto aconteceu? Têm de ler este livro para perceber.

Adorei completamente as primeiras 100 páginas, estava a amar a escrita de David Machado, queria ter sublinhado metade do livro e, de um modo geral, adorei esta experiência de conhecer a vida de um homem contada pelo seu neto.
Contudo, acho que nas últimas páginas o livro se perde um bocadinho. Nada que estrague a magia da leitura ou da escrita, mas que bastou para não ser um favorito.

São várias histórias dentro da mesma história, contadas de uma forma original e que demonstra que David Machado é um óptimo contador de histórias. As personagens são bem construídas, o livro está muito bem escrito e retrata exactamente o 'sentimento' da memória e a relação de um avô e de um neto. Além disso, o título do livro é simplesmente maravilhoso e livros com títulos originais têm sempre um quentinho no meu coração.

Quero ler mais livros de David Machado e, definitivamente, a literatura portuguesa está em boas mãos! Já há muito tempo que ler um autor novo não me entusiasmava assim. Recomendo mesmo esta leitura!
Profile Image for Natacha Martins.
308 reviews34 followers
July 12, 2016
"Deixem Falar as Pedras" é um livro sobre as memórias e a transmissão das mesmas, neste caso de um avô ao seu neto. Valdemar cresceu a ouvir as histórias do seu avô excêntrico. O avô viveu uma vida impossível e absurda. De tanto ouvir as histórias de Nicolau e ao ver o estado debilitado em que o avô se encontra, Valdemar chama a si a responsabilidade de vingar as injustiças sofridas por ele e de contar a verdade do avô à única mulher que este amou em toda a vida, Graça dos Penedo, e com quem esteve mais de 50 anos sem conseguir falar.

O livro divide-se entre as histórias que Nicolau Manuel contou ao neto e as angústias e preocupações de um adolescente.
Valdemar registou religiosamente num caderno as histórias que foi ouvido do avô, para que na transmissão da verdade do avô, não fossem introduzidas alterações devido a falhas de memória ou falsas memórias que ele pudesse ter das histórias que ouviu, vezes sem conta.
Curiosamente é no registo do que lhe acontece que Valdemar vai exercendo alguma censura, com algumas partes da narrativa rasuradas. As histórias do avô são incontestáveis.

Nicolau Manuel concentra a sua sede de justiça pelo que lhe aconteceu numa única pessoa, o alfaiate que fez o seu fato de casamento e que, veio a casar com a sua noiva Graça dos Penedo. Culpa o alfaiate de todos os males que lhe aconteceram, de toda a tortura que sofreu às mãos da PIDE. Culpa-o porque lhe é impossível acreditar que a perseguição possa ter sido fruto do azar? Culpa-o porque lhe parece impensável que toda a sua vida tenha sido condicionada sem que a polícia política tivesse razões efectivas para tal, sem que tenha havido lugar a denúncias? Culpa-o porque é menos assustador acreditar na crueldade e no ciúme de um único homem, do que acreditar que um grupo de homens possa torturar e perseguir um homem anos a fio, apenas e só porque um dia foi apanhado nos seus radares e estava no sítio errado à hora errada, apenas e só porque sim?

Até que ponto as memórias que todos temos reflectem a realidade do que se passou? Até que ponto deturpamos a realidade, de forma consciente ou não, quando contamos uma história?
Eu, por exemplo, apercebi-me há bem pouco tempo de que uma das minhas memórias de infância não podia ser real... terei sonhado? Provavelmente. Porque é que tive esta memória como certa até tão tarde? Não sei, talvez porque era uma boa memória, porque desejei como só as crianças sabem desejar que fosse real. :)

Isto leva-nos a questionar a veracidade daquilo que nos dizem ter acontecido. No mínimo a não dar como certo tudo o que nos dizem. Se nem nas nossas memórias podemos confiar, porque haveremos de acreditar cegamente nas dos outros?

Gostei bastante deste livro. A escrita é fluida, as personagens bem construídas e a história original. David Machado é um escritor a manter debaixo de olho. Além disso tem um título fabuloso! :)

Recomendo.

Boas leituras!
Profile Image for Mady.
1,395 reviews29 followers
July 24, 2021
Já tinha lido um livro do David Machado (uma história infantil), mas esta não tem nada a ver!
Gostei muito da escrita do David, que me fez continuar a ler mesmo quando não percebi a razão de alguma violência gratuita e muito descritiva.
Esta é a história de um rapaz e do seu avô que vem morar com ele e os pais em Lisboa quando já não pode mais viver sozinha na aldeia perdida do Norte onde nasceu. Como passa as tardes no apartamento com o avô, este começa a contar-lhe estórias da sua vida. Uma vida cheia de sofrimento, mal entendidos e perseguições num Portugal da altura da ditadura, principalmente a partir da noite da véspera do seu casamento. Mostra quão arbitrárias eram as perseguições da PIDE, assim como a infelicidade dos cidadãos que viveram essa realidade que hoje nos parece (felizmente) distante.
Nem sempre percebi a razão das ações do Valdemar (o neto) e confesso que a maior parte das vezes estas me incomodaram!
Livros bem escritos sobre desgraças e com personagens de que não gosto deixam-me sempre com um sabor amargo na boca e este foi um deles. Mas o prazer deixado pela escrita conseguiu suplantar (ligeiramente!) a dureza da estória e das personagens.
Profile Image for Felipe Assis.
269 reviews4 followers
August 10, 2018
Não entendo pq demorei tanto para ler esse livro, talvez seja pelas diversas "quebras de clima/historia". Livro muito original, já li algumas coisas sobre a época de Salazar e suas torturas a caça aos comunista em pt e tal, mas nunca abordada dessa forma, aqui o autor fala sobre a perpetuação da injustiça, de como procuramos algo plausível para justificar/confortar ações dolorosas, injustas e sem sentido a qual sofremos, essa perpetuação se alastra para outras gerações até. O curioso também que o autor não deixa claro se o avô foi de fato torturado ou se é só caduquice (pela qualidade dos relatos, eu concluo que ele de fato sofreu). Enfim livro muito bom.
Profile Image for Silvia Brandao.
60 reviews10 followers
May 12, 2020
"E escrevo que estou a chorar, sem vontade de passar um marcador preto por cima destas frases, de as fazer desaparecer. Por agora elas fazem parte de mim, daquilo que sou, por agora vou deixá-las existir. Por agora é a minha história."

Sobre a memória, sobre a sorte e a falta dela, sobre a importância das histórias passadas de geração em geração e, mais do que isso, sobre o modo como a narrativa é moldada conforme convém, pelo regime e por nós.

51 reviews
August 4, 2017
Muito bem escrito e com uma trama que se vai encadeando de uma forma magistral. Muito bom, a não perder. Fala sobre o tempo da ditadura em Portugal e sobre a história incrível do avô da familia contada e vista pelo seu neto. O que nos lembramos nem sempre é o que aconteceu e os diferentes pontos de vista de uma vida e das influências que isso tem em cada um de nós faz deste livro um grande livro.
Profile Image for Manuela.
174 reviews
March 28, 2020
Numa história, um desfiar de várias histórias, um homem múltiplo pela voz do neto que conta, afinal, a sua própria história. E vai riscando menos e omitindo menos, talvez porque se acalmem os dragões quando escreve.
E afinal de contas, o que seríamos se desejássemos viver sem memórias? Seríamos o louco de Peniche?
Profile Image for Madi.
164 reviews4 followers
December 31, 2023
Mesmo bom! Aconteceram imensas desgraças mas foi muito fixe. Não dou 5 estrelas porque acho que ele exagera um bocado na quantidade de tragédias e é ligeiramente demasiado gráfico sobre relações de adolescentes. Se quiserem um livro que se lê bem mas que tem um plot twist que vos deixa assim 😵 e muda a vossa perspetiva de vida, este é um ótimo candidato!
100 reviews
July 20, 2025
Gostei!
Por vezes roça o livro de aventuras e, de uma forma leve, diria ser um drama familiar, sempre com amor nas entrelinhas, focado nas relações.
Profile Image for Manuel Cardoso.
10 reviews
February 20, 2023
4,45. Muito cru, violento na ação e na escrita por vezes. Mas cativante. Via perfeitamente a ser usado para um filme ou uma série. E veria com interesse. Um bocado desiludido com o final, mas no geral uma história e um livro muito original.
Profile Image for Susana.
136 reviews
April 24, 2012
Confesso que não conhecia este escritor e só comprei este livro porque o David Machado aceitou o convite para estar à conversa na IV Convenção Nacional de BookCrossing (que decorreu no passado sábado, na Sertã) e eu queria ir com algum conhecimento prévio da obra.

Entretanto li o livro, participei da conversa com o autor - que por sinal me deu algumas luzes sobre a razão de ser do livro e chamou a atenção para pormenores que de outra forma talvez não tivesse notado - e a verdade é que tenho de agradecer ao BookCrossing por me ter dado a conhecer mais um autor que merece ser lido.

Gostei da escrita, do enredo e sobretudo da questão central do livro que tem que ver com a verdade que existe nas memórias. Como o passado construído a partir das memórias de uma pessoa pode ser completamente diferente do que outra pessoa recorda, mesmo que as duas tenham presenciado ou vivido os mesmos acontecimentos. E como uma vida pode ser uma sucessão involuntária de enganos e mentiras...

O autor parte desta ideia central para construir uma narrativa na voz de um adolescente de 15 anos que vai contrapondo os acontecimentos do seu quotidiano com as histórias que o avô lhe contou. Cenas actuais de rebeldia, descoberta das emoções, atritos com colegas de escola, gostos musicais e distúrbios alimentares, intercaladas com relatos do tempo da ditadura, que incluem denúncias, injustiças, mal-entendidos, estadias em prisões e vários episódios de tortura.
(Ironicamente, e não por acaso, são as passagens referentes aos acontecimentos actuais que aparecem rasuradas pontualmente num acto de censura exercida pelo próprio narrador.)
Profile Image for Rita Moura de Oliveira.
416 reviews34 followers
May 9, 2018
Confesso que este autor me tinha passado um pouco ao lado, apesar do sucesso do seu Índice médio de felicidade. Este livro é anterior e despertou-me para um jovem autor que se faz grande.

É um romance sobre a memória, mas também um romance cheio de História e de histórias. A partir do relato de um adolescente com quem o avô vive, percorremos a vida de Nicolau Amadeu pelas histórias que contou ao neto e que agora este quer vingar. Histórias sempre de sofrimento, de violência, de injustiça, e quase sempre com o mesmo culpado. Mas qual será a versão do dito culpado?

Um livro sobre como a memória pode criar várias verdades, e que nos recorda que provavelmente as nossas verdades são também assim: muitas vezes construídas de memórias por vezes enviesadas.

Aceito o Índice médio de felicidade, quando um dia se lembrarem de mim.
Profile Image for Joel Saraiva Correia.
19 reviews
January 11, 2025
Comprei o livro numa feira do livro por recomendação de uma antiga professora de português. A importância que tem alguém conhecer-nos bem e recomendar algo que quando terminamos percebemos que realmente gostámos, tornaram-me leitor do David Machado. A sua escrita transporta-nos para os lugares e integra-nos na história, quase que me senti em muitos dos lugares e situações descritas, além de me rever (e situações familiares) em muitos episódios que constituem esta narrativa.
Profile Image for Henrique Vogado.
252 reviews5 followers
August 29, 2014
As memórias... Belíssima história sobre memórias que passam entre gerações, de um avô e de um neto. O que foi verdade e o que nos contam?
O autor domina bem o pensamento e o discurso dos adolescentes. Boa escolha de personagens e bom encadeamento de histórias.
Para a história fica o que os mais velhos nos passam das histórias vividas, pessoais e não temos como saber se é tudo verdade, mas fica uma maneira de estar no mundo, de conhecer os mais velhos, de ouvir alguma sabedoria e experiência e mais tarde sermos nós a fazer o mesmo, verdade ou não.
Recomendo a leitura.
Profile Image for Cristina.
344 reviews3 followers
August 6, 2017
Duas impressões contraditórias: por um lado adorei as histórias ou seja os inúmeros episódios deste livro, por outro achei interminável. A meio do livro já não aguentava os azares do Nicolau Manuel. Teria apenas tirado 100 páginas do meio do livro. Gostei das personagens ( por exemplo a viúva de figueira da foz) e do setting, adorei as várias pequenas histórias, o casamento do Nicolau Manuel, a história do Valdemar e do afecto que el tem pelo avô dele. Bom livro de se ler mas gostei mais do " o teu rosto será o último".
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