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O Dia dos Prodígios

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Lídia Jorge nasceu em 1946 no Algarve. O Dia dos Prodígios, o seu primeiro romance, que constituiu um verdadeiro acontecimento no meio literário português, é uma alegoria ao país fechado que era Portugal durante a ditadura. Nele a autora vai buscar inspiração ao passado comum das mulheres mediterrânicas e da extremidade do mundo ocidental que é a sua terra. Lídia Jorge é uma das escritoras mais relevantes do actual panorama literário português e as suas obras encontram-se traduzidas em inglês, espanhol, alemão, italiano, francês, neerlandês grego, sueco e hebraico. "Lídia Jorge possui todo o passado poético, essencial, da sua língua. Mas igualmente toda a violência trágica que explode sob a intensidade do sol. É no Sul de Portugal que termina a Europa. Mas é também aí que ela começa."

204 pages, Paperback

First published January 1, 1980

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About the author

Lídia Jorge

80 books247 followers
LÍDIA GUERREIRO JORGE nasceu em Boliqueime, Loulé a 18 de Junho de 1946. Concluído o curso de Filologia Românica, dedicou-se ao ensino liceal (Angola, Moçambique e Lisboa). Publicou os romances O Dia dos Prodígios (1980, Prémio Ricardo Malheiros), O Cais das Merendas (1982, Prémio Literário Município de Lisboa), Notícia da Cidade Silvestre (1984, Prémio Literário Município de Lisboa), A Costa dos Murmúrios (1988), A Última Dona (1992), O Jardim Sem Limites (Prémio Bordalo, 1995), O Vale da Paixão (Prémio D. Dinis, 1998), O Vento Assobiando nas Grutas (2002, Grande Prémio do Romance e Novela da APE/DGLB), Combateremos a Sombra (2005, Prémio Charles Bisset) e A Noite das Mulheres Cantoras (2011); os livros de contos A Instrumentalina (1992), Marido e Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2004) e Praça de Londres (2005); a peça de teatro A Maçon (1993) e o ensaio Contrato Sentimental (2009). Os seus romances são constituídos por vários planos narrativos, onde o fantástico coexiste com o real, e os problemas sociais colectivos são postos em relevo através de figuras humanas com dimensão metafórica e mítica. Foi condecorada, pela Presidência da República, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2005.

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Katya.
493 reviews4 followers
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August 2, 2022
"...nada avança sobre Vilamaninhos. Nem o arreeiro, nem um pedinte de portas que possa trazer, inventar notícias. Sente-se o ar fechado. As palavras da telefonia (...) têm um ruído de distância, música e discursos posteriores aos factos."
164

Em Vilamaninhos, aldeia fictícia algures num Algarve profundo, espera-se; espera-se em grupo, num coletivo conforme se vive, os Prodígios que se adivinham no voo de uma cobra, na morte de um soldado, na chegada de um estrangeiro...

Tudo é estático em Vilamaninhos; as estradas são de poeira; o tempo não passa, contado, recontado e fixado nas histórias que ficaram de herança dos antepassados que fundaram a terra então ainda fértil e viva.

Todos se espiam e se defrontam em Vilamaninhos; todos se tratam pelo primeiro nome, todos pedem e dão de si, e exigem satisfações sempre que um indivíduo se afasta do grupo, da família.

Vilamaninhos está afastada da civilização; a camioneta que a liga à civilização parte sempre vazia; as notícias circulam rápido, sim, mas são internas; as externas, essas são encaradas como disruptores da mística que habita o lugarejo.

"Tão bonitas são as coisas impossíveis.(...) Tão tristes as que são reais."
99

Vilamaninhos é um daqueles lugares onde os fenómenos de fé ainda são possíveis; o povoado em peso alucina como se de uma mente única se tratasse. Aqui ainda se dão milagres e esses milagres têm repercussões.

"Em Vilamaninhos as pessoas já não podem encarar o nascer do dia como antes, porque suspeitam que há um ser desconhecido entre as casas. Tanto pode estar a apodrecer dentro do poço, como a reproduzir-se em cima de uma va randa. Ou nos escombros dos muros. Assim, quando sobem as ruas sozinhas, batem os calcanhares, como nunca ha viam batido, para afugentar o medo. Se carregam as compras, acompanhadas, falam baixinho segredos de orelha a orelha. Começaram a seroar em grupo, de bordões à mão para o caso de ouvirem o silvo do animal chegando."
38

A interpretação deste fenómeno é pois o fio condutor da vida, daí em diante, em Vilamaninhos. E os personagens, reanimados pelo evento, atropelam-se, falam dele em enxurrada (Lídia Jorge cria um estilo muito próximo da estrutura dramática para nos aproximar do chorrilho de vozes que se fazem ouvir vindas da multidão; desdobra o texto em duas colunas e põe vários intervenientes a falar uns sobre os outros).

O cantar dos bichos que cessa, a fuga de uma mula, o chegar da camioneta de passageiros, uma invasão de formigas, todos estes reptos, toda esta mística, aliada à aparição da cobra voadora, enchem o dia a dia de cor em Vilamaninhos e insuflam vida a personagens provincianos - tão portugueses, tão supersticiosos, tão preconceituosos.

E então, de súbito, grande notícia chega a Vilamaninhos: o voo da cobra ganha novo significado à sua vista.

"- O que faz vossemecê (...)No dia em que se acaba de saber que soldados e grandes chefes fizeram uma revolta? (...) Não sabe ainda que em Lisboa os soldados fizeram uma revolução para melhorarem a vida de toda aquela gente? Uma re vo lu ção? Um grande golpe? E que todos os sinais do céu agora têm sentido?
- Um golpe? Perguntou José Jorge Júnior, No governo de Lisboa? Duvidoso pela sua mouquidade. Escarranchado sobre os joelhos das suas pernas. Os soldados. Deve haver muito sangue nas valetes dessa terra, a esta hora, oh Maria. Deve haver. Gente morta por toda a parte. Ai deles se se levanta a peste com este sol da primavera. E cinco vezes abriu as mãos disposto a levantar-se. Quem matou quem?
-Olhe, tio José Jorge. Se alguém matou alguém deus ressuscitou a todos, porque estão a dizer que não houve nenhuma baixa. E as maravilhas nessa terra são tantas que dizem. Afirmam a pés juntos. Que só há música, flores e abraços. Dizem. Que de repente os ausentes estão a chegar. Os cegos vêem sem óculos nem outro aparelho. Os coxos deixaram de dar saltinhos, ficando as pernas da mesma altura. Mesmo os manetas tocam violino. De repente. Tocam vi o li no. Tio José Jorge. Mas agora não faça mais perguntas que todas são a mais. É tudo o que sei, isto que acabo de contar."
157

Eventualmente, os soldados chegam sob o estandarte da revolução e da liberdade, mas, comparados com uma cobra que voa, convencem muito pouco. Os habitantes de Vilamaninhos nada mais podem que suspirar: "Ah família. Tivemos uma visão."

Afinal, uma revolução não se faz num dia. Em Vilamaninhos nada mudou muito embora os seus habitantes tenham escutado a notícia na rádio e visto uns quantos soldados montados num carro de guerra atravessar a estrada empoeirada de todos os dias. Vilamaninhos é um mundo encerrado em si mesmo, aguardando um mistério que salve a terra. É uma eterna espera feita de distância.

"(...) a distância intransponível é uma morte. Sendo a morte verdadeira a maior de todas as distâncias."
84

1974 não chegou a Vilamaninhos. Aqui as mulheres submetem-se ao homem, o homem submete-se à natureza, o tempo mede-se pelos astros e a sementeira pelo correr das estações.

O Dia dos Prodígios é feito de polarizações: passado e presente, dentro e fora, místico e real, homem e mulher.
E as mulheres em Vilamaninhos são qualquer coisa de fascinante; são medievais, tecem os seus desgostos em colchas, fazem coros de amargura e vivem um tempo singular recorrendo a expedientes todos eles femininos como a espera, a fé, a memória, a imaginação (características, aliás, que se colam, no decorrer da narrativa, aos personagens masculinos).

"O futuro é o presente a andar lentamente para trás."
188

Lídia Jorge cria, para nos transmitir tudo isto, um narrador/narrador-personagem(ns) que se vai metamorfoseando, falando a várias vozes, criando uma história (que não restem dúvidas) - bem ao estilo do teatro clássico - que é também uma engenhosa alegoria do território português (início de anos 80, ainda não ultrapassado).

"Um personagem levantou-se e disse. Isto é uma história. E eu disse. Sim. É uma história. Por isso podem ficar tranquilos nos seus postos. A todos atribuirei os eventos previstos, sem que nada sobrevenha de definitivamente grave."
9

O seu processo, engenhoso e viciante, uma vez dominado, é ainda assim capaz de gerar uma estranha perturbação no leitor levando-o a perguntar, sem resposta, o que se segue.

"Oh loucos. Estamos começados e não acabados, e o acabamento é obra de cada um da gente."
205
Profile Image for Anabela Mestre.
94 reviews43 followers
October 8, 2017
Que história mais estranha! Escrita numa linguagem difícil de aceder, não só pelos regionalismos oriundos do sul de Portugal, como também pela própria estrutura da narrativa.
Passa-se no Algarve profundo, e tudo, tem a ver com uma cobra que voa, e a partir dai parece que é possível de acontecer tudo.
Não sou grande fã da escrita de Lídia Jorge, e mais uma vez, este livro, veio provar isto. Dos livros que comecei dela, a maioria não os consegui acabar. Exceptuam-se este e "A notícia da cidade silvestre".
Não é que a escrita não tenha qualidade, mas é porque acabo por me perder nos enredos e na linguagem muito complexa.
Profile Image for Ana Lúcia.
223 reviews
July 14, 2017
“O Dia dos Prodígios”, o primeiro romance de Lídia Jorge, conta-nos a história de uma pequena comunidade muito isolada e fechada do sul do Portugal, totalmente incapaz de acompanhar e compreender a mudança e a mensagem do 25 de abril.
Vilamaninhos é o mundo rural e mágico onde habitam personagens carregadas de simbologia mítica. Esta comunidade é como uma metáfora deste nosso pequeno país ainda tão preso a tradições, a crenças e a prodígios…
A escrita deste livro está recheada de oralidade, assumindo quase sempre características de fala, com uma fortíssima carga poética. É uma escrita rebuscada, muito trabalhada, algumas vezes difícil de ler, mas ao mesmo tempo, muito bonita, musical, que nos embala como as ondas suaves do mar.

“Vê-se no espelho de vidro. Branca e lisa, sem resíduo de fogagem nem impingem. Sobrancelha rala, longe dos olhos escuros, e o escuro dos olhos sobre o azulado do branco, vidrado e transparente como verdadeiro vidro. Cabelo escorrido e pesado como uma cauda de cavalo. Preto, azulado e brilhante, reflexo de uma asa de corvo. O espelho imperfeito não lhe devolve as cores, e sim os contornos. Mas Carminha sabe pela boca da mãe, que não vivessem no alto de um empedrado rodeado de monturos e lagartixas e qualquer homem poderia vir a abrir as veias dos pulsos por ela”.

“Vai cair a noite como um vestido. Porque o sol se punha longe como um incêndio de fogo e água. Atrás da linha do mar e do vapor fino das nuvens. Como uma mistura perfeita.”
Profile Image for Cat .classics.
286 reviews123 followers
April 27, 2024
São 3 estrelas devido à dificuldade tremenda de compreender a linguagem e a condição da narrativa. Mas seriam 5 pelo respeito que tenho pela escrita tão além do meu entendimento de Lídia Jorge.
Profile Image for Ana.
753 reviews114 followers
May 21, 2011
Depois de ter tentado ler dois ou três livros da Lídia Jorge sem ter conseguido passar das primeiras páginas, resolvi fazer uma nova tentativa com o primeiro livro da autora, depois de ter visto uma entrevista com ela no Câmara Clara de que gostei bastante. E ainda bem que o fiz, pois apesar de não me ter enchido completamente as medidas, foi um livro de que gostei e que não consegui largar durante os três ou quatro dias que demorei a lê-lo. Não tendo propriamente uma história no sentido clássico de princípio-meio-fim, a maneira como o livro está escrito, com todas as expressões características dos algarvios e alentejanos, e os acontecimentos meio fantásticos da cobra e dos poderes da Branca, resultaram num todo muito original e agradável de ler, a lembrar um pouco, aqui e ali, a escrita do Mia Couto.
Profile Image for Nelson Miguel Bandeira.
9 reviews2 followers
May 30, 2016
Os prodígios de um povo no prodígio da literatura, Esperança Teresa!

“Foi aí, vizinhos, que eu caí de cu, e estes três, que tinham dado a denúncia com grandes gritos e estoiro de padradas, caíram de borco, os pobrezinhos.”

Prodigiosamente, com uma linguagem ao mesmo tempo castiça (deliciosamente algarvia, poderíamos dizer solar, se este adjectivo não estivesse tão gasto) e fortemente lírica, de um lirismo universal, fruto do interior de todos os humanos, O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge, narra - conta, dá a ver – um povo que tanto nos pode causar repulsa ou o amor mais profundo – um povo que mais facilmente acredita no prodígio que será uma cobra voadora do que no prodígio que é uma revolução que certamente lhe trará vida melhor debaixo do céu, aqui na terra, no chão.
Não há cinismo, no entanto, da parte deste/a narrador/a, e não o deverá haver da parte do narratário: há e deverá haver consciência, lucidez, distância, mas também ternura, proximidade, emotividade, cumplicidade boa, compaixão (sofrimento e emoção com) com a magia que brota das crenças e descrenças, dos amores e desamores, desta gente de carne, osso e vísceras (Carminha, Macário, Jesuína Palha, a bordadeira Branca, e que nome lindo para uma mulher que borda!).
Não há da parte deste/a narrador/a e não deverá haver do lado do cúmplice leitor arrogância, superioridade moral ou espiritual, armanço. Há comunhão poética e benfazeja com este povo algarvio e de todos os reinos possíveis e imaginários do mundo, povo tão simples e tão sublime – tão crédulo quanto desconfiado, tão conservador (na língua e linguagem) como criativo e cantante-contentado (“padradas”, “vardade”, “alavanti a saia”, “alci o pé”…)
Tudo nos é, assim, contado/cantado com uma voz poética singular e feminina (permitam-me sublinhar a vermelho a grande, bela e portentosa, forte, feminilidade deste texto), tudo nos é, pois bem, cantado com frases que parecem ter movimento de dança, ou versos, forma de dança na escrita, se quisermos.
Tudo bom, em suma, para ser lido ao som de ‘Pasión’ de Lula Pena e Rodrigo Leão, para quem consegue ler, ouvir música e dançar ao mesmo tempo; ou melhor, melhor: ao som do Tango dos Malandros, do mesmo Rodrigo Leão; ou melhor ainda: ao som de Aviões de Papel, também do Rodrigo Leão. Deve imaginar quem me ler que estou ligado ao youtube enquanto escrevo sobre Lídia Jorge: é assim a vida.
Reparem só num pequenino exemplo deste prodígio textual (pois apetece dar tantos): “Porque um bicho réptil voar de vísceras de fora, só deveria ter acontecido nos tempos bíblicos, muito e muito antigos”.
Que bom é este livro para acreditar na vida, na literatura, e dançar!
Quero só dizer ainda, em jeito de post scriptum vindo do fundo das minhas vísceras de rasteiro leitor, que nunca vi nome mais bonito de personagem de romance/de vida: Esperança Teresa!
Nunca, nesta vida de leitor, leitor que a terra há-de comer como se fora de papel, vi nome tão inspirador como Esperança Teresa!
Esperança Teresa!

NMB, Porto, 30.05.2016


Profile Image for João Duarte.
140 reviews4 followers
August 17, 2014
Já há algum tempo que andava para ler um livro de Lídia Jorge, e acabei por escolher o seu primeiro romance como ponto de partida.

"O Dia dos Prodígios" decorre numa aldeia de um Algarve dos anos 1970, de costas voltadas ao mar tão próximo; de costas praticamente voltadas à civilização possível. É um romance sobre sentimentos e que aborda o pós-revolução numa perspectiva pouco comum, de dar voz aos que não percebiam o antes, e seguiram sem perceber o depois.

A meu ver, é um romance bastante interessante, seja pela trama simples mas imaginativa, seja por, no fundo, as personagens estarem bem construídas o suficiente para assumirem as suas personalidades próprias e retratar uma época. Por outro lado, toda a obra está repleta de regionalismos e, por vezes, as personagens embarcam em diálogos que precisam de alguma calma para deles extrair o sentido.

No entanto, há um pormenor que mancha este livro de Lídia Jorge: a pontuação. Não me tenho por um purista da pontuação, se a obra literária for mais importante que isso - é o que acontece em alguns livros de Saramago, em que a narrativa tem uma excelência tal, que faz esquecer a falta de pontos ou vírgulas; afinal, as palavras assumem o seu próprio ritmo. Contudo, nesta sua obra inicial, Lídia Jorge usa e abusa de pontos finais: há frases cortadas a meio por pontos finais, "frases" de uma ou duas palavras... não há estilo ou ritmo que justifique esta opção, que só se torna cansativa para o leitor. A solução? Ignorar todo e qualquer ponto final, deixando que as palavras nos guiem, porque essas valem bem a pena.

Em resumo, é um bom livro que me faz querer voltar a ler Lídia Jorge, mas só espero que o vício em hiper-pontução tenha ficado pelo caminho nas obras posteriores.
Profile Image for Cobramor.
Author 2 books20 followers
October 15, 2018
Não me interessa quoão consagrada a autora é. Não há paciência.
Profile Image for Ana Santos.
Author 2 books23 followers
July 5, 2025
Ainda bem que não o primeiro livro que li da autora. E que foi o primeiro dela - com certeza mudou muito desde então,
Não apreciei o estilo de escrita. Não apreciei o complicado da história - não é complexo; é mesmo complicado.
Cheguei a um ponto que tive de fazer o que não gosto em literatura: ler na diagonal.
Os dois pontos que atribuo é para as duas personagens, marido e mulher, que ela sendo surda, têm diálogos em paralelo. Achei divertido e conta duas histórias em simultâneo.
Profile Image for Cristina Duque.
1 review
October 23, 2017
Somehow hard to follow. Very peculiar and old portuguese terms. But extremely interesting and well written.
1 review2 followers
Read
July 5, 2013
Lídia Jorge is recognised as one of the best contemporay portuguese writers by the literary critics. She is known as one of the responsible writers intoducing post-modernism in the country. I've tried, without success, to read "Vale da Paixão",her most popular book. It was a hard experience so I gave up. Some months ago, I came across with a new edition of "O dia dos prodígios", by D. Quixote Editor and I decided to start from the begining, that is, I hoped that by Reading her first work, I would understand her writing better. It wasn´t easy and it took me three months to finish my Reading, but I did it and I feel proud. It portrays a very unpleasant idea of the countryside mind right after the 25th of april portuguese revolution. By that time, most of the protuguese population living in the interior were iliterate and rude. The country was living under a dictatorial government and there were few people who could read and write. So Lídia Jorge puts all this in the book. She writes exactly the same way as people talked. The scenario is picturesque, the language and the vocabulary are coloquial and rural. It is delicious!
Profile Image for Débora Henriques.
Author 1 book17 followers
February 10, 2015
Demorei muito tempo até conseguir entranhar este livro. Não foi fácil habituar os olhos à escrita da Lídia Jorge, com os seus regionalismos, marcas de oralidade, inexistência de pontuação onde deveria normalmente existir, pontos finais a meio de frases, conversas paralelas em colunas de texto e diálogos entre 8 ou 10 personagens que se querem fazer ouvir todos ao mesmo tempo. Mas quando consegui entrar no ritmo, tornou-se uma leitura agradável. Sem dúvida que nos dá um retrato cru e fiel daquelas gentes, tempos e locais. E nesse sentido, compreendo que não pudesse ter sido escrito de outra forma.
Profile Image for Catarina Graça.
45 reviews15 followers
May 24, 2016
Tive dificuldade a seguir a esta história, parecia que estava numa reunião para organizar a festa da vila com toda a muita gente a falar com sotaque e ao mesmo tempo. Estamos em Vilamaninhos, pequena povoação rural no Algarve quando se dá o 25 de Abril, mas o que é a revolução para estas pessoas isoladas, pobres, analfabetas? Um grupo de soldados numa chaimite a anunciar o fim da ditadura ou uma cobra voadora.

De 0 a 10 Lídia Jorge, ainda não é desta.
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