"Guarda la cocaina, vedrai polvere. Guarda attraverso la cocaina, vedrai il mondo"
La coca la sta usando chi è seduto accanto a te ora in treno e l’ha presa per svegliarsi stamattina o l’autista al volante dell’autobus che ti porta a casa, perché vuole fare gli straordinari senza sentire i crampi alla cervicale. Fa uso di coca chi ti è più vicino. Se non è tuo padre o tua madre, se non è tuo fratello, allora è tuo figlio. Se non è tuo figlio, è il tuo capoufficio. Se non è il tuo capo, è la sua amante, a cui la regala lui al posto degli orecchini e meglio dei diamanti. Chi la usa è lì con te. È il poliziotto che sta per fermarti, il chirurgo che si sta svegliando ora per operare tua zia, l’avvocato da cui vai per divorziare. Il giudice che si pronuncerà sulla tua causa civile e non ritiene questo un vizio, ma solo un aiuto a godersi la vita. La cassiera che ti sta dando il biglietto della lotteria. Se non è lei, è il parroco da cui stai andando per la cresima, l’assessore che ha appena deliberato le nuove isole pedonali, il parcheggiatore che ormai sente l’allegria solo quando tira. Il ricercatore che sta seduto ora a destra del professore, il vigile urbano che suda moltissimo anche se è inverno, il lavavetri con gli occhi scavati. Tuo cognato che non è mai allegro o il ragazzo di tua figlia che invece lo è sempre. Il costruttore della casa in cui vivi, lo scrittore che leggi prima di dormire, la giornalista che ascolterai al telegiornale. Ma se, pensandoci bene, ritieni che nessuna di queste persone possa tirare cocaina, o sei incapace di vedere o stai mentendo. Oppure, semplicemente, la persona che ne fa uso sei tu.
Roberto Saviano is an Italian writer and journalist. In his writings, articles and books he employs prose and news-reporting style to narrate the story of the Camorra (a powerful Neapolitan mafia-like organization), exposing its territory and business connections. In 2006 he wrote his bestselling book Gomorrah, where he describes the clandestine particulars of the Camorra business.
É uma bordoada de livro. Saviano faz uma grande reportagem, mostrando as nuances do tráfico de cocaína no mundo inteiro: México, Colômbia, Itália, África. E o que me chamou a atenção: você consegue sentir a revolta dele, a raiva, a angústia com a qual escreve. Por mais que, às vezes, seja um pouco cansativo, é um baita livro para quem gosta de não-ficção.
‘ZeroZeroZero’ é pois uma massa intrincada de histórias que giram em torno da cocaína. Histórias na sua maioria desconcertantes e algumas até chocantes, mas que o público em geral não pode e não deve ignorar, porque mesmo que a maioria das pessoas delas não participe, a realidade que elas reflectem está lá, por vezes até mais perto de nós e com uma dimensão bem mais abrangente daquilo que possamos pensar. Como aspecto negativo acerca deste livro, pareceu-me apenas que o autor não se conseguiu distanciar convenientemente da esfera italiana. Fiquei com a ideia de que, à medida que ia lendo alguns capítulos, os mafiosos napolitanos e calabreses iam progressivamente tendo mais protagonismo dentro da máquina do narcotráfico, em detrimento dos narcos mexicanos ou colombianos. Tirando isso, o livro é realmente notável, e não recomendável aos leitores mais susceptíveis.
"Mais ainda conservo respeito. Respeito por quem lê. Por quem subtrai um tempo importante de sua vida para construir nova vida. Nada é mais poderoso do que a leitura." "As máfias não temem os escritores, temem os leitores".
Leia esse livro se você gosta de jornalismo investigativo: ele mostra o mundo de uma visão diferente, além da superfície. Desce muito, desce até onde se pode chegar para explicar o que muitos não gostariam que pessoas como eu e outros leitores ficassem sabendo: os podres do mundo.
Uma passagem do livro, nos agradecimentos, ilustra bem isso: "As mafias não temem os escritores, temem os leitores".
O autor não deixa dúvidas sobre sua visão dos cartéis e máfias: a maior parte do dinheiro, segundo ele, vem do tráfico de cocaína, droga vendida por valores altos e com demanda cada vez mais crescente, chamado por ele de "petróleo branco".
"Não existe nenhum mercado no mundo que seja tão produtivo e tão rápido como o da cocaína. Não existe um investimento financeiro no mundo mais lucrativo que a cocaína. Nem sequer os valores recordes que alcançaram as ações na Bolsa podem se comparar com os juros proporcionados pela cocaína"
Os primeiros capítulos são dedicado aos principais cartéis colombianos e mexicanos. Depois, os italianos (principalmente a 'Ndrangheta e Camorra). Ele faz um giro pelo mundo, passando por El Salvador, Uruguai, França e Espanha, suas ligações com os países que mais produzem (principalmente na América Latina) e o rastro de destruição e morte.
Há inclusive uma passagem sobre o Rio de Janeiro e São Paulo, contando brevemente sobre o corajoso Tim Lopes, jornalista investigativo morto cruelmente pelo tráfico.
As ideias são expostas rapidamente, muitos personagens, lugares e histórias. Sim, isso me confundiu bastante, principalmente pro eu não conhecer previamente a maioria dos personagens. Mas vale a pena. Vale MUITO a pena ler e conhecer mais sobre essa droga, por vezes, tão subestimada pelo seu poder de lucro pelas associações criminosas.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Há alguns meses eu tava hiperfocada em ler sobre facções criminosas e drogas. Depois de ler "A Guerra", do Paes Manso e Nunes Dias, cheguei nesse aqui. No geral, o livro é muito bom. O autor desenha como a cocaína é o mercado mais rentável do mundo e mostra tanto a complexidade quanto a simplicidade das relações do narcotráfico. Dos cartéis latino-americanos até a máfia russa, Saviano conta uma história de violência, poder e dinheiro. Para uma sociedade sem limites, uma droga performática. Todos querem, todos consomem. A alma do comércio é o hábito. Vender de qualquer maneira: esse é o narcocapitalismo mudando o mundo e os seus equilíbrios de poder. Apesar de ter gostado da leitura, tenho algumas ressalvas. O ritmo do livro decai muito da metade pro final, torna-se repetitivo. E não curti muito o estilo narrativo do autor, achei que ele força umas passagens e frases para dar um efeito mais grandioso ao texto. Enfim, se vc tem interesse sobre o assunto, esse livro vale muito a pena.
Cocaína — Há diversos pontos que eu gostaria de mencionar, mas serão pontos secundários de uma radiografia feita por Saviano de forma cirúrgica. Quando escutamos a palavra “cocaína” automaticamente pensamos apenas no usuário final e deixamos de pensar no seu todo. Afinal, devemos lembrar da planta e posteriormente das moléculas que se misturam. O processo logístico altamente qualificado que paralelamente favorece as inúmeras economias nacionais e internacionais.
A minha empolgação com o livro oscilou um pouco conforme ia lendo. O começo é excelente, sobre os narcos mexicanos. A parte da Europa achei meio mé, mas depois fica muito bom, onde fala da África, dos métodos que nem passam pelas nossas cabeças, das notícias de como algumas apreensões foram feitas. Tudo é muito impressionante.
“Ler, escutar, estudar, compreender é o único modo de construir vida além da vida, vida ao lado da vida. Ler é um ato perigoso porque dá forma e dimensão às palavras, encarna-as e as espalha em todas as direções.”
Livro muito bom. O problema é que devido ao grau de paranoia envolvido, você começa a char que todo mundo é traficante depois de ler esta obra prima do foragido Roberto Saviano...
É um livro bastante interessante, cheio de informações sobre o mundo do crime e como o tráfico internacional de drogas influencia a economia mundial. Só não recebe 5 estrelas porque não gostei muito da prosa do autor, que mistura fatos com ficção de uma maneira estranha (em especial, a parte onde ele fala sobre o Brasil, CV e PCC). Uma coisa é relatar fatos, outra é fazer especulações sobre a maneira como pessoas inseridas em uma realidade agem, pensam e existem. Podia ser genial se o autor tivesse se limitado aos fatos.