Há pelo menos dois livros de não ficção que toda a gente devia ler: "Se isto é um homem", de Primo Levi, e este "Ministros da Noite". Se o livro de Primo Levi nos mostra os horrores dos campos de concentração nazi na primeira pessoa, este livro polifónico mostra-nos os horrores da expansão portuguesa e da manutenção do império que nos fez os "heróis do mar" celebrados no hino nacional, através de relatos de proveniências variadas, que vão desde o século XV até ao século XX. Este livro é também uma leitura obrigatória para aqueles que, quando falam de Portugal, falam sempre do seu passado grandioso e dos seus heróis que "deram mundos ao mundo", em vez de se focarem no seu futuro. Demos mundos ao mundo, sim, mas à custa de quê? De milhões de vidas humanas destruídas, como este livro mostra.
Um dos livros mais difíceis de ler. Difícil não pela escrita ou dimensões, mas pelo conteúdo. Como português, ler isto foi como levar um murro do estômago que me deixou com uma amarga inquietação. Dificilmente se poderá negar a autenticidade dos testemunhos apresentados pela autora e somente uma grande falta de noção ou má-fé nos pode levar a relativizar ou justificar as atrocidades ali descritas. Um livro que deveria ser leitura obrigatória nas escolas deste Portugal ainda preso às velhas lenga-lengas do "bom colonizador", da "missão civilizadora" e outras alarvidades do género. O livro foi publicado nos anos 90, mas 30 anos depois ainda se tem este medo coletivo em questionar os mitos criados pela propaganda de cinco séculos de colonização.
Em boa hora a Antígona publicou a quarta edição desta obra e com um prefácio muito actual de Ana Barradas. Este é um livro charneira para mostrar ao grande público, a partir de citações de obras portuguesas desde o século XV até ao século XX, que a colonização portuguesa não foi assim tão branda. E que a Guerra Colonial continua a assombrar-nos, especialmente porque é quase ignorada nas escolas, vítima de horários de leccionação cada vez mais reduzidos e da falta de actualização dos programas.
Obrigatório, em concordância com comentários anteriores. Incontornável registo que contradiz a típica e falsa apologia da expansão de natureza branda e moderada dos portugueses. Uma dura colecção de excertos, passagens pesadas da nossa História e com muitos relatos difíceis de processar (devido aos actos de violência e crueldade aqui descritos). Fica o agradecimento e reconhecimento pelo excelente trabalho de Ana Barradas.
Sempre que se encontrasse alguém com ideais ainda afincadamente colonialistas, era de pegar neste livro e espancá-los. Falando nisso o Vaticano acabou de publicar um selo comemorativo do Papa a liderar o Padrão dos Descobrimentos.
Um livro obrigatório para todos os portugueses. Acho chocante a forma com os factos aqui retratados são omitidos no ensino e na esfera social portuguesa.