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Roberto Carlos em Detalhes

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Pela primeira vez, o cantor e compositor Roberto Carlos, maior ídolo da música popular brasileira, tem sua trajetória revelada sem cortes. Além de explicar o fenômeno Roberto Carlos, o livro também relata como nasceram canções como "Detalhes", "Emoções", "Quero que vá tudo pro inferno" e vários outros hits que fazem parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.

502 pages, Paperback

Published January 1, 2006

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About the author

Paulo Cesar de Araújo

7 books3 followers
É baiano de Vitória da Conquista, formado em história pela UFF e em jornalismo pela PUC-RJ. Especialista em música popular brasileira, além de Roberto Carlos em detalhes (Planeta, 2006), é autor de Eu não sou cachorro, não (Record, 2002), obra que revelou a censura à música brega durante a ditadura militar. Atualmente é professor da rede Faetec e do departamento de comunicação social da PUC-RJ.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
55 reviews2 followers
February 1, 2020
Com o tema da censura bombando na imprensa, e eu nessa vibe de biografias, resolvi finalmente encarar o meu Roberto Carlos em Detalhes.

Até então, só havia lido a introdução, uma verdadeira carta de amor de um fã, que conta uma história que o próprio biografado (e futuro censor) definiu como “bonita e triste”. Parece que a história de Paulo César de Araújo com Roberto Carlos está fadada a ser envolta em tristeza.

Conheci PC na faculdade, vendendo óculos pelos pilotis da PUC pra ajudar a pagar os estudos. Mais velho do que a média, exibia uma cabeleira encaracolada a la Roberto Carlos, e era reconhecido justamente por ser o único fã assumido do Rei, numa época em que, tão certo como um disco de Roberto no final do ano, era uma crítica no jornal espinafrando o disco. Lembro do susto que ele levou quando concordei com ele que Roberto era um gênio subestimado e perseguido pela intelectualidade tupiniquim.

O livro, como muitos já disseram (críticos, jornalistas, músicos, escritores), é uma obra em louvor ao artista. É lamentável que seja tomada como se fosse uma coletânea de fofocas da revista Amiga. Mais do que uma biografia do cantor e compositor mais importante da nossa história, é também rica análise de um pedaço da música popular brasileira.

Vale ressaltar que muitas entrevistas utilizadas no livro não foram realizadas especialmente para o livro. O autor já fazia entrevistas com diversos personagens da música brasileira desde o final dos anos 80. O objeto, salvo engano, era criar um acervo de depoimentos e histórias de pessoas importantes, e não só aquelas ligadas à música. Lembro que PC tinha agendado uma reunião com Luís Carlos Prestes na semana em que ele faleceu. A entrevista com Caetano Veloso, registrada em vídeo (como todas as entrevistas que fazia na época, incluindo a esquecida entrevista com Chico Buarque), foi exibida em auditória da PUC no início dos anos 90.

A parte cronológica, que esperamos encontrar numa biografia, resume-se aos primeiros cinco capítulos. O autor parte dos primeiros contatos do pequeno Roberto com a música até chegar a sua consagração, ao se tornar maior do que a onda que o tornou célebre e sobreviver ao desgaste do programa Jovem Guarda. O momento simbólico é a conquista do prêmio no Festival de San Remo, com sua chegada triunfal em São Paulo, igual a de uma seleção campeã do mundo.

A partir da trajetória de Roberto Carlos, PC constrói um painel da Era do Rádio e narra sua transição para a Era da TV. Mostra o surgimento da Bossa Nova e como o rock foi conseguindo se inserir no meio musical brasileiro, vencendo preconceitos sociais e até mesmo da elite musical da época. Mostra também o surgimento dos festivais de música na segunda metade dos anos 60.

Ao contar a história de Roberto, PC conta também pequena biografias, como a história de Heloísa dos Santos, a empregada doméstica que, no desespero, tentou ganhar a vida como compositora. Edy Silva, a divulgadora que ajudou Roberto Carlos a acontecer em São Paulo. Por meio de entrevista inédita, revela a história de Evandro Ribeiro, o chefão da CBS que consolidou a carreira de Roberto Carlos. São tantos personagens, tantas pequenas histórias deliciosas, fruto não de fuxicos, mas de entrevistas diretas com seus personagens. Ronnie Von revelando como foi contratado pela Record para anulá-lo como concorrente (confirmado pelo próprio manda-chuva da emissora). Isolda contando a gênese de Outra Vez, que deveria ser uma música alegre. Histórias que, sozinhas, não teriam força pra ver a luz do dia, mas que, atreladas à carreira de Roberto Carlos, transformam-se num belo mosaico artístico, não só da música mas também da cultura nacional. Histórias que merecem ser contadas e lidas.

A história de San Remo é um capítulo à parte. O leitor fica por dentro das regras do festival, que premiava dois intérpretes da mesma canção, um deles necessariamente italiano. E fica sabendo que Roberto Carlos não foi o único nem sequer o primeiro intérprete internacional a ganhar o prêmio. Esse tipo de patriotada é bastante comum no Brasil.

Após interromper o relato cronológico, PC parte para capítulos temáticos. O primeiro, o sexto, é baseado principalmente em relato de Caetano Veloso, e mostra a resistência da MPB a Roberto Carlos e de como ela, a partir de Sylvinha Teles, Maria Bethania e, por fim, o próprio Caetano, o abraça posteriormente. É um dos melhores capítulos do livro, apresentando os bastidores da marcha contra a guitarra elétrica, da qual participaram Elis Regina, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e muitos outros.

Depois é a vez de destrinchar a parceria entre Roberto e Erasmo Carlos, guiado pelo próprio Tremendão. No oitavo capítulo, dessa vez conduzido pelo maestro Chiquinho de Moraes, então diretor musical de Elis, conta o surgimento dos shows de Roberto Carlos no Canecão, e como Chiquinho transformou o show de Roberto com a banta RC-7 naquilo que conhecemos hoje, com orquestra, maestro, rosas etc. De quebra ficamos sabendo como César Camargo Mariano entrou na vida de Elis Regina. Não tem como ler este capítulo sem querer voltar no tempo e estar naqueles primeiros anos do Rei no Canecão.

Esses capítulos temáticos nem sempre são muito precisos. Muitos deles são aproveitados para contar causos curiosos e perde-se um pouco o foco. No capítulo sobre transgressão, fala-se sobre músicas que Roberto gravou e compôs que escapam um pouco da imagem de careta, carola e bom moço que se tem dele. Fala também das roupas, da cabeleira (com um curioso depoimento de Caetano) e outros assuntos. Até mesmo Caminhoneiro e as canções para mulheres pequenas, de óculos e gordinhas entram aqui.

O capítulo sobre sexo pode sugerir algo mais picante. E é. Mas baseado em histórias conhecidas, contadas fartamente em jornais (e inquéritos policiais) ou por seus próprios protagonistas. Uma falha do livro do PC é que muitas vezes não fica claro quando uma declaração foi feita a uma revista, num programa de TV ou diretamente ao autor. Ele diz que quis deixar a leitura fluida, pois não havia gostado de como ficou a distribuição das notas em seu livro anterior, Eu não sou cachorro não. Creio que ele pecou pelo excesso, listando todas as referências no final, mas sem ligar uma coisa a outra.

No capítulo sobre política, a principal fonte é o próprio Roberto, através de diversas declarações dele à imprensa. Há também o relato de Caetano sobre a origem Debaixo dos caracóis de seus cabelos. Curioso que, quando Caetano tocou a música e contou a história por trás dela em seu show de 1992, todos ficaram surpresos com a revelação. Eu conhecia a história desde criança, mas não tinha ideia de que não era uma história conhecida, e fiquei pra lá de surpreso com a surpresa das pessoas. Fato é que este momento marcou o início da recuperação da imagem de Roberto Carlos junto à intelectualidade e à elite musical.

Um curto capítulo fotográfico mostra um jovem Zé Ramalho, numa roupa brilhante, posando junto com sua banda de rock ao lado de Roberto ainda nos anos 60. Na sequência, as histórias de vários colaboradores de Roberto Carlos, contadas pelos próprios, mostrando o desafio que era ter uma música gravada pelo Rei, e como isso era quase igual a ganhar na Loteria.

Depois vem capítulos sobre as esposas e a fé do artista. Esses temas são sempre guiados pelas próprias composições de Roberto, que, de acordo com o autor, escreve sua biografia em forma de canções. Por fim, a relação do Rei com o próprio sucesso (ou deveria dizer majestade?).

Enfim, é uma obra que demonstra imenso respeito pela figura biografada, e tem como principal objetivo a análise de sua obra musical e como ela se insere na história da própria música popular brasileira. Fazer este livro mofar num galpão qualquer por meio de artigos indecorosos do Código Civil é certamente um crime conta a cultura nacional.
Profile Image for Marcos Henrique Amaral.
125 reviews12 followers
October 21, 2019
Nunca entendi direito por que Roberto Carlos implicou com o trabalho de Paulo Cesar Araújo acerca de sua obra e sua vida. Fui pesquisar e escrevi uma dissertação de mestrado em sociologia sobre isso. No último capítulo, percebi o quão importante é, para artistas da estirpe de Roberto Carlos, manter controle absoluto sobre a sua imagem pública, mas sobretudo sobre sua imagem privada: em alguma medida, isso "desumaniza" o ídolo, operando uma mitificação definitiva. A aura dos grandes eventos protagonizados pelo cantor, hoje, como o cruzeiro organizado anualmente em torno de seu show, as raras entrevistas e os grandes eventos (como o espetáculo em Jerusalém, que contou com parte do staff de Lady Gaga em sua produção), depende, grande medida, desse processo de mitificação, convertendo o artista em um produto lucrativo como nunca. Qualquer coisa que não passe por essa explicação me parece insuficiente no sentido de entender a celeuma que se desenvolveu em torno deste livro, uma obra que reabilita (e às vezes exalta) Roberto Carlos em um cenário musical frequentemente marcado pelo etnocentrismo de classe que o relega à condição de alienado, cafona e "alienígena". Esta biografia, mais que uma obra sobre Roberto Carlos, é um belo trabalho de historiografia que merece ser lido, especialmente para quem se interessa pelos processos que levam um artista a se converter em ídolo e mito.
Profile Image for Sergio GRANDE.
519 reviews9 followers
September 1, 2020
Quando o menino de apelido Zunga gravou seu primeiro disco profissional (João e Maria / Fora de Tom, Polydor, 1959), o homem ainda não havia chegado à Lua; nem os Beatles, nem Caetano, nem Tom Jobim ou Gal Costa haviam ainda gravado; a Guerra Fria dividia o planeta; a bossa nova tinha sido lançada apenas três meses antes; o Brasil era simples campeão mundial de futebol uma vez, nem bi; Buddy Holly e JFK ainda viviam, e Cuba não era comunista. Pois bem: o homem foi e voltou à Lua, os Beatles viraram lenda e a metade deles já morreu; a bossa nova conquistou o mundo e João Gilberto também morreu; a União Soviética acabou mas Cuba ainda é, o Brasil já ganhou o pentacampeonato e Roberto Carlos continua fazendo sucesso e turnê de agenda lotada.

O Rei. O cantor e compositor mais importante da história da música no Brasil. Poucos países no mundo possuem um artista, cantor e compositor tão entranhado no coração de seu povo, e por tantas décadas.

Don Juan capixaba que estudou datilografia no RJ (então capital da República), amante da pescaria quase tanto quanto da música e as mulheres. Menino bochechudo que quando foi levado para o hospital após de um trem esmagar sua perninha aos seis anos, só se preocupava com que médico não sujasse o sapato novo que ele tinha ganhado o dia anterior. Filho caçula que só largou a chupeta aos oito anos, amado pela mãe descendente de índio e preto. Estrela-mirim da Rádio Cachoeiro ZYL-9 que tornou-se popular cantando tangos de Gardel, boleros e samba-canções aos onze anos.

O artista que virou maior do que a onda que o fez célebre -a Jovem Guarda- e que procurava difusão do seu disco ligando para as rádios, geralmente de um telefone público na farmácia Pederneira em frente à sua rua em Lins de Vasconcelos. Ele disfarçava a voz, inventava um nome, pedia a música, desligava e aí logo ligava de novo com outra voz e outro nome. Assim mesmo com disco gravado mas sem sucesso, ele chegou cantar em circos de lona rasgada, com una audiência de dez pessoas e de megafone na mão porque não havia amplificador (enquanto ele continuava trabalhando como funcionário barnabé no Ministério da Fazenda).

Tudo isso e muitas histórias da música e os músicos (Erasmo, Caetano, Gilberto Gil, Bethânia, Tom Jobim, Vinícius, Tim Maia, Elis Regina, Wilson Simonal, Jorge Ben, Chico Buarque, Wanderléa, Marcos Valle, et al).

Tal vez o livro seja cumpridão demais por perder muito tempo repetindo histórias dos quebra-quebras e constantes brigas entre MPB, a turma da bossa nova, cabeludos da jovem-guarda, rockeiros, e universitários baianos entre eles, e da Elis contra todo mundo. E ainda maior desperdício de espaço são as páginas dedicadas à música de protesto e às encrencas de Chico Buarque. E se fosse meu livro, eu também tirava a maioria daquele capítulo chato sobre a obsessão religiosa do sujeito.

Mas, edição e venda deste livro foram proibidas no Brasil por ordem da Vigésima Vara do Fórum Criminal de São Paulo, em Abril 2007. Só o Juiz e o Roberto Carlos sabem o motivo –não pode ser só por incluir umas poucas histórias que pintam ao rei como um grande garanhão. O livro é realmente uma carta de amor ao ídolo escrita for um jornalista/fã sem preconceitos aparentes nem medo à indiscrição.

Afinal de contas o que conta é que com este livro, se eu chorei ou se sorri o importante e que emoções eu vivi. Adorei.
36 reviews
January 23, 2026
Confesso que não gostava do Roberto Carlos por puro pré conceito formado por opiniões de amigos e familiares. Ao ler esse livro passei a compreender Roberto Carlos, especialmente na seara política, que era o que eu mais desgostava nele. Hoje admiro sua obra. Sem dúvida um grande cantor e compositor brasileiro.
Recomendo a todos a leitura.
Profile Image for Louise.
12 reviews1 follower
Want to read
March 1, 2007
I'm very excited about reading this unauthorized biography of Roberto Carlos, Brazilian Elvis/Johnny Cash and personal idol, specially now that he sued the writer and had all copies removed from bookstores. He's a very private person.
Profile Image for Gio Sacche.
40 reviews6 followers
February 27, 2014
Começou espetacular, os trechos do Tim Maia são os mais engraçados. A primeira metade do livro relaciona bem os momentos de Roberto com o cenário musical da época, político também. A segunda metade é repetitiva e vira uma exaltação a Roberto, o que cansou muito.
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