Tenho, nos últimos dias, recorrido às páginas de Jorge Amado para que me avive e condimente a memória, em antecipação de um artigo que quero escrever.
Bahia de Todos os Santos é um guia de viagem. Foi escrito durante a segunda guerra mundial e revisto pelo autor, por duas vezes, em edições posteriores.
Tem de tudo. Receitas culinárias, top dos capoeiristas, apontamentos históricos e literários, da paisagem e do engenho das gentes. Tem também muito das inquietações sociais e políticas, ideológicas, do autor. À época eram compreensíveis e respeitáveis, hoje são maçadoras, mas é tamanha a paixão que JA empenha nesta escalpelização do território, tamanho o carinho que pinga em borrões constantes da sua pena, que o leitor do século xxi, observando deste ponto do futuro que quase se não vislumbrava então, acaba perdoando.
Não será a obra maior do talentoso baiano, isso não, mas é uma leitura apaixonante. Acreditem.