Milagres que nunca existiram, um filho que bate na mãe, um irmão que bate noutro irmão, execuções e assassinatos num país de brandos costumes, heróis que afinal não foram assim tão bonzinhos, reis loucos num país de loucuras, aliados piores que o pior dos inimigos, batalhas vitoriosas com uma mãozinha divina ou grandes desastres militares, traições e conspirações de vão de escada, um rei com gosto por freiras, outro impotente que não conseguia satisfazer a mulher, um governo que nem cinco minutos durou, um atentado onde tudo correu mal e o visado saiu ileso, um ditador temível que resistiu 40 anos no poder até cair de uma cadeira de lona... Podem parecer-lhe históricas anedóticas, falsas, absolutamente surreais. Muitas delas nunca nos foram contadas na escola. Mas fique a saber que são quadros bem reais e fazem parte dos nove séculos da História de Portugal. Sabia por exemplo que nunca houve uma escola náutica em Sagres, que frei Miguel Contreiras nunca existiu? Que D. Pedro, além de D. Inês, amou também o seu escudeiro? Que a morte dos Távora envolve sexo, mentiras e política? Sabia que Vasco da Gama, herói das Descobertas, era temido por ser um homem cruel? Que Palma Inácio foi o primeiro pirata do ar?
JOÃO PEDRO ROSA FERREIRA nasceu a 19 de Setembro de 1960. Licenciado em História (1982), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre em História Cultural e Política (1987) e Doutor em História e Teoria das Ideias (Pensamento, Cultura e Política) (2018), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Jornalista, desde 1989, colaborou em vários periódicos e revistas como Tal & Qual, Correio da Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Notícias, tendo dirigido a revista Focus (2004-2005). É investigador do CHAM – Centro de Humanidades, no grupo de investigação Leitura e Formas de Escrita, e, entre 1984 e 2014, foi investigador do Centro de História da Cultura. Interessa-se por história das ideias, história da cultura, história do livro e da leitura, história da imprensa periódica e humor studies.
Já por aqui falei da minha curiosidade relativamente à História de Portugal. Apesar de ultimamente não andar a ler muitos romances históricos ou livros de não ficção sobre o tema, sempre que leio costumo gostar. Talvez seja a vontade de perceber melhor modos de vida tão distintos que, de certo modo, ao permitir-nos perceber quem fomos nos ajudam a saber quem somos e para onde vamos.
No ano passado, li um livro muito ao estilo deste de que hoje vos falo, o Histórias Secretas de Reis Portugueses. A atestar pelo título, a diferença consistiria em histórias secretas em vez de rocambolescas e a abordagem a reis portugueses em vez da História de Portugal de um modo geral. Na verdade, ambos são muito semelhantes, pretendendo chamar a atenção para factos pouco conhecidos da nossa História ou mesmo desmistificar algumas lendas e outros factos tidos como verdadeiros.
Este Histórias Rocambolescas está organizado tematicamente, e dentro de cada tema de forma cronológica. Cada episódio relatado ocupa uma média de 2-3 páginas, o que só por si é indicativo da forma algo superficial como é abordado. Ou seja, o público-alvo deste livro será essencialmente aquele sem conhecimentos muito aprofundados sobre a História do nosso país, porque caso contrário parece-me que terminará a leitura sentindo-se defraudado.
Pessoalmente, aprendi algumas coisas e recordei outras. É um livro que se lê rapidamente, interessante q.b. e poderá servir de referência para consulta futura sobre algum dos episódios abordados. Contudo, não se espere encontrar revelações ou descobertas muito importantes sobre a nossa História, porque este é, essencialmente, um livro de curiosidades sobre a mesma.
Gostei muito de ler este livro! As expectativas eram elevadas e não saíram nada frustradas. O autor apresenta-nos diversas histórias que compõem a nossa História de forma imparcial e precisa. Aliás, a única coisa imparcial deste livro é o título, o qual eu acho não adequar-se ao seu conteúdo, pois o que tem de rocambolesco um terramoto, a Inquisição, o assassínio de Inês de Castro, entre outros exemplos? Em todo o caso, a verdade é que este livro é interessantíssimo, visto que ficamos a aprender mais qualquer coisa sobre a nossa História. E o que é melhor é que os textos, que têm o tamanho ideal para um livro que se pretende recreativo, não são nada aborrecidos, contentando todos aqueles que pensam que a História é chata. Gostei muito e com certeza que recomendo a leitura deste livro!
I read it out of curiosity because I usually prefer books that are denser in Portuguese history. This one is more focused on unusual stories and curiosities, which I find interesting for cultivating an appreciation of Portuguese history. However, it somewhat limits the grandeur of the people described
Um conjunto de pequenas histórias da História de Portugal que permite refrescar a memória e desmistificar algumas personagens, como o infante D.Henrique, por exemplo. Leitura leve e que deixou curiosidade para um dia aprofundar mais em alguns episódios específicos.
D. Afonso Henriques obteu do Papa o reconhecimento da Independência de Portugal e da sua posição de Rei em 1179.
Significa então que é a partir de 1179 que Portugal passa a existir oficialmente enquanto nação, pois na altura apenas o representante de deus na Terra tinha o dom de reconhecer países.
Assim sendo é perfeitamente normal que em mais de 800 anos de História tivessem sucedido um rol de histórias que, dadas as suas características, não sejam muito conhecidas ou delas os portugueses tenham orgulho.
Aqui o que supostamente o jornalista João Ferreira se propõe a fazer é o de trazer a lume algumas dessas histórias, porém não considero que o seu trabalho me tenha surpreendido.
Quando iniciei a leitura deste livro julguei, confesso, ir ler narrativas ou, se quiserem, histórias, que colocassem em causa a versão oficial de factos conhecidos. Há efectivamente casos desses , no entanto, na grande maioria das histórias apresentadas, o autor faz um simples resumo um pouco ao estilo da wikipédia.
Há casos e casos que são narrados em duas simples páginas, até os casos mais delicados, a sua narrativa centra-se em 4, 5 páginas, ficando desse modo um sabor a pouco e uma sensação de logro, uma gritante falta de investigação.
Veja-se, por exemplo, o caso dos Távoras. Um caso terrível com diversas implicações e que teve repercussões durante muitos anos. Neste livro são-lhe dedicadas somente 3 páginas e nada de novo é contado.
Muito insuficiente!
Em todo o caso é um livro interessante para quem tem poucos conhecimentos da História de Portugal e assim acaba por ganhar algumas historias para contar aos amigos.
Um livro muito fácil de ler, muito interessante e divertido.
Para alguém que esteja à vontade com o tema da História de Portugal, pode ser um livro banal, muito pouco completo e que não traz nada de novo. Para alguém que se saiba pouco mais do que aprendeu na escola (e que em muitos casos já esqueceu), é um livro que dá a conhecer (ou a relembrar) os mais importantes episódios da História de Portugal. Bem como a desmistificar ideias de acontecimentos que nunca existiram ou que não aconteceram da forma como achávamos.
O livro está dividido em pequenos episódios da História de Portugal (normalmente de 3 ou 4 páginas cada). Por isso, é excelente para preencher pequenos momentos mortos.
É um bom livro para criar um gosto por História e para querer aprender mais.
Great book delving deeper into some widely accepted 'histories' of Portugal. Great fun for the most part, but it does expect a pretty firm grasp of Portuguese history to begin with, since it then sets out de-myth some of it.
The only bits that left me a bit cold were some 19th century political intrigues that I'd never heard of to begin with. Couldn't figure out who was who and ended up skipping a couple of pages.
But an otherwise thoroughly engaging book, perfect for dipping in and out for a few chapters at a time. Definitely recommended for Portuguese history buffs...who happen to speak Portuguese :o)
great book, I just think some parts of the book are simply history lessons without really having anything to add or special to reveal despite of what the title of the book promises