Recebida em clima de grande euforia, Maria Pia foi, 48 anos depois, expulsa de um país a quem dedicou toda a sua vida. Morria pouco tempo depois, demente, longe dos seus tempos de fausto e opulência, mas com a secreta esperança de que a morte lhe trouxesse a tranquilidade há tanto desejada. Diana de Cadaval traz-nos um retrato impressionante de D. Maria Pia, rainha de Portugal. Num romance escrito na primeira pessoa, ficamos a conhecer a trágica vida de uma princesa italiana feita rainha com apenas catorze anos.
DIANA ÁLVARES PEREIRA DE MELO, 11ª Duquesa do Cadaval, licenciada em Comunicação Internacional pela Universidade Americana de Paris, trabalhou na leiloeira Christie's, em Londres. Actualmente está a frente da gestão dos negócios da família, promovendo e apoiando festivais e diversos eventos de cultura em Évora. A sua estreia na ficção ocorreu em 2010 com o romance histórico «Eu, Maria Pia».
A vida desta Rainha, a sua família de origem, a sua família portuguesa e o tempo histórico em que nasceu e viveu, tanto em Itália como em Portugal, tinham tudo para ser pano de fundo e matérias absolutamente fascinantes para um romance histórico. Infelizmente, achei este livro excessivamente simplista e sentimental, a construção da voz narrativa das personagens é pobre, a linguagem é demasiado banal, a escrita é fraca, e a contextualização histórica e ambientação são inexistentes. Os saltos narrativos sem grande contexto são uma oportunidade perdida para enriquecer o romance com ambientação histórica, com o Portugal oitocentista, com as personagens da corte e da família real: mas nada disso é feito. Não sendo historiadora, não posso aferir da correção factual do que é narrado: mas imagino que haja um grande teor especulativo, nomeadamente sobre os sentimentos e pensamentos íntimos da Rainha - o que não é um pecado capital, o género do romance histórico também vive disso, e o leitor se quisesse apenas factos leria um livro de História. Mas aqui a falta de contexto e a narrativa totalmente na primeira pessoa deixam a especulação a pairar no vazio. Infelizmente, não recomendo.
This book lacks all historical investigation and surpasses everything that can be tolerated as lack of skills for writing. The author can't even express herself in correct Portuguese language. She literally says that 'cannons were dropped from the castle' and many similar appalling things. The vision of a shy bride before a strong and gracious groom is absolutely the opposite of what all the family letters say. But then again, the author never read those letters, or any historical papers about this queen. She just wrote a book as you write the lyrics for a song. Too bad it is totally out of tune.
Este livro é narrado na primeira pessoa e mostra-nos a visão da autora sobre a vivência e os sentimentos de Maria Pia desde a infância em Itália, passando pela aclamada chegada a Portugal, até ao seu exílio 48 anos depois.
Uma mulher que criou controvérsia pela sua maneira de ser e constantes alterações de humor. Vivia intensamente e ao limite os seus sentimentos bons ou maus, por vezes de forma exagerada.
Um livro que tem por finalidade nos dar a conhecer a Mulher e não os factos históricos, embora seja contextualizado. Uma leitura muito agradável e rápida que nos dá a conhecer além da Rainha, a menina que teve de se tornar mulher antes do desejado pois chega a Portugal com apenas 14 anos. Conhecemos-la como mãe, irmã e mulher, com todas as suas excentricidades, considerada generosa pelo povo mas ao mesmo tempo excêntrica por gastar muito dinheiro.
Gostei muito de conhecer um pouco mais desta rainha de quem se sabe o nome mas não se sabe a história. Agradeço à Planeta o envio deste exemplar que certamente não iria ler tão cedo mas que recomendo a todos os que gostam de saber um pouco mais sobre personagens da nossa história.
Numa escrita simples e directa que pouco se altera ao longo da narrativa, “Eu, Maria Pia” conta-nos a história desta Rainha portuguesa misturando factos históricos e registos da época com a opinião pessoal da autora sobre Maria Pia, tentando conciliar todas as facetas (por vezes algo contraditórias) desta mulher.
É com pena que defino este livro como uma autêntica chuchada mas serviu pra me deixar curiosa em relação a algumas figuras e factos históricos (dos poucos que a autora se deu ao trabalho de relatar) pra tentar encontrar livros em condições que me possam dar respostas concretas. A autora no fim da obra refere que isto é de facto um romance e que os historiadores é que têm a função de se remeter aos factos…mas até pra se contar uma história se pode ser menos aborrecida. Queria ler a história da Mariana Alcoforado mas depois deste até tremo…
Por ocasião da leitura de D. Amélia, de Isabel Stilwell, fiquei com curiosidade sobre a Rainha que a antecedeu, e sua sogra, D. Maria Pia. Não tinha grandes expectativas quanto a este Eu, Maria Pia – confesso que mais por causa da autora do que outra coisa – mas como estava disponível na biblioteca e é um livro relativamente curto, pensei que não faria mal em tentar.
O livro, que a autora refere não pretender ser uma biografia de D. Maria Pia, mas a sua visão sobre a vida desta personagem, é contado na primeira pessoa pela protagonista dos acontecimentos, desde a sua infância em Itália, até ao noivado e casamento com tenra idade com o Rei de Portugal, D. Luís, passando pela maternidade, obras de caridade e excentricidades, e culminando com o Regicídio e o exílio de Portugal.
O livro está dividido por capítulos curtos, em que cada um deles aborda uma determinada fase da vida da Rainha; apesar de estas seguirem uma ordem cronológica, teria sido de valor colocar a data/ano a que se referem no início dos capítulos. É que tanto há capítulos cujos acontecimentos se seguem imediatamente, como outros em que decorrem anos entretanto – resta ao leitor tentar adivinhar ou fazer contas. A juntar a isto, os capítulos parecem desconexos, como se tivessem sido escritos um de cada vez e depois colocados no final uns a seguir aos outros: sabemos que pertencem à mesma história, mas nunca sentimos a necessária fluidez entre eles.
Depois, a contextualização histórica é muito fraca. Ocasionalmente, temos lampejos do modo de vida dos portugueses e do que ia acontecendo pela Europa fora, mas tudo é tratado de forma bastante superficial, quase como se por obrigação. Por fim, não senti qualquer empatia com D. Maria Pia. A autora tenta equilibrar o carácter excêntrico da Rainha com os desgostos amorosos e os seus feitos a nível de caridade, mas na minha opinião isso não foi bem conseguido – penso que faltou profundidade e desenvolvimento emocional à personagem. A escrita algo banal também não ajuda.
No final de contas, penso que o livro não funciona bem nem a nível de relato histórico, pela superficialidade com que é contextualizado, nem a nível de romance, pois as tentativas de criar empatia entre o leitor e a D. Maria Pia que aqui apresentada são infrutíferas. Valeu por ter ficado a conhecer alguns acontecimentos que marcaram a vida da Rainha, mas fora isso considero-o dispensável.
Este livro foi-me oferecido, e provou-me que a qualidade não se vê na quantidade. Em poucas páginas, Diana de Cadaval consegue fazer-nos um retrato da mente e da vida de D. Maria Pia, princesa italiana e rainha portuguesa, que sem dúvida me mostrou o que foi viver com constantes alterações de humor.
Diana de Cadaval explica no seu livro que este não foi escrito enquanto biografia de D. Maria Pia, mas sim para dar a conhecer o que a autora entendeu como sendo os pensamentos da Rainha. E embora ache que o trabalho de Diana de Cadaval está muitíssimo bem conseguido, não posso deixar de referir que, em determinadas passagens e especialmente à medida que o fim do livro se aproximava, por mais que uma vez dei por mim a pensar que "isto podia ser melhor explicado" ou "aquilo podia estar um pouco mais completo".
Suponho que o facto de ter gostado tanto deste livro contribuiu para querer ver certas passagens do mesmo mais alongadas, pois quanto mais historia, mais teria para ler. Mas muito embora este facto, sei que em determinados temas, o meu lado curioso não ficou completamente satisfeito com o que leu.
Muito embora não saiba como definir a bipolaridade, enquanto doença, cientificamente, tenho uma vaga ideia de que se manifesta pela alteração mais ou menos constante de humor dos que dela padecem. E assim sendo, acho que D. Maria Pia poderia, nos dias de hoje, ser diagnosticada com bipolaridade, ou pelo menos, foi com essa ideia que fiquei. Pois muito embora tivesse tido, de facto, motivos para estar triste, frustrada e desesperada algumas vezes, nem sempre se mostravam suficientes para a intensidade que o seu desespero e a sua tristeza atingiam.
Acho que foi uma Rainha que viveu tudo ao máximo, o bom e o mau, tudo sentiu intensamente. E isso deixa uma pessoa exausta de viver por vezes, bem se entende. É uma rainha da qual pouco sabia, que na escola quase nem foi mencionada, e saber mais sobre ela foi muitíssimo interessante.
Se não mo tivessem oferecido, provavelmente iria passar-me um pouco ao lado esta leitura, mas felizmente fizeram-no, porque agora que o li, recomendo sem reserva alguma a quem quiser saber mais sobre esta princesa-rainha, que teve que crescer tão depressa :)
Livro interessante, bem escrito, narrado na 1º pessoa (D. Maria Pia), a personagem central, mãe do rei D. Carlos. Leitura ligeira, dá uma ideia do que foi a vida trágica desta rainha italiana de Portugal.