Jornalista de profissão e escritor nas horas vagas, Adriano descobre-se, de repente, na meia-idade. A vida não passa de um jogo extremamente cruel e ele dá consigo “sentado à beira da água opaca, a fumar o cachimbo e a morder um caule de erva que sabia a fénico”… O resultado do choque é um suicídio frustrado e uma fuga, sem esperança para Macau.Em Macau, descobre um passado de que nunca suspeitara e descobre também a angústia sorridente da próxima reintegração na China. Mas a "pérola do Oriente" reserva-lhe uma outra mergulhado brutalmente numa intriga que já fez vários mortos, Adriano é obrigado a esquecer as reflexões pessimistas sobre a vida e o mundo, para ceder ao instinto primitivo de lutar pela sua sobrevivência.
JOÃO AGUIAR nasceu em 28 de Outubro de 1943. Licenciado em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, trabalhou nos centros de turismo de Portugal em Bruxelas e Amesterdão, regressando a Lisboa e à carreira jornalística em 1976. Foi assessor do Ministro da Qualidade de Vida, no VII Governo Constitucional (1982-83). Foi autor da reportagem Uma Incursão pelo Esoterismo Português (1983) e dos romances A Voz dos Deuses (1984), O Homem Sem Nome (1986), O Trono do Altíssimo (1988), O Canto dos Fantasmas (1990), Os Comedores de Pérolas (1992), A Hora de Sertório (1994), A Encomendação das Almas (Prémio Eça de Queiroz, 1995), O Navegador Solitário (1996), Inês de Portugal(1997), O Dragão de Fumo (1998), A Catedral Verde (2000), Diálogo das Compensadas (2002), Uma Deusa na Bruma (2003), O Sétimo Herói (2004), O Jardim das Delícias (2005), O Tigre Sentado (2008) e O Priorado do Cifrão (2008). Foi também autor de colecções infanto-juvenis, nomeadamente de O Bando dos Quatro e Sebastião e os Mundos Secretos. Faleceu a 3 de Junho de 2010.
Confesso, o que para muitos já não é novidade, que gosto bastante de ler João Aguiar. O que tenho lido deste autor torna-se sempre uma agradável surpresa. Por mais que conheça o seu estilo e muitos dos seus livros, acabo por ser surpreendida cada vez que começo a ler um. Não sendo esta uma das suas obras mais destacadas e conhecidas, constituiu uma leitura simples mas agradável, que nos agarra ao longo de toda a história. Desta vez “Os comedores de pérolas”, escrito em 1992, levam-nos até Macau, nas vésperas da transferência da administração portuguesa para a China. Este território que muitos apelidavam de “a pérola” do oriente, é aqui comparado à anedota histórica da Cleópatra em que esta dissolveu em vinagre uma pérola e depois bebeu esta mistura para provar a Marco António que era mais gastadora do que ele. Aqui a alegoria visa recordar-nos da ausência de esforço por parte dos nossos governantes em salvaguardar esta pérola através dos tempos, acabando por nos termos convertido em “comedores de pérolas” imitando a rainha egípcia. A escrita é-nos apresentada em forma de diário onde Adriano, tal como o próprio autor, jornalista e romancista, nos vai dando a conhecer, todo o desenrolar de uma investigação, aparentemente simples, mas que se revela um poço de segredos incómodos para muitos. A recuperar de um esgotamento, chega a Macau para investigar o espólio do comendador Wang Wu, que viveu no século XIX. Com o desenrolar do estudo, verifica-se que Wang Wu e a sua esposa não eram quem se pensava. A investigação paga pelo neto de Wang Wu, um milionário que vive em Hong Kong, acaba por se revelar um jogo de interesses em que Adriano vai descobrindo a mesquinhez da alma humana num sonho oriental. Um verdadeiro cenário de intriga policial que nos mantém presos até ao fim, à espera da resolução de todos os enigmas. Este é o primeiro volume de uma trilogia, que se segue com “O Dragão de Fumo” e “A Catedral Verde”. No entanto qualquer um deles pode ser lido isoladamente. Todos os três livros contam episódios da vida de Adriano Correia e passam-se todos em Macau, em épocas distintas.
Este livro difere bastante dos outros livros que já tinha lido deste autor. Se não soubesse, diria até tratar-se de autores diferentes. No que respeita a este livro em particular, posso dizer que é um livro razoável, bem escrito, simples mas não simplista, que consegue captar o interesse do leitor.
Um aspecto bastante positivo e que lhe confere uma maior riqueza, é o enquadramento histórico, temporal e geográfico da história. Quanto à história em si não é original nem surpreendente. Trata-se de uma intriga em que um jornalista se vê envolvido, ao descobrir segredos do passado de uma figura importante, durante um trabalho de análise de um espólio, para o qual havia sido contratado.
Este tipo de histórias de intrigas e mistérios, são bem conhecidas e esta tem todos os ingredientes clássicos (espiões, perseguições, assassinatos, enigmas, traições, e claro uma história de amor). De todos os livros que li deste autor até agora, este foi aquele que achei mais interessante, no entanto, temo que seja um daqueles livros que se esquece facilmente. Um bom livro para "entreter". Óptimo para férias.
Ein seltsames Buch... Es beginnt damit, dass der Erzähler - Portugiese, Anfang 50, Schriftsteller - von seinem Nervenzusammenbruch erzählt. Oder seiner Midlife Crisis. Ich hätte fast abgebrochen. Dann wird es interessant und es geht um die (damals) aktuelle Situation von Macau und die Vergangenheit einer einflussreichen Familie. Irgendwann überschlagen sich jedoch die Genres und man hat außerdem noch einen Thriller und eine Liebesgeschichte - und das Buch ist für keines der zahlreichen Genre ein gutes Aushängeschild. Es geht drunter und drüber, ohne dass es spannend wird. Zwar war ich neugierig, wie alles schließlich aufgelöst wird, ich hätte jedoch auf dieses Finale auch gut verzichten können.
É um livro sobre espionagem e conspirações, para quem gosta do género deve ser bom. A história não era entediante mas também não era cativante. Lia-se, simplesmente. Gostei do sentido de humor do narrador.
Uma agradável surpresa que nos leva a uma Macau cheia de História e os seus fantasmas que servem para o nosso Adriano Carreira(Também com os seus muitos fantasmas) passar de um estado quase esquizofrénico para um estado pleno de equanimidade. Reforço a agradável surpresa que foi proporcionada por este romance histórico-policial(?)
Das Buch hat mir richtig gut gefallen, und dass ich so lange zum Lesen gebraucht habe, lag nicht am Buch, sondern an Advent, Weihnachten, Silvester, Geburtstag etc. Zu Anfang war ich etwas verwirrt von den plötzlich auftauchenden Personen, aber das hat sich schnell gegeben, Eigentlich finde ich es ganz gut, vor allem wenn das Buch im Tagebuch-Stil geschrieben ist, wenn nicht alle Personen beim ersten Auftauchen ausführlich erklärt und beschrieben werden. Das wirkt authentischer. Die Geschichte Macaus kannte ich gar nicht. Über Hong-Kong haben wir relativ ausführlich im Englisch-Unterricht gesprochen, aber von Macau hatte ich, ehrlich gesagt, keine Ahnung. Ich habe also viel dazugelernt, beim Lesen und beim Nachschlagen ;-)
Estuvo bien, entretenido, pero no brillante. De vez en cuando veía la chispa literaria que había descubierto de João Aguiar en A Encomendaçãos das Almas, pero no con el mismo ingenio. A seguir con O Dragão de Fumo.