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Sermões: Antologia

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O volume, com o texto atualizado segundo o Novo Acordo ortográfico, contém os seguintes sermões do Padre António Sermão da Sexagésima; Sermão da Quarta-feira de Cinza; Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma; Sermão da Quinta Dominga da Quaresma; Sermão de Santo António; Sermão de S. Pedro; Sermão de Santo Inácio; Sermão do Bom Ladrão; Sermão do Nascimento da Virgem Maria; Sermão da Glória de Maria, Mãe de Deus; Sermão dos Bons Anos; Sermão do Mandato; Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda; Sermão da Primeira Dominga do Advento – I; Sermão da Primeira Dominga do Advento – II.

482 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1657

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About the author

António Vieira

459 books57 followers
Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, e faleceu na Baía em 1697. Aos seis anos vai para o Brasil com os pais e fixa-se na Baía.

Em 1623 inicia o noviciado na Companhia de Jesus. Ordena-se sacerdote em 1635, exerce as funções de pregador nas aldeias baianas e começa a granjear notoriedade como pregador.

Os primeiros sermões já reflectem as preocupações sócio-políticas de Vieira porquanto a colónia da Baía lutava contra as invasões dos holandeses. Em 1641, restaurada a independência, regressa a Portugal e cativa o favor de D. João IV. Por isso, inicia em 1646 missões diplomáticas na Europa. Volta ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão, depois de se envolver em questões relacionadas com a Companhia de Jesus.

Aí toma um papel muito activo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte prega o " Sermão de Santo António aos Peixes ". É expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressa a Lisboa. Em 1665 é preso em Coimbra pelo Tribunal do Santo Ofício sob a acusação de acreditar nas profecias do poeta Bandarra. Três anos depois é amnistiado e retoma as pregações em Lisboa.

Em 1669 parte para Roma e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Regressa a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retira-se de vez para a Baía em 1681 onde se entrega ao trabalho de compor e editar os seus Sermões.

A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável.

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Community Reviews

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1 star
23 (6%)
Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Luís.
2,393 reviews1,395 followers
October 24, 2021
Father Antônio Vieira was known for his work in defence of the Indians. Born in Portugal, it was in Brazil that he began to write his sermons and evangelize. The religious was part of the Society of Jesus and defended the indigenous peoples, the freedom of the Jews, persecuted by the Inquisition of the Catholic Church.

The "Sermon of St. Anthony to the Fishes" and the "Sermon of the Sixtieth" are two well-known sermons from Vieira's work. Generally, his texts were easy to understand to reach a broad audience without loss of content. In addition, the author was known for his strong arguments, always trying to anticipate questions.
Profile Image for Sérgio.
111 reviews31 followers
September 2, 2019
Considerado por Pessoa como “imperador da língua portuguesa”, ainda hoje é possível sentir a pujança e apreciar a fluidez da escrita daquele que se atreveu a conceber a História do Futuro, o Padre António Vieira. Homem multifacetado, ficou conhecido, sobretudo, pelos seus sermões, que galvanizaram o país, mobilizaram a sociedade civil e chegaram até a inquietar a Inquisição. A presente colectânea reúne dois dos mais famosos, o “Sermão de Santo António aos Peixes” e o “Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as da Holanda”.

Cronologicamente, o “Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as da Holanda” é o mais antigo, datando de 1640, oficiado na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, cidade de São Salvador da Bahia. Grito de revolta contra a invasão holandesa do Brasil, no contexto da guerra de independência da Holanda face à Coroa espanhola, à qual Portugal esteve ligado também, entre 1580 e 1640, o sermão surge como um incentivo à insurreição armada dos colonos brasileiros. O mote escolhido é o Salmo 43:24-25,27 (segundo a Bíblia Sagrada – Ave Maria):

“Acordai, Senhor! Porque dormis? Despertai! Não nos rejeiteis continuamente!
Porque ocultais a vossa face e esqueceis nossas misérias e opressões?
Levantai-vos em nosso socorro e livrai-nos, pela vossa misericórdia.”

Partindo de uma premissa arrojada, não já um apelo, mas antes um contínuo debate directo com Deus com vista à acérrima defesa da causa portuguesa, Vieira fundamenta a sua argumentação em quatro pontos principais. (1) Uma vitória holandesa levaria ao enaltecimento herético da falsa religião protestante perante a verdadeira religião cristã, a católica. (2) O desfavorecimento dos portugueses na luta pela posse do Brasil conduziria à entrega de mão beijada dos frutos do labor de verdadeiros crentes a heréticos, o que, mais uma vez, mancharia a glória divina. (3) O recurso à piedade divina para com os portugueses é um acto de preservação da verdadeira fé e dos santíssimos sacramentos católicos apostólicos romanos. (4) Os próprios pecados dos colonos brasileiros, dada a sua enorme dimensão, plenamente assumida por Vieira, só poderiam ser perdoados à luz da misericórdia de Deus, pois o perdão é um acto de enaltecimento do Seu próprio nome.

Catorze anos depois, após uma carreira diplomática bem-sucedida, na Holanda e na França, o Padre António Vieira retorna ao Brasil. Aí profere o “Sermão de Santo António aos Peixes”, na cidade de S. Luís do Maranhão, no dia 13 de Junho de 1654. Aguerrido defensor da causa jesuítica contra a exploração indígena, predominante nas roças de açúcar e tabaco da colónia, Vieira utiliza o sermão como arma de denúncia e moralização dos latifundiários esclavagistas. O mote adoptado para a prédica é a passagem do Evangelho de São Mateus 5:13 (segundo a Bíblia Sagrada – Ave Maria): “Vós sois o sal da terra”.

Aproveitando a festividade litúrgica em honra de Santo António, Vieira serve-se de um episódio da hagiografia do santo – o sermão dado aos peixes em Rimini, alienado que foi pelos heréticos da cidade – como pretexto metafórico para criticar abertamente o seu público-alvo. Primeiramente, tece o elogio dos peixes, particularizando-o através de quatro espécimes: o peixe de Tobias, uma referência bíblica, capaz de curar a cegueira e exorcizar os demónios; a rémora, epítome da fortaleza dos princípios e da vontade; o torpedo, associado à conversão dos heréticos; e o quatro-olhos, símbolo da prudência. Todavia, o âmago do sermão centra-se nas repreensões do binómio peixes/colonos esclavagistas que, segundo afirma António Vieira, se comem “uns aos outros” e, pior, “os grandes comem os pequenos” (VIEIRA, p. 23), visando a exploração do homem pelo homem e a voracidade dos latifundiários. Também aqui se serve de quatro peixes como veículo principal das suas críticas: os roncadores, personificação da soberba; os pegadores, parasitas por natureza, metáfora dos cortesãos oportunistas gravitando em torno do Vice-Rei do Brasil; os voadores, de ambição desmedida; e o polvo, representação da dissimulação. As suas últimas palavras são reservadas para criticar o roubo dos pertences dos náufragos, uma violação grosseira da piedade cristã, e negar a graça divina, usual no final de cada sermão, aos colonos pecadores.

Perpassa por toda a prosa do Padre António Vieira um brilho incandescente, bem fundado na fé inabalável em Cristo, que se serve de todos os meios da razão e da exegese bíblica, da qual era um profundo conhecedor, para a argumentar e difundir. Num período de intensas convulsões políticas e socioeconómicas como foi a Restauração da Independência, Vieira, o homem das causas humanitárias, Vieira, o incansável defensor dos interesses de Portugal no estrangeiro, Vieira, o profeta, é a personificação da exuberância e do dinamismo cultural do barroco. Seria esse cromatismo multidisciplinar, solidamente ancorado na fé, na razão e no humanismo, que tanto impressionaria homens como Pessoa, que, em 1931 se queixava já da deterioração dessas bases da civilização ocidental, no trecho “Quando nasceu a geração, a que pertenço, encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro, e ao mesmo tempo coração…”, do Livro do Desassossego (PESSOA, p. 191-192).

Referências

VIEIRA, Padre António (2008) – Sermões. Porto: QuidNovi. (Colecção 120 Anos JN – Grandes Autores Portugueses, n.º 4).

PESSOA, Fernando (2012) – Livro do Desassossego. Org. e Notas de Richard Zenith. 10.ª Ed. Porto: Assírio & Alvim.
Profile Image for Pedro.
Author 51 books61 followers
December 31, 2013
Não é um livro de fácil leitura: Tem frases em latim e conteúdo filosófico e teológico tornar-se por vezes bastante complexo. Contudo, é graças a estes sermões que o Padre António Vieira foi considerado por Fernando Pessoa como o imperador da língua portuguesa. Título aliás bem merecido, já que os sermões e cartas estão escritos numa prosa riquíssima. Os temas são abordados de um modo bastante vanguardista para a época e, em especial o sermão aos peixes, são tão actuais como quando foram escritos.

É um livro que recomendo a todos os que queriam enriquecer a sua cultura em língua portuguesa.
Profile Image for Pedro.
91 reviews
February 4, 2015
Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.


Só pela passagem acima vale a pena a leitura. É um livro para ler e reler muitas vezes, um dos mais importantes clássicos da literatura portuguesa.
Profile Image for Luis Laranjeira.
43 reviews3 followers
August 17, 2018
De difícil leitura, mas inquietante, apaixonante! Com conteúdo histórico relevante e conceitos, frases e mensagens intemporais!
Profile Image for Eva.
142 reviews5 followers
June 25, 2023
O homem era bastante bom com as palavras, com bons argumentos. Deve ter sido grande espetáculo ir na altura aos sermões dele, porque podias apanhar em vez do típico "sejam humildes e rezem", um sermão contra o próprio deus, por exemplo.
Infelizmente esta versão dos sermões não é a ideal. Existem alguns erros ortográficos distractivos e não há traduções para a vasta quantidade de latim, levando a que eu tivesse a experiência do comum leigo nos sermões dele, sem perceber uma boa parte.
As notas de rodapé existem unicamente para apontar que versos da bíblia estão a ser referenciados, o que é útil para perceberes as vastas quantidades de latim, se costumares andar com a bíblia toda contigo.
Aconselho bastante a encontrarem uma edição melhor para ler, mas esta sempre pode ser usada como referência.
Profile Image for Jorge Schumacher.
Author 1 book32 followers
May 4, 2024
Seja ficção ou não-ficção, religioso ou não, este foi o livro mais entediante e arrastado que já li na minha vida! Tenho pena das pessoas do século XVII que precisaram ouvir estes sermões empoados (mesmo pra época), cheios de sentenças, frases e termos em latim que ninguém entendia e extremamente chatos e repetitivos.
Profile Image for Raul.
63 reviews
January 10, 2025
booooooring

já vistes o que é ter o dom da palavra e dizer merda da boca para fora?
É por isto que ele foi apelidado de Imperador da Língua portuguesa? O conceito de Imperador é por si só rídiculo e, inclusive, há imperadores que fazem merda.
Profile Image for Fernando Pereira.
171 reviews1 follower
September 19, 2025
Não é que as questões do colonialismo e da missão evangélica do século XVII nos digam grande coisa nos dias de hoje, mas vale sobretudo pela beleza da argumentação e da escrita: um misto de teologia, filosofia e lirismo Shakespeariano.
Profile Image for Hélio Oliveira.
182 reviews
October 17, 2023
Prosa de qualidade, mas algo difícil. Acho que é daqueles livros para se ir lendo com tempo, deixando-o em banho-maria algumas semanas.

65-100
Profile Image for Priscilla.
1,929 reviews16 followers
October 23, 2024
Ainda me lembro do encantamento que senti à primeira vez que li um de seus sermões. O padre não simplesmente escrevia, ele pintava com as palavras em imagens que misturavam luz e sombras, e metáforas que contrapunham seus próprios conceitos, feitas provavelmente na ânsia de fazer o leitor ver o que o autor via.

Independentemente da sua religião, ou ausência dela, é inegável a beleza dos sermões que até hoje são tidos como exemplos de composição na língua portuguesa. Se isso não bastasse, são também documentos históricos que muito interessam ao nosso povo tupiniquim.

Recomendo.
Profile Image for Nihou.
66 reviews
September 7, 2023
Finishing this book meant putting down something that had changed my life. I liked the learning about the historical and liturgical context in which Vieira lives but, more than that, I loved how he took passages I had read many times and he put a lens over them that gave them greater depth and nuance than I have ever considered.

It was wonderful seeing a mind that could bring so much out of a few words from the Bible, and his sermon to the fishes is very thought-provoking, whilst also adding to my knowledge of the fish of the Brazilian coast!

Vieira explaining how God forgives us for His glory allowed me to let go of guilt that gnawed at me like a monster. It was revelatory and I shall be eternally grateful.
Profile Image for Tiago Filipe Clariano.
35 reviews
April 21, 2025
Especificamente, sobre o Sermão aos Peixes: mostra muita criatividade em virar as costas às pessoas, que realmente critica. Os atributos dos peixes não são apresentados de acordo com as necessidades naturais, são antes vistos unicamente em função dos erros das pessoas que antes se recusaram a ouvi-lo. O sermão vive da personificação dos peixes, mas agarra-se à tradição religiosa que não permite ver mais à frente. Por exemplo, atributos que distinguem determinados peixes são os seus maiores crimes: o peixe-voador não pode voar porque não pertence a esse elemento e o mecanismo de caça e sobrevivência do polvo é tão engrandecido em termos maliciosos que faz de Judas um traidor menor.
Acima de tudo, a criatividade barroca é o que sobressai deste sermão. Interessante também os piscares de olhos "Eu estou a falar para peixes, não para pessoas, MAS se as pessoas me estiverem a ouvir, aqui estão os seus problemas".
Profile Image for Francisco Câmara Ferreira.
52 reviews
August 25, 2014
Compêndio de três dos sermões mais conhecidos de um dos nossos melhores escritores, certamente melhor pregador, (diplomata e talvez até espião), do muito turbulento século XVII. Gostei especialmente do sermão aos peixes. Neste texto o autor, através da utilização de inteligentes metáforas, se dirige a "peixes" típicos da fauna marinha Brasileira realçando os "seus" vícios e defeitos. Deste modo, de forma astuta, subtil e realmente primorosa, Vieira critica a escravatura e o modo como os colonos frequentemente tratavam-se uns aos outros, e mormente aos indígenas brasileiros.
33 reviews27 followers
August 23, 2012
De composição assaz sublime, "O Sermão de Santo António aos Peixes" é, porém, em última instância, mera alegoria apologética das normas e valores do Catolicismo.

O "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda" é vulgo sermão ideológico impregnado de nacionalismo e religiosidade.
Profile Image for Mafalda.
130 reviews2 followers
July 21, 2020
A escrita do Padre António Vieira é, sem dúvida, incrível. A linguagem é clara e as ideias fluem de forma muito lógica. Contudo não consegui gostar destes sermões por achar as metáforas utilizadas completamente absurdas, mesmo sabendo que refletem os conhecimentos da altura.
Profile Image for Pedro.
204 reviews
February 14, 2012
Tenho alguma curiosidade em ler este livro. Aventurar-me pelas questões filosóficas do Padre António Vieira parece-me suficientemente aliciante.
Profile Image for Gema.
31 reviews2 followers
May 19, 2011
Um livro que se torna algo dificil de ler por ter tantas frases em latim, mas de certa forma e no geral até foi interessante lê-lo, pois coloca muitas questões religiosas.
Displaying 1 - 23 of 23 reviews

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