"Padre Cícero" é o resultado de dez anos de pesquisa de Lira Neto, autor de livros como O Inimigo do Uma biografia de José de Alencar e só numa multidão de amores, que deu origem à minissérie da tv Globo. Nesta biografia, uma das mais aguardadas do ano, o autor se debruça sobre a vida do mais amado e controvertido líder religioso que o Brasil já Cícero Romão Batista, o Padim Ciço dos romeiros e fiéis. Baseado em documentos raros e inéditos, o autor reconta, com riqueza de detalhes, os noventa anos de vida do sacerdote, desde seu nascimento no sertão cearense até a consagração como líder popular. Santo para alguns, impostor para outros, nesta biografia o padre Cícero é alvo de um olhar preciso, que desfaz equívocos históricos e ajuda a enxergar o homem por trás do mito. Organizado em ordem cronológica, o livro é dividido em duas partes, que exploram diferentes momentos da vida de Cícero. Em "A Cruz", o foco está na religiã a ordenação como padre, os supostos milagres, os primeiros conflitos com o bispado cearense, que chegaram ao Vaticano e culminaram em seu afastamento da Igreja. Em "A Espada", o que fica em primeiro plano é a política, carreira que Cícero abraçou depois de proibido de ordenar - e que fez dele um dos homens mais influentes de seu tempo. Depois de lutar pela emancipação de Juazeiro, cidade da qual foi prefeito por quase vinte anos, Cícero elegeu-se vice-presidente do Ceará. Chegou a apadrinhar um exército de jagunços, numa revolução armada que levou à derrubada do governo local; aproximou-se de Lampião, de quem buscava apoio para combater a Coluna Prestes; arquitetou um pacto histórico entre os coronéis sertanejos, que ajudou a apaziguar a região e fez de Juazeiro o centro das aristocracias rurais do Ceará. Já perto do fim da vida foi eleito deputado federal, e ainda encontrou forças para fazer oposição a Getúlio Vargas, a quem classificava de "mensageiro do Satanás".
Lira Neto, jornalista, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti na categoria biografia, nasceu em Fortaleza em 1963. Radicado em São Paulo, escreveu, entre outros livros, Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão (Companhia das Letras, 2009); Maysa: Só numa Multidão de Amores (Globo, 2007), O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar (Globo, 2006) e Castello: A Marcha para a Ditadura (Contexto, 2004).
Foram quase três meses, mas eu finalmente consegui terminar Padre Cícero. Foi meio surreal acompanhar a trajetória de 90 anos dum homem extremamente carismático e político no sertão cearense – da ordenação como padre até seus dezoito anos como prefeito de Juazeiro, passando pelos milagres, pelo afastamento da igreja, pelas disputas (e muitas, muitas artimanhas) políticas.
Peguei Padre Cícero pra ler pouco depois de ter lido Maria Bonita: Sexo, violência e mulheres no cangaço, e a diferença da prosa da Adriana e do Lira Neto foi meio complicada no começo, mas logo eu me acostumei com a pegada mais literária do livro e me diverti bastante. Gostei muito de ver como o livro esmiuça todos os acontecimentos importantes (e alguns que estavam lá mais pra dar cor e graça pra história) da vida do padre, e fiquei particularmente assombrada com a construção de uma basílica no sertão do Ceará no meio duma da maiores secas do nordeste e com a criação de uma trincheira para proteger Juazeiro de seus inimigos (com panelas!!!!).
Ainda não sei dizer o que penso exatamente sobre Padre Cícero, mas sei que gostei muito da leitura como um todo.
Que alegria foi ler essa belíssima biografia de Cícero Romão Batista, vulgo "Padim Pade Ciço".
O livro está dividido em duas partes: "A cruz" e "A espada". O mote da primeira parte é certamente a querela sobre os milagres supostamente realizados pela beata Maria de Araújo. Teria tido Maria de Araújo a capacidade de sangrar o sangue de Cristo ao ingerir uma hóstia? Ou isso não passava de um mero truque? A minha inclinação humeana certamente me tornará descrente, mas o fato é que os supostos milagres atraíram duas coisas: a fúria da igreja católica contra o Padre Cícero e um mar de romeiros que peregrinariam para Juazeiro do Norte para ser abençoados pelo mesmo Padim.
A segunda parte do livro retrata um Cícero politicamente mais poderoso (mesmo que tardiamente na sua vida), chegando a participar, junto com a figura emblemática de Floro Bartolomeu, do processo de independência de Juazeiro em relação ao Crato. Cícero, inclusive, foi o primeiro prefeito da cidade de Juazeiro do Norte e chegou a ser deputado federal por um curto período, após a morte de Floro. As indisposições políticas de Cícero, que chegou até mesmo a contactar Lampião para unir forças contra a Coluna Prestes, mostram um período sangrento e conturbado da história do Ceará.
Esta não é apenas uma excelente biografia do Padre Cícero, mas também uma narrativa envolvente sobre a cidade de Juazeiro do Norte, da região do Cariri e do sertão nordestino.
Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão de Lira Neto
Fiquei muito curioso de ler essa biografia há um tempo já. A figura do Padre Cícero sempre esteve presente na minha infância e adolescência, tanto é que o nome da rua que eu morei a maior parte da minha vida se chama "Rua Padre Cícero". A figura do Padre Cícero é admirável! Na fala de seus opositores, fica claro o desdém pela simplicidade e a pretensão de que não poderia haver milagres divinos numa cidadezinha do interior, como se os milagres que ocorreram na Europa não tivessem se dado em iguais condições, em cidades pequenas e pessoas simples. Deu para perceber a complexidade dessa figura tão enigmática e encantadora, que recebe a devoção massiva de muitas pessoas fervorosas e que compõe parte importante do Catolicismo popular no sertão nordestino. Recomendo muito a leitura!
O livro me surpreendeu pela riqueza de detalhes onde o autor simplesmente narrou os fatos sem ser tendencioso a favor ou contra o Padre Cicero, tem horas que você o ama e horas que você o considera um manipulador, mas depois de lê você não tem como ignora-lo, ele bem ou mal, marcou a história do Juazeiro, Crato e Fortaleza, quiçá Vaticano.
Biografia excelente! Nunca estudei a fundo a história do Padre Cícero, mas sempre tive a visão pré-concebida de um grande canalha que usou da batina para conquistar fama e poder em meio ao fanatismo popular. Lendo esta biografia incrivelmente imparcial fiquei fascinado pela história deste personagem e não pude confirmar nem negar a minha visão pré-concebida, mas gerou em mim a dúvida. Se por um lado a Igreja não deu nem o benefício da dúvida sobre o famoso milagre, o "Padim" parecia gostar do poder tanto eclesiástico quanto secular, ajudava os pobres e era amigo dos coronéis, morreu rico em propriedades mas dormindo numa rede com a batina maltrapilha.Nas mãos de um bom diretor que conseguisse captar essa dubiedade do personagem daria uma excelente mini-série!
Livro incrivelmente bem escrito, traz as minúcias da história de padre Cícero sem prejudicar a dinâmica envolvente do livro desse grandioso personagem. Aqui nesta obra você acaba conhecendo a história do sertão cearense pois ela muitas vezes se mistura com a do próprio padre em diversos momentos. Lira Neto se tornou meu biógrafo preferido, me fez querer ler suas outras obras.
Uma obra essencial (e surpreendente!) para entender a formação religiosa e política no sertão nordestino no passagem para o séc. XX As histórias de milagres, guerras e disputas políticas protagonizadas pelo padre Cícero mantém a leitura sempre cativante.
Terminei esse livro querendo ir para Juazeiro. Sabia muito pouco sobre o Padre Cícero e me surpreendi com sua história, repleta de eventos extraordinários, quase inacreditáveis. Diria até que, com muitas ressalvas, simpatizei-me pelo Padre e aumentei o meu asco pela igreja católica.
Por outro lado, também é interessante o panorama da República Velha, traçado ora em escala micro, ora em escala macro pelo autor, que vai de Juazeiro ao Rio algumas vezes. E, nessas idas e vindas, pensar que boa parte dos eventos descritos ocorreu há menos de 100 anos, incomoda e até assusta um pouco.
Passei boa parte da minha vida em Juazeiro e nunca conheci a fundo a história do Padre Cícero. É cheia de conflitos com a autoridade, de eventos sobrenaturais e guerras sangrentas. E não apenas isso, o padre é carismático e boa gente, justificando o tanto de romeiros e devotos que atraiu. A escrita do livro é bastante interessante e cheia de pequenos detalhes que incrementam o mito do padre.
Cumpriu seu objetivo de destrinchar a vida de um dos mais conhecidos brasileiros. Bem escrito, mesmo que em alguns trechos tenha ficado dúbia a literalidade dos fatos ou a quantidade de licença poética do autor.
Um livro longo, desafiador e fascinante que nos submerge no sertão há um século. Embora historicamente preciso e escrupulosamente detalhado, também poderia facilmente ser a base de uma telenovela brasileira com reviravoltas surpreendentes e quase inacreditáveis na trama! Neto faz um trabalho incrível de reunir um vasto arquivo de documentos e transformá-lo em uma história poderosa, emocionante e surpreendente. Bravo!
Livro excelente, leitura intrigante, redação impecável, a melhor biografia do Padre Cícero já escrita. O estilo do autor faz a gente imaginar a história na dinâmica de um filme durante a leitura.
O livro não tem influência religiosa, mas as vezes a religião é usada como ingrediente emocional para prender a atenção do leitor no desenrolar dos mistérios contados no livro.
Esse livro conta um capítulo importante da história do Nordeste do Brasil, ao lado de outras lendárias histórias como as de Lampeão e Antônio Conselheiro de Canudos.
Uma biografia bem escrita e bem documento sobre o maior mito do Nordeste brasileiro. Uma brilhante demonstraçào da extraordinaria capacidade da Igreja brasileira a destruir com talento e perseverencia a adhesào do povo ao catolicismo romano...66 anos depois da sua morte, o idolo, o modelo, o quasi santo Padre para tantos milhoes de brasileiros ainda é o proscrito do Santo Oficio que so aceitou a sua herança financeira! Os evangelicos agradecem....
Todo nordestino deveria ler este fantástico livro para saber quem é a igreja católica e seus seguidores, que só pensam em manipular as pessoas ignorantes e crentes, em poder, e em tirar dinheiro dos outros. Saberão ainda que Padre Cícero foi tudo: cangaceiro, político, aliado de criminosos, como Floro Bartolomeu e Lampião, fazendeiro, só não foi e jamais será santo.
É inegável que a história do Padre Cícero é fascinante. Mas transformar uma biografia marcada por fatos políticos e religiosos em um romance gostoso de ler é mérito desse autor admirável. Recomendo fortemente pela experiência literária e pela história marcante do nosso Padim.
O autor não toma partido ( exceção feita às críticas veladas a Igreja) se concentra nos fatos, documentos históricos e depoimentos, e esses indicam que Cícero Romão Batista foi o mais amado, idolatrado e poderoso Coronel da sua época! Não deixe de ler!