O sofrimento psicológico é uma das marcas mais dolorosas do racismo. Pensar-se a si num contexto em que a cor de sua pele é alvo de discriminação, buscar seus valores mais profundos, fazer seu corpo emergir, respirar, fazer fluir uma memória pessoal que lhe recupere o equilíbrio, seu amor próprio, demonstrar a potência de sua cultura, de suas raízes, eis um trabalho dos mais0769 complexos e árduos que se possa exigir de uma pessoa. Não a toa, Isidinha Baptista Nogueira vem publicar esse seu trabalho seminal apenas agora, depois que circulou subterraneamente por duas décadas. A Cor do Inconsciente é um grito de liberdade!
Isildinha Baptista Nogueira é psicanalista e vive em São Paulo. É mestre em Psicologia Social pela PUC-SP e doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP. Fez sua formação nos Ateliers de Psychanalyse, em Paris, com Radmila Zygouris (uma das fundadoras da instituição) e estagiou com Felix Guattari no La Borde.
Quarto livro que termino em menos de 24 horas que eu estava enrolando há tempos para terminar, mas o espaço de meses e um grupo de estudos de um livro que precisa ser degustado saborosamente de autoria da seminal autora a pensar a negritude dentro da psicanálise é para se dar tempo ao tempo. Fundamental de cabo a rabo nas citações pertinentes e nas interpretações clínicas, talvez seu único pecadilho seja um problema da psicanálise em geral: botar na conta da mãe um excesso de culpa. Claro, a Isildinha analisa de forma brilhante o racismo estrutural, mas talvez o racismo introjetado dentro das famílias negras não seja tão contumaz quanto na época em que a autora escreveu o livro, o empoderamento e orgulho preto são muito mais pronunciados hoje, portanto, indicaria que se lesse essas partes com a devida contextualização histórica como qualquer texto de psicanálise deve ser lido.